São Paulo, cidade de romance

Um trecho dos tantos sobre São Paulo em “dois meninos – Limbo”, para expressar todo o amor por nossa cidade. Feliz aniversário, São Paulo!

dois meninos divulgação

…  Para um mineiro que não gosta das coisas passageiras, a solução possível foi seguir o fluxo evitando ventos que provocavam barreiras intransponíveis. Morei no Alto de Pinheiros, na Vila Mariana, na Bela Vista, Paraíso, Ipiranga, no Brás, Mooca… mapeei a cidade e fui tornando-a minha, tomando-a palmo a palmo. Respirei com volúpia entre as alamedas de seus bairros arborizados, suei em bicas ou tiritei de frio sob o concreto de apartamentos, dormi embalado com os sinos do Mosteiro de São Bento e, como um comum nordestino, durante longa temporada bati o ponto todos os domingos na feira sob o viaduto da Radial, ao lado da Baixada do Glicério. Ironicamente fui vizinho da Marquesa de Santos e de Dona Olívia Penteado, em pensões ordinárias ao lado da Sé e em Higienópolis. Tive tardes de leitura no mirante da Lapa e, como o mais nobre dos paus-de-arara, subi a Rua Augusta, sobre os cacarecos que chamava de móveis, entulhados na carroceria de um caminhão, em direção ao Baronesa de Arari, na Avenida Paulista(…).

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Dois Meninos – Limbo (ISBN 978-85—68591-00-0) é romance de Valdo Resende, publicado pela editora Elipse, Arte e Afins.

O cenário do romance é a cidade de São Paulo do final do século XX; a vida operária, a agitação de noites trepidantes tornadas tensas e perigosas com o surgimento da AIDS e, decorrentes dessa realidade,  as profundas mudanças e exigências impostas à sociedade.

Revivendo esse momento, “Dois Meninos – Limbo” celebra a amizade e a solidariedade ante a adversidade, tanto quanto celebra a solidão e o amor.

Para conhecer ou adquirir o livre acesse a página do autor: https://valdoresende.com/loja/

 

 

Rota

 

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Que arda em nós

tudo quanto arde

e que nos tarde a tarde.

(Olga Savary)

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Um haicai para determinar caminhos.

Até mais!

Leminski

cruzeiro (2)

a noite – enorme

tudo dorme

menos teu nome

(Paulo Leminski)

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E o tempo escoa breve, como haicai

Crédito da foto: Flávio Monteiro

Até mais!

 

Haicais de estrada

 

 

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Por que explicar?

aguente o fardo

Em silêncio.

why explain?

bear burdens

In silence.

(Jack Kerouac)

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Na estrada, o poeta americano faz haicai.

Até mais!

Millôr

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Não é segredo.

Somos feitos de pó, vaidade,

E muito medo.

(Millôr Fernandes)

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Um haikai para manter na real.

Até mais!

Amanhece

arcoiris flavio monteiro

Um copo de cristal

Sobre a mesa

Inventa as cores todas do arco-íris…

(Mario Quintana)

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Um haicai para manhãs de cinza!

Crédito da foto: Flávio Monteiro.

Até mais.

Desolação

valdoresendefinados

Fim de estrada. Só.

Sem espaço para os passos.

Adiante e atrás: pó.

(Cyro Armando Catta Preta)

Um haicai pra sorrir da ganância.

Até mais!