Outras viagens

BANZO

Diante desse marzão que assusta
Com seus mistérios e movimentos constantes,
ondas incertas sob sol escaldante
penso nas montanhas de Minas
nos chapadões da minha terra.
Não sendo daqui, sabendo que não voltarei para lá
sinto-me estrangeiro em todo canto
e trago constantemente na bagagem
Um pouco de tristeza, nostalgia e saudade.

Recife, verão de 2014

QUARTO DE HOTEL

Agora, quando distante de tudo
Abro janelas para além do espaço,
Portas para outros tempos.

Parece que há sons juvenis
Sombras esguias, fôlegos intensos
Cheiros que se esvaem no calor noturno.

Ecos de determinação, vontade férrea
Batalhas contra o estabelecido
Certeza do ser predestinado.

Penso nesse ser cada vez mais distante
Reconstruído em lembranças.
Restaram abismos intransponíveis
Distâncias colossais…

Longe era o tempo que faltava pra ser grande
Longe eram quilômetros entre cidades
Longe era o futuro que agora me afronta
Mostrando o fim do qual busco afastar-me.

Apenas uma noite.
Uma longa noite de calor insuportável.
Distante da casa onde raramente abro janelas.

Rio de Janeiro, novembro/2013

Dreams Island

Era muito pequeno, um menino de calças curtas. Nem se lembra exatamente quando ocorreu, mas ter ido visitar uns tios que moravam no litoral, lá em Vitória, no Espírito Santo, mudou para sempre a sua vida. Tudo por conta daquela prima chata, sabidona, que havia percebido que o menino ficara encantado com a cidade. “– Uma ilha, ela disse. Aliás, são muitas ilhas que compõem a cidade. Por isso é tão bonita! É água para todos os lados!”

A sabidona tinha estado em Montes Claros, visitando o primo. Reclamou do calor, da seca, da ausência de água em abundância. “– Aqui não tem mar? Lugar esquisito. Como viver longe do mar?” Pois mineiro vive muito bem, responderia ele se não tivesse se sentido inferiorizado, sem saber nadar, assustado com o mar em movimento. Piorou um pouco em visita à Vila Velha. Sabe-se lá o motivo, havia ondas enormes e por mais que a prima insistisse ele nem molhou os pés. Banho de mar… Tinha feito todo asseio antes de sair de casa.

Muito depois o menino descobriria que água, sabão e alguns remédios o curariam da catapora. A mãe não se conteve, fez promessa, e logo na primeira oportunidade foram para Vitória, terra dos avós maternos e, na cidade, foram ao município vizinho participar de missa no Convento de Nossa Senhora da Pena. A prima estava lá. Ela estava em todos os lugares! E não perdeu de vista o olhar de espanto do menino admirando a paisagem do alto do morro. “– Aqui é Vila Velha! Lá é Vitória”, apontou a cidade rente a água. “– Temos muitas ilhas, mais de trinta! Sua Montes Claros não tem tanta água assim.”

Ele levou uns cascudos do pai, uns puxões de orelha da mãe. Recíproca a outros, dados por ele na sabidona a quem, na hora da briga, foi chamada de capixaba, como se isso fosse palavrão. Mineiro é coisa bonita. Mineira, então, nem se fala! Mas, capixaba! “– Você não passa de uma capixaba xexelenta!”. Nunca mais se falaram, nas duas ou três vezes que se viram ele fez caretas, ela olhando-o com ar superior. “– Temos muitas ilhas!”. Ele seguiria firme em um juramento feito lá longe, com as orelhas ardendo: um dia teria a sua ilha!

Já adulto, anos e anos depois, sabia que Minas Gerais tinha ilhas, um monte delas. Gente abençoada, mineiro tem água até para construir ilha artificial, longe de tubarões, de ressacas perigosas. Engenheiro de profissão, conseguiu grandes trabalhos construindo estradas e antes dos cinquenta anos já pensava em comprar um pedaço de terra. Um sítio, uma fazenda; nada muito grande, desde que fosse banhado por água e, fundamental, que tivesse uma ilha. Poderia ser pequena, mas seria uma ilha; a sua ilha.

Conheceu todas as ilhas do Rio Doce: Brava, Bonaparte, Etelvino, Nossa Senhora da Penha… Ela, a santa daquela distante viagem. Bem que poderia ajudá-lo a encontrar sua ilha, em pedaço de terra que ele pudesse comprar. Quase comprou uma pequena chácara em Piracicaba, no Estado de São Paulo, por onde passava o rio famoso na região e na canção. Resoluto, só compraria terra em sua Minas Gerais, terra com água e ilha, tão bonita quanto Vitória. Não falava disso com ninguém e, na calada, sabia da sua luta quase insana. A capital capixaba é bonita demais!

Mineiro que é mineiro sabe de Guimarães Rosa, de Augusto Matraga. “Todo homem tem sua hora e sua vez!”. Eis que a dele chegou. A empreiteira o enviou para inspecionar reformas na estrada que liga o Rio de Janeiro a Belo Horizonte, bem no município do Brumadinho. A esposa adorou a região e na primeira oportunidade surgida compraram uma bela chácara às margens do Rio Paraopeba. Aquelas serras, aqueles rios com água farta!

Estavam longes de Brumadinho, mais distantes de Belo Horizonte e felizes com o sossego e a tranquilidade local. O casal de filhos crescidos, casados e com famílias constituídas, teria na chácara um local de férias garantido. A esposa bem que estranhou quando ele batizou a chácara: Dreams Island. Ele não negociou. A mulher entendeu a ilha como o refúgio entre cercas de arame farpado em quase toda a propriedade, exceto na parte rente ao rio. Ele, sem confessar a ninguém, só adquiriu o local por conta de duas pedras que emergiam do Paraopeba entre outras, menores, e volta e meia cobertas pela correnteza.

Tantos anos passados, nenhuma ilha disponível para suas possibilidades financeiras, ele resolveu se contentar com a Dreams, como a chamava para si. Quem sabe compraria outra, mais para a frente. Uma ilha maior, bonita. Todavia, nada melhor do que ter sua ilha, ali, para uso particular.

Finais de semana ou em feriados prolongados ele pegava vara de pescar, munia-se de iscas, um rádio de pilhas, boa cachaça e rumava para sua ilha. Raramente se lembrava da capixaba xexelenta. Quando ocorria, tinha certeza de que ela não possuía uma ilha como a dele, só dele, todinha para ele. Um dia de ausência de peixes a cachaça provocou sono pesado. Ele acordou com as costas ardendo, assadas na pedra inclemente. Ele repetiu outras vezes a façanha: Pescaria preguiçosa, cachaça farta, sono tranquilo.

Estaria bêbado naquele 25 de janeiro de 2019? A família não sabe. Estavam todos em Vitória, nas bodas de prata da prima que ele odiava. Talvez ele tivesse tentado salvar alguma coisa da pequena ilha quando se perdeu sobre os dejetos vindos do desastre da barragem, em Brumadinho. A chácara virou um lodaçal fedorento, o rio perdido, a terra contaminada. A horta, o pomar, a casa. Tudo perdido, destruído. Foi encontrado algumas semanas depois, morto, um nome entre mais de duas centenas de outros. O reconhecimento foi fácil. No pescoço ele portava um colar recebido de presente da esposa. Era de ouro maciço, personalizado, com o nome Dreams Island preso entre correntes.

Memórias de Assis, o Santo e a Cidade

São Francisco, de Cimabue, em trabalho recriado por João Gilberto Falioni

Um dia estive em Assis. Queria conhecer a cidade do Santo, que conheci melhor e passei a amar depois de ver Irmão Sol, Irmã Lua, o filme de Zeffirelli.  É encantadora a história do jovem que renega os bens (Abaixo o capitalismo!) e abandona o conforto da casa paterna para cuidar dos mais necessitados (de forma similar ao Pe. Lancellotti). Que bom perceber que há “Franciscos” por aí!

No inverno italiano o bicho pega e só por isso recusamos visitar a Ilha de Capri. Água e chuva… Melhor seria ir atrás do sonho e conhecer a cidade do santo. Uma pequena aventura! Por conta do frio as excursões para Assis estavam suspensas e minha irmã Walcenis fazendo a linha “um brasileiro não desiste nunca” decidiu que iríamos de trem. – Qual o problema?

Que tal começar pela Stazione Termini, uma das maiores da Europa? “Íntimos” da cidade, tomamos o TRAM, tipo metrô de superfície, em seguida o metrô que nos deixou na Termini. Acostumados com as pequenas estações da Ferrovia Mogiana, nossa principal referência de viagens de trem, o primeiro susto veio com a quantidade de bilheterias. Se você não pegar uma senha, ninguém te responde e um italiano com frio, talvez por isso com humor gelado, indicou-nos, literalmente, qualquer uma entre as bilheterias. Ok! Solícito, um bilheteiro falou com a velocidade de uma metralhadora giratória. O trem estava de saída, era o único e a plataforma era… Algo para ser descoberto entre 32 plataformas!! Ah! Teríamos uma baldeação em Bérgamo.

Poxa, lá em Uberaba temos uma plataforma. São quatro na nossa querida estação da Luz, aqui em São Paulo. Aquelas centenas de plaquinhas, com dezenas de horários e destinos em cada uma delas, a gente com Assis na cabeça, mas procurando Bérgamo, onde tomaríamos outro trem para nosso destino. Tudo falado entre nós como se estivéssemos em casa! Vamos pegar qualquer fila, atravessar as roletas, sair atrás do trem, vamos perder essa merda… – Eu sei qual a estação. Mostro para vocês, disse uma brasileira sobre quem nada sabemos. Não deu tempo, exceto de agradecer.

Qual trem tomamos? Não sei. Qual o destino desse trem? Quem se importa, desde que ele nos deixasse, como o fez, em Bérgamo? A baldeação foi rápida e, no segundo trem rumo ao nosso destino estava uma australiana. Eu já era rabugento, do tipo não gosto de conversar com estranhos. Walcenis deu papo para, em seguida, ameaçar um bate-boca quando a moça, daqui pra frente nomeada imbecil ignorante disse não saber nada sobre o Brasil. O que é? Onde fica? O que você faz, senão rir, quando uma brasileira irada, minha irmã, resolve mostrar amor pela pátria frente à turista imbecil…

A Toscana é uma região linda até sob intenso frio. A estação de trens fica longe da cidadezinha e, mais um micro-ônibus que – Santa Clara! – começa a caminhar sob chuva. Sob chuva fina, fria, chegamos na cidade que, lamento a comparação, é uma Aparecida do Norte medieval. Ou seja, alguma religião e muito comércio. Todavia, graças a esse fomos atrás de um guarda-chuva. Outra brasileira no pedaço, daquele tipo que viaja para comprar coisas… – Há uma loja ali com preços melhores, nos informou com uma imagem do santo em mãos.

O túmulo de Francisco, circundado pelos túmulos de seus primeiros companheiros de Ordem.

Lembro um antigo templo grego tornado igreja – Santa Maria sopra Minerva – e depois um teatro, com o mesmo nome da praça, “Comune”. A casa onde morou São Francisco, cheia de histórias, precedeu nossa chegada à Basílica de Santa Clara. A santinha não, falhou:

Santa Clara, clareai

São Domingo alumiai

Sai chuva, vem sol

Sai chuva, vem sol…

As clarissas, freiras enclausuradas, herdeiras da missão de Clara, amiga pessoal de Francisco, são silenciosas, delicadas. O corpo da Santa está exposto em urna de vidro em área central da igreja, construída em 1257, com simplicidade que remete ao que ambos os santos pregaram. Ao fundo está a clausura e lá se tem contato com as irmãs, com seus pesados hábitos de inverno. Caminhando lentamente se aproximam perguntando apenas o país de origem do visitante para, em seguida, voltar ao fundo da sala para buscar lembranças gratuitas: “santinhos” impressos na língua do visitante. A tal brasileira, a das compras, estava lá. E perguntou para uma das donas da casa: – Quem é aquela ali na urna?

A Basílica de São Francisco, com duas naves sobrepostas, impressiona bastante. Gosto de pensar que a pintura de Cimabue retrata o santo com “fidelidade” e procurei trazer o máximo possível das imagens de Giotto contando passagens da vida de São Francisco. Contudo, nada impressionou mais que a visita à cripta do grande prédio onde está a tumba do santo e mais, outros quatro túmulos de amigos, primeiros franciscanos: Rufino, Angelo, Masseo e Leone. É poético, mais que qualquer coisa. E talvez por fixar ali os ideais do criador e dos primeiros seguidores da Ordem Franciscana, sente-se uma aura diferenciada, inesquecível.

Dia 4 de outubro. Dia de São Francisco. Bom lembrar e, mais que isso, cabe pensar no que é possível de São Francisco para se viver em nossos dias. Nada muito heroico ou impossível. É, para dizer o mínimo, dar uma força ao Padre Julio Lancellotti, por exemplo. Ou então, ouvir o que o Papa Chiquinho tem pra nos dizer. Não, não é erro nem intimidade forçada. Esse tal Francisco, que está em Roma, é digno representante do Santo e, por isso, lhe cai bem um Chiquinho! Bem carinhoso, como eu gostaria de me dirigir ao Santo, caso tivesse a oportunidade de encontrá-lo.

Boa semana!

Aniversário do Trem das Lives

Para Fernando Brengel e eu amanhã, dia 19, será um domingo muito especial! Aniversário do Trem das Lives . Um ano de muitos encontros, muitas alegrias, quando conversamos com dezenas de convidados que participaram dos nossos encontros. Também fizemos contato e, até mesmo fizemos amigos entre alguns milhares de internautas que nos honraram com atenção e carinho.

A viagem do Trem das Lives continua. Agora, prioritariamente pelo YouTube.

Venha comemorar conosco.

Inscreva-se via link abaixo e ative o sininho para ser notificado sobre todas as nossas transmissões.

Obrigado aos que nos apoiaram, aos que toparam viajar conosco.

Até amanhã!

Viajantes do Trem das Lives

Quarta live, a única em que dividimos o mesmo espaço físico

A letra do Trenzinho Caipira, que Ferreira Gullar fez para a música de Heitor Villa-Lobos começa no singular:

Lá vai o trem com o menino

Lá vai a vida a rodar…

Bom, como o pessoal que acompanha o Trem das Lives sabe, são dois meninos. Na verdade, dois rapazes… Ok. Dois senhores são os condutores desse Trem. Fernando Brengel e eu.

Quando começamos, lá no ano passado, estávamos em quarentena (ainda estamos, mais ou menos) e a necessidade era sair para o mundo, encontrar pessoas, conversar, trocar experiências, ampliar essas, conhecer e facilitar que fossem conhecidas, e por aí vai.

Nessas 52 semanas, por isso e por aquilo, resolvemos colocar nosso trenzinho nos trilhos também nas quintas-feiras e aí veio mais gente, vieram colaboradores e mais histórias, muitos temas, a gente conversando na quinta como se rolasse um boteco básico, desses que a gente senta com amigos e fala de tudo um pouco.

O vídeo abaixo, o segundo em que insistimos numa chamada, é o 99º vídeo que entrou em nosso canal, no YouTube. No próximo domingo, 18h00 horas, faremos nossa primeira transmissão direta e ao vivo da plataforma e, além de comemorarmos 1 ano de vida, também celebraremos 100 vídeos, registrando essa gostosa experiência.

Já me perguntaram o que ganhamos com isso. A melhor resposta está em cada vídeo, com gente da “Europa, França e Bahia”, com histórias de pessoas experientes, somadas às histórias de outras, jovens, destemidas, corajosas. Um monte de gente que eu não conhecia, convidadas pelo Brengel, outras tantas que apresentei a ele e, juntos, apresentamos aos “viajantes do Trem das Lives”, como gostamos de chamar todos os que entram e participam da live.

Contamos, Fernando e eu, muitas outras faces de nós mesmos através de nossos amigos, sendo esses a grande maioria dos entrevistados no nosso Trem. Mas, teve gente que não conhecíamos, vindas via Jennifer Monteiro (ela me dizendo: – Tenho certeza que você vai mandar bem nessa!), teve outras que o Brengel conheceu ali, me substituindo. Essas pessoas tornadas amigas, nos deram muita coisa, todavia, não há como mensurar os reencontros. Estes, sejam por conta desta maldita pandemia, sejam pela razão que os amigos estão longe, muito longe.

E a gente, que adora arriscar, “brincou de teatro” no Trem das Lives. Descobri gostar da ideia de fazer escada (no jargão das artes cênicas, facilitar para o outro) sendo eu mesmo para conversar com o Brengel tornado Papai Noel, Vidente e, pasmem, Coelho da Páscoa… E nos fantasiamos para o carnaval, assim como nos vestimos a caráter para vários outros momentos.

Enquanto escrevo vou percebendo o tamanho desse nosso ano, a quantidade de temas, as mil e uma histórias… O Trem das Lives é o trem mais rodado do planeta sem que seus condutores saiam de suas casas. Bonito isso! Muito bom mesmo!

Desejo nesta oportunidade deixar registrado aos que possam pensar que escolhemos Trem das Lives por eu ser mineiro, na real foi sugestão do Flávio Monteiro em brainstorming doméstico. Assim, o batateiro (é esse o apelido da gente que nasceu em São Bernardo, no ABC) foi o autor do nome. O Brengel embarcou, eu idem e foi assim.

Enfim, mas não menos importante, quero agradecer. Manifestar minha gratidão aos que nos honraram dividindo conosco suas experiências, suas histórias. Aos que entraram e participaram no exato momento em que estávamos online. Aos que viram depois os vídeos com o registro de cada viagem. E vou agradecer ao Brengel, meu grande parceiro nessa jornada! A gente tem ideia, a gente aprimora e, não tem outra, a gente faz! Faz direito? A gente tenta. Faz melhor? Não que outros, que não estamos aqui para isso, estamos aqui por nós mesmos e, por isso sim, vamos melhorando.

Estou feliz por agradecer. Estou feliz por comemorar. Domingo, estaremos online, 18h00, direto do canal do Trem das Lives no YouTube. Vejam comemorar conosco.

E, só para não perder o costume, o “filho de padre de paróquia pobre” (me chamam assim em casa) vai pedir mais uma coisa. Vejam o vídeo e façam o que a gente está pedindo. Se vocês não fizerem, creiam-me, pediremos de novo. Beijos!

Hoje tem Quarentenados

Esta noite estarei no programa Quarentenados, criado e produzido pelo Deu Samba na Cast, quando serei entrevistado por Marta Olivieri.

O pessoal do Deu Samba vem, desde 2017, trabalhando, nas palavras do coletivo “com o propósito de trabalhar elementos representativos em ilustrações da nossa cultura afro brasileira”. E complementa: “Com o tempo, a necessidade de se conversar sobre o que nos forma foi ficando mais pujante e com a união de pessoas que trabalham na cultura, na educação e como ativistas, surgiu a Deu Samba na Cast”.

Feliz em poder contar sobre minha trajetória, processo de trabalho e ressaltar a importância da escrita, não só na minha vida como na de todo cidadão.

Agradecendo a oportunidade, convido a todos para, às 19h00, entrarem no YouTube (VEJA ABAIXO). Muito obrigado e, se oportuno, deixem comentários.

Até mais!

Qual Ronaldo? Quem é esse Ronaldo?

Ronaldo, o Fenômeno? Ronaldo Ésper? Ronaldinho Gaúcho? Ronaldo Bôscoli? Cristiano Ronaldo?

Ah, essa delícia que é escrever e, vez em quando, atingir em cheio às pessoas. É bem verdade que mais vale um excelente leitor ao outro, esse que às vezes nem vai além do título. E fico me perguntando quantas pessoas realmente leram ou leem um post que escrevi em 2012! Isso, mesmo, leram ou leem. Há nove anos publiquei um texto com o título “As mulheres de Ronaldo” e, desde então, periodicamente, sou visitado especificamente no tal post por centenas de pessoas.

Nem sempre verifico as razões de oscilações da audiência do meu blog. Já passei da fase. Começa assim: Ao criar um blog, nos primeiros meses a gente fica ansioso para saber se é lido, se as pessoas viram, o que acharam, o que comentaram. Depois, vai normalizando. Há posts que vão bem, outros nem tanto. Os comentários vão mais para chamadas desses mesmos textos nas redes sociais e… segue a vida.

Acontece que, vez ou outra, verifico picos inesperados de audiência, ou o próprio wordpress manda um aviso: Você está tendo um grande número de acessos. Antes abria rapidamente o site para ver o que, quem, quando… Me acostumei. Deixo para ver depois. Certamente algum Ronaldo fez alguma coisa e, com certeza absoluta, não é a personagem do meu texto, falecido em 1994.

Os Ronaldos famosos aprontam bastante. Envolvem-se em namoros furtivos nas calientes noites brasileiras e, nessas mesmas noites, contam as fofocas, assaltam cemitérios; passam longas temporadas em prisões; mudam de times via contratos milionários; comportam-se com elegância e retidão; engordam; emagrecem; apoiam políticos corruptos; falam bobagens comentando jogos… Enfim, o que não falta é coisa para se dizer de algum Ronaldo.

O “meu”, ou seja, o Ronaldo referido em texto que escrevi e, só pra manter a coisa ( acesse aqui o link para saber qual Ronaldo é) também foi polêmico, famoso, talentoso, namorador, criativo, competente… ou seja, na próxima vez que nascer um garotinho na família sugiro Ronaldo como nome. Parece que traz dinheiro. Todos os citados acima estão, ou estiveram, muito acima do nível da pobreza.

Há um fato que quero registrar. De todos os Ronaldos citados acima conheci pessoalmente apenas o Ésper. Fui entrevistar o cidadão para uma revista onde trabalhei. Conheci o ateliê, enorme, com quatro luxuosas salas destinadas exclusivamente para que jovens moçoilas experimentassem seus vestidos de noiva. Cada sala tinha saída para um local diferente, evitando que as moças se encontrassem. Um labirinto. Assim, o costureiro evitava os tititis de invejas, acusações de cópias e outras superficialidades da situação.

Ésper tinha uma coleção de obras de arte – segundo informado pelo próprio – a maior coleção brasileira do Quattrocento italiano. Estavam amontoadas em vasta sala, abaixo do ateliê propriamente dito, este repleto de costureiras em seu delicado trabalho. Anos depois li sobre a detenção do rapaz, acusado de roubo de vasos em cemitério paulistano. E cogitei, então, a origem da grande coleção que havia visto.

Se você chegou até aqui, agradeço. Acredito que a maioria dos que entram no blog por conta d’As Mulheres de Ronaldo saem rapidamente. Isto por ficar claro, no primeiro parágrafo, de qual Ronaldo trata o texto. Uma coisa eu garanto, as mulheres do “meu Ronaldo” são extraordinárias, talentosas, bonitas e… imortais. Confiram!

Até mais