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Santo Deus! Vou me tornar um abacaxi! sexta-feira, cinco da manhã, entrarei no sambódromo paulistano, todinho de abacaxi!

Nas vésperas de me tornar um senhor abacaxi, vem à memória uns versos de música da Rita Lee:

Pois as pernas que um dia abalaram Paris

Hoje são dois abacaxis… 

Pois bem, minhas pernas não abalaram ninguém e sempre fui do grupo denominado “perna de pau”, aquele que não joga nada de futebol. E agora, não só as pernas, todo eu serei um abacaxi.

Vamos ao como tudo começou!

O lero-lero: To cansado, o ano mal começando e já estou querendo pendurar as chuteiras. Não agüento mais, a mega-sena não vem, blá, blá, blá…

O carnaval: to cansado; assim mesmo, gostaria de ir pro sambódromo, ninguém quer sair na escola comigo, preciso me enturmar com gente que curte; poxa, nem comprei ingressos ainda; deixa pro ano que vem, blá, blá, blá…

Quarta-feira chega a menina: – Professor, o senhor quer desfilar no carnaval? E eu que sou um cara ocupadíssimo, com mil compromissos, que precisa ponderar e pensar muito para tomar uma decisão, respondo: – Aceito! E, ainda ocupadíssimo, pedi desculpas: amanhã nos falamos! E fui para a sala de aula.

Tamborim batucando não sai da cabeça, vem a lembrança do bumbo marcando feito batida de coração, e o corpo começa a querer mexer, os pés já ameaçam sair no compasso do samba. Vou sair na Sociedade Rosas de Ouro!

O vento sopra magia

Vem viajar na imaginação

Era uma vez, um reino abençoado

Onde imperava a igualdade

Justiça e liberdade…

“Caraca – pensei – desse reino vou ser um nobre!” Nos meus delírios que começaram logo após ter nascido,  se é pra ser da nobreza, meu lance é ser duque. Nem rei, nem príncipe e, marquês só o nome da avenida onde está o meu outro local de trabalho. Meu lance é ser duque. E ser anunciado com pompa e circunstância: – Senhores, está presente no recinto, o ilustríssimo Valdo Resende, Duque de Uberaba!

A maionese acaba, o delírio passa e volto a ser “minerim, que tá bom demais, sô!”. Acontece, que a Rosas de Ouro “no ano do seu aniversário de 40 anos, se inspira na história da Hungria, uma lendária terra de reis, guerreiros e justos para contar a saga de bravos homens que acreditaram em seus sonhos…”

O autor de enredo, Darlan Carneiro e o carnavalesco Jorge Freitas, mandaram bem na sinopse: “Contaremos a saga de um fictício Rei húngaro (Janos ) que viu seu reino ser invadido pelas forças do mal, obrigando-o a partir e a deixar para trás o solo que por justiça era seu, o solo sagrado de seus ancestrais. Em busca de uma nova terra onde pudessem viver seu sonho de justiça e paz, chegam ao Brasil, esta pátria mãe gentil, que lhes acolhe e oferece um pedaço deste chão.”

Baixou aqui no “minerim” a personagem de Guimarães Rosa e repeti a famosa frase de Augusto Matraga; “- Todo homem tem sua hora e sua vez, a minha há de chegar.” E a minha vez de ser nobre chegou!

É mais que um caso de amor

Rosas de Ouro, razão do meu viver!

Trazendo a Hungria no coração

E o sonho de ser campeão! 

Voltei dia seguinte na faculdade para saber um pouco mais. Tentando abrir brechas na agenda para ensaios na quadra, ensaio no sambódromo, sonhando com a nobreza mineira defendendo a “Roseira”. Vi todos os detalhes do enredo, em homenagem ao povo húngaro na figura de seu representante mais famoso no Brasil, Roberto Justus. E com o pensamento elevado na mais alta aristocracia européia fui ao encontro de Lucielen, ansioso, perguntando de cara: – E então, em qual ala vamos desfilar? Qual é a minha fantasia?

– Abacaxi!

Tive uma idéia do que foi a guilhotina para a nobreza francesa.

– Abacaxi?

– Abacaxi, ela confirmou.

Comecei a rir e – lógico – que um ser delirante, olhando o site, não tinha prestado atenção na fantasia de abacaxi! Fiquei imaginando, lembrando de carnavais anteriores e antecipadamente, já estou muito feliz. Vou brincar na avenida; vou sambar e cantar com todo o povo da Rosas de Ouro:

…Vou coroar essa conquista

Honrando as cores do meu pavilhão 

É mais que um caso de amor

Rosas de Ouro, razão do meu viver!

Trazendo a Hungria no coração

E o sonho de ser campeão!

Acordo após mais uma noite de calor infernal, feliz em ser um abacaxi na avenida e, ao abrir o Facebook , dou de cara com uma foto do meu querido Fernando Brengel vestido de banana. O distinto sairá na Ala das Bananas da Pérola Negra. Outras risadas e uma primeira conclusão sobre o carnaval 2012. Neste ano, vai dar fruta na avenida!

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Bom final de semana!

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Fundamental: O enredo da escola é “O Reino de Justus”. Os compositores do samba de enredo, dos versos citados acima, são: Léo do Cavaco, Rogério Morgado, Leonardo Lima, Eric Lisboa, Luciano Godoi e Cleverson Japa. Fico feliz e honrado em poder defender as cores da Rosas de Ouro neste carnaval. Meu especial agradecimento para Lucielen, pelo convite.