Estranho e difícil amor: nossos animais!

Convivência em liberdade nos jardins da cidade.

Pássaro em gaiola, peixe em aquário minúsculo, animais selvagens expostos em jaulas, cachorros e gatos trancados e solitários! Há algumas maneiras bem estranhas de mostrar o quanto amamos os animais. Por mais amplos que possam ser os locais, não deixam de ser uma forma de aprisionar nossos bichinhos de estimação. Um amor intenso e controverso!

Do que há em Santos, a cidade que escolhemos para viver, algo absolutamente fantástico são os pássaros cantando, voando e levando sua vidinha ao longo do imenso jardim da orla. Há inúmeros outros que moram em árvores que ladeiam os canais que atravessam a cidade.  Outros nas alamedas e jardins da cidade. Em alguns momentos cantam, gorjeiam, piam e, sobretudo, voam livres. Às vezes vêm bem perto dos bancos do jardim, caminham pelas calçadas da praia e, algumas espécies, amontoam-se ao redor de quem as presenteia com alimento.

Em dias de águas claras é possível ver os peixes transitando pelos canais da cidade. Leves, sinuosos, costumam ficar próximos de locais onde, penso, vem comida fácil. Estão ali à mercê de pescadores de ocasião ou de predadores, gaivotas e outras aves marítimas. É um número bem menor de peixes se considerarmos a quantidade de água. Esta nem sempre está favorável, o ser humano sujando o mar de diferentes formas. Pássaros e peixes estão em todos os lugares. Todavia alternam-se placas na praia, a vermelha indicando águas impróprias com muita frequência. Lamentável. Certamente isso afeta também aos pássaros.

Sem interesse por animais enjaulados, ainda não fui ao zoológico mais próximo. Há um em São Vicente. Jaula envidraçada, o único aquário que visitei foi em Ubatuba. Faz tempo! Claustrofóbico! Por mais espaçosa que seja, uma jaula é uma jaula. E o animal ali, andando de um lado para o outro em limites artificiais. Alguns notoriamente tensos, outros apáticos; os corpos aparentemente sem a força muscular exigida pela vida selvagem.

Grandes estrelas na relação com humanos, cachorros e gatos levam vida ímpar. São paparicados, bem alimentados, bem agasalhados, dispõem de moradia, de brinquedos e inúmeros outros mimos. Os donos, atualmente denominados tutores buscam via nomenclatura “enfeitar a tapioca”. Dono ou tutor, o humano é o cara que determina quando cruzar ou castrar, já que é complicado deixar a natureza seguir seu curso. Por outro lado, ração mais veterinário estão caríssimos.

Gatos, mais “independentes”, costumam levar vida mais distanciada, deixando o dono às favas com a maior tranquilidade. Cachorros estabelecem um inegável relacionamento, e mesmo após desavenças por um momento de intempérie do tutor voltam, abanando o rabo, lambendo o humano. Chamamos a isso de amor incondicional do bichinho. Ambos, cachorro ou gato, quando muito doentes, são sacrificados. “Estava sofrendo demais!” Qual a medida? A do humano.

Há alguns meses pensamos na possibilidade de ter um cãozinho, um velho sonho. Estávamos em São Paulo, apartamento de quarto e sala. Experimentamos algum tempo e o local, minúsculo e inapropriado não era o mais indicado. Encaminhamos para outra família, com quintal enorme. Bom notar que, nesse “afeto”, decidimos ter e constatamos não ser possível naquele momento. Tristes humanos. Pobres animais que vivem sob nossa tutela. Difícil conflito entre estar com o bichinho e ter que decidir por ele.

“Nosso passarinho entra para buscar alpiste que caiu no tapete”. Vídeo de Flávio Monteiro.

Atualmente somos “donos” de pássaros. De todos os que visitam nossa sacada. Temos encontro marcado pela manhã quando é abastecido o bebedouro com água doce para colibris, beija-flores, canários e outros, mais esparsos. O segundo encontro matinal é com rolinhas e pombinhas que chegam voando e dominam o chão. Fazem grande algazarra enquanto comem o alpiste cotidiano. Estamos aprendendo um monte de coisas com eles e, breve, pretendo escrever mais sobre esses pequenos seres que chegam, cantam, comem, nos enchem de alegria e encantamento para, em seguida, irem embora, tomando conta da própria vida. Ao longo do dia voltam uns, vêm outros e assim vamos convivendo. Pessoalmente, estou mais feliz assim, com esse amor “Gilberto Gil” que, para quem não sabe, é assim, na voz d’Os Mais Doces Bárbaros:

“O seu amor ame-o e deixe-o livre para amar! Livre para amar! Livre para amar.

O seu amor, ame-o e deixe-o ir aonde quiser! Ir aonde quiser! Ir aonde quiser.

O seu amor,

ame-o e deixe-o brincar

ame-o e deixe-o correr,

ame-o e deixe-o cansar,

ame-o e deixe-o dormir em paz.

O seu amor, ame-o e deixe-se ser o que ele é! Ser o que ele é! Ser o que ele é.

Boa semana!

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