De repente a gente olha para o calendário e, mais que um dia após o outro, percebemos um dia particular, um dia especial. O filme estrelado por Tom Cruise (Born on the Fourth of July – 1989) ajudou-me a fixar esta data, muito mais que a Independência dos EUA. 4 de Julho é o aniversário de João Luís de Salles Tiné, o pintor falecido em 1998, que hoje completaria 58 anos.
Fui agraciado com algumas obras desse artista, que adorava pintura acadêmica e, só para brincar, fazia uma ou outra obra abstrata. Também professor de pintura, podia ensinar seus alunos a compor partindo de conceitos e formas abstratas. Todavia, gostava mais de dominar formas conhecidas em temas comuns e vendáveis, como flores, natureza morta e retratos. Sobretudo gostava de paisagens; era capaz de permanecer horas observando os trabalhos de William Turner ou de John Constable. De Turner apreciava as telas que tinham o mar como tema; de Constable, as paisagens românticas, idealizando um mundo.
Neste momento em que atravessamos uma pandemia tenho me lembrado bastante de João, um entre vários com os quais convivi e outros, que conhecia, tive contato, e que morreram em consequência de problemas agravados pela AIDS. Em 1998 alguns remédios já estavam disponíveis, mas não garantiam a sobrevivência dos infectados. Ainda hoje, 22 anos após o falecimento desse artista, os cientistas conseguiram um certo controle da doença – o indivíduo sobrevivendo sob cuidados rígidos –, mas ainda não temos a cura. Aí, dá um medo danado de algo similar ocorrer com o COVID_19.
Tiné. Paisagem 2, óleo sobre tela, 1997
Ao me lembrar e homenagear João Luís, hoje, quero estender minha reverência aos falecidos em decorrência do coronavírus, e enviar meu desejo de paz e consolo aos familiares desses. Sobretudo, quero pedir aos que estão vivos e saudáveis, todo o cuidado possível para evitar contágio. Usar máscara, lavar as mãos, higienizar compras, sapatos. Não é muito, quando o que está em jogo são vidas humanas.
Octavio Cariello assim se autodefine: “Um híbrido de lógica pura e demência artística”… ou seja, algo facilmente confirmável em autorretratos como esse:
Ou como esse:
Na real, ali fechadinho na quarentena ele está mais para esse abaixo:
E é por essa capacidade de ser e desenhar O QUE e COMO quiser, que ele irá ministrar um curso de Desenho Expressivo, na Quanta. Veja aí:
A Secretaria Municipal De Cultura Do Município De São Paulo está com edital aberto para a 36a edição do PROGRAMA MUNICIPAL DE FOMENTO AO TEATRO. As inscrições irão até às 18h do dia 19/07/2020.
O Programa edital tem por finalidade selecionar e apoiar a manutenção e criação de projetos de trabalho continuado de pesquisa e produção teatral. O valor máximo que poderá ser concedido a cada projeto é de R$ 1.174.045,58, a critério da Comissão Julgadora. Serão selecionados até 15 (quinze) projetos de pessoas jurídicas, que representem núcleos artísticos sediados e com atividade profissional no Município de São Paulo.
Talvez o Brasil seja no mundo, e proporcionalmente, o país com mais doutores… sem doutorado. O sujeito é bacharel aqui, possui uma licenciatura ali, ou simplesmente usa terno e gravata e já é recebido prontamente com um: “Pois não, doutor!”. Há casos em que o sujeito, filho de um patrão, também recebe o título na forma de tratamento e, carinhosamente, vira “doutorzinho”. Também há situações em que o indivíduo, devidamente paramentado, abre um consultório médico ou dentário e… “Com licença, doutor!”
Conhecimento, ninguém nega, é sinônimo de poder; então, alguns setores habituados a não dividirem o pão dificultam o conhecimento aos que não tem, nem meios para comprar esse alimento, nem para pagar uma escola. História: De 1500 até 1759 os brasileiros foram educados basicamente pelos Jesuítas, que nos tornaram um país católico (E tem imbecil apregoando que a escola não é ideológica). E toca a ignorar as manifestações religiosas indígenas, a abafar as religiões que entraram no país junto com os africanos escravizados. Os mais abastados estudavam em Portugal.
Constituição Brasileira, a gente vê todo o dia, é algo discutível. Uns não cumprem, outros querem acabar com ela, outros a ignoram… A Constituição de 1824 assegurou instrução primária e gratuita a todos os cidadãos (300 depois da invasão portuguesa!). Se considerarmos a pesquisa do IBGE de 1918, que nos informa que temos 11,3 milhões de analfabetos, podemos afirmar que desde 1824 não respeitamos a Constituição Brasileira. Ora, em meados dos 1800 criaram os cursos de Direito. Nessas, o aluno ficava estudando durante longos cinco anos. Quem vai deixar de chamar de doutor a um sujeito tão estudioso? Só que o indivíduo saía das escolas como bacharel. Bacharel é o indivíduo graduado! O iletrado não sabia disso, passou a chamar o sujeito de doutor…
Para se ter uma ideia da importância do Direito, em nosso país, chegamos ao 38º Presidente e, desses, 21 cursaram Direito. Tancredo Neves, o que foi sem ter sido, também cursou Direito, o que elevaria para 22 “doutores” na presidência? Não. Da lista, apenas dois (2) cumpriram exigências acadêmicas para tanto: Afonso Pena e Michel Temer. Entre os Presidentes oriundos de outras áreas temos um único doutor, o Fernando Henrique Cardoso. O médico Juscelino Kubitschek foi especialista em urologia. Não foi doutor. Mas… quantos não chamam de doutor aos bacharéis em medicina?
E aí… apareceu uma cidadã, Damares Alves, que segundo o Jornal Folha de São Paulo, a dita senhora costumava apresentar-se como Mestre em Educação e Direito. Confrontada, ela apelou para os céus, de onde segundo ela vem os títulos de mestres, e não em instituições que oferecem Mestrado.
E agora… apareceu um cidadão, convidado para o Ministério da Educação. Carlos Alberto Decotelli quase chegou lá, ao doutorado, obtendo os créditos para o título. Créditos, nunca é demais informar, é um conjunto de atividades exigidas para o bacharel, ou licenciado, antecedendo a avaliação final, quando o pretendente defende publicamente uma tese. Esse “publicamente” da tese é de fundamental importância. Pois pode haver contestação. Não havendo, o sujeito se torna indiscutivelmente um doutor.
Bom, estamos no Brasil onde, segundo Ari Barroso, coqueiro dá coco. Então, para você, que chegou até aqui, meu muito obrigado, algumas perguntas e possíveis reflexões após as mesmas:
– Em relação à Damares, estão fazendo ou não maior escarcéu que com o Sr. Decotelli?
– O plágio do cidadão de bem Sergio Moro vai ficar por isso mesmo? Sim, o juiz impoluto apresentou artigo com plágio. A culpa está sendo creditada à Beathrys Ricci Emerich, parceira do ex-ministro na redação do artigo.
– Beathrys é ou não é nome decidido em sessões de numerologia?
– Se tivemos dois presidentes sem formação universitária, Café Filho e Lula da Silva, um senhor graduado, Mestre pela Fundação Getúlio Vargas, com créditos aprovados para doutorado, não pode ser Ministro?
Orientação para possíveis respostas, por gentileza, pesquisem: Falsidade ideológica, má-fé, estelionato, falcatrua, fraude, embuste… enfim, mau-caratismo.
A Prefeitura do Município de São Paulo, através da Secretaria Municipal de Cultura, torna público que no período de 20/06/2020 a 19/07/2020, até às 18h receberá inscrições de propostas dos interessados em participar do “Programa Municipal de Fomento à Dança para a Cidade de São Paulo”.
Serão selecionados 20 (vinte) projetos de dança contemporânea de até R$ 400.000,00 (quatrocentos mil reais). Com essa ação pretende-se apoiar a manutenção e desenvolvimento de projetos de trabalho continuado em dança contemporânea; frtalecer e difundir a produção artística da dança independente e, entre outros, garantir melhor acesso da população à dança contemporânea.
Lançado edital da Fundação Nacional de Artes, o Prêmio Funarte RespirArte, pretende selecionar atrações online para o público e a promoção da arte de todas as regiões do país.
A Funarte pretende incentivar 1.600 produções artísticas em vídeo, inéditas, realizadas em plataformas digitais, com prêmios de R$ 2,5 mil para cada contemplado (deduzidos os tributos). As áreas alcançadas são: circo, artes visuais, música, dança, teatro e artes integradas. A Fundação concederá 270 prêmios para cada uma das linguagens específicas e 250 para artes integradas.
As inscrições devem ser realizadas por meio do formulário online. O prazo se inicia hoje, dia 17 de junho e termina dia 3 de agosto.
No edital, os interessados encontrarão instruções sobre especificações técnicas e regras detalhadas.
Imagem capturada do Jornal + Ruchela, no destaque.
O Jornal Nacional abre uma matéria com as enfermeiras do Hospital da Unicamp, em Campinas, no interior de São Paulo. Gatilho é a palavra da hora para me ligar diretamente ao assunto e vejo, em um grupo de profissionais entrevistadas no jardim da instituição, a silhueta de alguém que pode ser a minha sobrinha. Redobro a atenção e quando a câmera se aproxima vejo que era apenas um corte de cabelo que provocou-me o alerta. Sim, tenho uma sobrinha no olho do furacão chamado COVID.
A pandemia chegou de forma trágica em minha família com o falecimento de um primo. Na mesma Campinas. A morte de Renato Marcos Antunes Batbuta, no final de março deste ano, entristeceu família e parentes e, ao mesmo tempo, impôs a todos nós os cuidados necessários para evitar contaminação. Fechamo-nos em nossas casas, saindo para o estrito necessário, mas minha sobrinha Ruchela Martini de Resende continuou seu trabalho. Ela é enfermeira padrão e o seu trabalho no Hospital da Unicamp vem de longe.
A AIDS foi, provavelmente, a primeira grande tragédia que a jovem enfermeira, mal saída da faculdade, teve que enfrentar. Não sei quantos e é certo que ela não contabilizou os mortos em decorrência da AIDS no hospital onde atua. Um trabalho tenso guardado pela discrição da profissional que pouco, posso afirmar raramente, comentou em rodas familiares os dramas presenciados pelo vírus HIV. Todavia, e é muito estranho escrever isso, foi mais fácil. O contágio pelo HIV envolve comportamentos específicos, contato direto com o portador.
Fico pensando na menina (pra mim, sempre será uma menina) acordando, tomando cuidados antes de sair de casa e, chegando ao trabalho, redobrar cuidados para cuidar de pessoas em estado crítico. O vírus está no ar. Tenso! Há setores inteiros destinados aos infectados pelo COVID e ontem, no jornal da Globo, o destaque foi para uma ação extra das enfermeiras, levando e lendo cartas de parentes aos isolados pela doença.
Evito puxar assunto e discutir com ela os atuais acontecimentos. Em mensagens sintéticas ela me diz da preocupação pela falta de isolamento das pessoas, pelo não uso de máscaras. Hoje pela manhã, o que me levou a escrever este texto foi enviar uma mensagem para Ruchela, comentando e cumprimentando todas as enfermeiras da UNICAMP pela ação. Ela agradeceu e terminou a mensagem com uma frase curta, acompanhada de um emoji em lágrimas: – Está difícil!
Tento segurar a raiva quando leio ou vejo pessoas minimizando essa pandemia. Tento me colocar no lugar de minha sobrinha, e não tenho receio em afirmar que apenas a ideia de entrar em um hospital repleto de gente contaminada me deixa apavorado. Ela e milhares de outros vão, cotidianamente, dentro da normalidade profissional que adotaram. Não cogitam abandonar o posto, as funções. Médicos, enfermeiras, atendentes, pessoal da cozinha, pessoal da limpeza, administradores enlouquecidos para conseguir máquinas e remédios… Quantos estão na mesma situação, diariamente encarando a triste realidade de gente desesperada, muitas derrotadas pelo COVID?
Presencio uma abertura temerária, muita gente indo às ruas por interesses mesquinhos, ignorando os cuidados mínimos necessários perante o vírus. Isto diante de um quadro que agora, ao escrever este texto, dá como oficial 41.828 óbitos e 828.810 casos, e as pessoas não se sensibilizam. Não deve ser difícil, no mínimo, encontrar um conhecido entre os infectados ou mortos. Nem todos têm ou terão um familiar trabalhando diretamente com as vítimas do corona vírus, no entanto, a pergunta vem: será necessário ter no mínimo um morto em cada família para que o Brasil tome os cuidados e faça as ações necessárias?
Envio aqui todo o meu carinho e cuidado para com os profissionais da saúde que enfrentam diariamente os efeitos e consequências da pandemia. Peço todas as orações possíveis pela saúde dessa gente, para que possam continuar cuidando da nossa saúde. Fico rezando e pedindo a Deus por essas enfermeiras que, além do difícil trabalho, ainda entram nos quartos e, com voz calma e terna, certamente segurando a emoção, leem mensagens – talvez as últimas – de familiares para os doentes. Que Deus guarde todos!