Pasqualino Ostereistedt, um coelho alemão radicado no Brasil, comerciante informal de ovos de Páscoa e de similares, é o próximo convidado do Trem das Lives, neste domingo, 4 de abril. O simpático mamífero virá nos contar sua origem e outros costumes e histórias dessa data comemorada em todo o mundo. A live é parte alusiva às datas comemorativas, da série criada por Fernando Brengel e Valdo Resende
PASQUALINO OSTEREISTEDT, O SETE BELEZAS
Nascido na pequena cidade de Ostereistedt, no Norte da Alemanha, na Baixa Saxônia, único macho de uma prole de oito filhos, Pasqualino tem sete irmãs, daí o codinome Sete Belezas. Comerciante dos ovos produzidos pela esposa, o Coelho mais querido encarrega-se, junto aos filhos – ele tem dezenas – de entregar todo o chocolate produzido em casa.
Guardião dos costumes e lendas da sua terra, Pasqualino adora conversar e contar suas histórias, embora se meta em confusões frequentes, dado ao jeito rebuscado de resolver certas situações. Em crise quanto aos ovos tradicionais e a nascente produção de ovos veganos, Pasqualino está encrencado e busca refúgio, quando nos encontra para um bate-papo.
Dos costumes pascais ao universo pop dos coelhos, incluindo entre outros as coelhinhas da Playboy, o mega star Roger Rabbit e o temido Sansão da Mônica, o Trem das Lives vai brincar de teatro e de contação de histórias via live “tradicional”, ou seja, uma entrevista com direito a pitacos dos viajantes, seguidores do nosso Trem.
OUTRAS PERSONAGENS DO TREM DAS LIVES
Terceira personagem de uma série em andamento, Pasqualino Ostereistedt vem fazer companhia a Papai Noel, que encantou e alegrou o Natal do nosso público e, também, a Fernandito Bombonera, astrólogo argentino que, em janeiro passado fez humoradas previsões para os viajantes do Trem das Lives.
A ideia, segundo os criadores Fernando Brengel e Valdo Resende, é manter o formato live, ou seja, uma entrevista com possíveis interações com os internautas, mas contando e celebrando as festas comemorativas via personagens tradicionais do folclore mundial. Outros virão? Provavelmente! O formato se manterá? Nosso norteador é a criatividade e a vontade de estar em sintonia com nosso público.
Alternando criação e entrevistas com convidados reais, o Trem das Lives vem ampliando horizontes, apresentando escritores, músicos e profissionais de destaque que interessam para que tenhamos um painel da diversidade criativa do povo brasileiro.. As viagens desse trenzinho ocorrem aos domingos, no Instagram, às 18h00, com duração de 1h. A divulgação é feita pelos idealizadores e convidados via Facebook, Twitter e o próprio Instagram.
SERVIÇO:
Pasqualino Ostereistedt, o Coelho da Páscoa no Trem das Lives
Nós, professores, ficamos muito felizes quando nossos alunos conseguem êxito profissional. No próximo domingo, o Trem das Lives fará um encontro entre Fernando Brengel e Rafael Sena; este, foi nosso aluno (Meu, do Brengel, Claudia Bouman, Regina Cavalieri… ) no Campus Marquês. Veja abaixo as informações sobre a live e o texto de Brengel para a apresentação do nosso convidado.
Jovem, extremamente ativo, Rafael Sena conheceu muito cedo o sucesso profissional.
Após perambular por expressivas empresas de relações públicas e de conteúdo, o publicitário especialista em comunicação digital encarou um desafio monumental: coordenar as redes sociais da Olimpíada Rio 2016. Trabalho deliciosamente insano e motivador. Três anos divulgando aspectos do maior evento esportivo do mundo.
O imenso fôlego do Rafael cravaria, logo em seguida, outra marca importante. Após voltar do exterior de um misto de férias e estudos, assumiu o cargo de Supervisor de Marketing do Comitê Paralímpico Brasileiro.
No Trem das Lives desse domingo, o entrevistado mostrará o que pouca gente conhece, os bastidores daqueles que têm por missão informar o público a respeito de encontros esportivos do porte das Olimpíadas e Paralimpíadas. Histórias saborosas, emocionantes e, acima de tudo, reveladoras do nível de profissionalismo envolvido.
Um dos temas da entrevista centra-se nas questões afeitas às competições desse ano, a serem realizadas em um momento atípico da História devido à pandemia.
Estava aqui, com meus botões já gastos de tanto confinamento e, de repente, deixei a memória ir longe, onde tudo é possível. Com jeitinho, tudo é até melhor, mais bonito, mais saudável. Benditas lembranças que nos permitem ir para onde a gente bem quiser. E viajar está, desde sempre, entre as coisas que mais gosto. Pode ser para logo ali, ou lá, mais além-mar. No final da estrada, onde Judas perdeu as botas. Nos cafundós desse Brasil imenso…
Vamos indo de carona
Na garupa leve do vento macio
Que vem caminhando
Desde muito tempo, lá do fim do mar
O vento me leva para a estrada, pela Via Bandeirantes, e só me sinto saindo de São Paulo quando passo pelo Pico do Jaraguá. Começam a surgir mesmices reflorestadas, mas verdes, plenas do verde e, em dias bons, do perfume de eucaliptos. Pensamento recorrente, ressinto-me da falta de verde e a memória me joga lá pra adolescência, em Uberaba, quando pegava a bicicleta e ia pra zona rural (Na época era zona rural). Passava o posto da Fepasa de Amoroso Costa e entrava no corredor de gado, passando por Rodolfo Paixão e sempre parando em encruzilhada, para onde era só mato, descansando e meditando sobre… nada.
Vamos visitar a estrela da manhã raiada
Que pensei perdida pela madrugada
Mas que vai escondida
Querendo brincar
Minha estrela está além da Bandeirantes, entrando pela Via Anhanguera afora até atravessar o Rio Grande e entrar em terras de Minas. O percurso é longo e, sem pressa, vou degustando a viagem. Nem passei por Jundiaí! De um lado da estrada a cidade, e do outro, fazendo uma linha com o horizonte, um campo de aviação onde é possível ver aviões decolando ou pousando. Aviões ínfimos se comparados aos maiores que, daqui a pouco, serão vistos à esquerda de quem sai de Sampa. Descem e sobem no rumo de onde deve estar Viracopos, onde trabalhei e depois, muito tempo depois, voltei como passageiro.
Escolho deixar a Bandeirantes e entrar no primeiro trevo da Anhanguera, em Campinas. Penso nos meus avós, nos meus tios e sigo em frente. Passo pelo que restou da Bendix, onde trabalhei e, no lado oposto ao da empresa, vejo ao longe o bairro onde morou minha prima Dalva. Há muito não vou por lá.
Senta nessa nuvem clara
Minha poesia, anda, se prepara
Traz uma cantiga
Vamos espalhando música no ar
Antes que Campinas fique para trás vem forte a lembrança de meu irmão. A entrada da Via Dom Pedro (nunca sei se é primeiro ou segundo) sai em direção ao bairro onde Valdonei morou. Sinto saudade e vou rezar por ele quando passar em frente à Igreja de Nossa Senhora Aparecida, que lá atrás o Pe. Líbero não quis como paróquia por estar isolada, muito isolada. Ela está próxima de escombros do que um dia foi a fábrica de óleos Minasa, onde também trabalhei. Por seis meses! Esse pedaço da estrada pesa um pouco. Melhor tocar em frente.
Olha quantas aves brancas
Minha poesia, dançam nossa valsa
Pelo céu que um dia
Fez todo bordado de raios de sol
Deixo a mente vagar e só vou atentar para outra fábrica, de cachaça, em Pirassununga. Meu padrinho Nino era chegado em pinga. “… Porque gosto dela, bebo da branca, bebo da amarela, com limão, cravo e canela…” Em Pirassununga ele cumpriu obrigação de jovem, no exército. Meu pai gostava de atirar, se destacou em tiro ao alvo, no exército. Eu gosto de exército circunscrito ao exército, se estou sendo bem claro.
Vai demorar um bocado pra chegar a Ribeirão Preto. O reflorestamento ainda aborrece, mas já consigo ver resquícios de mata ciliar, de montes cobertos por… quem sabe, mata original. Há um imenso aclive no que pessoalmente chamo de Serra de Santa Rita. São quatro quilômetros de subida que sempre, na volta, descíamos na banguela economizando gasolina. E nem estava no preço que está hoje! Logo passarei por Cravinhos e por Ribeirão Preto.
Oh poesia, me ajude
Vou colher avencas, lírios, rosas, dálias
Pelos campos verdes
Que você batiza de jardins-do-céu
A Via Anhanguera tornou-se uma longa marginal que atravessa Ribeirão Preto. Em direção a Minas fiz todo o trecho que vai do trevo principal, entrada para a cidade, até o viaduto da Fepasa, sobre a estrada que, quando eu era criança, ficava em pleno mato. Duas caminhadas memoráveis:
Com papai e mamãe saímos de trem de Uberaba para Ribeirão Preto. A estação de trens era bem nova, mas estava no meio do mato. Por indicação da minha tia Olinda, descemos do trem e caminhamos pelos trilhos (quem está na estação de Ribeirão Preto é sentido Campinas) até o tal viaduto, descendo deste até a estrada e, mais uma boa caminhada, até chegar à Vila Abranches.
Dessa mesma Vila, outra vez saí com meu primo, caminhando pela estrada em direção oposta, até o trevo (na época era o único) e, entrando para a cidade, passávamos por uma fábrica de bolachas, de onde sempre vinha um cheiro delicioso de coisas assadas. Uma caminhada tranquila, interrompida por um temporal de verão. Entramos ensopados pela cidade e, como dois bons adolescentes, tomamos rumo da Praça XV de Novembro onde não tomamos chopp do Pinguim, mas tomamos sorvete sentados nos bancos da praça.
Mas pode ficar tranquila, minha poesia
Pois nós voltaremos numa estrela-guia
Num clarão de lua quando serenar
Nunca mais voltei. A cidade passou a ser um ponto por onde vou ou volto. Passando pela Vila Abranches recordo canções ouvidas na infância, leite tomado quentinho, ouvindo o barulho dos animais todos da chácara de D. Dina. A estrada pede caminho, ir em frente, vou passar pelo Rio Pardo e olhar em direção a Jardinópolis, por onde gostava de passar quando viajávamos de trem. Em Orlândia, inevitável, vou recordar uma viagem com Tia Amélia, para visitar meus padrinhos Toninho e Rosária, queridos, muito gentis. Em São Joaquim da Barra passo por uma placa que anuncia faltarem 100 quilômetros para Uberaba. Dependendo do motivo da viagem rola desespero ou alívio…
Pioneiros é um local que um dia foi chamado de Bacuri. Fica logo após São Joaquim da Barra e é um lugar da maior importância. Lá nasceu minha mãe, Laura, batizada no município vizinho. Não é o momento de entrar e rever as velhas casas que restaram da extinta estrada de ferro que, atualmente, passa longe dali. Passando por Buritizal já me sinto próximo de coisas de Guimarães Rosa. Minas está perto.
Ou talvez até, quem sabe,
Nós só voltaremos no cavalo baio
O alazão da noite
Cujo o nome é raio, raio de luar.
Já estou ansioso e não vejo a hora de atravessar o Rio Grande, quando nunca deixei de pensar: cheguei! Minas tem um cheiro, um ar… Minas tem as montanhas, e logo após o Rio começa um brincar de montanha russa, com um sobe e desce de responsa. A memória, bendita memória. Essas longas subidas e descidas me lembram Beto Rockfeller, o inesquecível personagem interpretado por Luís Gustavo. Pra fazer firulas com a namorada, o Beto apostou que chegaria de helicóptero em uma festa. Para conseguir a aeronave, alegou aos proprietários que precisava levar um doente para Uberaba. Aquele sobe e desce horrível da estrada tinha que ser evitado e, para isso, só voando. Conseguiu.
São angustiantes os minutos que antecedem passar pelo Catetinho, um antigo restaurante atualmente em ruínas. Às vezes parecem eternos, o trecho longo demais, enlouquecedor de tão longe. E o pior é ter a certeza de que, quando na volta, passará rapidíssimo, aumentando o distanciamento da cidade amada. Mas passo pelo Catetinho, logo, logo, por uma ponte sobre a estrada de ferro, e aí não tem mais lero-lero. Estou em Uberaba.
Vamos visitar a estrela da manhã raiada
Que pensei perdida pela madrugada
Mas que vai escondida
Querendo brincar
Já sinto cheiro de café, pão de queijo, bolo… Sinto o calor de abraços, a ternura de beijos.
Viagem (a número um, letra que me inspirou aqui) é canção de João de Aquino e Paulo César Pinheiro. Convido você, leitor, a ouvi-la na interpretação de Marisa, a Gata Mansa.
Um canal com os registros dos vídeos realizados pelo Trem das lives já está disponível. Os interessados podem interagir e, inscrevendo-se, receber as novidades que estamos preparando para o canal. Logo teremos todos os registros das lives disponíveis para todos.
Sei que ainda vou voltar… onde hei de ouvi cantar uma sabiá (Chico Buarque, Tom Jobim)
Um ano sem ir a Uberaba (maldita pandemia!). Toca a viver de lembranças…
E eu sinto uma saudade insana da estrada, da sensação de voltar, chegar na cidade onde nasci.
As primeiras saídas, tentativas de mudança foram confusas. Era um querer vir, não querendo, diria a personagem popular. Era comum viajar chorando, o rosto escondido, olhando a noite pela janela do ônibus. A juventude garantia ânimo e força para voltar na semana seguinte. Era o ir e vir constante, gerando sextas-feiras de ansiedade, segundas-feiras de cansaço.
São Paulo e a vida, aos poucos, exigindo outras posturas. E de uma vez por semana, passei a visitar a cidade uma vez por mês. Não contabilizei o tempo. Mas o trabalho foi exigindo e, aos poucos, a vida mudando… Uberaba passou a tomar todos os feriados.
Tempo, tempo, tempo… E chegou o período de ir só nas férias, em aniversários especiais, visitas a doentes. Nunca mais que quatro meses sem visitar a cidade. Não pensava, nunca cogitei de ficar distante um ano inteirinho.
201 anos! O ano que não vi. Um ano!
Ano passado era pra ter sido uma festa enorme, a gente comemorando o bicentenário da cidade com lançamento do Uberaba 200 anos – No Coração do Brasil, “Euzinho” lá, entre os poetas da cidade no livro organizado por Martha Zednik de Casanova.
Foi o que tinha de ser.
Hoje acordei após sonhos. Nesses, estava lá, como em muitos outros. Esta quarentena infinda não manda nos meus sonhos. E o bom de sonhar é que o tempo não conta. Vejo meu quintal como há muito não é mais, com goiabeira, laranjeira, mamoeiro, jabuticabeira… Sonho com o quarto que dividi com meu irmão e que, após ele se mudar para Brasília, pintei todos os móveis de preto, para desalento da família (Eu era dark e não sabia!). Sonhos… Minha cidade dentro dos meus sonhos.
Uberaba! Tá na hora de pedir versos emprestados a Caetano Veloso:
“por mais distante, o errante navegante, quem jamais te esqueceria…”
A pandemia ainda está aqui, aí, em todo o Brasil. O que deveria ser festa pede apreensão, cuidado dobrado. Recebo notícias de minhas irmãs, trancadas sem que sejam Carmelitas, Concepcionistas. Não vão ao Carmelo, à Medalha Milagrosa. Não vão a lugar nenhum. E, daqui, reitero: Não saiam! Tomem cuidado! A vacina taí!
“por mais distante, o errante navegante, quem jamais te esqueceria…”
Por mais que vivamos tempos sombrios, ninguém vai nos tirar os sonhos, os desejos. Por isso lá vai meu desejo maior neste 02 de março:
Feliz aniversário, Uberaba! Que todos tenham saúde!
Que todos os doentes se curem! Que todos sejam vacinados.
Que possamos estar juntos novamente, presencialmente!
Imagine-se o personagem dessa história: Ocorreu denúncia e há fortes indícios de desvio de verbas na instituição da qual você é, recente e temporariamente, responsável. De imediato, não sendo estúpido e acreditando minimamente nos princípios que norteiam a justiça, irá resistir às acusações. Exigirá procedimentos e protocolos legais.
Nosso personagem é filho de mãe costureira e pai operário e fez carreira na própria instituição que vem a dirigir. A “coisa” pela qual acusavam a instituição vinha de antes, quando ele não dirigia o local. Justamente por conhecer um pouquinho dos trâmites, ele já ouviu falar de um tal princípio de não autoincriminação: ninguém pode ser obrigado a fornecer algo que o possa incriminar. O texto jurídico é mais complexo, mas fica claro que ao indivíduo é dado o direito de perguntar ao investigador: – Você tem mandado? Não, então não vou te abrir minhas gavetas.
Senso comum difundido em filmes e novelas, todo criminoso se diz inocente. Até a Suzane Von Richthofen, aquela que matou os pais, se disse manipulada pelos outros dois criminosos… Então, o lance é desconfiar e – triste hábito humano – melhor condenar que investigar e julgar as verdadeiras motivações que levam autoridades a apresentarem criminosos. Jesus Cristo que o diga!
Como nosso personagem estava dificultando a vida dos investigadores, coisas aconteceram. Nas paredes da instituição apareceram pichações dando como certo o roubo e exigindo solução: “ladrões devolvam os oitenta milhões”! As autoridades tocam a pressionar, o personagem é afastado do trabalho e por obstruir a justiça é levado preso. Obstruir é uma palavra incrível, como várias outras usadas pela justiça. Imagina se o profissional de direito irá usar termos comuns, tipo impedir, atrapalhar, dificultar… Obstruir! É muito mais forte.
E por obstruir a justiça nosso personagem tem sua instituição invadida por 115 policiais – CENTO E QUINZE!!! – sendo preso, levado para uma penitenciária com pés acorrentados, mãos algemadas e submetido a revista íntima. Aqui cabe um aparte: a justiça jamais olha o que há no cu do sujeito; ela inspeciona cavidades corporais… Sorry, mas tenho muitas cavidades; orelhas, nariz, boca, olhos, uretra e, para ser minimamente elegante, ânus. Cabe especificar onde ocorre a revista.
Pouco depois, no interessante jogo que é o entra e sai da justiça, nosso personagem foi liberado, mas jamais voltou a entrar na instituição onde estudou e trabalhou. Nas ruas era chamado de ladrão, corrupto. Cometeu suicídio em 2017.
Hoje, 23.02.2021, vem à tona outra parte da história. Nosso personagem era Reitor da Universidade Federal de Santa Catarina. Não seria fácil prender um homem nessa posição (pés acorrentados! Mãos algemadas! Revista íntima!). Aí, segundo material divulgado por Mônica Bergamo, uma delegada forjou um depoimento de testemunha que ela não inquiriu, “com escrivão e tudo”. Forjou é palavra chic para falsificação. Todos sabemos, falsificar é coisa de bandido. A delegada forjou e não o fez sozinha, há um escrivão na jogada. Esse depoimento consta do inquérito que leva à prisão do Reitor. Tempos depois, a advogada recebeu um cargo no Ministério da Justiça.
Já Luiz Carlos Cancellier de Olivo, o reitor… O cara já morreu, então… hoje tem eliminação do BBB. E o Brasil segue.
Notas:
Se você não gosta de inverdades (substantivo leve para não tachar o sujeito de mentiroso) e deseja maiores informações, comece pelas notícias de hoje clicando aqui e aqui.
De todas, parece que esta será a mais cinza entre as quartas-feiras de cinzas. E que o dia se justifique conforme sua razão de existir: um marco para a mudança de vida. As chances de mudança são, infelizmente, muito poucas. Nem o carnaval aconteceu da forma que nos habituamos a cantar o primeiro verso da canção de Vinícius de Moraes: “acabou nosso carnaval…”.
Assim como 1º de janeiro se torna irrelevante quando constatamos que a mudança de ano não muda nada, a Quarta-Feira de Cinzas de 2021 tende a celebrar tão somente a fragilidade humana, a vida efêmera tirada das 1.100 vítimas mortas cotidianamente pelo COVID. Esse média, horrorosa, não converte ninguém, não muda comportamento de ninguém.
… Pelas ruas o que se vê É uma gente que nem se vê Que nem se sorri Se beija e se abraça…
Nessa quarta-feira aqueles que se recusam a usar máscara continuarão assim, favorecendo a circulação do vírus. E justificarão sua atitude baseadas em disse-me-disse doméstico no WhatsApp, o espaço de fofoca da era virtual. Esse mesmo espaço onde irão circular vídeos de “profissionais” (entre aspas, pois são assassinos) que fingem vacinar idosos. E entre um copo de cerveja e outro, nas esquinas de São Paulo e de outras cidades, discutirão acaloradamente os destinos dos participantes do BBB e, entre um “Vai, Corinthians!” e outro “O Palmeiras não tem mundial!”, seguirão a vida rumo à Pascoa, período que deveria ser de excelência em mudanças, mas que será mais um marco do mesmo.
Tenho refletido sobre o que poderia vir a sensibilizar as pessoas. Nosso país tem absurdos tais em que o governo oferece via comercial de TV um curso de educação “baseado na ciência”. E ante a angustiante falta de vacina, o contraponto é a liberação da compra de seis, SEIS, armas de fogo por pessoa. A mensagem sugerida é a de que quem pode comprar mata quem não pode? No mínimo domina e faz calar a boca.
…Quem me dera viver pra ver E brincar outros carnavais…
É complicado viver com o inimigo logo ali, além da porta. Está no outro e, na impossibilidade de detecção, todos os outros são os portadores do vírus que mata. Há sobreviventes, dizem alguns. Mas, como saber que estaremos entre os sortudos? A presença de uma vacina à conta-gotas faz aumentar a ansiedade entre a perspectiva de fim de prisão e o receio de morrer na praia, olhando o calendário e contando os dias que faltam para chegar a nossa vez: de morrer ou de nos vacinarmos.
E, no entanto, é preciso cantar Mais que nunca é preciso cantar É preciso cantar e alegrar a cidade…
A gente vive não só de teimosia, mas da lembrança do olhar de mães que nos disseram que estava tudo bem, da segurança que nossos pais nos transmitiam guiando-nos nas travessias perigosas. Esses seres humanos que nos ensinaram a confiar na justiça divina, seja via Deus dos Hebreus, seja via Xangô ou a Lei do Retorno. No merecimento de uma vida melhor, conforme o que cada religião prega. E, ante o desconhecido e a incerteza do que nos virá, melhor é ficar por aqui, com nossos irmãos, com nossos amigos. E é por isso, talvez, que a gente luta e não desiste.
A tristeza que a gente tem Qualquer dia vai se acabar Todos vão sorrir Voltou a esperança É o povo que dança Contente da vida, feliz a cantar…
Ano passado, ingenuamente, pensamos ser breve os anunciados quinze dias de uma quarentena que permanece. Agora temos a vacina em andamento e espero que todos tenhamos o direito de tê-la em nossos corpos, que é o que realmente interessa. Talvez, essa quarta-feira, esse período de quarentena que antecede a Páscoa, seja realmente a passagem para um mundo sem medo. Então, certamente lembraremos desta como a mais cinza, entre as quartas-feiras de cinza que, graças aos céus, aos santos, aos deuses, aos orixás… virou cinzas, ficou no passado.
Notas:
A foto acima foi feita em Recife, o mestre Luiz Gonzaga na praça.
A Marcha da Quarta-Feira de Cinzas é música de Carlos Lyra e Vinícius de Moraes. Ouça a canção! É linda e cheia de esperança. A gravação que escolhi é de Elis Regina, na primeira fase de sua carreira, no Fino da Bossa.