O não como resposta

Destruição em Brasília (Crédito da imagem: Ricardo Stuckert)

Certamente muito será pensado e refletido sobre os ataques criminosos ocorridos em Brasília nesse 08 de janeiro. A primeira e triste constatação é que tal fato expõe a incapacidade humana de viver em harmonia. Somos animais e chegamos a ser violentos quando nossas vontades não são satisfeitas. Carecemos da imposição de um imenso complexo de leis para que possamos conviver minimamente em paz.

Trabalhando com educação por mais de trinta anos recordo uma companheira, Regina Cavalieri, que ao dirigir e coordenar uma instituição com milhares de alunos ficava (e ainda fica!) estarrecida com a incapacidade de algumas famílias na educação dos filhos. E dentre vários aspectos vivenciados pela professora quero especificar um: a incapacidade de certos alunos em ouvir o “não”. São expressões geradoras de imensos conflitos no dia a dia da educadora quando a ela compete dizer: “Não pode!”, “Não é permitido!”, “É o regulamento!”, “São as normas!”, “Está no contrato!”. Essas expressões, ou similares, são verdadeira morte para alguns alunos que, perceptivelmente, nunca foram contrariados.

São conflitos advindos de situações simples, tipo respeitar um horário ou cumprir datas. Há as situações complexas, onde a integridade e a honestidade estão presentes: “eu não estava olhando para a prova do meu colega” e, drama dos dramas, “como o professor me deu nota baixa?”. Esses alunos quando contrariados em suas expectativas têm no professor um inimigo e, infelizmente, muitos contam com o apoio dos pais: “O senhor é muito rígido, isso não é educar!” diz o pedagogo formado pelo WhatsApp.

Caríssima Regina, quantos ontem, em Brasília, estão entre os que não aceitam um não como resposta? Perderam! Não terão seu candidato no poder! Não estão acima das leis! Não estão acima da ciência! Não estão acima do Estado Democrático de Direito! Não podem invadir! Não podem quebrar! Não podem roubar! Quebraram e destruíram como se aquilo não fossem deles, pois a pátria e a família deles são outras, permissivas, que não suportam propósitos não atendidos.

É difícil para qualquer pessoa dizer um “não”. Ter determinação, princípios e coragem para, evitando a admiração fácil de bajuladores e interesseiros, dizer “Não” em função de algo estabelecido e acordado socialmente. Ter força e coragem para, ignorando possíveis e transitórias vantagens, manter um não como resposta. Também é difícil para um casal, despreparado, estabelecer os limites necessários para a educação de filhos. O “você pode tudo” de incautos e irresponsáveis causa, entre outras sensações, uma frustração que, fora de limites, gera a violência e o crime.

Em Brasília houve destruição e barbárie onde uma turba, ignorando princípios básicos até mesmo de autopreservação, cometeu e expos seus crimes nas redes sociais. Mais que inconsequência e burrice, o que fica evidente é que tais indivíduos não aceitam o não, a perda, a derrota. Ensandecidos, certamente serão refreados pela força da lei e ficarão por aí, acuados, revoltados, aguardando uma nova oportunidade. Ou alguém acredita que essa gente possa mudar? Com transformações ou não, o que se espera é não ter que conviver com a falta de limites dessa gente e, portanto, para uma convivência minimamente possível é necessário que todos paguem pelos crimes cometidos.

Ontem fui lembrado por uma ex-aluna para quem lecionei História da Arte. Karina Morgon estava indignada pela destruição, entre outras, da tela de Di Cavalcanti. Seria possível afirmar que a sensação da moça decorreu do conhecimento. Não! A universidade deu a ela uma dimensão social do objeto, um valor advindo da inserção desse objeto no mercado e na história da arte. Mas não fomos nós, professores, que ensinamos a ela os princípios básicos do respeito ao outro, da necessidade de cuidar e preservar o bem coletivo, de aceitar derrotas, de conviver com perdas e, acima de tudo, respeitar o outro. Aqui entraram outros componentes sociais como a família, a religião, outras escolas e cursos, o esporte, outros grupos. Tudo que, ao que parece, a turba de vândalos não demonstra ter tido.

Toda a pele da América em minha pele!

Para Fernando Brengel

É Copa. E vou torcer para a Argentina. Soy sudamericano!

A camisa de Pelé, no museu da Bombonera, de um jogo de 1963 pela Libertadores.

A unidade do nosso continente aprendi com Mercedes Sosa e por isso é a mais representativa de nossas cantoras. No palco, La Negra cantou pela união de todos nós, os hermanos. Impossível não se emocionar com as canções dos chilenos Victor Jara e Violeta Parra, dos argentinos Atahualpa Yupanqui e Charly Garcia, dos brasileiros Chico Buarque e Milton Nascimento… a lista de exemplos é bem mais extensa.

Essa atitude da cantora em unir a América do Sul não é isolada. Foi visitando diversos museus argentinos que tive a oportunidade de constatar a presença de artistas sul-americanos raramente vistos em museus brasileiros. Detalhe: em um dos principais museus de Buenos Aires, o MALBA, encontrei em destaque o Abaporu, de Tarsila do Amaral. Lá também estavam Hélio Oiticica, Di Cavalcanti, Lygia Clark. Uma sensação boa de orgulho do meu país. E dos mexicanos, cubanos! Da América Latina, da América Espanhola.

Em belíssima exposição no subsolo da Bombonera, o estádio do Boca Juniors, vi imensas fotos de Maradona e, destacada em uma vitrine, uma camisa de Pelé! O Brasil e a Argentina são países irmãos, a despeito da rivalidade incentivada por comentaristas de futebol.

Euzinho na Bombonera, deixando claro na pose e na fatiota que não jogo bola.

Em casa sempre tivemos ânimos alterados na hora do futebol. Meu pai, meus irmãos, minhas irmãs, os sobrinhos… Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Flamengo, Cruzeiro, Atlético, Santos! Fui habituado a receber um telefonema quando o Corinthians vencia. Sem palavras, ouvia-se o hino. Depois vinha acusações do tipo “foi roubo”, “juiz ladrão” e, logo depois, voltávamos ao normal. Somos irmãos. Somos uma família.

O futebol é uma metáfora de uma batalha pelo domínio do território inimigo, avançando sobre esse e deixando lá o gol, sinal inequívoco de superioridade. Vale repetir: é metáfora. No entanto é o momento em que ao mundo se impõe algumas verdades e, entre essas, uma incômoda aos ingleses “pais do futebol”: Criaram, mas o penta campeonato é do Brasil. Faz ou não um bem para a alma?

Escrevo este post sabendo que o Marrocos não está entre os três primeiros lugares. Uma pena! Seria ótimo que o mundo se voltasse para um time africano, campeão. Amanhã teremos a final da Copa do Mundo. Na ausência do Brasil escolho facilmente um lado. Escolho o nosso, de gente sudamericana! Assim mesmo, na língua dos hermanos. Soy sudamericano! Que vença a Argentina!

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PS 1: Este post é dedicado ao meu brother Fernando Brengel, a quem eu disse há vários dias que a Argentina venceria esta Copa. Gostaria que o Brasil fosse o vencedor, mas vendo o andar da carruagem já intuía que não venceríamos. Pode ser que eu esteja errado, mas continuarei torcendo pela América do Sul, parte que nos cabe nesse imenso planeta chamado Terra.

PS 2: Em campo é lindo ver quando Messi conclama à luta, tal qual Mercedes Sosa, no palco, nos conclamava à união.

PS 3: O título “Toda a pele da América em minha pele!” é verso da música “Canción con todos”, que deixarei abaixo, para que ouçam e recordem Mercedes Sosa.

O MAR de Janeiro e de sempre

A maquete com os dois prédios e detalhe do MAR
A maquete com os dois prédios e detalhe do MAR

O MAR, Museu de Arte do Rio é uma das gratas novidades do Rio de Janeiro. A cidade parece um grande canteiro de obras, sinal dos grandes eventos que acontecem e acontecerão na cidade. Inaugurado em março deste ano de 2013, é a junção do antigo (o antigo Palacete Dom João VI) e do moderno – aqui no sentido estrito das construções modernistas – com um edifício que serviu como terminal rodoviário.

O diferencial que merece destaque é a instituição ter como missão inscrever a arte no ensino público com foco principal na formação de educadores da rede pública de ensino.  A proposta se concretiza através da Escola do Olhar, abrigada no prédio antigo. Nas dependências do edifício modernista ocorrem exposições temporárias de curta e longa duração.

Parte do que se vê do terraço do Museu. A Escola do Olhar parte da realidade.
Algo do que se vê do terraço do Museu. A Escola do Olhar parte da realidade.

Na entrada o público é direcionado para o sexto andar onde, percorrendo o espaçoso terraço, tem a visão da região da Praça Mauá, regiões próximas como o complexo do Mosteiro de São Bento, e mais distantes, como a Ponte Rio – Niterói.  O  mar é parte da visão que se tem do MAR e a primeira exposição a que se tem acesso diz bem o momento pelo qual passa a cidade:

“Rio de Imagens: uma paisagem em construção” é a exposição que mostra a cidade representada por diferentes olhares ao longo de quatro séculos. Cartografia, vídeos, pinturas, gravuras, fotografia e design evidenciam as constantes transformações da capital fluminense, antiga capital federal, sempre a Cidade Maravilhosa.

Rio de Imagens. Cartazes de companhias aéreas divulgam a cidade.
Rio de Imagens. Cartazes de companhias aéreas divulgam a cidade.

Burle Marx, Di Cavalcanti, Iberê Camargo, Ismael Nery, Manabu Mabe, Pancetti, Tarsila e Segall estão entre os artistas que deixaram através de seus trabalhos as imagens do Rio de Janeiro de cada época. Esta mostra permanecerá até 28 de Julho próximo.

Parte do acervo onde fotos são permitidas.
Parte do acervo onde fotos são permitidas.

A maior exposição em cartaz é “O Colecionador – Arte Brasileira e Internacional na Coleção Boghici”.  São oito momentos artísticos (Arte Espontânea, Abstração Informal, Surrealismo, Modernismo, Século 19, Abstração Construtiva, Nova Figuração, Pintura Chinesa e Pintura Russa) expostos sem estrutura cronológica. As obras estão próximas conforme a tendência na qual estão inseridas. O resultado é um caleidoscópio fantástico de cores e formas que levam a sensações variadas.

Jean Boghici fundou a galeria Relevo em 1961. Tornou-se colecionador e de seu acervo constam obras dos mais importantes artistas brasileiros como Di Cavalcante ou Vicente do Rego Monteiro, de artistas contemporâneos como Franz Krajcberg  e de grandes nomes internacionais como Auguste Rodin, Max Bill, e entre muitos, Kandinsky. A mostra vai até o dia 01 de setembro e merece, se possível, mais que uma visita.

Exposição “O Abrigo e o Terreno: arte e sociedade no Brasil”.
Geral e detalhe. “O Abrigo e o Terreno: arte e sociedade no Brasil”.

Quero destacar, finalmente, a exposição “O Abrigo e o Terreno: arte e sociedade no Brasil”, onde artistas de diferentes estilos, provenientes de regiões diversas discutem a paisagem urbana através de reflexões sobre a realidade. Os conflitos de interesses gerados pela necessidade de espaço, por especulações imobiliárias além de outros aspectos não menos problemáticos estão presentes. Nesta mostra, que termina neste final de semana, está o “Projeto Morrinho/Imagens da construção do Morrinho e seus participantes”, obra de 2007.

“Projeto Morrinho/Imagens da construção do Morrinho e seus participantes”, obra de 2007.
“Projeto Morrinho/Imagens da construção do Morrinho e seus participantes”.

Bom ver resultados positivos nos projetos de revalorização da região portuária carioca. O MAR – Museu de Arte do Rio, fica na Praça Mauá, 5, Centro, no Rio de Janeiro. Para conhecer um pouco mais visite http://www.museudeartedorio.org.br/

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Bom final de semana!

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Frio e festa, é Junho!

São João, na visão da pintora Anita Malfatti
São João, na visão da pintora Anita Malfatti

Sinto que carecemos de nos aquecer ao redor de uma fogueira, de preferência assando pinhão, milho verde, batata doce… E ao chegar a noite, após rezar terço, todo mundo em festiva luta contra o frio, manter o fogo aceso, levantando bandeira pra dançar quadrilha.

Eu sei que é junho, o doido e gris seteiro
Com seu capuz escuro e bolorento
As setas que passaram com o vento
Zunindo pela noite, no terreiro
Eu sei que é junho!

O Junho de Pernambuco é o mesmo de Minas Gerais, embora o junho de Alceu Valença, em Olinda seja bem mais quente que os junhos da minha Uberaba. E, certamente, muitos graus acima do junho da nossa São Paulo. E o frio de junho, que às vezes entorpece, torna tudo um pouco mais difícil.

Eu sei que é junho, esse relógio lento
Esse punhal de lesma, esse ponteiro,
Esse morcego em volta do candeeiro
E o chumbo de um velho pensamento

Di Cavalcanti também visitou o tema.
Di Cavalcanti também visitou o tema.

Alceu Valença, que faz música muito diferente de tudo aquilo que estamos habituados a ouvir, tem lá seu jeito de ver o mundo, de expressar sensações e acontecimentos. E a contrapartida desse junho cheio de festas pros santos – Antônio, João, Pedro – e de farras pelo futebol, é a música do pernambucano Alceu, quase premonitória ante tantas enchentes rolando por aí. O junho do compositor não é festivo, pelo contrário, é denso mesmo ante uma aparente suavidade. Chega a ser árido, como em certas regiões do país.

Eu sei que é junho, o barro dessas horas
O berro desses céus, ai, de anti-auroras
E essas cisternas, sombra, cinza, sul

E esses aquários fundos, cristalinos
Onde vão se afogar mudos meninos
Entre peixinhos de geléia azul
Eu sei que é junho!

O mês começando, anunciando frio pela frente, mas propiciando festas nos dias 13 para Santo Antônio, 24 para São João e 30, para São Pedro. Momentos de alegria, amenizando a temperatura e abrindo esperanças para as férias escolares de julho.

Os santos em destaque na pintura de Djanira
Os santos em destaque na pintura de Djanira

Acabo de ver bem de perto o céu de Uberaba, onde consigo perceber as estações do ano. Lá também consigo visualizar possíveis tempestades, prever temperatura. É junho e sinto falta das festas de lá, das fogueiras nas portas das casas, das bandeiras elevadas em nome dos três simpáticos santos. Por aqui, mal temos espaço pra levantar um único mastro em homenagem aos santos, quanto mais fazer fogueiras ou dançar quadrilhas em plena rua. Mas somos felizes nesta São Paulo; e, do nosso jeito, também podemos celebrar, reverenciar e comemorar o mês, os santos.

Eu sei que é junho!

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Viva São João! Viva Santo Antônio! Viva São Pedro!

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Até!

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Nota: A música Junho, cujos versos valorizam este post é de Alceu Valença; também foi registrada por Maria Bethânia. Para ouvir a música clique aqui.

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Anita, na lembrança da “Semana de 1922”

Anita Malfatti, detalhe do autorretrato

Quero reverenciar Anita Malfatti pela Semana de Arte Moderna de 1922. Estamos comemorando os 90 anos desse evento que, definitivamente, mudou os rumos da arte brasileira. E é provável que sem Anita Malfatti, a Semana não teria acontecido.

No ano de 1922 seria a comemoração dos cem anos da independência política do Brasil. Parece não ter sido por acaso a escolha daquele momento para iniciar um grande movimento, destinado a inserir no país elementos da arte contemporânea. Pretendendo fugir à influência da Missão Francesa – que aparece aqui e ali ainda hoje – um grupo de artistas realizou, entre 13 e 17 de fevereiro, a Semana de Arte Moderna, que aconteceu no Teatro Municipal de São Paulo. Portanto, ESTAMOS EM PLENO ANIVERSÁRIO DA SEMANA DE 1922!

Segundo Duílio Battistoni Filho, “a Semana foi um festival dadaísta, no estilo dos organizados em Paris “(Então, eles não queriam fugir da influência francesa?). Com influência francesa ou não, com alguns artistas que estudaram na Europa e outros não, a idéia geral era dar uma identidade para a arte brasileira. Surtos nacionalistas sempre ocorrem por aqui.

Há muitos livros e textos sobre a Semana de 1922. Todos falam de Di Cavalcanti, Zina Aita, Victor Brecheret, Yan de Almeida Prado e entre outros, claro, Anita Malfatti. Além desses, escreve-se muito sobre os antecedentes, principalmente sobre uma exposição de Anita, duramente criticada por Monteiro Lobato e defendida com veemência similar por Oswald de Andrade, Mário de Andrade e Di Cavalcanti. E é aqui que este texto deixa de ser lembrete histórico para homenagear Anita Malfatti.

Se até hoje encontramos mulheres submissas, em 1917 deve ter sido bem pior. Mas, Anita Malfatti parece ter sido diferente. Costumam dizer que era uma mulher feia e que tinha um defeito no braço. Todavia, essas questões não a impediram de aceitar realizar uma exposição, em 1917, com trabalhos inovadores, ousados, distantes do comum e do tradicional. Também costumam descrevê-la como tímida. Pode ser, mas que era determinada, isso era.

“Paranóia ou Mistificação” foi o que Monteiro Lobato sugeriu já no título de sua crítica a exposição de Anita Malfatti. Relatam que a pintora ficou profundamente abatida. É bom frisar que a atitude de Monteiro Lobato foi a de um crítico discordando com o que via. Ele nem foi original na sua agressividade, por assim dizer;  anos antes, em 1913, também o compositor Igor Stravinsky foi execrado em Paris. Ele na música, Anita na pintura, continuaram com a firme determinação de expressarem-se artisticamente.

Na Semana de 1992 Anita estava lá. No saguão do Teatro Municipal de São Paulo, em 1922, Anita Malfatti apresentou doze telas a óleo, além de outros trabalhos, entre gravuras e desenhos. Muitos desses já haviam sido expostos em 1917. Mais que uma repetição, essa atitude revela uma crença no próprio trabalho; o firme propósito em impor-se e nortear o público para um novo panorama artístico, que, por aqui, foi chamado Modernismo. Consta que as críticas continuaram e também na Semana a artista não foi poupada. Naqueles dias, a pintora já se sabia visada; eram papagaios repetindo Lobato.

Encerrada a Semana, muita coisa mudou. Anita Malfatti passou a dividir com Tarsila do Amaral as atenções de críticos e admiradores. E muito pode ser dito e escrito sobre o que aconteceu depois. Todavia, grandes momentos têm um começo. É difícil dizer no que resultaria a arte brasileira sem a exposição de Anita Malfatti, em 1917. Ela não só mudou, mas acelerou os processos de mudança em nosso país. Por isso, ela merece uma homenagem especial. Salve Anita! Salve Anita Malfatti!

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Boa semana!