Para os melhores amigos…

As melhores canções. Não dá pra escolher uma, porque há muitas e todas são emocionantes. Cada um tem a sua preferida e neste post estão aquelas que me ocorrem sempre quando penso nos meus grandes amigos (todos eles são melhores!)…

Para ler este post, seja manhã, tarde ou noite, clique aqui para ouvir Abílio Manoel. A canção é a inspiração básica para entrar no clima e relembrar outras sobre amizade. “Bom dia, amigo” é uma composição interpretada pelo autor, Abílio Manoel. Cantei muitas vezes essa música com grupos de criança e ao pensar esse texto, foi inevitável relembrá-la. Então, clique e deixe o som de fundo para continuar a ler.

Um lugar assim, para conviver com meus amigos.

Algumas canções são tiro e queda quando o tema é amizade. Em qualquer lista aparece, sem delongas, “Canção da América”, de Milton Nascimento e Fernando Brant. Quem pode negar que “Amigo é coisa pra se guardar do lado esquerdo do peito”? O mais difícil desta música é escolher entre a interpretação de Elis Regina (clique para ouvir) e a do próprio Milton Nascimento; mas, essa é outra questão.

Outra que não falta em uma provável lista também é figurinha carimbada, presente em todo e qualquer boteco onde cantar ainda é possível: “Amigo é Pra Essas Coisas”, composta por Silvio da Silva Jr. e Aldir Blanc. Um diálogo transformado em sambinha dos bons;  marcou toda uma geração que sabe que “tua amizade basta” e que “o apreço não tem preço”. A interpretação do MPB-4 é imbatível.

Amigo que é amigo escuta, atentamente, todas as nossas agruras amorosas. Quando apaixonados, se o amor está em crise, diante de uma nova paixão, encucados por uma desavença, só mesmo um amigo pra nos ouvir. Para amores complicados Roberto Carlos e Erasmo Carlos criaram uma verdadeira obra-prima: “Amiga”. Originalmente a música foi criada especialmente pelo desejo de Roberto Carlos gravar com Maria Bethânia. Veja-os, em 1982.

Shangrila, para sonhar um lugar ideal para grandes amigos.

Foi nos anos 80 que Djavan criou “Nobreza”. Talvez a mais bela canção para a amizade verdadeira entre dois homens. Os versos são ousados para ouvidos conservadores e, provavelmente por isso, a música não é tão comum em bares e similares. É difícil para a maioria dos rapazes, mesmo diante do melhor amigo, cantar “uma bela amizade é assim: dois homens apaixonados…” Talvez um dia a coisa mude de rumo; mas que é uma belíssima música, é só ouvir e comprovar.

Chico Buarque, o melhor de todos os nossos compositores, criou com Francis Hime “Meu Caro Amigo”. É uma carta em forma de chorinho, para soltar o gogó amaciado por uma boa cerveja. E como amigo verdadeiro assume a família do outro, “a Marieta manda um beijo para os seus, um beijo na família, na Cecília, nas crianças…”

Se você chegou até aqui já leu minhas escolhas para a música preferida sobre amizade. Sinta-se livre para indicar outra fora desta relação, que talvez eu não conheça ou tenha deixado de fora. Caso indique outra, não deixe de mencionar os autores. Eles merecem.

Nosso Lar, para viver todas as vidas com meus amigos

A vida me presenteou com amigos incríveis – muitos! – só entendo uma música para expressar o que sinto por meus amigos; é a canção que escolhi para concluir este, na voz suave e inesquecível de Mercedes Sosa: Los Hermanos, de Atahualpa Yupanqui. Se você é realmente meu amigo, esta canção é pra você.

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Bom final de semana!

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Até!

Quem canta, canta João Bosco!

“-Topas encarar esse concurso?” Cantar as canções de João Bosco. É isso! Só que há que ser no mínimo ótimo para cantar composições solo ou aquelas feitas, por exemplo, em parceria com gente do naipe de Aldir Blanc.

Se fosse só uma pergunta – Quem é o melhor intérprete de João Bosco? – em uma brincadeira dessas que a gente faz em tardes chuvosas, ainda sim seria um páreo duro. Eu sugiro um empate triplo: Elis Regina, Zizi Possi e o próprio João Bosco, que canta como ninguém suas próprias criações.

João Bosco é o grande homenageado da 23ª edição do Prêmio da Música Brasileira. Criado por José Maurício Machline, ao longo de todos esses anos o evento já homenageou a nata da música brasileira:  o ano  passado foi Noel Rosa. Antes dele, gente como Vinicius de Moraes. Dorival Caymmi, Elizeth Cardoso, Luiz Gonzaga, Gilberto Gil, Elis Regina, Milton Nascimento e muitos outros.

Entre as homenagens para João Bosco foi preparado um concurso para intérpretes das canções do grande mestre. Não pense que são próprias apenas as vozes tipo Elis e Zizi. Se você tem um vozeirão à Clementina de Jesus, Maria Alcina ou Ângela Maria, pode encarar. E é claro que se o próprio João Bosco está entre os grandes intérpretes de suas canções, todos os rapazes podem soltar a voz.

Está no site do evento: “Grave sua interpretação em vídeo de uma das canções deste grande ícone da Música Brasileira, publique no Youtube e envie o link para nós, não aceitamos videoclip, o candidato deve estar cantando a canção no momento da gravação. Se você gosta da obra de João Bosco e não tem discos gravados pode participar. O grande vencedor receberá um prêmio em dinheiro e um troféu no palco do Theatro Municipal do Rio de Janeiro ao lado dos grandes nomes da música brasileira!”

Olha que chance! Você cantando “Corsário” no palco do Theatro Municipal do Rio de Janeiro e, de repente, vai que a Zizi Possi resolve subir e cantar junto? E já pensou, você cantando “Memória da Pele” perante Maria Bethânia? Pensando bem, não é uma boa idéia. Nessas, elas superam até o próprio João Bosco. E também, não vá cair na besteira de se achar “a bala que matou Kennedy” tentando levar a grana com “O Bêbado e o Equilibrista”! Essa, malandro, só mesmo a Elis Regina.  Agora, vamos à outras possibilidades…

Se você canta, mas canta mesmo, ataque de “Bala com bala”, “Cobra criada”, ”Linha de passe”… Essas são para quem tem excelente domínio da arte de interpretar. Outra possibilidade para grandes intérpretes é a de dar a própria versão de canções, diria eu, inusitadas, que só autores da categoria de João Bosco são capazes de criar; são músicas para quem tem verve humorística, como “A nível de…”, “Abigail caiu do Céu” e por aí vai.

João Bosco é muito bom, ótimo. Dentro das próprias possibilidades vocais, tornou-se um intérprete impar para canções como “Jade” ou “Papel Machê”. Agora há uma boa chance para os cantores que estão em início de carreira, ou aguardando uma boa oportunidade. Portanto, entre no site, cumpra o regulamento, grave a canção e saia divulgando para todo mundo. Pode ser que, por essas tramas da sorte, você não ganhe o prêmio; todavia, ser capaz de cantar bem as canções de João Bosco já é um feito e tanto. Boa sorte!

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Bom final de semana para todos.

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As canções citadas:

Corsário – João Bosco – Aldir Blanc

Memória da pele – João Bosco – Waly Salomão

O Bêbado e o equilibrista – João Bosco – Aldir Blanc

Bala com bala – João Bosco – Aldir Blanc

Cobra criada – João Bosco – Paulo Emílio

Linha de Passe – João Bosco, Paulo Emilio – Aldir Blanc

A nível de… – João Bosco – Aldir Blanc

Abigail caiu do céu – João Bosco – Aldir Blanc

Jade – João Bosco

Papel Machê – João Bosco – Capinan

Elis Regina, para celebrar a vida

17 de março é o dia em que nasceu Elis Regina.  Faço questão de celebrar, pois tenho a impressão de que lembramos mais o dia da morte do que o aniversário da cantora, nascida em 1945. Perdas são traumáticas e acabamos fixando tais momentos. Comemorar o dia de hoje, em relação à Elis Regina, é celebrar a vida. Elis vive e, como ela um dia disse, viveria enquanto durassem os discos. Os discos estão aí, portanto, viva Elis!

Discos novos, relançados, gravações que saíram da gaveta para o deleite de fãs e colecionadores. No início deste ano, lembrando os 30 anos da morte da cantora, ocorreram vários lançamentos e a vasta obra de Elis Regina foi colocada em caixas luxuosas, dignas da grande intérprete brasileira.

Elis Anos 60 é o caixa do início da carreira da cantora. São 10 álbuns lançados entre 1965 e 1969. Entre eles, “Samba eu canto assim(1965) e a série “Dois na Bossa”, ao lado de Jair Rodrigues. Só estes já valeriam pela caixa inteira. O encontro notável entre os dois cantores, sambistas por excelência, é um raro momento, devidamente registrado e que, de quebra, lembram o clima do programa “Fino na Bossa”, onde ambos tornaram-se ídolos brasileiros.

O registro integral do show em Montreux

Em cada uma das caixas estão algumas coletâneas. Na caixa dos anos 60, “Pérolas Raras” e “Elis, Esse Mundo é meu”; esta última, produzida especialmente para o projeto, contém 16 gravações avulsas da cantora. Na caixa dos Anos 70, uma raridade: O registro das duas apresentações feitas por Elis Regina, em 1979, no Montreux Jazz Festival. O show está na íntegra, com os 27 números interpretados por Elis em “Um dia”. Outra coletânea, “Elis no Céu da Vibração” reúne mais de duas dezenas de gravações antes dispersas em compactos e em discos de festivais, como “Um novo rumo”, de Arthur Verocai e Geraldo Flach, que Elis gravou ao vivo em 1968.

A caixa “Elis Anos 70” deixa clara a importância da cantora nos anos de ditadura militar e, musicalmente, a capacidade de Elis em realizar escolhas corretas.  Essas escolhas resultaram em lançamentos de compositores que entraram para a história da música brasileira: Belchior, Ivan Lins, João Bosco & Aldi Blanc, entre vários outros. É a caixa de “Falso Brilhante” e “Transversal do Tempo”, que estão entre os onze álbuns desta fase, cujo marco fundamental é o disco “Elis e Tom”; a cantora ao lado do Jobim, nosso “maestro soberano”.

Estão investindo em relançamentos dos trabalhos da cantora; um sinal evidente da força de Elis Regina. Do afeto e admiração do público pela voz afinada, o timbre inesquecível, as interpretações definitivas. Neste final de semana, no aniversário de 240 anos de Porto Alegre, cidade natal de Elis Regina, será a estréia do show de Maria Rita, interpretando os sucessos da mãe famosa. Sábado próximo, dia 24, será a vez de São Paulo assistir o show, denominado “Viva Elis”. A cantora vive em si e no trabalho dos filhos; estes parte da grande herança que Elis Regina nos deixou.

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Bom final de semana.

divulgação sbt

Rivalidade entre cantores! Quem ganha com isso?

Ontem, lembramos a morte de Elis. Em post anterior recordei Nara Leão – que faz aniversário no dia em que Elis morreu – e também Maysa. Três cantoras que namoraram, em épocas distintas, o mesmo homem. Li uma matéria publicada no UOL chamando a atenção para a “rivalidade” entre Elis e Nara. Incomodou bastante a agressão ao integrante da banda Restart. Daí a reflexão!

divulgação sbt
As "rivais" que vendem discos e lotam shows

Tudo indica que é condição do ser humano querer ser o melhor. Alguns confundem melhor com “os mais bonitos”, os “mais gostosos” e por aí vai. Se a coisa caminha pelas tramas do gosto – pessoal, autônomo, ou mediante a adoção de patamares acordados por um grupo – o indivíduo precisa ter a clareza da relatividade da situação que elege o mais bonito, a mais gostosa, os mais “tudo”.

Há que se ficar alerta e não confundir o melhor com resultados circunstanciais, como a audiência de um programa de TV ou a vendagem de discos, livros ou revistas; o melhor pode ser medido, aferido, comparado, estabelecido a partir de regras precisas. Mesmo gostando de alguém – a querida Nara Leão, por exemplo – são padrões reconhecidos em todo o planeta que determinam Elis Regina como melhor cantora. Afinação, extensão vocal com domínio de graves e agudos e além de uma incapacidade incrível de, ritmicamente, dividir uma música, ou seja, colocar a frase verbal de forma peculiar dentro da melodia estão entre os itens que caracterizam Elis Regina.

Com a Bossa Nova, João Gilberto acabou com a tirania do “dó de peito”, das vozes volumosas. Um caminho onde Nara Leão reinou com absoluta tranqüilidade. E aqui cabe citar uma qualidade de Nara: a capacidade de interpretar uma canção com total suavidade e leveza. As trajetórias musicais de Elis Regina e Nara Leão são parecidas, mas distintas, pois ambas são dotadas de personalidade e caráter ímpar.

A rivalidade é uma coisa forte, intrincada, na vida de todos nós. Vamos lembrar algumas?

Começa geralmente na escola um certo Meninos X Meninas que na vida adulta resulta em Homem X mulher; passa pela rivalidade de cidades como Rio de Janeiro x São Paulo ou lá, na terrinha, Uberaba x Uberlândia. Chega aos grandes inimigos do futebol Corinthians X Palmeiras, bem local, e às eternas disputas entre Brasil X Argentina, Uruguai, Franceses, Ingleses, Italianos… Continuando em quase todos os aspectos da atividade humana.

Martinha e Wanderléa. As "rivais" da Jovem Guarda.

No campo da música há rivalidades históricas! São facilmente lembradas: Marlene X Emilinha Borba, nos tempos áureos do rádio; Nara Leão X Elis Regina na época da Bossa Nova; Wanderléa X Martinha durante a Jovem Guarda; Maria Bethânia X Elis Regina nos anos 70; Maria Bethânia (de novo!) X Simone nos anos 80…Recentemente, Sandy X Wanessa e atualmente, Ivete Sangalo X Claudia Leitte.

Psicólogos afirmam que a rivalidade entre mulheres é uma coisa velada e que entre homens é escancarada. Dois bons exemplos: Roberto Carlos e Paulo Sérgio, na Jovem Guarda, levando RC a gravar um disco, “O Inimitável”, em franca guerra contra o “rival”. Outro exemplo, em outra área, as farpas constantes no embate Pelé x Maradona.

É bom notar – fácil obter isso em pesquisa – que são revistas, jornais e similares que criam essas rivalidades e vendem absurdo com elas. Estão quentes na memória as insinuações quanto à pinimbas entre Ivete Sangalo e Claudia Leitte; as duas correm para desmentir desafetos. Ou seja, vende-se a “briga” e fatura-se um pouco mais, com a “reconciliação”.

Há, por outro lado, rivalidades verdadeiras, advindas de choque entre indivíduos de um mesmo grupo buscando impor sua maneira de ser, de criar. O mundo do Rock é rico em histórias, algumas irreconciliáveis. Pessoas que iniciaram um trabalho e que, com o conflito estabelecido, deram outro rumo às próprias carreiras. O mais clássico dos exemplos, John Lennon X McCartney e, no Brasil, Rita Lee X Arnaldo Batista. A lista poderia crescer bastante!

Lamentamos o fim dos Beatles, o rompimento entre os primeiros integrantes de Os Mutantes. Mas, é bom ressaltar que nesse tipo de conflito continuamos ganhando. Cada indivíduo, no caminho escolhido, deixou ou tem deixado um trabalho digno dos grupos onde tudo começou. Com esse tipo de rivalidade, ganhamos. Com pinimbas criadas pela imprensa, ganha o dono do jornal! Embora seja fato certa cumplicidade entre a imprensa e alguns “rivais”.

Há artistas que só aparecem quando brigam com alguém, enquanto outros artistas passam ao largo dessa história de rivalidades. Gal Costa, por exemplo, foi amiga de Elis Regina e é amiga de Maria Bethânia. Ninguém conseguiu estabelecer uma briga entre Gal e quem quer que seja. É constatável historicamente que Bethânia espetava Elis afirmando ser “Gal é a melhor cantora do Brasil”. Gal, tranquila desde sempre, canta. Longe das encrencas das colegas.

Gal Costa soube neutralizar fofoqueiros sendo amiga de Elis e de Bethânia, assim como Ivete Sangalo soube neutralizar uma possível rivalidade com Daniela Mercury, declarando-se sempre fã da colega. Uma tática infalível, que não vingou em relação à Claudia Leitte.

Hoje é reconhecida a falsa rivalidade entre Marlene e Emilinha Borba nos tempos da Rádio Nacional

Verdadeiras ou falsas, as rivalidades resultam em sofrimento para aqueles que estão vivendo a situação, os próprios rivais. Gera frustração, tristeza, ciúme, inveja. No futebol, por exemplo, gera violência e morte; mas, como ficariam os programas esportivos sem esse aspecto? Complicado… Principalmente quando certos fãs confundem as coisas e resolvem jogar pedras em cantores e músicos.

É necessário que o indivíduo reconheça no artista, ou no time de futebol, as qualidades que tornam esses os melhores. Sem confundir com afeto, simpatia. Se não gostamos de um artista, basta evitá-lo. Agora, atirar pedra – Literalmente! – em um artista é, além de um crime, uma demonstração absurda de baixa auto-estima. Se for necessária violência para que reconheçam o “seu” artista como melhor, que raio de artista é esse? E que público é esse!

Um artista é bom ou ruim. Outra coisa é afeto. O que não pode é alimentar a rivalidade baixando o nível e chegando à violência. No futebol esta, em grande parte, é fruto de uma “guerra” alimentada em programas esportivos de rádio e televisão. Há que se rever os “jogos de vida e morte” para que estes não cheguem aos shows de música. Se vaias são desagradáveis; pedradas são inaceitáveis.

Bom final de semana!

Cante essa, malandro!

Que bom poder escrever sobre Elis Regina. Este post é para que os mais velhos relembrem e para que os jovens conheçam uma face da maior cantora do Brasil.

Não convivemos e, portanto, não conhecemos realmente Elis Regina. Temos uma idéia de como era a mulher sob as vestes da cantora. Temos os discos, alguns livros, revistas e cada texto, cada vídeo com uma entrevista mais os textos dos discos ajuda-nos a montar o intrincado quebra-cabeça que é a personalidade de um ser incomum. Um livro legal, que mostra um lado pouco divulgado sobre a cantora é da série “Histórias das Minhas Canções”, o volume sobre Paulo César Pinheiro.

Conhecedores de MPB associam imediatamente o nome de Paulo César Pinheiro à Clara Nunes, com quem foi casado e com quem realizou trabalhos maravilhosos. O compositor de inúmeros sucessos da mineira Clara Nunes, foi também o compositor de vários sucessos gravados por Elis Regina, como “Lapinha”, “Vou deitar e rolar”, “Eu, hein, Rosa!” e “Cai dentro”; Paulo César Pinheiro conta a história dessas canções e até de uma feita para Elis, que ela não gravou, “Última Forma”.

Paulo César Pinheiro descreve uma Elis Regina doce e suave com os amigos, ríspida perante adversários; e estes souberam perpetuar essa imagem, deixando para a história Elis como a “Pimentinha”.  Entretanto, um aspecto legal que o compositor registra é o comportamento de Elis perante a “concorrência”.  Quando, em 1977, dizia-se que  havia uma grande cantora de samba no pedaço, Elis pediu ao compositor que, junto com Baden Powell, fizessem uma música pra que ela mostrasse como é que se canta samba. O resultado é “Cai dentro”. E é aqui que justifico o título acima; cante essa, malandro! Com a mesma competência que justifica o título de maior cantora brasileira para Elis Regina.

O registro acima é do disco de 1979, “Essa Mulher”. Para enfatizar as qualidades de Elis, optei por um segundo registro, com a apresentação que Elis fez no Festival de Montreux. Em ambos os momentos,no estúdio e ao vivo, a qualidade incrível da intérprete e da cantora, dona do próprio ofício. Mais que escrever, o melhor é ouvir. E cabe questionar: qual cantora atual seria capaz de cantar desse jeito?

Amanhã, dia 19, lembramos o trigésimo ano da morte de Elis Regina. Minha homenagem para a cantora vai através dessas canções que só ficaram bem na voz impecável e na perfeita afinação de Elis Regina. Entre as várias interpretações únicas de Elis Regina, ficam abaixo outras duas, também com as assinaturas de Paulo César Pinheiro e Baden Powell.  Elis merece todas as reverências.

“Vou deitar e rolar” lembra o momento em que Elis separou-se de Ronaldo Bôscoli. O “quaquaraquaqua” é inimitável!

“Lapinha”, além de ter sido a vencedora da I Bienal do Samba, da TV Record, ainda merece destaque por ser a primeira composição de Paulo César Pinheiro, então com dezesseis anos, em parceria com Baden Powell. Note bem! É uma letra de um garoto com dezesseis anos!

Fica aqui, também, o convite para conhecerem o livro com as canções de Paulo César Pinheiro. Garanto que vale a pena!

Até a próxima!

As mulheres de Ronaldo

Lamento por quem chegou aqui pensando em algo tipo “Marias chuteiras”, ou gostosonas, ou outras… O Ronaldo em destaque é o Bôscoli e as mulheres em questão são Maysa, Elis Regina e Nara Leão. Como esteve envolvido com essas três cantoras geniais, o jornalista, compositor e produtor Ronaldo Bôscoli será um dos nomes mais citados, nas próximas semanas, pela imprensa especializada em música.

Janeiro é um mês fundamental na biografia das três cantoras. No dia 19 de janeiro próximo lembraremos a morte de Elis Regina. Em São Paulo serão feitas várias homenagens a maior cantora brasileira que irão até março, quando haverá um show no Ibirapuera. Feito pela cantora Maria Rita, filha da cantora, o show  irá apresentar um repertório só de canções gravadas por Elis Regina na voz de Maria Rita. Este é para ser festejado e será no dia 17 de março, que é a data do aniversário da cantora (Marque na agenda. Um sábado, show ao ar livre, no Parque Ibirapuera).

Nara Leão, a primeira namorada, 70 anos em 2012

Bôscoli foi casado com Elis Regina, sendo pai do primeiro filho da cantora, João Marcelo Bôscoli. O casamento foi um acontecimento para a época e a vida do casal foi fartamente documentada pelos fofoqueiros de então. O registro histórico está nas diferentes biografias sobre Elis Regina ou sobre a Bossa Nova, movimento do qual Bôscoli foi um dos principais nomes.

Elis Regina faleceu em 19 de janeiro de 1982. Esse dia, 19 de janeiro, também é o dia do aniversário de Nara Leão. Além da carreira ímpar e do repertório impecável, a musa da Bossa Nova, da Tropicália, da Música de Protesto, enfim, a Nara de todas as bossas será lembrada neste ano também pelos 70 anos que faria no dia 19.

Com Maysa, tempestade na aparente calmaria da Bossa Nova

Minha primeira lembrança de Nara Leão é cantando “A Banda”. Provavelmente posso tê-la ouvido cantar outros anteriores sucessos. Todavia conheci “Carcará”, um marco na carreira de Nara, quando esta fez o show “Opinião” com João do Valle e Zé Keti, na voz de Maria Bethânia. A gravação de Bethânia foi muito executada nas emissoras de rádio de Uberaba, MG, a minha terrinha. Outro sucesso de Nara, “O Barquinho” lembro sempre é na voz de Maysa.

Coincidências que fariam a festa de exotéricos sensacionalistas, Nara Leão faleceu no dia 7 de junho de 1989, um dia depois do aniversário de Maysa. Esta faleceu bem antes, em 1977, no mês de janeiro!

A lembrança das histórias de Maysa e Boscôli estão fresquinhas na memória de quem viu a minissérie que a Globo fez sobre a cantora. Há, no programa televisivo, uma clara menção ao namoro de Nara Leão e Bôscoli, interrompido bruscamente quando Maysa anunciou seu noivado com o compositor. Ou seja, recapitulando:

19 de janeiro: Morte de Elis Regina

19 de janeiro: Aniversário de Nara Leão

22 de janeiro: Morte de Maysa

O primeiro filho de Elis é de Bôscoli

Ronaldo Bôscoli passou pela vida das três, na ordem: namorando Nara, Maysa e casando-se com Elis Regina. Como compositor, foi limitado.  Entre as músicas mais lembradas estão “Lobo bobo” (parceria com Carlos Lyra); “O barquinho” (o parceiro foi Roberto Menescal); “Tributo a Martin Luther King” (grande sucesso do cantor Wilson Simonal, que assina a canção com Bôscoli) e “Você” (com Roberto Menescal).

Como produtor musical, ao lado de Carlos Miéle,  Bôscoli deixou grandes capítulos na história da música brasileira. Produziram shows de Wilson Simonal; o programa “O Fino da Bossa”, com Elis Regina e Jair Rodrigues no comando; vários programas na TV Globo e por mais de vinte anos foram os responsáveis pelos shows de Roberto Carlos.

Bôscoli, ao conquistar Nara, Maysa e Elis, deixou um dado biográfico invejável. Infelizmente, também foi por causa dessas conquistas que elas nunca estiveram juntas em shows ou discos. Ironias da vida: separados pelos desencontros amorosos, cantoras e compositor estão juntos na história. Sempre que se falar ou escrever sobre um, os outros serão lembrados.

Boa semana!

Shows para lembrar Nelson Cavaquinho

Nelson Cavaquinho

Fossem outras as circunstâncias e eu teria escrito sobre o centenário de Nelson Cavaquinho (1911/2011), comemorado neste sábado, 29 de outubro. Trabalhos, notas, provas e uma banca de quase doze horas na universidade… E a vida é bela porque há um trabalho que termina, como no sábado, com muitos e emocionados abraços daqueles que, agora, partem para as últimas atividades antes da formatura.

Nelson Cavaquinho é merecidamente homenageado. No Rio de Janeiro está sendo lançado o disco “Carlinhos Vergueiro Interpreta Nelson Cavaquinho”. Também ocorreram shows e palestras lembrando um dos grandes mestres do samba, compositor da Mangueira, a Escola de Samba que é Verde e Rosa.

Em Mangueira

Quando morre um poeta

Todos choram

Vivo tranqüilo em Mangueira porque

Sei que alguém há de chorar quando eu morrer…

E foi assim, em 1986, quando o compositor faleceu em 18 de fevereiro. Neste 2011, a Mangueira desfilou com o enredo “O filho fiel, sempre Mangueira”, abrindo as comemorações do centenário de Nelson Cavaquinho. Agora é a vez de São Paulo lembrar com uma série de shows as músicas sombrias, o samba bonito que fala de dor e de morte, dos desencontros, dos amores perdidos. Nelson é um dos autores das músicas mais tristes do nosso cancioneiro.

Tire o seu sorriso do caminho

Que eu quero passar com a minha dor

Hoje pra você eu sou espinho

Espinho não machuca a flor…

Os shows por aqui serão no Centro Cultural Vergueiro; a série de espetáculos musicais recebeu o nome “Uma Flor para Nelson”. O primeiro será no dia 3, quinta, com Benito de Paula e Marcos Sacramento; depois, dia 4, será a vez de Ângela Ro Ro e Cida Moreira; duas intérpretes de qualidade. No sábado tem o jovem Filipe Catto e a grande estrela Zezé Motta. A série de shows termina no domingo, com a presença de Graça Braga, Verônica Ferriani e Teresa Cristina.

Músicas que não faltarão nessas noites paulistanas: “Folhas Secas”, cujas interpretações de Beth Carvalho e Elis Regina, até hoje, disputam a preferência dos admiradores do compositor; “Juízo Final”, provavelmente o maior sucesso em vendas e execuções, na interpretação definitiva de Clara Nunes e, minha preferida, “Palhaço”, que curto ouvir na voz de Dalva de Oliveira.

Sei que é doloroso um palhaço

Se afastar do palco por alguém

Volta que a platéia te reclama

Sei que choras, palhaço,

Por alguém que não te ama…

Gosto das canções tristes de Nelson Cavaquinho, da suavidade com que criou sambas deliciosos. São músicas tão boas que até me esqueço que são tristes. Sobretudo, aprecio a capacidade de síntese de Nelson e seus parceiros. Poucos versos e muita, mas muita verdade mesmo. E beleza, de músicas que sobrevirão muito além deste primeiro centenário do criador.

Os interessados nos shows poderão obter entrada franca. O Centro Cultural São Paulo informa que a retirada de ingressos é na bilheteria (terça a domingo, das 10h às 22h), somente na semana da apresentação. Ou seja, termine de ler e reserve uma hora para amanhã, terça, ir buscar o seu ingresso na Rua Vergueiro, 1000 – Paraíso, bem ao lado da estação do Metrô.

Boa Semana!

As músicas citadas e seus autores:

Pranto de poeta – Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito

A Flor e o espinho – Nelson Cavaquinho, Alcides Caminha e Guilherme de Brito

Folhas Secas – Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito

Juízo Final – Nelson Cavaquinho e Elcio Soares

Palhaço – Nelson Cavaquinho, Oswaldo Martins e Washington Fernandes