Concerto para a semana inteira

Por gentileza, clique para ouvir o Adagio do “Concierto de Aranjuez”, de Joaquin Rodrigo. É o melhor que posso oferecer nessa “segundona braba”. Deixe a música rodar e leia, ou não leia, à vontade. Só não deixe de ouvir o solo de Paco de Lucia.

Um final de semana com muita música é fundamental para equilibrar com a correção de trabalhos e provas. O sábado foi dia de rock, lá no Santa Sede Rock Bar, na Zona Norte. Um aniversário foi um bom pretexto para um ensaio aberto da “Lotus em Chamas”. Os caras da banda abriram a noite e esquentaram o ambiente que seguiu em alto e bom som com as bandas “Abandita Muscaria” e “Marcenaria”.

Rock, como se sabe, incendeia a alma. Para acalmar os ânimos e ter calma para enfrentar uma nova semana com mais provas para aplicar, trabalhos para receber, o ideal é um bom concerto. Quem tem amigos…

Tive o privilégio de ver Fabio Zanon com a Orquestra Sinfônica de Santo André, sob a regência de Carlos Eduardo Moreno. O violonista fez o solo do Concierto de Aranjuez que foi todo gravado e espero, em breve, poder ouvir novamente (espero divulgar o lançamento!). A orquestra esteve brilhante e Fabio Zanon mostrou porque é aclamado como um dos melhores do mundo. Sem ter a gravação dessa noite optei por fixar esse momento lembrando outro grande artista, Paco de Lucia, que é o solista do vídeo neste post.

Sem mais lero-lero; a semana está lotada de trabalho e é só com boa música que tudo fica suave.

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Boa semana para todos!

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De alma leve com “O Rio de Lágrimas”

Neymar Dias pode ser ouvido nos CDS "Capim" e "Intervalo"
Neymar Dias pode ser ouvido nos CDS “Capim” e “Intervalo”

Quando prestamos atenção percebemos que a vida está sempre nos sinalizando, lembrando-nos nosso verdadeiro tamanho, o papel que temos perante o mundo e, mais raro, até nos lembrando do que nos trouxe até aqui, nesse velho e bom planeta terra. Se falharmos na atenção, é freqüente, o aviso soa mais contundente e os problemas aparecerão. O melhor é que o remédio para tais problemas são tão conhecidos! Dormir bem, tomar refeições saudáveis e, além do corpo, alimentar a alma.

Carecendo de afago na alma atendi, com prazer, convite de amigos para ver o Concerto de Verão que abriu a temporada de 2013 da Orquestra Sinfônica de Santo André. A regência foi de Carlos Eduardo Moreno e o repertório prestou uma homenagem à música brasileira de concerto com obras de Camargo Guarnieri, Lorenzo Fernandes, Villa-Lobos, Cyro Pereira e Neymar Dias.

Auditório lotado, com lugares extras para acomodar tanta gente interessada. Mais uma vez confirmo o que já sei: basta um programa interessante para que as pessoas abandonem a mesmice televisiva. O problema é que poucas cidades brasileiras possuem boas salas de espetáculo e é muito menor o número dos municípios que mantêm uma orquestra sinfônica.

Nada melhor para apurar o ouvido do que uma bela orquestra; discernir, na harmonia de cada peça musical os instrumentos participantes; cada músico como pequena, mas vital parte do todo. Habituados a violinos, flautas, fagotes, clarinetas, harpas; de repente, aparece uma viola caipira. Entre os consagrados Camargo Guarnieri e Villa-Lobos, a Orquestra Sinfônica de Santo André apresentou o jovem Neymar Dias, um virtuose da viola caipira e compositor de talento.  No programa da noite, a orquestra apresentou o Concertino em 3 movimentos para viola  caipira, com o próprio compositor como solista.

Nada mais brasileiro que uma viola caipira; o som limpo, suave e denso, remete à pureza, simplicidade. A platéia ficou hipnotizada sob o som da música de Neymar Dias. Técnica impecável, interpretação segura, o jovem músico foi efusivamente aplaudido e brindou a platéia com um bis onde lembrou Tião Carreiro, Piraci e Lourival Santos, tocando “Rio de Lágrimas”. Essa música é popularmente lembrada como “Rio Piracicaba”, presente nos versos da canção:

O rio de Piracicaba

Vai jogar água pra fora

Quando chegar as águas

Dos olhos de alguém que chora…

A viola de Neymar Dias lavou minha alma, tornando-a leve. Os acordes extraordinariamente executados, na mais pura e perfeita tradição do violeiro que foi Tião Carreiro soaram trazendo de volta um Brasil da minha infância, lembrando-me Uberaba, meu pai, toda a minha família. Tudo indica que, pela forma como foi aplaudido, o músico alcançou a platéia tanto quanto me senti atingido. A viola caipira de Neymar Dias quebrou todas as distinções entre o erudito e o popular, exaltando o que interessa: a boa música.

Domingo em casa, ainda sob os efeitos da boa música. Fica fácil dispensar as desgraças televisas ou a inutilidade de outros programas. Se é mesmo fundamental dormir bem, tomar refeições saudáveis e alimentar a alma, a digestão espiritual pede silêncio, recolhimento. A vida fica mais fácil, melhor, calma com o som de viola caipira, de harpa, oboé, tímpanos, contrabaixos… Bem que outras cidades seguissem Santo André e também propiciassem aos seus munícipes uma boa orquestra. Seríamos um Brasil melhor.

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Boa semana para todos.

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Veja aqui um vídeo onde Neymar Dias lembra canções de Tião Carreiro.

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