Uma canção com Elis Regina

Ouvir Elis Regina é um grande privilégio. Os meios de reprodução do som garantem a qualidade e a sobrevivência da arte daquela que está entre as maiores cantoras de todos os tempos. Hoje, 19 de janeiro, lembramos a morte da cantora, em 1982, e no dia 17 de março o seu nascimento (1945).

É difícil escolher qual a melhor interpretação de Elis. Optei por fazer uma pequena homenagem através da gravação que ela fez, cantando com Milton Nascimento, de “O Que Foi Feito Deverá” (Milton Nascimento e Fernando Brant).

Ao invés de propagar que o Brasil não tem memória, sugiro e peço aos que por aqui passam que escolham e postem uma canção, entre tantas gravadas por Elis para manter viva a memória dessa grande cantora brasileira.

Até mais!

Rituais de Janeiro

Agenda 2016
Um ano inteirinho pra todo mundo e a data “pra festejar”…

Gosto dessa ideia que paira no ar durante o mês de janeiro: começar de novo! Não comungo com aqueles que afirmam que o ano, no Brasil, começa realmente depois do carnaval. Primeiro porque carnaval é coisa séria e conheço de perto o trabalhão daqueles que fazem a festa de Momo; segundo, porque a grande maioria dos brasileiros volta ao trabalho no primeiro dia útil de janeiro e apenas uma parcela está de férias ou em período de recesso.

Desconfio que essa ideia do “começar depois do carnaval” é própria de quem não gosta de trabalhar durante o ano inteiro, ou de quem não está satisfeito com o que faz e protela sempre que possível. Vou deixar esses de lado, como também esquecerei aqueles que semeiam desânimo com posturas negativas sobre o que vem por aí. Tenho desligado a TV, cujos telejornais sugerem um mundo tão horroroso conotando que só nos resta o suicídio; prefiro Gonzaguinha, na voz eterna de Elis Regina “e ver, se dessa vez, faço um final feliz”.

 

O “ritual da agenda” é um dos que mais curto em cada janeiro. Há muito que, pacientemente, passo a limpo telefones, aniversários, ignorando os arquivos eletrônicos, já que ao escrever lembro cada pessoa, os que se foram neste mundo mesmo e, também e infelizmente, excluindo os que não estão mais por aqui; acho salutar passar folha por folha da agenda anterior e refletir sobre tudo e todos que estiveram em minha vida recente. Sobretudo ver quem chegou; perceber e apostar no que pode permanecer; o que terei na agenda nos próximos anos? Não sendo de ferro assinalo e destaco cada feriado prolongado, cada data em que a festa é garantida.

Encaro arrumar armário, em janeiro, como exercício de desapego. Abrir espaços, mandar um monte de coisas para o lixo, arejar armários e gavetas. É outra forma de revisar a vida, o ano que passou. Há remédios que recordam doença já esquecida e roupas que insistem em nos fazer lembrar o tamanho que um dia tivemos. Obviamente que, emagrecendo, vou querer roupa nova pra desfilar meu contentamento; e remédio, bom, o melhor é encaminhar aqueles com data por vencer para quem realmente precisa. Mantê-los é como se estivéssemos esperando a volta da doença e, desta, é bom manter toda a distância do mundo.

Janeiro é tempo de colocar em andamento o que já vem sendo pensado no ano todo; ou seja, toca a planejar tudo e mais um pouco. Alguns itens se sobressaem nos projetos durante este mês: um é o trabalho; por exemplo, além de manter tarefas na universidade penso sempre no que vem por aí e fico antecipadamente excitado e feliz com as possibilidades. Quem tem um trabalho contínuo sugiro experimentar a criação: um jardim, um livro, música, teatro. A tal “mesmice” é massacrante e cabe exercitar a cachola pra dar uma nova cor ao cotidiano.

Viagens, em janeiro, são frutos do tal planejamento aí de cima. Só ocorrerão e serão realmente legais, produtivas, se bem pensadas. Quem não vai sair de casa pode ter outra atitude: Em janeiro, com ou sem chuva, vale viajar pela cidade – São Paulo propicia viagens incríveis – e, de preferência, pensar nos passeios mais distantes para outras cidades, outros países. Do sonho de conhecer outros lugares parte-se para o planejamento de como fazer isso acontecer.

Dos rituais de janeiro priorizo aquilo que concretiza a ideia do novo, do recomeçar. É por isso que este blog está de cara nova, com outras páginas que indicam caminhos que insistirei em 2016. A agenda também tem que ser nova (insisto em recusar as eletrônicas); este ano caminharei com uma agenda linda, presente de Victor Olszenski (Obrigado!) e o apartamento, que aos olhos incautos sugere hecatombe, está apenas em transição nas tais arrumações.

O ano de 2016 está começando. E o que posso adiantar, além da cara nova do blog? Estarei dando aulas; vou trabalhar no carnaval; continuarei divulgando “Dois Meninos – Limbo”, além de muitos outros livros, como Tueris, do Octavio Cariello, que colocarei no Instagram ainda hoje. No mais, são apenas planos. Muitos! E a atitude fundamental de cada janeiro e de todo o ano: rezar para que tudo, comigo e com aqueles que amo, corra bem!

 

Até mais!

Ouvir Elis Regina

Elis Regina. 70 anos hoje. Sem lero-lero, é preciso ouvir sempre.  Do repertório impecável escolhi uma que é o meu mais profundo desejo. Um lugar para encontrar amigos, ouvir meus discos, ler livros e… nada mais. Ave, Elis!

 

Até mais!

Elis Regina no Carnaval de São Paulo

O carnaval de São Paulo e Rio de Janeiro já tornou público o resultado dos desfiles. Vai-Vai e Beija-Flor são as escolas de samba campeãs do carnaval de 2015. Trabalhando no sambódromo paulistano, pouco vi dos desfiles no Rio, exceto alguns momentos e, entre esses, tive o privilégio de assistir a apresentação da comissão de frente da Salgueiro. Algo para guardar “no lado esquerdo do peito”.

A citação de “Canção da América”, acima, não é por acaso. O ápice do samba de enredo da Vai-Vai, campeã paulista, é um vocalise de “Maria, Maria” cantada de forma emocionante pela plateia presente. As duas canções são de Milton Nascimento e Fernando Brant. Elis Regina, mais uma vez, foi devidamente homenageada pelo povo de São Paulo.

O embate no Sambódromo paulistano foi duro. Dragões da Real, Acadêmicos do Tucuruvi e Gaviões da Fiel estão entre as escolas memoráveis deste carnaval. O embate maior foi entre a Vai-Vai, com enredo homenageando Elis Regina e a Mocidade Alegre que levou Marília Pêra para receber merecidos aplausos pela longa e brilhante carreira.

Vou ficar nas duas mulheres. Duas grandes estrelas. Levarei por todo o sempre a lembrança de Marília Pêra, soberba, acenando e agradecendo ao público. Estava linda, majestosa, buscando dirigir-se para todas as direções, saudando toda a plateia. Uma mulher e tanto! Uma atriz cujos trabalhos e personagens identificavam carros alegóricos e alas inteiras.

Lá pelas tantas da madrugada anunciaram a entrada da Vai-Vai. A voz de Elis Regina tomou conta do ambiente e só depois entrou o samba de enredo. Não mostraram toda a cena na TV. A televisão busca “famosos” e “desnudos”, irritando muito ao colocar um espectador qualquer ou uma agressiva e desrespeitosa mensagem comercial enquanto passa uma escola. Gravei, mesmo que precariamente, para presentear uma amiga e pude registrar os momentos iniciais quando, mesmo com a passarela vazia, reviveu-se o mito e Elis Regina tomou conta do Sambódromo.

Creio que Marília Pera, sábia como é, deve estar feliz com a disputa, ponto a ponto, com Elis Regina. Penso que a cantora Marília reverencie a cantora Elis e a memória de tudo o que ela representa para o Brasil. Espero que passadas as emoções do resultado permaneça o reconhecimento de toda São Paulo para com a grande cantora brasileira.

O vídeo acima registra o momento em que os portões do Sambódromo foram abertos e a Vai-Vai cantou, com todo o povo, “Simplesmente Elis – A fábula de uma voz na transversal do tempo”.  O próximo, para terminar este post, registra a passagem de Elis, ao lado de Adoniran Barbosa, pelas ruas da Bela Vista, o nosso adorado Bexiga.

E agora sim, passado o carnaval, Feliz Ano Novo!

Até mais.

Elis Regina em 1965

elis menino das laranjas

Tornar-se cantora e ficar entre as melhores do Brasil foi tarefa gigantesca até para Elis Regina. É possível constatar a grandiosidade enfrentada pela cantora, por exemplo, traçando um painel do ano de 1965. Neste ano Elis projetou-se nacionalmente ao vencer o I Festival Nacional de Música Popular Brasileira (TV Excelsior) com “Arrastão” (Edu Lobo e Vinícius de Morais). De quebra fez um show com Jair Rodrigues e o Jongo Trio que resultou em disco e programa de TV – O Fino da Bossa – entrando definitivamente para a história da música brasileira.

Em 1965 atuavam algumas mulheres que embora na faixa dos quarenta anos, por contingências da época já eram “velha guarda”. Cantoras extraordinárias como Elizeth Cardoso, Dalva de Oliveira, Marlene, Emilinha Borba e Isaurinha Garcia enfrentavam a passagem da era do rádio para a era da TV. Elis tinha o trunfo da juventude até mesmo perante outra das maiores cantoras brasileiras, Ângela Maria, que em 1965 já estava com 36 anos. Maysa, também notável entre as melhores, estava com 29 anos e Elsa Soares, sambista ímpar, chegava aos 28.

Perante grandes cantoras, ídolos reconhecidos pela crítica e pelo público, Elis Regina era uma jovem surgindo com brilho no cenário musical brasileiro. Para representar a modernidade na música brasileira Elis tinha que estar à altura de Sylvia Telles, embora o mercado exigisse que ela fosse tão popular quanto Celly Campello.

1965 - Arrastao - Elis REgina (1)

Além das cantoras já estabelecidas outras meninas, como Elis, iniciavam carreira. Em 1965 Nara Leão já era um grande nome. Dona de personalidade marcante e de uma privilegiada visão de mundo, Nara unia compositores dos morros cariocas aos jovens bem nascidos da Zona Sul, mudando os rumos da nossa música.

É bastante conhecido o fato de Nara Leão ter convidado Maria Bethânia, menina que havia conhecido na Bahia, para substituí-la no show “Opinião”. Bethânia chegou e atingiu sucesso imediato entre os cariocas que viram o show e em todo o Brasil, via rádio, cantando “Carcará”. Com Bethânia veio Gal Costa, sempre suave e sem fazer muito barulho. A dupla baiana que por si já faria tremer qualquer concorrente ainda contava com dois amigos do tipo que toda cantora precisa: grandes compositores do naipe de Gilberto Gil e Caetano Veloso.

Em 1965, aos 24 anos Nana Caymmi voltava ao Brasil para retomar a carreira. Celly Campello, que três anos antes havia abandonado a carreira recusou participar do programa Jovem Guarda. Wanderléa aceitou, tornou-se imensamente popular e, contam os biógrafos, amiga de Elis Regina.

Em 1965 eu estava com dez anos. Ouvíamos rádio durante todo o dia. Eu parava para ouvir Wanderléa com um chamado irresistível: “Atenção, atenção, eu agora vou cantar para vocês, a última canção que eu aprendi…” A moça bonita da Jovem Guarda cantava “É o tempo do amor” e eu gostava tanto quanto de “Carcará”, o “bicho que avoa que nem avião” na interpretação definitiva de Bethânia. Tenho certeza de que a primeira canção gravada por Elis que me fez parar e prestar atenção na cantora foi “Menino das Laranjas” . Com dez anos eu apenas gostava; hoje percebo que Elis canta a música com graça – a mesma graça que me encantava em Wanderléa – e interpretava intensamente, como Bethânia. De quebra, “Menino das Laranjas” é de uma notável sofisticação melódica e rítmica.

Ainda era 1965 quando vi Elis na televisão. Aos vinte anos ela cantava “Arrastão” com alegria contagiante, com a força necessária para retirar a rede de pesca cheia, farta, sem deixar de lado a doçura da intérprete que narra o pescador querendo Janaína para casar. Em maio do mesmo ano estreava, na TV Record, o programa “O Fino da Bossa”, e neste registrava-se a maior parceria vocal de Elis Regina: Jair Rodrigues.

O disco “Dois na Bossa” veio antes e deu origem ao programa de TV. No disco estão “Menino das Laranjas” e “Arrastão”, as duas músicas que me fizeram gostar de Elis Regina. Também estão outras onze canções só na primeira faixa, compondo o pot-pourri de maior êxito da dupla Elis e Jair. Definitivamente, Elis alcançava a categoria de melhor cantora do Brasil. Nesse programa, sem o que se denomina hoje “música de trabalho”, Elis pode mostrar toda a sua versatilidade, o que é possível comprovar pelas gravações preservadas por Zuza Homem de Mello, disponíveis em CDs.

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Outro dia me perguntaram como foi o impacto do lançamento do disco Construção, de Chico Buarque, em 1971. Respondi quase que mecanicamente: “- Ouvíamos no rádio. Tocava o dia inteiro!” Continuando o papo, recordei o hábito de ouvir rádio, desde criança, quando conheci toda essa gente e, principalmente, Elis Regina.

No próximo dia 19, segunda, lembraremos a grande cantora, falecida em 1982. 33 anos sem Elis! Três gerações sem a grande intérprete!Comigo, tudo começou em 1965. Impossível não registrar esses 50 anos de admiração e respeito que tenho pela maior cantora do Brasil.

Salve, Elis!

Palpite

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Esta data, 13 de dezembro, que anda rondando o blog, e minha página no Facebook, está relacionada com outras datas, de anos bem distantes… 1997 está entre eles. 2002, 1998, 1963… De repente, pensando em 1997, veio “Palpite”, uma boa lembrança. Não se trata de palpite de jogo do bicho e, sim, de uma música suave, bonita, grande sucesso na voz de Vanessa Rangel.

Tô com saudade de você
Debaixo do meu cobertor
E te arrancar suspiros
Fazer amor…

O sucesso é estranho; volta e meia percorre caminhos não convencionais, desmentindo alguns marqueteiros e publicitários que pensam que são deuses. Palpite, a música, teve uma divulgação extra através de novela da Rede Globo tornando-se uma das músicas mais populares de 1997, entrando com a novela também pelo ano de 1998.

Vanessa Rangel tornou-se, desde então, artista marcada por um único grande êxito: de vendas, de execução nos meios. Certo tipo de imprensa, cúmplice da fome capitalista, cobra sucessos, discos na parada, grandes vendagens, como se artista fosse telefone celular: com um novo adereço, um novo modelo por semana. A moça não repetiu o mesmo sucesso do primeiro disco e hoje atua em outra área.

A indústria precisa vender. O artista precisa produzir. Grande cilada contemporânea! Em outra área de criação, por exemplo, na pintura, não seria estúpido cobrar de Pablo Picasso um Guérnica por ano? Um Les Demoiselles d’Avignon por temporada? Nem por isso ele deixa de ser cultuado como um dos maiores artistas do século XX.

Eu sinto a falta de você
Me sinto só
E aí!
Será que você volta?

Penso que um PIXINGUINHA mais um CARINHOSO tá de bom tamanho. Para o ROBERTO CARLOS, junto com ERASMO, a posteridade já foi garantida com DETALHES e para quem tem bons ouvidos basta um COMO NOSSOS PAIS para perceber a grandiosidade da intérprete ELIS REGINA.

E aí! Será que você volta?
Tudo à minha volta
É triste
E aí!

Que artistas tenham outros sucessos, outros êxitos, uma grande carreira, tudo bem; agora, cobrar uma nova A BANDA, uma outra CONSTRUÇÃO ou outra grande criação de CHICO BUARQUE, é estupidez! Ele poderia ter parado lá em RODA VIVA ejá seria um dos maiores compositores brasileiros de todos os tempos.

A pressão sobre um artista é grande, constante. Quando o cara deixa de vender conforme as metas estabelecidas pela indústria é bastante comum ouvir que tal artista está “acabado”.

Tô com saudade de você
Do nosso banho de chuva
Do calor na minha pele
Da língua tua…

A grande produção artística humana passa pela pré-história, Grécia, Egito, Roma, até nossos dias, com nomes e obras que aí estão e permanecerão para a posteridade. É raro, na história humana, um SHAKESPEARE ou um MICHELANGELO. É dessa tal grande arte humana que veio o conceito de “obra prima”; essa sintetiza o que o artista foi, sua estética, seu processo criativo.

Tô com saudade de você
Debaixo do meu cobertor
E te arrancar suspiros
Fazer amor

“Palpite” é uma música popular e como tal está circunscrita no tempo, no espaço. Passa longe de Beethoven, mas permanece na lembrança de muita gente. No meu caso, de vez em quando, voltará por mero acaso ou pelos tais “detalhes” citados na canção de Roberto e Erasmo Carlos. Então continuarei cantarolando VANESSA RANGEL.

Não importa se foi apenas um grande sucesso. Vou respeitar a compositora, a cantora agradável, pelos momentos de prazer que me propiciou e continuará me propiciando com esse eterno e delicioso PALPITE. Quanto ao dia 13, sobre o que vai rolar nesse 13 de dezembro, vou segurar um pouquinho; todavia, que tal um palpite?

Até!

Canta Brasil!

Esperar destaque para a música brasileira de um programa denominado The Voice é chover no molhado. Somos colonizados e há muitos, entre nós, que pensam que “gritar” em inglês faz do sujeito um grande cantor. O certo é que há um número considerável de brasileiros que entendem parcamente o que diz – canta – cada candidato; assim, pouco importa se o indivíduo pronuncia parcamente ou porcamente.

Nossa música é sofisticada; muito sofisticada! O suficiente para avaliar qualquer cantor, qualquer tipo em qualquer região vocal e sob diferentes aspectos. Por exemplo: quantos concorrentes do The Voice cantariam bem o “Brasileirinho” (Waldir Azevedo – Pereira da Costa) ou o “Tico-tico no fubá” (Zequinha de Abreu – Eurico Barreiros)? Sem firulas, sem exageros, pois não há necessidade disso. Precisa ter folego, dicção privilegiada, capacidade de interpretação acima do comum para interpretar tais canções.

Os concorrentes, dizem, gostam de mostrar extensão vocal. Bom, para esses, há ótimas possibilidades: “Na baixa do sapateiro” (Ary Barroso), “Carinhoso” (Pixinguinha – João de Barro) e “Rebento” (Gilberto Gil) são apenas algumas possibilidades. Entre as mais difíceis considero “Rosa-dos-Ventos”(Chico Buarque), “Sabiá” (Tom Jobim – Chico Buarque), “Eu te amo” (Caetano Veloso) e entre muitas canções de Milton Nascimento, gostaria de ver alguém encarando “Saudade dos aviões da Panair”. (Dele, Milton, com Fernando Brant, também conhecida como “Conversando no bar”).

 

Estou comemorando antecipadamente o “dia do samba” (dia 2 próximo) e quero mais samba, mais chorinho, samba-canção, enfim, de mais música brasileira. Em se tratando de samba, por exemplo, os candidatos de concursos vocais – se querem mostrar que realmente cantam – deveriam arriscar um “Cai dentro” (Baden Powell e Paulo César Pinheiro) que, por sinal, só ficou excelente na voz de Elis Regina.

Sinto que esta é uma batalha perdida (apenas uma batalha!). O tempo costuma vencer todos os candidatos que, com suas músicas estrangeiras, caem no esquecimento. Sempre lembraremos Ney Matogrosso, Elza Soares (Hoje lembrada no The Voice pela excelente Cristal), Vicente Celestino, Gal Costa, Maria Bethânia, Nelson Gonçalves, Tom Zé, Maysa e, é claro, João Gilberto. Estou lembrando alguns grandes interpretes brasileiros que, com toda a certeza, em um ou outro momento cantaram música estrangeira. Todavia, gente como Maria Bethânia não será lembrada por “What is new”; esses intérpretes formidáveis (e podem aumentar a lista!) serão lembrados por sussurros afinados cantando Bossa Nova ou pela voz colocada com perfeição na personalíssima cadência do samba.

Há muito tempo um grande cantor, tão grande que foi chamado de “Rei da Voz”, gravou “Canta Brasil”. O nome desse cantor é Francisco Alves. Depois, veio a gravação de Ângela Maria e, bem depois, Gal Costa regravou a mesma canção, que é de Alcyr Pires Vermelho e David Nasser. Vou concluir este post com a letra deste samba exaltação, pois sinto muita falta dessas canções na nossa televisão; quem sabe, em algum programa, o nosso Brasil musical possa ser prioridade!

As selvas te deram nas noites teus ritmos bárbaros E os negros trouxeram de longe reservas de pranto Os brancos falaram de amor em suas canções E dessa mistura de vozes nasceu o teu canto

 

Brasil, minha voz enternecida Já dourou os teus brasões Na expressão mais comovida Das mais ardentes canções

 

Também, na beleza deste céu Onde o azul é mais azul Na aquarela do Brasil Eu cantei de norte a sul

 

Mas agora o teu cantar Meu Brasil quero escutar Nas preces da sertaneja Nas ondas do rio-mar

 

Oh! Este rio turbilhão Entre selvas e rojão Continente a caminhar No céu, no mar, na terra! Canta Brasil!!

 

Bom final de semana para todos!