Pausa para Will Eisner

Final de tarde, a sensação de que a vida é correção de trabalhos escolares (sim, os montes do post anterior foram substituídos por outros!). Antes de ir para a universidade para avaliar alguns grupos e buscar mais trabalhos para corrigir, uma pausa para manter o equilíbrio; com a amiga Marta Olivieri passei na exposição “O espírito vivo de Will Eisner”.

No Centro Cultural São Paulo, o norte-americano Will Eisner recebeu uma homenagem do tamanho do afeto que os brasileiros tem por esse artista. É uma exposição grandiosa, que merece mais que uma visita, não só dos apreciadores de HQ, as histórias em quadrinhos.

São 106 desenhos originais, uma estátua de bronze do personagem Spirit e três histórias completas em que constam os últimos desenhos do artista.

Estive lá para uma primeira abordagem, já que outro amigo, Octavio Cariello, já havia me dito que é passeio para um tempo maior, se queremos realmente aproveitar para observar o imenso talento de Will Eisner. Fui com a idéia de relaxar, deixar correr uma horinha ao lado de uma amiga, brincando de ser normal. Tão normal quanto um mineiro apaixonado por bondes.

Há mais de 60 anos que Will Eisner vem sendo publicado em todo o mundo. Influenciou gerações de desenhistas e é admirado por milhões de fãs. A exposição, que permanece até dia 18 de dezembro, priorizou as Graphic Novels, e o principal personagem de Eisner, Spirit.

Fica aqui um convite para um passeio rápido ou demorado, entre as mulheres sensuais e misteriosas, os incríveis desenhos e as aventuras de Spirit. A exposição encerra as comemorações dos 20 anos da Gibiteca Henfil do Centro Cultural São Paulo, que fica bem ao lado da Estação Vergueiro do Metrô.

Veja horários e outras atrações do CCSP em www.centrocultural.sp.gov.br

Aproveitem!

Shows para lembrar Nelson Cavaquinho

Nelson Cavaquinho

Fossem outras as circunstâncias e eu teria escrito sobre o centenário de Nelson Cavaquinho (1911/2011), comemorado neste sábado, 29 de outubro. Trabalhos, notas, provas e uma banca de quase doze horas na universidade… E a vida é bela porque há um trabalho que termina, como no sábado, com muitos e emocionados abraços daqueles que, agora, partem para as últimas atividades antes da formatura.

Nelson Cavaquinho é merecidamente homenageado. No Rio de Janeiro está sendo lançado o disco “Carlinhos Vergueiro Interpreta Nelson Cavaquinho”. Também ocorreram shows e palestras lembrando um dos grandes mestres do samba, compositor da Mangueira, a Escola de Samba que é Verde e Rosa.

Em Mangueira

Quando morre um poeta

Todos choram

Vivo tranqüilo em Mangueira porque

Sei que alguém há de chorar quando eu morrer…

E foi assim, em 1986, quando o compositor faleceu em 18 de fevereiro. Neste 2011, a Mangueira desfilou com o enredo “O filho fiel, sempre Mangueira”, abrindo as comemorações do centenário de Nelson Cavaquinho. Agora é a vez de São Paulo lembrar com uma série de shows as músicas sombrias, o samba bonito que fala de dor e de morte, dos desencontros, dos amores perdidos. Nelson é um dos autores das músicas mais tristes do nosso cancioneiro.

Tire o seu sorriso do caminho

Que eu quero passar com a minha dor

Hoje pra você eu sou espinho

Espinho não machuca a flor…

Os shows por aqui serão no Centro Cultural Vergueiro; a série de espetáculos musicais recebeu o nome “Uma Flor para Nelson”. O primeiro será no dia 3, quinta, com Benito de Paula e Marcos Sacramento; depois, dia 4, será a vez de Ângela Ro Ro e Cida Moreira; duas intérpretes de qualidade. No sábado tem o jovem Filipe Catto e a grande estrela Zezé Motta. A série de shows termina no domingo, com a presença de Graça Braga, Verônica Ferriani e Teresa Cristina.

Músicas que não faltarão nessas noites paulistanas: “Folhas Secas”, cujas interpretações de Beth Carvalho e Elis Regina, até hoje, disputam a preferência dos admiradores do compositor; “Juízo Final”, provavelmente o maior sucesso em vendas e execuções, na interpretação definitiva de Clara Nunes e, minha preferida, “Palhaço”, que curto ouvir na voz de Dalva de Oliveira.

Sei que é doloroso um palhaço

Se afastar do palco por alguém

Volta que a platéia te reclama

Sei que choras, palhaço,

Por alguém que não te ama…

Gosto das canções tristes de Nelson Cavaquinho, da suavidade com que criou sambas deliciosos. São músicas tão boas que até me esqueço que são tristes. Sobretudo, aprecio a capacidade de síntese de Nelson e seus parceiros. Poucos versos e muita, mas muita verdade mesmo. E beleza, de músicas que sobrevirão muito além deste primeiro centenário do criador.

Os interessados nos shows poderão obter entrada franca. O Centro Cultural São Paulo informa que a retirada de ingressos é na bilheteria (terça a domingo, das 10h às 22h), somente na semana da apresentação. Ou seja, termine de ler e reserve uma hora para amanhã, terça, ir buscar o seu ingresso na Rua Vergueiro, 1000 – Paraíso, bem ao lado da estação do Metrô.

Boa Semana!

As músicas citadas e seus autores:

Pranto de poeta – Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito

A Flor e o espinho – Nelson Cavaquinho, Alcides Caminha e Guilherme de Brito

Folhas Secas – Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito

Juízo Final – Nelson Cavaquinho e Elcio Soares

Palhaço – Nelson Cavaquinho, Oswaldo Martins e Washington Fernandes