A professora do dia

Os professores de hoje estão mudados. Exige-se outro perfil do profissional de ensino, quando comparado aos meus primeiros mestres ou ao estereótipo que ainda prevalece no subconsciente coletivo sobre o que seja a figura do professor. O professor taciturno, fechado em seus livros, trancado em uma saleta preparando aulas, corrigindo exercícios, cedeu lugar ao “antenado”, “descolado”, às vezes humorista, outras animador de auditório.

A professorinha meiga que dividia-se entre as tarefas domésticas e os trabalhos escolares, entre filhos e alunos, deu lugar a mulher dinâmica, forte e, para usar expressões do momento, “proativa” e “up to date”. E é fato que quando pertinente e se necessário, essas professoras também são tudo o que escrevi sobre o professor.

Regina, a professora do dia!

Um bom exemplo de tudo isso é Regina Cavalieri, com quem trabalho nos últimos séculos (sim, séculos! Tudo muito intenso!). Se há um ditado popular que não se aplica a Regina é o tal “salvem a professorinha!”. É mais fácil presenciar o mundo pedindo socorro a esta professora.

“Antenada”, mantêm-se atenta a tudo – daquela forma que só as mulheres conseguem: a gravidez da secretária, o crime que abala a cidade, os solos de guitarra do Eric Clapton, a plantação de alfaces e rúculas… e as questões escolares (que, para imbecis, não é trabalho). Por questões escolares, no caso de Regina Cavalieri, fica subentendido a gestão e administração de uma pequena cidade: são 13 mil alunos, cerca de 500 professores e coordenadores e 260 funcionários. Porque professor não é funcionário é uma questão fácil: atualmente, como Regina Cavalieri, o professor é multifuncional. Não cabe mais atuar em uma única disciplina, uma única atividade, um só interesse.

Pequena parcela dos 13 mil

Pense em administrar e conciliar interesses de tanta gente e… conflitos são estabelecidos. E Regina tem uma resposta ótima, começando o diálogo com um “-Por que eu sou uma pessoa clara, professor!” e finalizando com “Você está irritado porque não faço o que você quer!” Outras expressões também lembram nossa cara colega: “Impreterivelmente!” e “Zero é nota!” são as mais frequentes.

Regina, Brengel e eu, parte de uma equipe do balacobaco!

Hoje é dia do professor. Nossa equipe é formada por André Antas, Carlos Henrique Ferreira, Claudia Bouman, Daniela Palma, Fernando Brengel, Maria Schochter, Christina Guerino, Marcelo Abud, Nelson Gomes, Dema Jorge Filho, Vânia Toledo Piza e euzinho (o lindo!).  Todos nós sabemos que junto com a poderosa Regina Cavalieri que tentei descrever aqui, há também aquela professorinha antiga, que sofre com os alunos, chora quando eles se formam e, sobretudo, é a mulher que tem paixão pelo que faz.

Todo o pessoal do Campus Marquês sabe que Regina é durona. Mas há sempre o dia de festa, de pura emoção. Nesta sexta, por exemplo, Regina capitaneou uma guerra de confetes; com muito barulho, serpentina e pirulitos. E foi com o espírito de festa e despedida da turma do atual oitavo semestre de Propaganda e Marketing que sai de lá para, em casa, terminar este texto para Regina, para todos os professores meus colegas e todos os grandes mestres desse meu Brasil.

Estádios, shows e distribuição de renda

O público de grandes shows já está habituado a associar música ao estádio do Morumbi. Agora o Palmeiras anuncia que entra na briga para disputar esses grandes eventos com o São Paulo FC.

Eric Clapton, no dia das crianças, aumentando a renda do São Paulo

Os números, sempre eles, são estimulantes para o Verdão: se o São Paulo chega a faturar R$1,2 milhão com um único show e em 2010 foram nove, isso equivale a receita de dez partidas de futebol. O Palmeiras, segundo noticiou o UOL, pretende arrecadar US$ 1 bilhão nos próximos 30 anos.

Shows no estádio do Palmeiras não são novidade. Eu, por exemplo, tive o privilégio de ver David Bowie no estádio do Palestra. Portanto, o que está sendo anunciado é a continuidade de um trabalho interrompido, já que todos os grandes shows, em tempos recentes, migraram para o Morumbi.

O aproveitamento de grandes estádios de futebol recebe críticas severas. Recentemente ouvimos, na Universidade, uma palestra onde uma profissional de futebol apontou problemas decorrentes do uso inadequado de nossos estádios. Eles ficam vazios e sem utilidade na maior parte do tempo. A desculpa mais comum costuma ser para proteger o gramado. Na realidade, o lance é grana. Quando entram grandes cifras, a proteção do gramado é balela. As reclamações quanto a qualidade do gramado do São Paulo são raras.

Os moradores da região do Pacaembu acabaram com os shows no estádio municipal. A população do Murumbi, sem o mesmo grau de mobilização, só aumenta a quantidade de reclamações decorrentes dos eventos no estádio local. O Palmeiras entra na briga, contando com a proximidade do Metrô e dos trens para o trânsito ágil do público. E o Corinthians; bem, vamos aguardar para saber se será lá a abertura da Copa e, um pouco mais, para saber o que virá depois.

Futuro estádio do Palmeiras, também para shows e similares

O que me levou a este texto foram duas notícias. A do Palmeiras e seus futuros shows e a outra, da FIFA, alardeando perdas com descontos nos ingressos dos jogos da Copa do Mundo. A entidade parece não respeitar a autonomia e as leis do país. Idosos e estudantes têm meia entrada garantida por lei. E a briga, parece, vai longe.

Essas grandes instituições, FIFA, São Paulo FC, Palmeiras e Corinthians só ganham: com ingressos, com patrocinadores, com direitos de imagem, com vendas de atletas e, além de canecas e camisetas, sabe-se lá o que mais.

Exceto pelo efêmera alegria de uma vitória em um jogo, um pouco maior quando é um campeonato, essas instituições com seus eventos geram distúrbios violentos e grandes congestionamentos, só para ficar em dois exemplos corriqueiros. Agora, qual a contrapartida? Se em cada jogo, ou show, os times e a FIFA enchem os bolsos, o que a cidade ganha além de contornar os problemas de trânsito e garantir a segurança entre torcidas?

Está na hora de a população cobrar dessas instituições uma ação que não seja exclusivamente comercial. Museus dão entrada livre um dia por semana para os cidadãos. Universidades cedem seus espaços para eventos da população de seus entornos. O que os grandes estádios podem fazer? Um dia de show, um jogo gratuito? O direito do time amador jogar lá, pelo menos uma vez ao ano?

Torcedores costumam perder o raciocínio diante da paixão pelo time. Não são os mais indicados para pensar em soluções. Nossos políticos, receando perda de votos, adiam discussões para depois. A única distribuição de renda advinda do futebol vem do fraco que alguns atletas têm por loiras. Não estaria na hora de que os milionários times da cidade pensassem um pouco na população?