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Anita Malfatti, detalhe do autorretrato

Quero reverenciar Anita Malfatti pela Semana de Arte Moderna de 1922. Estamos comemorando os 90 anos desse evento que, definitivamente, mudou os rumos da arte brasileira. E é provável que sem Anita Malfatti, a Semana não teria acontecido.

No ano de 1922 seria a comemoração dos cem anos da independência política do Brasil. Parece não ter sido por acaso a escolha daquele momento para iniciar um grande movimento, destinado a inserir no país elementos da arte contemporânea. Pretendendo fugir à influência da Missão Francesa – que aparece aqui e ali ainda hoje – um grupo de artistas realizou, entre 13 e 17 de fevereiro, a Semana de Arte Moderna, que aconteceu no Teatro Municipal de São Paulo. Portanto, ESTAMOS EM PLENO ANIVERSÁRIO DA SEMANA DE 1922!

Segundo Duílio Battistoni Filho, “a Semana foi um festival dadaísta, no estilo dos organizados em Paris “(Então, eles não queriam fugir da influência francesa?). Com influência francesa ou não, com alguns artistas que estudaram na Europa e outros não, a idéia geral era dar uma identidade para a arte brasileira. Surtos nacionalistas sempre ocorrem por aqui.

Há muitos livros e textos sobre a Semana de 1922. Todos falam de Di Cavalcanti, Zina Aita, Victor Brecheret, Yan de Almeida Prado e entre outros, claro, Anita Malfatti. Além desses, escreve-se muito sobre os antecedentes, principalmente sobre uma exposição de Anita, duramente criticada por Monteiro Lobato e defendida com veemência similar por Oswald de Andrade, Mário de Andrade e Di Cavalcanti. E é aqui que este texto deixa de ser lembrete histórico para homenagear Anita Malfatti.

Se até hoje encontramos mulheres submissas, em 1917 deve ter sido bem pior. Mas, Anita Malfatti parece ter sido diferente. Costumam dizer que era uma mulher feia e que tinha um defeito no braço. Todavia, essas questões não a impediram de aceitar realizar uma exposição, em 1917, com trabalhos inovadores, ousados, distantes do comum e do tradicional. Também costumam descrevê-la como tímida. Pode ser, mas que era determinada, isso era.

“Paranóia ou Mistificação” foi o que Monteiro Lobato sugeriu já no título de sua crítica a exposição de Anita Malfatti. Relatam que a pintora ficou profundamente abatida. É bom frisar que a atitude de Monteiro Lobato foi a de um crítico discordando com o que via. Ele nem foi original na sua agressividade, por assim dizer;  anos antes, em 1913, também o compositor Igor Stravinsky foi execrado em Paris. Ele na música, Anita na pintura, continuaram com a firme determinação de expressarem-se artisticamente.

Na Semana de 1992 Anita estava lá. No saguão do Teatro Municipal de São Paulo, em 1922, Anita Malfatti apresentou doze telas a óleo, além de outros trabalhos, entre gravuras e desenhos. Muitos desses já haviam sido expostos em 1917. Mais que uma repetição, essa atitude revela uma crença no próprio trabalho; o firme propósito em impor-se e nortear o público para um novo panorama artístico, que, por aqui, foi chamado Modernismo. Consta que as críticas continuaram e também na Semana a artista não foi poupada. Naqueles dias, a pintora já se sabia visada; eram papagaios repetindo Lobato.

Encerrada a Semana, muita coisa mudou. Anita Malfatti passou a dividir com Tarsila do Amaral as atenções de críticos e admiradores. E muito pode ser dito e escrito sobre o que aconteceu depois. Todavia, grandes momentos têm um começo. É difícil dizer no que resultaria a arte brasileira sem a exposição de Anita Malfatti, em 1917. Ela não só mudou, mas acelerou os processos de mudança em nosso país. Por isso, ela merece uma homenagem especial. Salve Anita! Salve Anita Malfatti!

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Boa semana!