Um carnaval possível nesse momento! Fernando Brengel, o rapaz atrás dos óculos sem lente e dos óculos com lente, primeiro da foto acima, conduziu o Trem das Lives deste domingo. Sem querer querendo, o Trem das Lives reuniu convidados que participam do carnaval paulista, resultando na presença de quatro queridas e grandes escolas de samba da nossa cidade.
Amanda Salles, na foto acima ao lado do Brengel, é destaque da Rosas de Ouro e evidencia em cada fala um profundo amor pela escola. Lembrou momentos legais e outros de sofrimento, mas que mostram a relação dos integrantes com suas agremiações. Atenção para a palavra destaque: Amanda é linda!
O casal Rafael Nascimento e Walquíria Silva, responsáveis pelo camarote e Júri do Troféu nota 10, e pela organização e realização do evento da premiação durante 13 anos, tem histórias para dez lives sobre esse Prêmio, sobre histórias de carnaval. Um casal respeitado e querido pelos sambistas de todas as escolas.
Carlos Ono, que já estudou Propaganda e Marketing conosco, é típico representante de uma expressão muito comum em São Paulo, “tem japonês no samba”. O rapaz é descendente de japoneses, apaixonado pela Império da Casa Verde, escola que defende com garra.
Alexandre Cremonini Furniel é folião apaixonado e foi o nosso anfitrião na Acadêmicos do Turucuvi. Levados por ele, Fernando Brengel e eu desfilamos pela escola em carnavais inesquecíveis! Alexandre aproveitou para nos contar sua experiência com desfiles cariocas.
Finalizando a foto, Bob Valdo, que não canta reggae, mas que adora Bob Marley e que promete sair mais ou menos assim no próximo carnaval…
Veja detalhes dessa live gostosa via link abaixo! Aproveite a festa com a segurança necessária, fique em casa e seja responsável! E, também, atento para a próxima viagem do Trem das LIves.
Ando apaixonado por Viola Davis. A atriz de “How to get away with murder” (no Brasil: “Como defender um assassino”) é um imenso presente para todos aqueles que gostam da arte de atuar. A série narra a história de uma advogada criminal e professora que, com um grupo de alunos, realiza trabalhos práticos, desvendando casos e defendendo clientes. A história se passa na Filadélfia. Annelise, a personagem de Viola Davis, estudou em Harvard, tradicional universidade que forma grandes advogados.
Vou cuidar para não dar nenhum spoiler (embora eu faça teatro e pouco me importa saber qual é o final!). O fato é que a Viola Davis aparece como uma jovem, dez anos antes do tempo em que transita a série; em outro momento ela é a professora sóbria que, em circunstâncias específicas, entorna litros de vodca. Ela aparece como a esposa apaixonada, a amante fogosa, a namorada que se entrega pela necessidade de afeto. Viola também é a filha, rebelde, problemática. Pode ser a mãe com todo a beleza e o drama da maternidade e por aí vai. Conforme caminha a história em, até agora, seis temporadas.
Fico imaginando o dia a dia dos roteiristas da série: dá pra escrever o que vier na cabeça, pois contam com uma atriz que faz. Além de se colocar na situação (o que é o trabalho de muitos por aí), Viola compõe sua personagem. Cada fase, cada persona de Annelise nos é mostrada com apuro técnico, sofisticada composição. E por mais que o roteirista pire, por exemplo colocando-a como se fosse adolescente sob as cobertas com medo do mundo, ela vai lá e faz! Como tudo é feito com muito critério a gente não estranha, apenas se surpreende e fica encantado com o trabalho da atriz.
Fico de saco cheio com “atrizes e atores” que mal trocam de roupa. Pior aqueles que, sem coragem de enfrentar as grandes produtoras, fazem a “mesma personagem”. A bonitinha e o bonitinho que, espero, devam agradecer aos céus e à genética pelo físico, costumam ter prazo de validade. É só pesquisar a quantidade de astros e estrelas já desaparecidos para confirmar esse prazo. Nem vou questionar o talento desse contingente de profissionais do momento. Vou sim, reiterar, que gente como Viola Davis está no mesmo patamar que Laura Cardoso, Fernanda Montenegro, Lima Duarte, Milton Gonçalves, Francisco Cuoco, Natália Thimberg… Para esse tipo de gente sempre haverá um bom papel que será feito com excelência.
Viola Davis não é Annalise Keating. Jamais confundiremos a atriz com as mil facetas da personagem. Ainda mais que já vimos Viola em, por exemplo, “Doubt”(Dúvida) ou em “The help” (Histórias cruzadas). Não temos a menor ideia de quem e como é a pessoa Viola Davis. Será preciso batalhar atrás de entrevistas, vídeos e similares para saber quem é realmente a atriz. E aqui dou o último motivo que me levou a esse texto: ser levado a opinar sobre um moço massacrado no BBB21. Bonito, o rapaz se coloca em situação e faz novela. Aí, confundiram o moço com a personagem, e estão assustados por vê-lo como realmente é no programa de tv. Pois então, ele não ator; ele não é Viola Davis. Sacaram?
Até mais!
Nota: “How to get away with murder” (Como defender um assassino) é seriado disponível no Netflix.
Jovem, talentoso, dedicado à Paleoarte. Rodolfo Nogueira é uma das maiores expressões dessa especialidade, voltada a ilustrar animais pré-históricos. Algo que lhe rendeu sucessos, como desenhar uma das capas da Nature, principal revista científica do planeta.
Veja abaixo um vídeo criado pelo artista;
Para conhecer um pouco mais sobre o trabalho do Rodolfo, bem como suas deliciosas histórias, é só se conectar com o Trem das Lives nesse domingo.
A cidade faz 467, eu sei! Todavia ela “nasceu minha” quando após atravessar bairros distantes o ônibus tomou a Marginal Tietê. Estava amanhecendo e o sol inundava outdoors coloridos, informando para o jovem ansioso uma prévia do que estava por vir: peças de teatro, shows, lançamentos imobiliários, novos carros, liquidações. Janela aberta, o cheiro era péssimo, o movimento intenso e a cidade… São Paulo é linda! A cidade que escolhi para crescer.
O Terminal Rodoviário da Luz era de um colorido de gosto muito duvidoso, mas só pude atentar para isso mais tarde. Um taxi me levou para a Avenida Paulista, meu primeiro endereço na cidade. Nada ruim para um migrante, desses milhões que buscam a cidade para melhorar de vida. O quarto que ocupei ficava de frente para a avenida. Aprendi a conhecer o barulho de pneus sobre asfalto molhado e a contabilizar o tempo em que os coletores levavam para recolher os resíduos que, na época, eram chamados de lixo mesmo.
O emprego veio rapidamente, graças ao movimento intenso da Rua 25 de Março onde não trabalhei, mas sim na paralela, Rua Abdo Schahin, em uma imensa atacadista de tecidos. Guardo os gritos de “pega ladrão” e a memória de um gatuno descendo a Rua Constituição, materializando um milagre de equilíbrio ao não cair na íngreme ladeira. Conheci hábitos estranhos de solidariedade quando proprietários de lojas desciam as portas por UM MINUTO em protesto político de ocasião e, do meu patrão, recordo a primeira vez que lamentei profundamente não ter um gravador em mãos. Quando a Secretaria de Trânsito colocou placas impedindo estacionamento em frente à empresa, ele ligou para um certo Paulo: “- Escuta aqui, moleque! Quem te colocou aí fui eu!”. Alguns minutos depois voltaram tudo ao que era antes.
Frequentei o primeiro curso universitário no Mosteiro de São Bento. Desde então apaixonado pelos sinos, pelos cânticos gregorianos e também pela lembrança de comer salgado em bar fechado pelos órgãos oficiais. Estavam usando ração de cachorro no recheio de pasteis. Também guardo do largo de São Bento uma briga terrível de gangues de meninos, mostrando toda a violência que a vida nas ruas produz. Depois, na mesma praça, aprendi a panfletar com Francisco Milani, e a correr da polícia que, na região, tem por hábito dar bordoadas em trabalhadores informais (ainda hoje!),
O objetivo era fazer teatro e os ensaios eram em Santo André. Isso significava tomar um trem lotado, comendo qualquer gororoba durante o trajeto. Estreei na capital direto no Teatro Oficina, hoje vizinho aqui de casa. Uma mostra teatral com inúmeros grupos, perdida no tempo, guardada na minha história pessoal. Reviravolta brutal no que eu pensava sobre a profissão veio com a peça Macunaíma, Antunes Filho dirigindo o Grupo Pau Brasil, em apresentação no Theatro Municipal de São Paulo. Voltei para minha casa completamente abalado e a única certeza diante do maravilhoso espetáculo: eu não sabia fazer teatro. Tempos depois, quem diria, estava eu como assistente de Antunes, na última versão da peça que rodou meio-mundo.
A tentação em contar, rever tudo o que a cidade me propiciou, é imensa. Vou saltar para aposentadoria que desfruto após décadas de trabalho na cidade. Nessa condição, quando muitos retornam para a terra natal, minha opção é viver aqui. O tempo me fez paulistano e sinto-me moldado para viver em São Paulo. Poderia aqui enumerar amplas possibilidades de consumo, outras tantas relativas à arte, cultura, saúde, educação… Não se trata disso ou daquilo, mas do todo. Da cidade que é São Paulo e que, após 42 anos por aqui, posso afirmar com tranquilidade: Não conheço quase nada, mas daquilo que sei e que tenho por meu não abro mão.
Parabéns, São Paulo! Parabéns paulistanos! Parabéns aos imigrantes que, tomando a capital, cuidam e a amam com toda a intensidade que a “minha cidade” merece.
Jaime Spitzcovsky é uma das principais referências do jornalismo brasileiro. Aos 22 anos tornou-se Editor de Internacional da Folha de São Paulo, o jornalista mais jovem de toda a história do veículo a ocupar uma editoria.
Seu talento, inteligência e cultura o levaram, entre 1990 e 1994, a ser correspondente em Moscou pela Folha e TV Cultura, bem como, entre 1994 e 1997, trabalhar em Pequim.
Jaime tem muito o que contar. Por isso, é o convidado do Trem das Lives desse domingo.
O Trem das Lives desse domingo vem com carnaval e samba de campeão!
O destaque fica por conta de Eduardo Santos, Presidente do GRES Acadêmicos do Tatuapé. Um homem devotado à Escola e ao carnaval.
Para garantir a evolução nota 10 do programa vamos conversar sobre os efeitos da pandemia, as soluções possíveis, assim como conversaremos sobre o que podemos esperar para o carnaval de 2021
Acadêmicos do Tatuapé em desfile de 2016 – Foto arquivo pessoal
Como estão sobrevivendo os profissionais que fazem o carnaval? Fornecedores de matérias primas para fantasias, para carros alegóricos, instrumentos musicais… A lista é bem maior, pois envolve oficinas de costura, de adereços, além de uma infindável lista de trabalhadores: escultores, aderecistas, desenhistas, arquitetos, cenógrafos, carpinteiros, eletricistas, além daqueles que, evidentemente, são a alma da escola: compositores, puxadores, passistas e todos os diferentes personagens que garantem o brilho da festa.
Recentemente vi em uma live da Teresa Cristina uma belíssima cantora, sambista paulistana, dona de uma voz espetacular. Com uma garra incomum, bom humor, e sem deixar o samba de lado, a moça informou que estava sobrevivendo vendendo perfumes e fazendo faxina. Que ótimo que essa profissional está conseguindo sobreviver. A questão é que o carnaval envolve milhares de trabalhadores brasileiros.
Em outros anos estaríamos ultimando preparativos para desfiles de escolas de samba, saídas de bloco, bailes. Os ensaios estariam fervendo e teríamos as chamadas televisivas para desfiles nos sambódromos paulista e carioca. Por todo o país há milhares de pessoas que, sem carnaval, ficarão sem salários ou terão seus ganhos reduzidos.
Centralizo essa pequena reflexão nas escolas de samba, pois tais agremiações são representantes de comunidades inteiras, para as quais são prestadoras de serviço, normalmente facilitando ações educacionais, além de oferecer assistências diversas. As verbas são obtidas em feijoadas, ensaios, shows na própria escola e em locais onde são contratadas e, obviamente, verbas dos meios oficiais para fazer o carnaval e dos prêmios recebidos.
Em termos de economia os números são imensos. Em 2020 a previsão de faturamento esteve em torno R$ 8 bilhões, dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Há que se pensar que o evento gera milhares de empregos temporários nos meses de janeiro e fevereiro, quando pensamos em ambulantes, prestadores de serviços diversos que auxiliam no bem-estar dos foliões garantindo alimentação e objetos de consumo imediato. Isto sem contar o setor de transportes e toda a cadeia turística que envolve passagens, estadias em hotéis e pousadas e vagas disponibilizadas no mercado informal… a cadeia é imensa.
Por todo o Brasil há gente sem trabalho por conta da pandemia. Chamo a atenção para o pessoal do carnaval, especificamente das Escolas de Samba, pelas características peculiares que, embora assinaladas acima, cabe reiterar:
Um desfile no sambódromo coloca uma comunidade na passarela! Dos mais antigos, a Velha Guarda, às alas infantis passando por ritmistas, exímios bailarinos nas Comissões de Frente, nos casais de Mestre-sala e Porta-bandeira, na ancestralidade presente representada pela Ala das Baianas, todo o pessoal de apoio, empurrando carros e comandando alas e, não menos vital, a força das alas de anônimos personagens cantando com garra e alegria o amor pela agremiação. Toda essa gente pulsando ao som de uma bateria que mexe com nossos sentidos e emoções, fazendo-nos cantar e dançar seguindo os puxadores de samba, levando versos dos compositores da escola para a busca de um campeonato.
Gosto de blocos, aonde vou para me divertir. Amo escolas de samba porque vejo no Sambódromo a diversão tornada amor por uma agremiação. Respeito cada integrante, seja da escola campeã ou daquela, pequenininha, que chegou aos grupos prévios sonhando desfilar entre as grandes.
No Sambódromo, gosto de observar o sujeito fazendo uma força enorme para empurrar um carro alegórico e, sem deixar o sorriso, solta as mãos por alguns segundos, dança, canta, acena para a plateia e volta ao trabalho. O tempo não pode ser perdido e estar dentro do tempo garante pontos preciosos na luta pelo campeonato. Quero destacar esses profissionais por serem o mais visível do trabalho pesado que é fazer uma escola brilhar.
Como será o Carnaval em 2021? Entre os cancelamentos oficiais – que impedirão escolas de fazerem seus trabalhos – e as desobediências de civis que saracotearão por aí, quero alertar para os profissionais que fazem uma Escola de Samba e são a razão de ser do nosso carnaval. Pedir todo apoio ao povo do carnaval, aos profissionais de todas as escolas de São Paulo, do Rio de Janeiro, do Brasil.
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NOTA: A imagem da Acadêmicos do Tatuapé é para lembrar que no próximo domingo, no Trem das Lives, receberei Eduardo Santos para um papo sobre Carnaval e a situação atual em função da pandemia. Todos estão convidados!