A BARONESA DE QUELUZ

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Luciana Fonseca, A Baronesa de Queluz. Foto: Atelier da Fotografia

Queluz – SP, foi a terceira cidade visitada pelo Projeto Arte na Comunidade 4, durante edição no Vale do Paraíba que contemplou também os municípios de Cruzeiro e Lavrinhas. “A Baronesa de Queluz”, interpretada por Luciana Fonseca, é referência explícita ao ciclo áureo do café e aos barões que viveram na região.

A montagem apresentada na primeira fase do Arte na Comunidade visitou as escolas municipais; o texto escrito e dirigido por Valdo Resende lembra não só aspectos históricos como também hábitos e costumes presentes na vida da cidade. A direção musical é de Flávio Monteiro e os figurinos de Carol Badra.

Idealizado por Sonia Kavantan, o Arte na Comunidade 4 foi patrocinado pela Alupar, Taesa e apoiado pelas Usinas Queluz e Lavrinhas. Uma realização da Kavantan & Associados, Ministério da Cultura e Governo Federal.

Havendo interesse em reproduzir o texto ou interpretá-lo, é obrigatória a citação do motivo pelo qual o texto foi escrito e a autoria do mesmo.

A BARONESA DE QUELUZ!

Original de Valdo Resende

 (CARACTERIZADO COMO UM POETA, TROVADOR, A ATRIZ ENTRA CANTANDO A MÚSICA DE ABERTURA CAMINHANDO POR ENTRE O PÚBLICO E, ANTES DE IR PARA O ESPAÇO CÊNICO PRINCIPAL – PALCO OU SALA DE AULA – BRINCA COM OS PRESENTES. ALÉM DAS CRIANÇAS, DEVE DAR ÊNFASE AO PROFESSOR EM SALA, CUMPRIMENTANDO-O E REVERENCIANDO-O).

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Luciana Fonseca, A Baronesa de Queluz. Foto: Atelier da Fotografia.

Vamos brincar de teatro

Vamos brincar de ser,

Viver muitos personagens

Nessa viagem e assim crescer.

O palco é a rua, a sala,

A praça ou o nosso quintal

A história a gente inventa

Ou conta aquela já bem contada

Que recontada, não tem igual!

– Meus amigos: Cheguei!

(CUMPRIMENTA E BRINCA COM A PLATEIA)

– Bom dia, boa tarde, boa noite! Que horas são? Por gentileza, meu senhor, pode me dizer a hora? Hora, então é… (COMPLETA DEPENDENDO DA RESPOSTA)! Que cabeça essa minha, boa tarde, boa noite, bom dia… Mas, o que interessa é saudar as pessoas. Os dias ficam melhores quando cumprimentamos as pessoas! Saudações! É muito bom estar com vocês! É ótimo estar em Queluz. Estava com muita saudade. E, estar em Queluz e brincar de teatro é melhor ainda. Pra começar uma peça, antigamente, o hábito era dar três toques. Assim (DÁ AS TRÊS BATIDAS TRADICIONAIS). Aprenderam? Agora, com palmas. Três palmas, certo? (FAZ COM O PÚBLICO E RETOMA O REFRÃO DA MÚSICA DE ABERTURA)

Vamos brincar de teatro

Vamos brincar de ser,

Viver muitos personagens

Nessa viagem e assim crescer.

(O FINAL COINCIDE COM A CHEGADA DA ATRIZ AO ESPAÇO CÊNICO DETERMINADO)

Estava por aí, viajando e se voltei, é porque saí daqui. Na verdade sou daqui, de Queluz, onde nasci e onde quero estar. Todavia, desde criança, pensava em viajar, conhecer outros países, outros lugares. Achei que tinha que cumprir uma missão. É, cumprir uma missão (RI, COMO QUE SE ENTREGANDO). Acho que a missão era satisfazer minha curiosidade.  Nasci curioso. Olhando nossa belíssima serra, já criança, me perguntava: o que haverá do outro lado? Quem estará lá? Alguém sabe o que há do outro lado da Mantiqueira? (INDAGA O PÚBLICO E ENTABULA CONVERSA) Você, por exemplo, já ficou imaginando o que há do outro lado? (PARA OUTRA CRIANÇA) E você, já foi lá em cima? Olhou para o nosso Vale do Paraíba, com toda a sua imensa beleza? Desde cedo, muito cedo, pensei que devia ir para o outro lado da serra. Mais tarde, fui para o lado oposto ao da Serra da Mantiqueira; quis conhecer o fim do rio, ver se ele deságua no mar e assim viajei bastante… O primeiro lugar que eu visitei ainda criança, com minha família, foi Passa Quatro, ali em Minas Gerais. Alguém já foi até lá? Passa um, passa dois, passa três, passa quatro e muito mais! Lugar bonito! Também fui até o Rio de Janeiro, que é nosso vizinho. Mas, antes de continuar falando e conversando, acho que está na hora de me conhecerem um pouco mais, saber quem eu sou!

(MÚSICA DE FUNDO ENQUANTO O ATOR DECLAMA OS VERSOS APRESENTANDO-SE AO PÚBLICO)

Atenção, senhor, senhora,

Quem vos fala é um cantador,

Aquele que trova, poeta,

Não faz versos só de amor.

Desde os tempos de outrora,

Pela graça divina,

No canto não desafina

Na dança não desatina

Do palco é dono e senhor!

Digo a todos, com respeito,

Prestem atenção: sou um ator!

Violeta, este é meu nome!

Sendo pobre nunca passei fome,

Pois nasci em belo vale

Onde aprendi a pescar,

A carpir, fabricar!

Senhores, sou de Queluz

Vim aqui me apresentar.

(TERMINA FAZENDO MESURAS E VOLTA A FALAR NORMALMENTE)

Nós, cantadores, somos parentes distantes dos trovadores; estes surgiram antes mesmo de os portugueses chegarem ao Brasil. Lá na Europa, na Idade Média, os primeiros trovadores andavam de cidade em cidade, apresentando poemas, cantando em praças, em festas religiosas ou nos grandes palácios. Às vezes cantávamos músicas nossas ou de outros compositores; de outras vezes, declamávamos poemas, sonetos e… Fazíamos teatro!

Eu adoro fazer teatro, também gosto de fazer versos. Então, resolvi ser atriz e poetisa. Ou trovador e ator? Ou cantador e ator? Não sei… Foi na escola que descobri o teatro. Minha professora gostava de fazer peças, de nos ensinar poesia. Depois, cresci e resolvi continuar a brincar de teatro e de fazer versos. Estudei, trabalhei em diversos lugares, com muitos outros artistas e agora estou aqui, de volta à minha cidade. Fazer teatro é muito bom! É uma brincadeira divertida, podem crer. Sabem de uma coisa, melhor fazer que falar. Vou chamar algumas crianças para brincar de teatro comigo. Quem quer? (A ATRIZ CHAMA CRIANÇAS (QUATRO) PARA UMA BRINCADEIRA. COM AS CRIANÇAS NO PALCO, COLOCA-AS NO CANTO E EXPLICA O JOGO).

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Alunos brincam com mímica em A Baronesa de Queluz. Foto: Atelier da Fotografia.

Prestem atenção! O mundo do teatro é todo de faz de conta; um faz de conta tornado realidade pelo ator. Por exemplo, (COM MÍMICA) nada em uma mão, nada na outra e, de repente, o ator faz todo o mundo acreditar que segura uma vassoura (SEGURA O OBJETO FICTÍCIO E SAI VARRENDO O PALCO) e que está deixando tudo limpinho, limpinho, limpinho. Viram como é fácil? Façam comigo! (REPETE O ATO DE VARRER). Muito bem, agora vamos em frente (MUDA A AÇÃO). Vamos pegar a vassoura por uma ponta e transformá-la em uma vara de pescar! (SIMULA SEGURAR A VARA, JOGANDO O ANZOL EM UM RIO). Alguém aqui já pescou no Paraíba? O nosso bom e velho rio Paraíba do Sul? Pescar é bom demais! Eu ouvi dizer, lá de longe, que os peixes diminuíram muito, alguns tipos desapareceram, foram embora por conta de água suja… Também, quem vive em água suja? Mas, também já sei que estão trabalhando para que voltem peixes em abundância no nosso rio. Bom, vamos tentar pegar um peixinho! Tomara que consigamos pescar, pois eu adoro peixe! Opa! (FINGE QUE FISGOU). Peguei um! Pesquei um! (MOSTRANDO PARA TODOS) Olhem só o tamanho do meu peixe!

(VOLTA-SE PARA AS CRIANÇAS QUE ESTÃO NO PALCO)

Viram como se pode brincar só com a imaginação? Agora vamos continuar a brincar juntos? Vamos fazer de conta que somos soldados em guerra, prontos para defender nossa cidade, como nossos antepassados em 1932 (REALIZA A AÇÃO COM AS CRIANÇAS). Nossa gente é forte e não foge à luta. (MUDA A AÇÃO) Pronto! Agora, vamos brincar de lavradores e vamos capinar; deixar tudo limpinho (REALIZA A AÇÃO, SEMPRE ORIENTANDO E AJUDANDO AS CRIANÇAS)! Capinar é uma tarefa árdua, cansativa. Debaixo do sol, então, deixa eu limpar o suor (FAZ A AÇÃO). Não é fácil. (CONCLUI O GESTO E MUDA) e, finalmente, vamos varrer o que capinamos e juntar tudo nesse canto e assim concluímos mais uma, realizamos nossa ação e, já que terminamos, vamos fazer como atores educados e vamos agradecer a atenção das pessoas (FAZ MESURAS COM AS CRIANÇAS, AGRADECENDO À PLATEIA).

Pois bem, agora que já aprendemos vou dividir nosso pequeno grupo em duas duplas, vou pedir a eles que realizem duas ações e vocês, da plateia, adivinharão o que eles estão fazendo. Vamos lá!

(A ATRIZ PEDE, EM SIGILO, QUE CADA DUPLA REALIZE AÇÕES SIMPLES COMO DESCASCAR UMA LARANJA, UMA BANANA, CARREGAR UMA MALA, AMARRAR O SAPATO, DIGITAR NO COMPUTADOR, FALAR AO TELEFONE… IMPORTA QUE SEJAM AÇÕES FICTÍCIAS E DE ACORDO COM A FAIXA ETÁRIA DAS CRIANÇAS. DURANTE OS ENSAIOS DEVERÃO TRABALHAR, JUNTO A DIREÇÃO DO ESPETÁCULO, DIVERSAS POSSIBILIDADES PARA REALIZAÇÃO NAS ESCOLAS. AO FINAL DA BRINCADEIRA, AGRADECE AS CRIANÇAS, FAZENDO COM QUE VOLTEM A SEUS LUGARES).

Teatro é muito legal, não é! A gente começa fazendo coisas mais simples e depois, vai aprofundando, fazendo coisas mais complexas, até chegar a fazer uma peça inteira, com várias horas de duração. (MOSTRA O LIVRO HISTÓRIA DE LENÇOS E VENTOS, DE ILO KRUGLI).  Há peças de teatros com grandes personagens, de todos os tempos e lugares, mas eu quero contar pra vocês que há personagens diferentes, como os criados por Ilo Krugli! Nome diferente, não é mesmo? Ilo Krugli. É que ele nasceu longe, em Buenos Aires. Mas está no Brasil há muito tempo. Ele é um autor de teatro maravilhoso que escreveu a peça História de Lenços e Ventos (MOSTRA O LIVRO). A peça está publicada neste livro. História de Lenços e Ventos!

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Referência à Ilo Krugli, em A Baronesa de Queluz. Foto: Atelier da Fotografia.

Imaginem: um lenço azul é o protagonista, o personagem principal da peça (A ATRIZ DEVE MOSTRAR UM LENÇO AZUL PARA A PLATEIA, BRINCANDO COM O MESMO). Ele é um aventureiro, livre como eu gosto de ser; livre! E, curioso, como eu também sou; ele adora conhecer o novo. Às vezes treme de medo; outras vezes vai em frente com a maior coragem. Gosta de carinho, de afago! Um lenço que ganha vida através do teatro (GUARDA O LENÇO).

Na peça escrita por Ilo Krugli há outros personagens muito diferentes. (FOLHEIA O LIVRO, ANUNCIANDO AS PERSONAGENS) Uma nuvem que é sonolenta, dorminhoca mesmo; um guarda-chuva! Já imaginaram um guarda-chuva falante? Ele é o principal protetor do papel, uma folha de jornal que é também personagem da história. Através dessa peça a gente aprende que é possível fazer teatro com aquilo que temos. Não precisamos ficar pensando “ah, se eu tivesse palco”, “Ah, se eu tivesse um cenário grandioso”, “ah, se eu tivesse…”.

No teatro podemos dar vida e emoção às coisas tanto quanto às pessoas, olhando-as com olhos diferentes do comum. Gosto de interpretar coisas, de fingir ações, mas o que gosto mesmo é de contar histórias. Histórias de todo tipo. Nas minhas andanças por ai sempre contava histórias de lugares fantásticos, de lugares imaginários, até que uma vez me pediram para contar quem era e como eram os primeiros habitantes de Queluz. Desafiaram-me dessa forma: (IMITANDO O DESAFIANTE) “-Inventar fantasias é fácil! Queremos ver se você é capaz de transformar história real em teatro”. Pensei com meus botões… Bobo! Esse cara não sabe de nada. Pois vou mostrar pra vocês como é que eu contei essa história, dos primitivos moradores da nossa cidade. Vou me transformar!

(UMA VINHETA MARCA A MUDANÇA DE CENA. COM ELEMENTOS MÍNIMOS A ATRIZ TRANSFORMA-SE NO ÍNDIO PURI CONHECIDO COMO VUTI OU VUITIR – MONGO VELHO. UMA MUDANÇA DE ROUPA, UM COCAR SIMPLES OU TESTEIRA COM MOTIVOS INDÍGENAS SÃO ELEMENTOS MÍNIMOS SUGERIDOS).

VUITIR – Meu nome é Vuti! Alguns me chamam Vuitir! Vuitir! Sou um índio Puri! Nós, os Puris, somos da família dos goitacás. Os Goitacás eram selvagens e cruéis; é o que contam os mais velhos que eu; encheram de terror os portugueses, quando esses chegaram por aqui. Nós, os Puris, somos calmos, gente de paz. Gostamos de viver com nossos cantos e danças e, todos confirmam, somos grandes dançarinos. Vivemos do que plantamos: banana, batata, milho. E também gostamos de cará, mandioca, abacaxi… Somos bons caçadores e bons pescadores.  Para caçar fazemos nossos arcos, flecha, zarabatana para pegar aves… Bodoque! Tem algum menino aqui que saiba fazer bodoque? Na minha aldeia toda criança faz bodoque, sabe pescar, nadar e caçar, porque precisamos da caça para nossa alimentação.

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Referência aos Puris, antigos habitantes da região. Foto: Atelier da Fotografia.

Os Puris não são conhecidos como os Tamoios, os Xavantes, os Tupinambás, os Yanomamis, os Caiapós ou os Aimorés. Essas são algumas das tribos, famílias indígenas que já estavam no nosso país muito antes da chegada dos portugueses. Nós estávamos aqui, os Puris. Infelizmente os colonizadores tomaram nossas terras, dominaram nossa gente. Eu, Vuitir, percebendo a força dos invasores, fiz um acordo com eles e trouxe minha gente para viver aqui, desde que fossem bem tratados. Foi tudo como o combinado, ficamos bem. Todavia, com o tempo minha gente foi desaparecendo (COMEÇA A TIRAR ADEREÇOS INDÍGENAS).  As doenças trazidas pelos brancos, as mudanças todas diante da nova situação nos foram fatais. Perdemos o nosso modo de vida e saímos da história.

(VINHETA. TERMINA DE TIRAR OS ADEREÇOS E PROSSEGUE.).

VIOLETA – Sabem que eu gosto muito desse velho índio puri? Fico imaginando… Já pensaram se os índios Puris ainda estivessem por aqui? Como é que viveriam? O que eles caçariam? Ninguém mais consegue viver de caça por aqui. As mudanças foram tantas que o ambiente em que eles viviam tornou-se muito diferente. Não conseguiriam mais caçar, mal teriam o que pescar… A mata original se foi, mas o rio está ai. E poderia nos fornecer muito mais peixes, mais riquezas! Há tanta sujeira nos nossos rios. Se a gente não cuidar nem nós sobreviveremos. Não é brincadeira! Sem água limpa, sem peixe, as matas destruídas, onde iremos parar?

(CANTA, COM A MELODIA DE A CANOA, CANTIGA DE RODA)

A canoa parou

Já não posso mais pescar

Foi por causa da sujeira

Nem me deixa navegar…

(VOLTA A FALAR) Até Martim-pescador, o pássaro que vive daquilo que pesca está ficando raro por aqui. Ainda temos gaviões, garças, tico-tico… (TIRA UM PAPEL PARA DOBRADURA DO BOLSO E COMEÇA A CRIAR UM PEIXE) A vida já é difícil com pouco peixe, imaginem se ficamos sem pássaros? Vamos fazer duas coisas! Duas! (ENTREGA O PEIXE PARA UMA CRIANÇA) Uma é aprender a nova letra da cantiga que é pra gente não esquecer de que temos que cuidar dos nossos rios. E a segunda, já falo; vamos cantar!

(A ATRIZ ENSINA A PLATEIA, CANTANDO UM VERSO, PEDINDO QUE A MESMA REPITA E APÓS FAZER OS QUATRO VERSOS, REPETIRÁ TODA A CANTIGA. ENQUANTO ISSO FARÁ OUTRO PEIXE COM O PAPEL DE DOBRADURA).

A canoa parou

Já não posso mais pescar

Foi por causa da sujeira

Nem me deixa navegar…

(EXIBE O PEIXE PARA A PLATEIA) Vejam no que transformei esse papel. Um peixe! Eu disse que faríamos duas coisas, certo?  A primeira foi a música. Agora quero ensinar as crianças a fazerem esse peixe. A ideia é a seguinte: sempre que possível, a gente faz um peixe para lembrar que temos que cuidar do rio para que ele volte a nos dar muitos peixes pra pescar. E quando alguém estiver sujando o rio, seja quem for, jogando ou despejando coisas nos nossos rios, nós não vamos brigar, vamos fazer um peixe como este e dar de presente à pessoa, para lembrá-la que rio sujo é rio sem vida. Vamos aprender a fazer esse peixe?

(A ATRIZ FARÁ O ORIGAMI E ENSINARÁ AOS ALUNOS DE CADA SALA. COM CALMA MOSTRARÁ CADA ETAPA DA ATIVIDADE, ORIENTANDO E PERMANECENDO ATENTO PARA QUE TODOS FAÇAM O ORIGAMI. EM SEGUIDA, AGRADECE AS CRIANÇAS E PROSSEGUE).

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Luciana Fonseca ensina origami aos alunos de Queluz. Foto: Atelier da Fotografia.

Dobrar papel é uma arte desenvolvida no Japão. Lá eles dizem origami e assim ficou conhecido no mundo inteiro. Origami. Arte de dobrar papel e transformá-lo em flores, animais e toda uma série de coisas. Quem me ensinou a fazer dobraduras foi meu avô. Como já disse, eu nasci aqui, em Queluz. Sou de uma família de piraquaras. Meu avô foi piraquara. Alguém ai sabe o que é piraquara?  Piraquara é pescador. Assim como se diz do camponês que este é caipira, dizem do pescador: é um piraquara! Pois então, venho de uma família de pescadores, de caipiras ribeirinhos vivendo das graças do Rio Paraíba do Sul. Em casa não faltava lambari, curimbatá, surubim… Era tudo muito farto, peixe que não acabava mais.

Do quintal da casa de meus pais eu via a Pedra da Mina, imponente, majestosa. Meu avô vivia dizendo; (IMITA O AVÔ) “- A Pedra da Mina é o ponto mais alto da Serra da Mantiqueira!” Havia um tio que morava mais aí pra frente, já no Estado do Rio de Janeiro, teimava com o meu avô; (IMITA O TIO) “-Que nada! O ponto mais alto da Serra é o Pico das Agulhas Negras, aqui no Estado do Rio de Janeiro”. Era uma briga que não tinha fim. (BRINCA FAZENDO OS DOIS PARENTES) “- A Pedra da Mina é o ponto mais alto”! (IMITA O OUTRO) “- O Pico das Agulhas Negras é o mais alto! (REPETE AS AFIRMATIVAS).  “- A Pedra da Mina é o ponto mais alto”! “- O Pico das Agulhas Negras é o mais alto!  “- A Pedra da Mina é o ponto mais alto”! “- O Pico das Agulhas Negras é o mais alto”!( INTERROMPE BRUSCAMENTE)

Hoje, com aparelhos sofisticados, sabemos que a nossa Pedra da Mina tem oito metros a mais que a outra e, dizem os aparelhos, são exatos 2.796 metros de altura. 2.796! Eu pequeno, bem pequeno mesmo e a Serra naquela altura! Só é orgulhoso quem quer; a Serra da Mantiqueira está aí, pra mostrar para o ser humano o seu verdadeiro tamanho! Somos pequenininhos!

Meu avô gostava de passear, caminhar pelas trilhas da montanha e acabou ganhando um dinheirinho com isso. De repente começou a aparecer gente querendo subir a serra o pé, ver de perto o Pico dos Três Estados.  Meu avô levou muita gente para o lugar que marca a divisa do território dos três estados, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.  (BRINCA) Vovô gostava de brincar dando passinhos para um lado e outro: – Olhem, estou em Minas! Vejam, voltei para São Paulo! Agora vou para o Rio de Janeiro!

Eu morria de curiosidade pra saber como era Minas Gerais, o Rio de Janeiro… Acho que foi também por isso que tomei gosto pela ideia de viajar. Um dia arrumei uma mochila, dei tchau para minha família e fui me aventurar no mundo.  Peguei carona com um caminhoneiro e fui para bem longe e lá, já muito distante da minha terra, quando dizia ser de Queluz, logo comentavam: (IMITANDO UM SUPOSTO INTERLOCUTOR) Queluz, você é de Queluz então você é português. (FAZENDO SOTAQUE PORTUGUÊS:) “Ora gajo, me diziam, perdestes o sotaque da terrinha? Que raio de português que és se já não falas como os teus?” Hein?

Não sei quantas vezes repeti que a minha Queluz é a do Vale do Paraíba. Há outra Queluz, lá em Portugal, é uma cidade antiga, famosa por nela estar um palácio da família real portuguesa, o Palácio de Queluz, que era um dos locais preferidos de vários membros da família real. É um belo lugar com jardins floridos, enfeitados com estátuas e tem um interior rico, com uma decoração primorosa.  Eu dizia tudo isso e emendava falando sobre nossa Queluz, recitando versos que eu mesmo fiz e foi assim que começaram a me chamar de poetisa. Vou recitar os tais versos para vocês.

(SOBE MÚSICA INSTRUMENTAL)

Queluz, no vale do Paraíba,

É minha cidade natal.

Não confunda, meu amigo,

Com a outra de Portugal.

Aquela é cidade de reis

A nossa, bem brasileira,

Para nós é sempre a primeira.

São duas belas cidades

Quem conhece assim afirma

No meu coração não tem igual

Por isso repito e te peço

Não confunda, meu amigo,

Com a outra de Portugal.

(FAZ MESURAS E SEGUE A NARRATIVA) Defendendo minha cidade, falando sobre as belezas daqui, passaram a me chamar de Baronesa. Não que eu tenha sido rica, ou que venha de família poderosa, dona de grandes fazendas. Sou apenas uma atriz e, ainda, aprendiz de poeta. E assim aconteceu: eu chegava aos lugares e já ia explicando qual era a minha Queluz (fala rapidamente):

Queluz, no vale do Paraíba

É minha cidade natal

Não confunda, meu amigo

Com a outra de Portugal.

(VOLTA A CONTAR) Um dia, declamando estes versos, fui desafiado a contar a história da minha cidade. Não assim, de uma maneira qualquer, mas como um grande personagem. Foi um desafio e tanto. Há tantos fatos da nossa cidade que dão boas histórias! Um deles, certamente, está na memória de todos os mais velhos. E cada criança vai aprendendo, ouvindo de seus pais, de seus avós e vendo ali, no meio do rio o que restou da antiga ponte, dinamitada em 1932.

Todos sabem, o Rio de Janeiro está logo ali e, em 1932, era a Capital Federal, sede do governo. Os revolucionários estavam aqui, na nossa cidade, prontos para barrar as tropas federais que, em maior número, ameaçavam derrotar os paulistas. Para retardar o avanço inimigo foi resolvido destruir a ponte. Tenho aqui (tira da bolsa) uma cópia de um jornal de 1932, contando esse fato (LÊ):

“Levo ao vosso conhecimento que a 10 de agosto o Doutor Antonio Bresser Monteiro fez voar dinamitada a ponte da estrada de rodagem sobre o Paraíba, em Queluz… Debaixo de intenso fogo de fuzilaria e metralhadoras o doutor, afirma o jornal – com grande serenidade! -” deu provas de energia, sangue frio e bravura”! Uau! Que herói!

O doutor Monteiro é um grande personagem de Queluz que deve ser sempre lembrado. Um personagem real que merece as melhores interpretações! Mas também há outros, bem longe, lá dos tempos do império. Sabe, eu gosto de lembrar esse tempo onde tínhamos os nobres. Nossa família imperial, toda bonitona e os nossos barões e baronesas do café, naquela época a nossa maior riqueza. (A MESMA VINHETA DE MUDANÇA DE PERSONAGEM) Fiquei  pensando nesse tempo, pensando, pensando… (VAI TROCANDO OS ADEREÇOS E TRANSFORMANDO-SE NA BARONESA DE QUELUZ) Fui criando, criando, criando… Fui me transformando e… (APÓS COLOCAR O ADEREÇO FINAL – JÁ COM OUTRA POSTURA E COMPOSIÇÃO DIFERENCIADA) pronto!

(UMA MUDANÇA DE VESTUÁRIO, REMETENDO AOS BARÕES DO CAFÉ E UM LEQUE SÃO OS ADEREÇOS MÍNIMOS SUGERIDOS).

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Luciana Fonseca é A Baronesa de Queluz. Foto: Atelier da Fotografia.

BARONESA DE QUELUZ – Meninos e meninas, mestres e mestras, todos os presentes!Agora sim, devidamente vestida e preparada. Eu sou o Baronesa de Queluz! Sou desta bela cidade onde nasceram outros barões, nobres, como eu. Um deles o Vicente de Paula Vieira, o Barão de Rifaina. Nasceu aqui, na nossa Queluz. Também de nossa Queluz é o Barão de Novais, um dos grandes donos de fazendas de café! Grandes figuras esses barões!

Ainda hoje gosto de passear por essas antigas fazendas…  São José, Fazenda Bela Aurora, Fazenda do Regato, Cascata… Fazendas belíssimas que guardam a história dos velhos barões, homens da mais alta linhagem. Certamente vocês nunca ouviram falar a meu respeito, eu, a Baronesa de Queluz. Sim, pois não sou baronesa por decreto, mas por opção! Assim sou a única Baronesa de Queluz!

Outro dia, tive o desprazer de encontrar uma jovem mulher do povo que colocou em dúvida a minha identidade. Ela foi chegando e me dizendo:

(IMITA UMA MULHER DO POVO, DIALOGANDO COM A MESMA, ESTABELECENDO UM JOGO ONDE INTERPRETA AS DUAS PERSONAGENS).

MULHER – Que baronesa que nada! O tempo de condes, duques e barões já passou. Só se você for uma baronesa de araque. Aliás, você tem cara de baronesa de araque! Tão verdadeira quanto uma nota de quinze reais!

BARONESA DE QUELUZ – (PARA A PLATEIA) Que ousadia! Que atrevida! Eu? Falsa? Nota de quinze reais? Não pude deixar de responder: Pois saiba a senhora que sou baronesa sim, de alta linhagem. Barão, minha senhora, é palavra que significa homem livre. Sou uma mulher livre! Sou uma baronesa. (PARA A PLATEIA) E não é que a mulherzinha retrucou!

MULHER – Logo vi; uma baronesa de araque! De mentira!

BARONESA DE QUELUZ – Uma baronesa verdadeira!

MULHER – Uma falsa baronesa!

BARONESA DE QUELUZ – Verdadeira!

MULHER – Falsa.

BARONESA DE QUELUZ – Verdadeira!

MULHER – Falsa!

BARONESA DE QUELUZ – (PARA A PLATEIA) O que aquela mulher queria? Provavelmente me enlouquecer. Eu já estava quase doida quando resolvi, ao invés de brigar, mostrar que posso ser o que quiser ser, pois sou uma atriz e as atrizes transformam-se em tudo o que der na cabeça. Então, enfrentei a megera com minhas armas preferidas: as armas do teatro!

(DECLAMA, PARA A MULHER FICTÍCIA).

Olhe bem, minha senhora,

Quem vos fala sem despeito,

Trazendo poesia no peito,

Dona do próprio nariz!

Atenção, peço respeito!

Minha cara, sou uma atriz!

(VOLTA A FALAR NORMALMENTE) Eu achei que ela se aquietaria com meus versos, mas não é que ela me desafiou novamente?

MULHER – Então a senhora Baronesa de Queluz é uma atriz! Onde é que está o palco, o figurinista, o iluminador?

BARONESA DE QUELUZ – Minha senhora, o figurinista está aqui, presente nas roupas que visto (MOSTRA A ROUPA, DESFILANDO E EXIBINDO-SE). E a luz foi Deus quem deu! Quando precisamos de luz contratamos técnicos, eletricistas, o iluminador! E palco, ah, minha senhora, o palco é onde o ator está. E para cenário, basta a imaginação. Veja só, como vou lhe mostrar!

(TROCA ALGUNS ADEREÇOS. UMA ECHARPE E UM LENÇO {O LENÇO AZUL DO INÍCIO} SE TORNA LENÇO DE CABEÇA, TRANSFORMANDO-SE EM UMA COZINHEIRA TELEVISIVA, QUE ENSINA UMA RECEITA).

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Queluz na Moranga é a receita transmitida aos alunos. Foto: Atelier da Fotografia.

COZINHEIRA – Minha querida amiga dona de casa, hoje vamos fazer o prato mais delicioso da região, prato típico oficial de nossa cidade: Queluz na Moranga (FALA RAPIDAMENTE, MAS COM CHARME E SIMPATIA). 1kg de carne seca , 2kg de mandioca, três tomates, uma cebola, cinco dentes de alho, um maço de espinafres, três tabletes de caldo de carne, salsinha e cebolinha, bacon para decorar e, obviamente… Uma moranga!  Cozinhe a carne, sem sal. Faça um purê com a mandioca. Frite a carne com a cebola e o alho. Adicione o tomate, o espinafre, os temperos todos e recheie a moranga já assada decorando com salsinha e o bacon. Ai, que delícia!

(VINHETA. VOLTA A SER VIOLETA; ENQUANTO FALA RETIRA, CALMAMENTE, OS ADEREÇOS ANTERIORES).

A mulher que duvidada que eu pudesse ser a Baronesa de Queluz ficou quietinha e depois que eu dei a receita, ficou me olhando, sem saber o que retrucar. Voltei a ser eu mesma e aproveitando a deixa convidei a moça para visitar nossa cidade, na Festa da Moranga e da Mandioca.

Aliás, moranga e mandioca são ingredientes do nosso delicioso prato desde o tempo dos tropeiros que atravessavam nosso país. Quem não quer vir na festa da moranga é porque já morreu! Temos muitas festas por aqui, não é? Gosto muito de ter conterrâneos festeiros, cheios de alegria. Quantas festas a gente tem aqui, por ano? Quer saber, vou chamar algumas crianças para uma brincadeira, sobre as festas da cidade.

(CHAMA AS CRIANÇAS – NO MÁXIMO CINCO – E PROPÕE ALGUMAS ADIVINHAS. DISTRIBUI PRANCHETAS COM PAPEL PARA CADA UMA DELAS).

Atenção crianças, vamos brincar de adivinhas. O tema das nossas perguntas serão as festas da nossa cidade. Prestem atenção! Vamos lá! Eu faço a pergunta e vocês escrevem a resposta no papel. Lembrem-se, o segredo das respostas são as festas da nossa cidade.

Pra Santo Antonio e São Pedro

Vivo pedindo perdão

E prometo todo dia

Jamais soltar balão

Toda vez que em Queluz

Temos festa de… (SÃO JOÃO)

(A ATRIZ DEVE ESTIMULAR, PERGUNTANDO O NOME DO SANTO QUE FALTA. APÓS CONFIRMAR A RESPOSTA – SÃO JOÃO – A ATRIZ COMPLEMENTA).

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Adivinhas lembram festas da cidade em A Baronesa de Queluz. Foto: Atelier da Fotografia

Parabéns. São João! A festa junina de Queluz é considerada a melhor de todo o vale do Paraíba. Há muitos shows, quadrilhas e muitas comidas gostosas. Eu, sempre que posso, não perco o canjão de galinha, depois da alvorada festiva. Mas, vamos responder qual outra festa está na próxima adivinha:

Bons em forno de lenha,

Também em fogão a gás

Grande festa da cidade

Toda vez que acontece

Da balança a gente esquece

Por isso convido você

Vamos à festa do… (DOCE)

Parabéns aos que acertaram. Eu perco a compostura na festa do doce. Como todas as tortas, compotas, geleias. É a melhor festa do mundo! Agora, vamos para a última adivinha! Prestem atenção e anotem a resposta.

Quando chega o calor

Há festas no litoral

No frio em nossa Queluz

É tempo de festival

Complete o nome, meu amigo,

Dessa festa sem igual

Festival de…  (FESTIVAL DE INVERNO)

(VOLTA A COMENTAR) Festival de Inverno. Eu gosto desde quando havia encontro de motociclistas. Mas, o que mais me agradou nesse festival foi o fato de ter feito apresentações das minhas peças de teatro lá, no Espaço de Eventos 8 de Março.

(TERMINANDO A BRINCADEIRA PEDE APLAUSO PARA AS CRIANÇAS E PREPARA-SE PARA SAIR DE CENA)

Bom, obrigado a todos pela participação. Professora, muito obrigado por me ceder tempo de sua aula. Sabem o que eu fico pensando? Se o Padre Francisco das Chagas Lima, fundador da nossa cidade, pensava que teríamos tantas festas assim. É claro que uma cidade que tem São João Batista como padroeiro tem que ter uma bela festa junina e, vamos combinar, festa é sempre bom.

Agora preciso ir embora. Vou visitar muitas escolas, muitas salas e brincar de teatro com muito mais gente. Prestem atenção que tenho algo muito especial a solicitar de vocês: eu gostaria que cada um de vocês escrevesse uma história sobre nossa cidade. Pode ser em versos, uma redação, uma peça de teatro… Professora, se for possível, a senhora ajuda o pessoal nesses trabalhos? Seria muito legal. Quando eu voltar vou ver o que vocês fizeram; combinado? Pra vocês, que ficam por aqui, meu muito obrigado, obrigado especial à escola e então, quem já aprendeu a canção pode cantar comigo.

(CANTA A MUSICA DE DESPEDIDA)

Vamos brincar de teatro

Vamos brincar de ser,

Viver muitos personagens

Nessa viagem e assim crescer.

O palco é a rua, a sala,

A praça ou o nosso quintal

A história a gente inventa

Ou conta aquela já bem contada

Que recontada, não tem igual!

Tchau, pessoal! Adeus! Até logo, professora! Em breve estarei de volta. Até a próxima!

 

Valdo Resende, Março/2016

 

OS SETE RIOS DE LAVRINHAS

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Rodolfo Oliveira é Adriano, o bardo em Os Sete Rios de Lavrinhas. Foto: Atelier da Fotografia

O Projeto Arte na Comunidade tem, entre seus principais objetivos, contar histórias e estimular esta atividade em crianças das escolas das cidades visitadas. Para isso inclui em seus textos autores e obras que, no final do projeto, estão entre os livros que são doados às bibliotecas das escolas para uso comum.

Na quarta edição do Arte na Comunidade, no Vale do Paraíba, escolhemos autores de textos teatrais (Sylvia Orthof, por exemplo, no texto para Lavrinhas) e nossos atores lembraram menestréis, bardos, poetas, saltimbancos, em um divertido exercício de teatro dentro do teatro tendo, como apoio, os adereços e figurinos criados por Carol Badra.

Em “Os Sete Rios de Lavrinhas” Rodolfo Oliveira interpreta Adriano, um bardo que lembra personagens correlatos à história do município do Vale do Paraíba. Escrito e dirigido por Valdo Resende, com direção musical de Flávio Monteiro, o trabalho foi apresentado em todas as escolas municipais.

Havendo interesse em reproduzir o texto ou interpretá-lo, pedimos a citação do motivo pelo qual o texto foi escrito e dos profissionais envolvidos na montagem original.

Idealizado por Sonia Kavantan o Arte na Comunidade 4 foi patrocinado pela Alupar, Taesa e apoiado pelas Usinas Queluz e Lavrinhas. Uma realização da Kavantan & Associados, Ministério da Cultura e Governo Federal.

OS SETE RIOS DE LAVRINHAS 

Original de Valdo Resende

(CARACTERIZADO COM ELEMENTOS QUE REFEREM UM BARDO, O ATOR ENTRA CANTANDO A MÚSICA DE ABERTURA CAMINHANDO POR ENTRE O PÚBLICO E, ANTES DE IR PARA O ESPAÇO CÊNICO PRINCIPAL – PALCO OU SALA DE AULA – BRINCA COM OS PRESENTES; ADRIANO DEVE CAMINHAR RAPIDAMENTE POR ENTRE TODOS, AGITADO).

 

Vamos brincar de teatro

Vamos brincar de ser,

Viver muitos personagens

Nessa viagem e assim crescer.

O palco é a rua, a sala,

A praça ou o nosso quintal

A história a gente inventa

Ou conta aquela já bem contada

Que recontada, não tem igual!

(TERMINANDO DE CANTAR, CUMPRIMENTA A PLATEIA)

Meus amigos: Cheguei!

(NOS PRIMEIROS MOMENTOS O ATOR SE MOSTRARÁ TENSO, ELÉTRICO, ESTRESSADO).

Olá para todos! Tudo bem? Como vão? Ah, que bom que eu cheguei aqui! Não via a hora de chegar à minha Lavrinhas! Não via a hora, mesmo! Ando tão fatigado, extenuado, cansado, esgotado, combalido, estressado, acabado! A vida por aí não anda nada fácil! De onde venho é muita correria, muita tensão, muita agitação! E eu, estressado, só pensava em vir pra minha cidade, encontrar minha família, meus amigos e… Brincar de teatro! (RESPIRA FUNDO) Foi só chegar por aqui, olhar as casas, os rios, as pessoas e já estou me sentindo melhor. Já quero brincar! Teatro é tão relaxante, tão divertido, bom para distrair, desanuviar!

Vamos brincar de teatro

Vamos brincar de ser,

Viver muitos personagens

Nessa viagem e assim crescer.

(RESPIRA EXAGERADAMENTE FUNDO, RELAXADO) Eu nasci aqui, em Lavrinhas. Faz tempo! Bem ali, na Rua Manoel Horta, perto da Igreja. Uma calmaria, uma tranquilidade! O rio passando no fundo de casa, aquele barulho gostoso! Naquela época eu já adorava ouvir a chuva caindo sobre o rio. Vocês já pararam pra prestar atenção? Quando a chuva cai e as águas ganham maior volume, correm mais depressa, como se fossem para uma grande festa! Depois a chuva passa, a água volta a correr como sempre. Eu gostava de ter o rio passando ali, no fundo do quintal. Eu subia em um pé de goiaba e, lá de cima, ficava olhando a água correr, imaginando onde ela iria parar… Iria evaporar e tornar a cair em forma de chuva? Terminaria fervendo em uma panela e virando caldo de feijão? Café? Refrigerante? Dá pra lembrar um monte de usos para á água.

Ontem, quando cheguei, estava muito mais elétrico e muito mais estressado. Estava assim, vejam! (O ATOR FAZ UMA PANTOMIMA, FINGINDO-SE AGITADO). Aí, deixei minha bagagem na casa de uns amigos e chispei, corri, acelerei, disparei até a Cachoeira da Pedreira. Cheguei lá e mergulhei de roupa e tudo no poço… Uma delícia! Aí, foi só deixar a água cair forte, fresca, gostosa. Aquele banho me fez sentir que havia chegado. Estava em casa.

Foi olhando a natureza que aprendi a gostar de poesia. Ficava buscando palavras para expressar o que eu via; as corredeiras, os pássaros, a mata, a serra… Uma vez, na Festa de São Francisco de Paula, apareceu um cantador, viajante nordestino, que cantava e contava histórias em versos. Fiquei encantado e naquele dia resolvi que seria poeta, cantador, contador de histórias. Comecei a estudar o assunto e descobri que eu seria um bardo! Espera! Está na hora de vocês saberem, em versos, um pouco mais do que sou.

(O ATOR DECLAMA OS VERSOS APRESENTANDO-SE AO PÚBLICO)

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Rodolfo Oliveira. Foto divulgação/Atelier da Fotografia

Atenção, todos vocês,

Apresento-me, sou um bardo!

Um poeta diferente,

Não faço da vida um fardo.

Desde os tempos de outrora

Pela graça do Senhor

Conto histórias, mitos, lendas,

Invento fábulas e lorotas

E por ser um vencedor

Fui mais além nessa vida,

Prestem atenção: sou um ator!

Adriano, este é o meu nome,

Sendo pobre, nunca passei fome,

Pois nasci em belo vale

Onde aprendi a pescar

A carpir, fabricar!

Senhores, nascido em Lavrinhas!

Vim aqui me apresentar.

(TERMINA FAZENDO MESURAS E VOLTA A FALAR NORMALMENTE)

Os bardos, dizem, surgiram há muito tempo, lá na Europa. Antes mesmo dos trovadores, dos menestréis que são outros tipos de poetas. Bardo é um nome diferente, não é? Todos os poetas, trovadores, menestréis gostam de versos, de rimas, de contar e cantar histórias. O bardo narra a história de sua gente em versos, em prosa, com música. Gostando de poesia e de teatro foi fatal conhecer um dos maiores poetas e dramaturgos de todos os tempos: William Shakespeare! Lá da Inglaterra. Chamam-no “o bardo”. Pois em suas peças há muita poesia e ele também escreveu sonetos.

Desculpem-me a ousadia; muita pretensão ser tão bom quanto ele; entretanto, a gente deve espelhar-se no que há de melhor; é assim que crescemos. Olhando para o alto. Então, tendo crescido aqui me habituei a observar a grandeza da serra, a determinação dos nossos rios, às riquezas do nosso vale… Tudo tão maravilhoso! Tomei a decisão de contar pelo mundo a história da minha terra. Em verso e prosa.

Lógico que, de cara, não consegui dominar as palavras, os versos. Fui aprendendo aos poucos e, em teatro, a gente aprende observando. Meu professor dizia: (IMITANDO UM POSSÍVEL PROFESSOR) “– Adriano; observe a vida, as pessoas, só assim você poderá ser ator. Observar e viver, esta é a missão do poeta, de todo artista. Você é capaz de lembrar-se da sua gente, lá da sua cidade?”. Claro que sou! E o professor me disse? “-Será mesmo? Vamos começar fisicamente!”. Hein? Observar fisicamente? Como assim, observar fisicamente? E ele continuou: “- Adriano lembre-se das pessoas de sua cidade, do que elas faziam; do que elas fazem e são e reproduza com seu próprio corpo”.

(O ATOR, CONFORME NOMINA, VAI IMITANDO GESTUALMENTE)

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A primeira pessoa que me veio à mente foi o Padre Antonio (IMITA COM GESTOS SACROS); eu ajudava o padre nas missas e, por isso, sabia tudo o que ele fazia (VOLTA A IMITAR). Depois me lembrei do Tio Manoel; (NARRA REALIZANDO AS AÇÕES SUGERIDAS) Tio Manoel, volta e meia, saia de casa, ia até a beira do rio e, pegando a canoa, saia remando em pé; o máximo! Procurava um bom lugar para pescar. Imaginem só! (IMITA O BARQUEIRO REMANDO) É difícil manter o equilíbrio com o barco em movimento, balançando; e meu tio ali, firme! Dizia que aprendeu com descendentes de índios que viveram por aqui. Tio Manoel passava horas pescando. Pegava a vara, acertava o anzol, punha a isca e, lançando na água esperava pacientemente por um bom peixe. (REPETE A SEQUÊNCIA RAPIDAMENTE) Caminhar, pegar o barco, navegar, pescar… (MUDA O TOM) E os peixes sumindo, sumindo. Pesca exagerada, água poluída… (QUEBRA O CLIMA) Vamos brincar de teatro! Quero cinco crianças! Cinco! Vamos brincar de teatro e começar fisicamente, como aprendi com meu professor.

(O ATOR ORIENTA AS CRIANÇAS PARA CRIAÇÕES FÍSICAS DE PROFISSÕES COMUNS AOS HABITANTES DA CIDADE. ANUNCIA A PROFISSÃO E REALIZA GESTOS, FACILITANDO A LEMBRANÇA OU O CONHECIMENTO PARA CADA PARTICIPANTE).

Prestem atenção! Quem sabe fazer de conta que está garimpando? Com bateia, uma peneira própria para pescar. Onde teve ouro, sempre poderá haver novamente. (FAZENDO AS AÇÕES COM AS CRIANÇAS) Mergulhando a bateia na água, enchendo com o cascalho que há no fundo do rio, chacoalhe para frente e para trás, de um lado e de outro e retire da água. A sujeira se dissolve, as partes menores passam pela bateia ficando o cascalho e, se der sorte, encontramos ouro! E esse local onde o ouro está é o que chamamos lavra. Lavrinhas! Várias lavras de ouro!

(ESCOLHE ENTRE AS CRIANÇAS AQUELA QUE SERÁ O GARIMPEIRO) Quem quer ser o garimpeiro? Tem que ser forte, resistente, porque dá uma dorzinha nas costas… (DEFINE A CRIANÇA). Bom, agora vamos brincar de lenhador; vamos extrair madeira para a produção de carvão vegetal. (FAZENDO AS AÇÕES) Escolhemos a árvore e, com um machado, fazemos um primeiro corte que será a base onde colocaremos a serra. Lenhador tem que ser forte! Não é fácil segurar e sustentar uma serra elétrica! E tem que ser responsável! Escolhe a área para extrair a madeira, mas depois tem que replantar e reflorestar. Do contrário, a madeira acaba. Já não temos tanta mata por aqui… Vamos escolher um lenhador! (DEFINE A CRIANÇA. AS PRÓXIMAS PROFISSÕES SERÃO ESCOLHIDAS COM MAIS RAPIDEZ).

Já temos um garimpeiro e um lenhador, agora está na hora de encontrar quem saiba ordenhar. Em um sítio todos sabem ordenhar. (FAZ A AÇÃO) Quem gosta de leite? Queijo, iogurte, manteiga? Então, para ter leite é preciso ordenhar. Eu sei ordenhar, pois aprendi quando passava férias com meu avô. Vamos ordenhar! Com força e delicadeza! (FAZ E ESCOLHE UMA CRIANÇA, RETOMANDO A BRINCADEIRA). Quem vai ordenhar? Já temos um garimpeiro, um lenhador e aquele que irá ordenhar.

Vamos lembrar meu tio Manoel? Mas, sem pescar de pé que estou cansado e gosto de pescar para relaxar. Vamos pescar! Pega a vara, acerta a linha, coloca o anzol, a isca, lançar na água e… Eita, vida boa! (SENTADO, PARA FAZER A PESCARIA O ATOR FINGE QUE DORME, ATÉ SIMULAR UM PUXÃO NA LINHA). Opa! Olha o peixe! Pesquei! Pesquei um! (PERMANECE SENTADO PARA A PRÓXIMA AÇÃO) Vamos escolher, definindo o pescador do nosso grupo. (PARA A ÚLTIMA CRIANÇA) E você que ficou por último, mas não menos importante será um soldado! Mas, não um soldado qualquer (REALIZA A AÇÃO) Um combatente! Lutando bravamente em uma trincheira, atirando para garantir seus ideais! O combatente da Revolução de 1932!  (SIMULA ATIRAR COM UMA METRALHADORA).

E agora, senhoras e senhores, temos cinco criações físicas que serão fundamentais para compor uma história! Uma pequena história que aprendi de um querido vizinho, antigo morador da nossa cidade. Vai ser assim: eu vou contando a história, como se fosse meu antigo e simpático vizinho e nossos atores ilustrarão fisicamente os fatos narrados nessa boa história. Só que para narrar irei me transforma no meu vizinho, um velhinho muito querido!

(O ATOR MUDA A CAMISA E COLOCA ADEREÇOS COMO UM BONÉ, ÓCULOS E UM CACHECOL, COMPONDO A PERSONAGEM. EM SEGUIDA, NARRA E REALIZA AS AÇÕES COM AS CRIANÇAS).

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Rodolfo Oliveira em Os Sete Rios de Lavrinhas. Foto: Atelier da Fotografia

AVELINO – Olá! Tudo bem com vocês? Meu nome é Avelino! Avô de Amélia, Aurora, Alice e amigo de Adriana. Eu sou um cidadão Lavrinhense. Um verdadeiro cidadão Lavrinhense! Não basta nascer aqui. Pra começar, eu adoro comer! Peixe! Um peixe bem fritinho, um pirão… (BRINCA DE PESCADOR JUNTO COM A CRIANÇA DETERMINADA PARA TAL AÇÃO). Pescar é bom, não é mesmo, compadre? Surubim, bagre, dourado! Compadre, você já ouviu falar que trouxeram o dourado de longe? Que não havia dourado no Paraíba? Trouxeram do Paraná! Não estou mentindo não! Compadre fique aqui pescando que eu preciso continuar minha história.

Além de pescador um lavrinhense deve saber cortar lenha. Eu cortei muita lenha por aqui. Escolher a árvore, derrubar e cortá-la em bons pedaços (FAZ A AÇÃO JUNTO COM A CRIANÇA DETERMINADA). Para nosso fogão à lenha, em casa, escolhíamos madeira sequinha, evitando encher a cozinha de fumaça. Madeira úmida dá uma fumaceira! E vendíamos para a companhia da estrada de ferro. Ganhamos muito dinheiro extraindo madeira. Derrubando uma árvore aqui, tirando o mato dali, fomos abrindo espaços na mata para nossas fazendas, para a criação de gado leiteiro. Qual criança vai me ajudar a ordenhar? Você? Ah, vamos ordenhar!

Nos sítios da minha família tirávamos leite para nosso sustento. E o excedente, o que não iríamos usar ia para os grandes laticínios. Nas grandes fazendas eram centenas de litros; na região, milhares de litros de leite. Hoje eu tomo leite de caixa… Tenho uma saudade do leite ordenhado ali, na hora, quentinho! Um cheiro! Uma delícia! (PARA A CRIANÇA) Quer tirar mais um pouquinho? Vamos ver se você aprendeu direitinho! (OBSERVA) Muito bom!

(DEIXA A CRIANÇA ORDENHANDO E APROXIMA-SE DA QUE FARÁ O GARIMPEIRO) Sabem que eu já achei umas pepitas de ouro? Bem pequenas; pequenininhas! Dizem que onde houve ouro pode aparecer mais. Aí, nas horas vagas eu, lavrinhense, gostava de matar o tempo garimpando (FAZ A AÇÃO). Sete rios para a gente procurar um cantinho e, quem sabe, encontrar uma pepita de ouro! Há muito tempo garimpeiros descobriram por aqui pequenas Lavras e, é claro, garimparam o ouro. Lavrinhas! Vai que a gente encontra uma pedrinha amarela! No mínimo, umas pedras bonitas. Eu tenho sete! Uma de cada rio que banha a região. (MUDA DE TOM) Acontece, agora, de a gente garimpar lixo. Sem problemas! A gente aproveita e colabora para limpar nossos rios. Mas, que tal não jogar lixo no rio? (VOLTA) Ai, minhas costas! Não tenho mais tanta disposição para garimpar. O tempo passa. Todavia, se for necessário lutar, estou pronto! (APROXIMA-SE DO SOLDADO)

Eu espero nunca mais, nunca mais mesmo, não mais pegar em armas. Nem eu, nem um Lavrinhense, nem um paulista ou um brasileiro. Somos gente da mesma terra, não temos que lutar uns contra os outros. (FAZ A AÇÃO) Eu lutei na revolução. 1932! Foi difícil, foi duro, mas se precisar eu luto de novo. Só se precisar. Agora, só de brincadeira. (VOZ DE COMANDO) Soldado! Fogo! Quem puder que se esconda das nossas balas! (FINGE FARSESCAMENTE QUE LEVA UM TIRA) Ai, ai, me acertaram! Socorro! Estou morrendo! Morri!

(CAI. VINHETA. TIRA OS ADEREÇOS, VOLTANDO A SER ADRIANO).

ADRIANO – Palma para os nossos atores! Grandes atores que interpretaram fisicamente a pequena peça “Os habitantes de Lavrinhas”. Palmas! E agora, por favor, eu peço que nossos atores permaneçam no palco. Sim, vamos continuar o “lance” do teatro. Então, meu professor nos ensinou a observar as pessoas e a reproduzir, compor os gestos caracterizando-as, certo? Pois bem, ele também nos fez observar coisas e acrescentar som. O cara era pirado! (IMITA O PROFESSOR) “– Adriano, se o povoado de Lavrinhas cresceu com a chegada da estrada de ferro, com a construção da nossa estação, represente um trem”. Hein? Trem? Representar um trem? Ai, meu Deus, porque é que eu fui dizer a ele que a nossa estação foi a segunda a ser construída aqui no Vale do Paraíba? Fazer o que! Quando professor pede é porque quer que a gente aprenda, evolua. Já fizemos garimpeiro, pescador, lenhador… Vamos fazer um trem! (PARA AS CRIANÇAS QUE JÁ ESTÃO NO ESPAÇO CÊNICO) Vocês me ajudam? Por favor! Vamos compor um trem!

Para compor um trem vamos começar pela locomotiva. Daquelas antigas, Maria Fumaça! Com aquelas travas presas, movimentando as rodas (FAZ OS GESTOS COMPONDO A LOCOMOTIVA). Agora vamos fazer os carros, os vagões. Fila indiana para nosso trenzinho. (ESTABELECE UM SINAL) E atenção, quando eu fizer sinal, todo mundo apita. Vamos Ensaiar! (FAZ O GESTO) Piuiiiiiiiii! Agora, vamos brincar de trem! Primeiro um ensaio e depois vamos fazer pra valer. Vamos lá. Ensaiando! (FAZ O ENSAIO) E agora é pra valer! Atenção. No meu gesto, o apito! Não esqueçam.

(O ATOR DIRÁ OS VERSOS EM TRÊS VELOCIDADES, QUE MARCARÃO O RITMO DO ANDAR DO TREM. COMEÇA LENTAMENTE E ACELERA NO FINAL).

Meu trenzinho pequenino

Desce a Serra, vai pro mar,

Vai correndo, vai ligeiro,

Sobe a serra devagar

Meu trenzinho de menino

Para sempre vou lembrar!

(FAZ O GESTO PARA O APITO E VOLTA ACIMA, NO PRIMEIRO VERSO. REPETE TRÊS VEZES).

E o nosso trem termina essa viagem aqui, em Lavrinhas. Palmas para nossas crianças! E vamos em frente! Eu gosto de fazer coisas no palco. Gosto de fazer gente e gosto de fazer coisas. É; e de fazer coisas! (PEGA O LIVRO DA SYLVIA ORTHOF) em teatro da pra fazer de conta que a gente é tudo o que der na cabeça da gente ou do autor. (MOSTRA O LIVRO)

Neste livro aqui está o texto da primeira peça de teatro que fiz como ator profissional. Na escola a gente estuda e pensa em ser galã, bem bonitão. Entretanto, vocês acham que eu estreei nos palcos fazendo um príncipe? Um rei? Um herói? (PAUSA) Meu primeiro personagem foi… Um chuveiro! É! Um chuveiro; isso mesmo! (MOSTRA O LIVRO) A autora do texto é a Sylvia Orthof. Nas peças escritas por ela os personagens são pessoas, coisas, seres mágicos.

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Rodolfo Oliveira em Os Sete Rios de Lavrinhas. Foto: Atelier da Fotografia

Ah! Minha primeira peça! O nome da peça é este aqui, que está na capa do livro: Eu chovo, tu choves, ele chove! E eu, como chuveiro, era apaixonado por uma sereia! Incrível, não é? A Sylvia Orthof tem textos lindos pra gente brincar de teatro. Um texto é sempre um pretexto pra gente brincar de teatro. A gente escolhe um texto, chama os amigos… Quanto mais amigos melhor! E parte para a brincadeira. Uma brincadeira séria, pois cada um faz a sua parte, na hora que deve fazer. É a ação de todos, ou seja, a junção do trabalho de cada um que deixa tudo bonito, legal, da hora! Quando não tem texto, ou se a gente quiser dizer algo diferente, só nosso, o jeito é escrever! Sim, podemos escrever nossos próprios textos, nossas peças de teatro. É muito divertido escrever porque a gente pode criar as personagens mais incríveis.

Depois de interpretar um chuveiro, uma temporada de grande sucesso, vim passar uns dias aqui, na cidade. E seguindo os conselhos do meu professor, que agora era meu diretor de teatro, resolvi escrever meu primeiro personagem para mostrar pra minha família, para os meus amigos, que eu já era um ator. Vou mostrar pra vocês o primeiro personagem que escrevi. Prestem atenção!

(VINHETA. O ATOR TRANSFORMA-SE EM UM ANTIGO TELEGRAFISTA. NAS MÃOS UM SIMULACRO DE TELÉGRAFO).

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Rodolfo Oliveira em Os Sete Rios de Lavrinhas. Foto: Atelier da Fotografia

TELEGRAFISTA – Toc, toc, toc… Tem gente que acha que telegrafista faz toc, toc, toc. Telegrafista não faz toc, toc. Telegrafista faz dit, para sons curtos, e dah para sons longos. Dit, dah. Dit Dit Dit Dah Dah Dah. E vai formando letras, palavras, textos inteiros. Dit Dah Dah Dah Dit Dit Dit Dah. Isso se chama código Morse. Dit é curto, seco. Dit, dit! Já o dah deve ser longo. É um código ultrassecreto. Ideal para mensagens entre estações de trem. Eu sou um telegrafista! Dos bons, modéstia às favas. Eu estava aqui, em 1874 quando foi inaugurada a nossa estação. O primeiro trem veio puxado por uma locomotiva a vapor, o maquinista se achando o máximo. O chefe da estação bancando a autoridade, mas eu, fui eu, com meus Dit Dit Dah que informei: A linha está liberada! Podem vir com o trem!

Aqui, em volta da estação, era uma fazenda linda, enorme, dos irmãos João Emídio e Antônio Francisco Ribeiro. Eles cederam terreno da Fazenda Lavrinha e assim veio a estação. O objetivo dos fazendeiros era facilitar o comércio do café. Eles tinham cafezais imensos e despachavam a produção para São Paulo, de lá para Santos, para o porto de onde nosso café ia para todas as partes do mundo.

Hum! Não posso falar em café que me dá uma vontade! Ali, na estação, no meu Dit Dit Dah Dah de todo dia, um café ajudava a passar o tempo. E o tempo viu surgir o vilarejo no entorno da estação. Uma pequena vila, semente da nossa cidade. Vi centenas de vagões saindo cheios de café, depois de madeira e até vagões tanque, transportando o leite de nossa região. Fui telegrafista durante 40 anos! 40! Sabem o que é isso? Vocês têm ideia de quantos Dit Dah Dah Dit Dit dei nessa vida? A data da minha aposentadoria, 1914, nunca me saiu da memória. Foi um ano importante para o mundo, mas o que realmente guardei na lembrança foi a ida de meu netinho para a escola. Eu não queria que ele fosse embora. Já pensou? Meu único neto? Pois foi em 1914 que os padres Salesianos instalaram aqui, em Lavrinhas, o colégio São Manoel. Nossa vila, que já era distrito de Lavrinhas tinha seu colégio!

(VINHETA. VOLTA A SER ADRIANO).

ADRIANO – Eu gosto muito desse personagem. O telegrafista. Se ele visse a nossa Lavrinhas de hoje! Cresceu, tornou-se uma cidade adulta e com tanta beleza natural! Além das fazendas, das chácaras, temos balneários pras pessoas descansarem. Os turistas desfrutam da maravilhosa paisagem do vale, da serra; banham-se nas nossas cachoeiras, pescam em nossos rios…

Se nosso telegrafista visse! Quantas cidades! Milhares de pessoas. Centenas e centenas de grandes empresas. Por onde o ser humano passa as transformações são imensas. Nossas reservas florestais diminuíram demais e a extração da madeira ficou no passado; as grandes fazendas, históricas, bonitas, abrindo campos para o gado leiteiro também transformaram o ambiente. Lavrinhas, atenta às mudanças e certa da necessidade de cuidar e preservar o meio ambiente construiu uma estação de tratamento de esgotos. Fiquei tão contente! Podem acreditar; há no nosso país cidades inteiras sem redes de esgotos! Nossa maior riqueza é nossa terra, cheia de rios, de árvores, uma natureza exuberante! Em hipótese alguma devemos permitir que isso acabe. Sem sujeira! Sem Poluição!

(CANTA OS PRÓXIMOS VERSOS COM A MELODIA DA CANTIGA DE RODA “ANQUINHAS”)

Oh, cidade de Lavrinhas.

Tão bela, tão rica em águas

Preserve teus sete rios

Por toda a eternidade!

Sete rios! Quanta riqueza! Quanta vida! Vimos recentemente o país inteiro passar por uma crise com falta de água. E nós, aqui em Lavrinhas, temos sete rios! (PEGA PAPEL DE ORIGAMI E COMEÇA A DOBRÁ-LO, CRIANDO UM PEIXE) Se a gente quiser podemos destinar um rio para cada coisa. Assim: um rio para nadar, outro só para pescar. Daquele pegaremos água para beber e do outro, energia para nossas casas. Olhem que privilégio! Mas, para aproveitamos desses sete rios precisamos cuidar deles. Mantê-los limpos, preservá-los. Por isso criei esses versos pra gente não esquecer de que temos que cuidar direitinho dos nossos sete rios. Vamos aprender esses versos? Eu canto uma frase e vocês repetem; assim, a gente aprende e guarda na mente os novos versos, lembrando-nos do que devemos fazer.

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Rodolfo de Oliveira em Os Sete Rios de Lavrinhas. Foto: Atelier da Fotografia

Oh, cidade de Lavrinhas

Tão bela, tão rica em águas

Preserve teus sete rios

Por toda a eternidade!

(O ATOR OFERECE O PEIXE PARA ALGUMA CRIANÇA E, EM SEGUIDA, ENSINA A PLATEIA, CANTANDO UM VERSO, PEDINDO QUE A MESMA REPITA E APÓS FAZER OS QUATRO VERSOS, REPETIRÁ TODA A CANTIGA. ENQUANTO ISSO FARÁ OUTRO PEIXE COM O PAPEL DE DOBRADURA.).

(EXIBE O PEIXE PARA A PLATEIA) Vejam no que transformei esse papel. Um peixe! Eu disse que faríamos duas coisas, certo?  A primeira foi a música. Agora quero ensinar as crianças a fazerem esse peixe. A ideia é a seguinte: sempre que possível, a gente faz um peixe para lembrar que temos que cuidar dos nossos sete rios para mantê-los vivos. E quando a gente perceber alguém, seja quem for, sujando os nossos rios, nós não vamos brigar, vamos fazer um peixe como este e dar de presente à pessoa, para lembrá-la que rio sujo é rio sem vida. Vamos aprender a fazer esse peixe?

(O ATOR FARÁ O ORIGAMI. TODAS AS CRIANÇAS PODERÃO PARTICIPAR DA ATIVIDADE. EM SEGUIDA, AGRADECE AS CRIANÇAS E PROSSEGUE).

Dobrar papel é uma arte desenvolvida no Japão. Lá eles dizem origami e assim ficou conhecido no mundo inteiro. Origami. Arte de dobrar papel e transformá-lo em flores, animais e toda uma série de coisas. Aprendi a fazer origami por conta de uma peça que fiz, ambientada no Japão. Pesquisamos sobre a comida japonesa, as roupas, os hábitos… E aí, aprendi a fazer origami. Tudo isso lá, com meu grupo de teatro. Eu vivia contando histórias da minha terra. Tinha gente que duvidada que alguém pudesse construir um viaduto para uso particular. Ficavam me olhando, desconfiados, mas o fato aconteceu.

O coronel Manoel Pinto Horta mandou construir um viaduto sobre a estrada de ferro ligando a casa onde morava com o armazém, também propriedade dele. Que máximo! (IMITANDO O TAL CORONEL) “- Vê lá se irei dar voltas e mais voltas para ir ali, do outro lado da linha”!  Pois construíram o viaduto. Só para uso do coronel. Aí, a estrada de ferro comprou uma locomotiva, lá na Alemanha! Na primeira viagem na linha Rio – São Paulo, chegando a Lavrinhas a locomotiva parou. Sabem o motivo? A máquina tinha chaminé alta e não dava para passar sob o viaduto do coronel. O trem parado e o coronel tranquilo, olhando lá de cima (IMITANDO O CORONEL) “– Cortem a chaminé que a máquina passa”! E assim chamaram um técnico e assim foi feito.

Eu contava esses fatos na escola e um dia meu mestre me desafiou a escrever versos sobre a cidade. (IMITANDO O PROFESSOR) “- Adriano, você vive dizendo que admira o bardo, nosso grande bardo; seja como ele, faça poesias, sonetos, peças de teatro; conte a história de Lavrinhas em verso”!

Quem sou eu, pensava, para ser um bardo! Quem sou eu! Às escondidas eu rascunhava uns veros, tentava, jogava fora, até que mostrei ao professor. Ele corrigiu, criticou e mandou fazer outros, melhores. Foram esses, que vou dizer agora, os primeiros versos aprovados pelo meu professor:

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Rodolfo Oliveira em Os Sete Rios de Lavrinhas. Foto: Atelier da Fotografia

Lavrinhas, no Vale do Paraíba,

É a cidade onde nasci!

Entre belas cachoeiras,

Sob serra altaneira,

Nadando em teus rios cresci.

Cidade calma e tranquila

Trago-te em tudo o que faço.

Hoje e por todo o sempre

Recebas com carinho o meu abraço.

Desde então passei a me apresentar como Adriano, o Bardo. Cantando e inventando cantigas e brincando com as palavras. Gosto muito de tudo o que faço e teatro é a melhor coisa que aconteceu em minha vida. E poder escrever versos, então, nem digo! Que melhorar muito e, quem sabe, ser reconhecido por toda a gente como o bardo de Lavrinhas; já pensaram?

Lavrinhas, no Vale do Paraíba,

É a cidade onde nasci!

Entre belas cachoeiras,

Sob serra altaneira,

Nadando em teus rios cresci.

Bem, sou um bardo em formação. Vou trabalhar muito, para me aprimorar e agora estou aqui lembrando fatos da nossa cidade e brincando de teatro com todos vocês. Teatro é uma forma de contar histórias e os versos deixam essas histórias mais bonitas. Aqui brincamos de compor fisicamente personagens comuns em Lavrinhas e também brincamos de colocar som, interpretar coisas. Um passo importante para quem quer brincar de teatro é saber escrever diálogos, interpretando com outro ator. Quando não tem outro ator, a gente faz os dois. É o que eu farei agora com uma história que eu ouvi contarem, mas não tenho certeza se ocorreu ou não. Foi o encontro do Presidente Dutra com um camponês, criador de gado leiteiro aqui da nossa região.

Em 1951 foi a inauguração da Via Dutra. Da nova Via Dutra. A estrada já existia desde 1928, mas o Presidente da República, o General Eurico Gaspar Dutra, construiu e veio inaugurar a BR 116, Rodovia Rio de Janeiro – São Paulo. Foi uma grande comemoração e, conta um velho amigo da minha família, que o Presidente Dutra estava todo pimpão, vaidoso e orgulhoso de seu feito. Depois de descerrada a placa de inauguração teve um almoço, com toda a gente importante da cidade. Foi aí que se deu o encontro do Presidente com o camponês, criador de gado leiteiro aqui no nosso município. Vou interpretar os dois!

(VINHETA. O ATOR SEGURA UM LITRO DE LEITE EM UMA DAS MÃOS, QUANDO FOR O CAMPONÊS E, NA OUTRA, UMA FAIXA VERDE-AMARELA, REMETENDO À FAIXA DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA. NAS PRIMEIRAS FRASES O ATOR NOMINA AS PERSONAGENS, AJUDANDO O PÚBLICO A IDENTIFICAR AS DUAS PERSONAGENS).

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Rodolfo Oliveira em Os Sete Rios de Lavrinhas. Foto: Atelier da Fotografia

DUTRA – Ora, então o senhor é criador de gado leiteiro! Muito prazer!

CAMPONÊS – É uma honra, Vossa Excelência!

DUTRA – O senhor deve saber que a nova estrada tem 111 quilômetros a menos do que a antiga?

CAMPONÊS – Sei, Vossa Excelência, senhor presidente.

DUTRA – E que reduzimos em 6 horas o tempo de viagem entre Rio de Janeiro e São Paulo?

CAMPONÊS – Sei, Vossa Excelência, senhor presidente.

DUTRA – O senhor sabe que usamos 1.300.000 sacos de cimento na construção.

CAMPONÊS – Não sei, Vossa Excelência, senhor presidente.

DUTRA – Mas, então, o senhor sabe que usamos 8.000 toneladas de asfalto?

CAMPONÊS – Não sei, Vossa Excelência, senhor presidente, me desculpe!

DUTRA – Ora, não se desculpe, o senhor é apenas um camponês!

CAMPONÊS – Criador de gado, Vossa Excelência!

DUTRA – Sei, criador de gado.

CAMPONÊS – Que sabe uma coisa que Vossa Excelência não sabe!

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Rodolfo Oliveira em Os Sete Rios de Lavrinhas. Foto: Atelier da Fotografia

(QUEBRA A CENA MOMENTANEAMENTE, VOLTANDO A SER ADRIANO)

ADRIANO – Foi um deus nos acuda. Um camponês dizendo ao presidente que ele não sabia algo. Como assim? E os assessores? Um presidente deve saber tudo! Mas, vamos voltar a cena.

DUTRA – Meu caro camponês (O CAMPONES ESBOÇA DESAGRADO E O PRESIDENTE CORRIGE) me desculpe; criador de gado! Quando eu não sei algo, meus assessores sabem.

CAMPONÊS – Só se o senhor tiver assessor aqui, de Lavrinhas, porque do Rio de Janeiro ou de São Paulo, “duvi-d-ó-dó”.

DUTRA – Pois me pergunte o que eu não sei, meu caro criador de gado leiteiro. E eu responderei.

CAMPONÊS – Lá vai! Segura aí, Vossa Excelência. Diga-me: Qual o nome dos sete rios de Lavrinhas?

DUTRA – Sete? Sete Rios?

CAMPONÊS – Diga lá, Vossa Excelência. Eu não tenho pressa. Pode ir aí, perguntar para os seus assessores.

(VOLTA A SER ADRIANO)

ADRIANO – Foi uma loucura. Um embaraço total. Dizem que o homem, todo engravatado, saiu perguntando aos outros engravatados da sua comitiva quais eram os nomes dos sete rios que banham o município de Lavrinhas. Paraíba é fácil. Paraíba do Sul! Os outros é que são elas. Vamos ajudar o presidente? Vamos levantar o nome dos sete rios da cidade? Quem sabe? Pode perguntar pra professora, consultar o Google, pode tudo! Vamos lá?

(O ATOR DEVE CONVERSAR E LEMBRAR O NOME DOS SETE RIOS QUE BANHAM O MUNICÍPIO)

Além do Paraíba do Sul, o mais famoso de todos, temos mais seis. Um deles é fácil de lembrar ou adivinhar; quando as mulheres têm muito, mas muita idade, elas são chamadas de? (RIO DAS VELHAS).

Viram como é fácil memorizar? Um rio tem nome de um dos membros do corpo humano. O corpo humano, a gente sabe, é composto de cabeça, tronco e membros. Os membros são pés e braços. O nome do Rio? (RIO DO BRAÇO)

Dois rios têm o mesmo nome; um normal e outro no diminutivo. Nome de ave! Quem sabe? (RIOS JACU E JACUZINHO)

Vamos contabilizar: Paraíba, Rio das Velhas, Rio do Braço, Rio Jacu, Rio Jacuzinho. Faltam dois! Um é o contrário de escuro; o outro é o contrário de curto. Qual o nome desses rios? (RIO CLARO E RIO COMPRIDO).

Pronto! Já temos o nome dos sete rios. Vamos ver como terminou a história. O Presidente Dutra, depois de muito perguntar para a gente de fora, entregou os pontos e foi muito honesto, pois evitou perguntar aos moradores da região. Foi assim!

(“REMONTA” OS DOIS PERSONAGENS)

DUTRA – Meu caro criador de gado, eu peço perdão. Diga-me, pois, quais são os sete rios de Lavrinhas?

CAMPONÊS – Anota aí, Vossa Excelência, para nunca mais esquecer. Lavrinhas, minha cidade, é banhada pelos seguintes rios. Rio Claro; Rio Comprido; Rio das Velhas; Rio do Braço; Rio Jacu; Rio Jacuzinho e, é claro, o grandioso, o sagrado Rio Paraíba do Sul.

(FAZ MESURAS, AGRADECENDO COMO SE FOSSE O CAMPONÊS. VOLTA A SER ADRIANO).

Muito obrigado a todos. Agora está na hora de ir embora.  Gostei muito de estar com vocês. Brincar de teatro é bom demais. E no meio da peça a gente canta, a gente declama poesia, faz origamis, cria personagens… Sempre é bom lembrar: Os livros são nossos grandes guias nessa viagem. Não se esqueçam do livro da Sylvia Orthof e, se quiserem ver outros livros, falem com seus professores! Há muitos livros com peças e histórias pra gente brincar.

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Rodolfo Oliveira em Os Sete Rios de Lavrinhas. Foto: Atelier da Fotografia

Agora preciso ir embora. Vou visitar muitas escolas, muitas salas e brincar de teatro com muito mais gente. Prestem atenção que tenho algo muito especial a solicitar de vocês: eu gostaria que cada um de vocês escrevesse uma história sobre nossa cidade. Pode ser em versos, uma redação, uma peça de teatro… Quando eu voltar, verei o que vocês fizeram; combinado? Pra vocês, que ficam por aqui, meu muito obrigado e quem já aprendeu a canção pode cantar comigo.

(canta a musica de despedida)

Vamos brincar de teatro

Vamos brincar de ser,

Viver muitos personagens

Nessa viagem e assim crescer.

O palco é a rua, a sala,

A praça ou o nosso quintal

A história a gente inventa

Ou conta aquela já bem contada

Que recontada, não tem igual!

(DÁ ADEUS AO PÚBLICO)

Tchau, pessoal! Adeus! Em breve estarei de volta. Até a próxima!

Valdo Resende,  concluído em Março/2016.