As Canções de “Ramiro”

Um Presente Para Ramiro, a peça que segue em cartaz percorrendo diversos centros culturais paulistanos, tem música de Flávio Monteiro. É o terceiro projeto em que faço parceria com esse jovem compositor de São Bernardo do Campo. São dele as trilhas do Arte na Comunidade 3, na Baixada Santista e do Arte na Comunidade 4, no Vale do Paraíba. Em todos esses trabalhos Flávio assina também a direção musical.

Clique no link abaixo para ouvir a canção de abertura de Um Presente Para Ramiro.

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Da esquerda para a direita, Roberto Arduin, Neusa de Souza, Rogério Barsan, Conrado Sardinha e Isadora Petrin. A foto é de João Caldas.

Já certo de contar com o parceiro tenho escrito meus textos pensando e propondo letras que permeiam o enredo, ilustram cenas, contam outras e acrescentam elementos ao universo abordado. No caso de Um Presente Para Ramiro fizemos questão de resgatar alguns brinquedos simples, antigos e acessíveis economicamente. Gente de todas as idades curtem bilboquê, ioiô, boneco acrobata e tantos outros brinquedos que, no palco, são apresentados a Ramiro através da música, link que segue:

 

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Isadora Petrin, Roberto Arduin e Conrado Sardinha. Foto João Caldas

Ao idealizar a peça veio a personagem Miguel, o avô de Ramiro. Pessoalmente tenho ojeriza quando vejo colocarem a figura dos avós como aqueles que mimam os netos, desconsiderando a grande importância desses na vida de toda pessoa. Avós educam e amorosamente transferem conhecimento advindo da experiência e maturidade que o tempo propicia. O avô Miguel, chamado de Mestre Abuelo pelos netos, é criativo, carinhoso e brincalhão, sem deixar de lado a coparticipação na educação dos netos. Com Ramiro e com a neta Valentina, Miguel faz viagens de faz de conta, propiciando conhecimento e estimulando a imaginação das crianças. A música de Flávio Monteiro conta a fórmula dessa brincadeira.

Meu processo de trabalho com o Flávio Monteiro é simples. Eu escrevo o texto, proponho letras e, destas ele põe versos, tira versos, troca palavras… tudo em nome de uma tal de prosódia. De vez em quando rola uns impasses, mas em nome do equilíbrio entre letra e frase musical e pensando no bem maior que é a montagem entramos em acordo.

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Rogério Barsan e Neusa de Souza. Foto João Caldas

Em Um Presente Para Ramiro alertamos para os sonhos de nossos pais. Muitas vezes, interessados em realizar nossos desejos nos esquecemos que pai e mãe são seres humanos com vontades, sonhos e projetos. Os pais de Ramiro contam sonhos através de canções, links abaixo.

A trilha completa de Um Presente Para Ramiro, com as canções acima e outras, os temas instrumentais, estão neste link:

 

 

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Flávio Monteiro. Foto do arquivo da produção.

Interpretadas pelos atores que participam da montagem, a trilha sonora da peça conta com a participação dos seguintes músicos:

  • Daniel Maier – teclado
  • Fernando Brandt – contrabaixo acústico e elétrico
  • Flávio Monteiro – violão, guitarra e piano
  • Joachim Emidio – bateria
  • Gravação e edição de som – Cristofer Rezende e Xico Leite

Patrocinado pela Visa, “Um Presente Para Ramiro” é uma realização da Kavantan, Projetos e Eventos Culturais, Ministério da Cultura e Governo Federal.

Até mais!

Uma Estreia em Sapopemba

 

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Neusa de Souza, Roberto Arduin, Conrado Sardinha, Rogério Barsan e Isadora Petrin. Foto: João Caldas

Dia 12 próximo vamos estrear UM PRESENTE PARA RAMIRO em Sapopemba. São Paulo é uma cidade imensa e, por exemplo, só estive uma única vez em Jaçanã, nunca estive no bairro Cangaíba e o Grajaú continua sendo, na minha cabeça, citação de canção interpretada por Carmen Miranda. Não conheço o Sapopemba e lá vou eu, certamente “com a roupa encharcada, a alma repleta de chão”.

Eu estava com 26 anos quando Milton Nascimento gravou Nos Bailes da Vida, a belíssima canção feita em parceria com Fernando Brant. Tateando profissionalmente eu tinha um imenso desejo: seguir firme no propósito de que “todo artista tem de ir aonde o povo está”.  Havia começado assim, lá em Uberaba, com o grupo da Paróquia de Nossa Senhora das Graças, quando comecei a fazer teatro. Meu primeiro palco foram mesas encostadas umas nas outras e, tempos depois, percorríamos os bairros da cidade no Circo do Povo.  Depois vim para Santo André, no ABC, e o destino quis que meu primeiro trabalho fosse em palco e plateia improvisados na Vila Luzita.

Minha trajetória teatral tem estreias incomuns se considerarmos a carreira de autores e diretores nacionais. Sapopemba entra no capítulo em que já se encontram outras localidades.

Castanhal, no Pará, fica a 68 quilômetros da capital, Belém. E foi lá a estreia de VAI QUE É BOM, O CASAMENTO DO PARÁ COM O MARANHÃO, peça que fez extensa temporada em cidades dos dois estados do título.

Prata, no Pontal do Triângulo Mineiro, foi a cidade que recebeu a estreia de “O ATAQUE DOS TITANOSSAUROS”, abrindo a série de estreias do Arte Na Comunidade 2, com textos que escrevi, dirigindo montagens também em Canápolis, Ituiutaba e Monte Alegre de Minas.

Do litoral guardo com carinho um local aparentemente inusitado, a Casa de Frontaria Azulejada, onde estreamos “NENÊ CAMBUQUIRA, UM MINEIRO EM SANTOS” e depois fomos para praças públicas e escolas dos municípios de Praia Grande, Guarujá, São Vicente, Cubatão e, claro, a própria Santos. Em cada cidade uma estreia, um espetáculo diferente.

Pará, Maranhão, Minas Gerais, Baixada Santista, Vale do Paraíba… Sempre com Sonia Kavantan! Em projetos como o Arte na Comunidade há uma viagem preliminar, onde fazemos reconhecimento básico dos locais onde poderão ocorrer nossas apresentações. Com Sonia já estive em uma pequena cidade onde, sem restaurante, viajamos 50 quilômetros para um simples almoço. De outra feita, recordo a estradinha entre a linha de trem e o Rio Paraíba, uma ponte sobre o rio e, no outro lado, um salão onde encerraríamos o nosso trabalho na região. As estreias, no Vale do Paraíba, ocorreram em salas de aula das cidades de Cruzeiro, Lavrinhas e Queluz.

São muitos os teatros na região central da cidade e na Bela Vista, onde moro, há quantidade suficiente para que alguns entusiastas a chamem de Broadway Paulistana. Tendo já me apresentado na vizinhança, nunca estreei no Bixiga. Sabe-se lá o que nos reserva o futuro, por enquanto nosso destino é a Fábrica de Cultura de Sapopemba (R. Augustin Luberti, 300 – Fazenda da Juta, São Paulo – SP).

Sonia Kavantan, ao que tudo indica, não pensa em parar e muito menos eu. Para onde iremos da próxima vez? Deixa a resposta para depois. Toda nossa energia agora vai para Sapopemba! Para lá irão Rogério Barsan e Conrado Sardinha, com quem já dividimos outras praças e palcos e, também, Roberto Arduin, Neusa de Souza e Isadora Petrin, novos companheiros de jornada. Em Sapopemba cantaremos canções de Flávio Monteiro, que começou conosco trabalhando uma canção de Milton Nascimento, esse Milton que não me sai da cabeça à cada Sapopemba da minha vida: “Se foi assim, assim será, cantando me desfaço e não me canso de viver, nem de cantar”.

Até mais!

SERVIÇO:

“Um Presente Para Ramiro” será apresentado na Fábrica de Cultura  Sapopemba, dia 12 de outubro, às 16h30. ““Ramiro, ao completar 12 anos, aprende , com a ajuda da família, que para realizar os desejos e necessidades é necessário organização e planejamento. Com muito humor e com ajuda da imaginação e da tecnologia o garoto viaja no tempo e tem um aniversário bem diferente”. Classificação livre. Entrada Franca. 290 ingressos serão distribuidos gratuitamente uma hora antes do evento. Patrocinado pela Visa, “Um Presente Para Ramiro” é uma realização da Kavantan, Projetos e Eventos Culturais, Ministério da Cultura e Governo Federal.

 

A TURMA DE “UM PRESENTE PARA RAMIRO”

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Volta e meia me perguntam o motivo de estar sem escrever neste blog. – Muito trabalho, respondo. – Graças a Deus!  Agora está na hora de vir aqui e contar que temos novo trabalho teatral em fase final de montagem.

“Um Presente Pra Ramiro” é mais um capítulo da minha história ao lado de Sonia Kavantan, nossa produtora; reitera minha parceria com Flávio Monteiro que assina a direção musical, e entre artistas, técnicos e demais profissionais, promove reencontros e encontros muito especiais.

Lá de longe, sem nunca termos nos distanciado, volto a ter a participação de Octavio Cariello na minha carreira teatral. De longe também, quando só nos falávamos via redes sociais, veio  Flávio Amado, agora nosso assistente de direção, assim como lá da universidade, de um tempo em que foi minha aluna, veio o reencontro com a atriz Neusa de Souza.

De edições anteriores do Arte na Comunidade vieram os atores Conrado Sardinha e Rogério Barsan para contracenarem, em “Um Presente Para Ramiro”, ao lado de Roberto Arduin e Isadora Petrin, atores com os quais trabalho pela primeira vez. Somando experiência de vários trabalhos, da equipe da Kavantan, Projetos e Eventos Culturais, estão presentes Lilian Takara, Milka Beatriz e Thiago Barizon.

Até aqui a equipe com a qual trabalho diariamente. Nos falamos cotidianamente e convivemos algumas horas pessoalmente, outras tantas virtualmente. Há outros profissionais envolvidos que apresentarei brevemente. Neste primeiro momento optei pelos velhos parceiros e pela turma de todo dia, de horas intensas vivenciadas na sala de ensaio. Temos pensado e vivido “Um Presente Para Ramiro” com intensidade, com a ansiedade que um trabalho de porte exige e com a alegria e o prazer de estar em algo que amamos fazer.

Há muito por contar e é o que farei em próximos posts; acompanhe por aqui todos os detalhes e a programação da montagem.

Patrocinado pela Visa, “Um Presente Para Ramiro” é uma realização da Kavantan, Projetos e Eventos Culturais, Ministério da Cultura e Governo Federal.

Até mais!

Daquela manhã

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Naquele período o país vivia a Copa do Mundo, o campeonato que estava em pleno andamento na França. O futebol era o país. Tornava-me estrangeiro ao evitar o assunto; alienígena por deixar de assistir a um único jogo. A expectativa antes de cada partida, a tensão durante a mesma e a comemoração após a vitória aqueciam os frios dias de julho. Os torcedores alucinados, consumindo rios de cerveja antes e durante cada jogo, extravasavam a tensão dos noventa minutos em carreatas barulhentas e intermináveis; após cada vitória, a cidade, vestida de verde e amarelo, dançava ao ritmo de aplausos frenéticos, tremendo o solo pelos saltos descontrolados de cada torcedor, ensurdecida pelo espocar de fogos de artifício. Minutos de imensa felicidade a cada gol.

Passado o jogo, em meio à comemoração, iniciava-se a busca dos noticiários para rever cada lance e a cata dos jornais diários para ler mais, ter mais, esticar ao máximo a alegria proporcionada pelo time nacional. As crianças viviam à procura de figurinhas para completar um álbum, com todos os participantes do campeonato; adesivos plásticos, camisetas, miniaturas de plástico dos atletas, tudo relacionado com o local do evento, a França, e às diferentes equipes, principalmente a brasileira, era comercializado. Ao abrir a janela da minha sala deparava-me com uma imensa bandeira brasileira pintada sobre o asfalto. O principal símbolo nacional, estático na rua, tremulava hasteado no topo dos edifícios, em inúmeras janelas de apartamentos vizinhos.

Sempre assim no meu país: vive-se o futebol; consome-se futebol; tudo o mais fica para depois, absolutamente colocado em segundo plano. Eu já vivera outras copas; criança, ouvia os jogos pelo rádio e acreditava ser outro jogo, à noite, dias depois, quando a televisão passava o tape. Ocorriam-me também, às vezes, lembranças dos tempos de Garrastazu Médici; o que eu tinha vivido como adolescente tricampeão e o que vim a saber posteriormente…

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CAPA OFICIAL baixa

 

 

 

(O texto acima abre o segundo capítulo do meu romance “dois meninos – limbo” lançado pela Elipse, arte e afins. Quem estiver interessado em obter o livro pode entrar em contato aqui pelo blog https://valdoresende.com/loja/ ou via e-mail: valdoresende@uol.com.br . A foto acima, que ilustra este post é de Flávio Monteiro).

 

Até mais!

 

Nem roda-gigante escapa…

roda gigante
Foto: Flávio Monteiro

Notícia de vários jornais:  A Camex – Câmara de Comércio Exterior – zerou temporariamente o imposto de importação incidente sobre rodas-gigantes e carrosséis. A alíquota de 20% veio para zero. Que governo legal! Quer beneficiar os parques temáticos… foi o que li no dia 05/06. Só que também li outras coisas:

Em março foi anunciado a construção de uma roda-gigante em Fortaleza!

Aparecida do Norte – SP, terá a maior roda-gigante do Brasil (Esta é mais recente).

Camboriú também terá a maior roda-gigante do Brasil (quando ficarem prontas saberemos qual ficará mais alta)!

Faz um tempinho, anunciaram para São Paulo, capital, uma roda-gigante assinada pelos arquitetos da London Eye (O imenso brinquedo que é um dos atuais símbolos de Londres).

O Rio de Janeiro não ficaria de fora e, lá, a “Estrela do Rio” terá 88 metros e ficará no ex-boulevard olímpico.

A roda-gigante de Fortaleza será construída por uma empresa denominada AmuseBr…

Aparecida, aqui no Vale do Paraíba, é projeto associado ao Aparecida Shopping Partners…

A versão paulistana da London Eye, segundo li na coluna de Monica Bérgamo, será construída por um grupo do qual a coluna cita dois integrantes: Charlles Nogueira e Aroldo Camilo.

Este Charlles Nogueira que está no grupo “paulistano” é fundador da AmuseBR, que venceu o edital em Fortaleza…

Admiro esses empresários que conseguem zerar impostos para conseguir importar seus brinquedinhos – máquinas de fazer dinheiro. Admiro mais ainda o temporariamente, da Camex, que logo que essas gigantes rodas ficarem prontas cortará o barato ou tornará mais caro alguma investida de possíveis concorrentes.

Admiro, para os incautos, foi usado no sentido de assombro, estranheza.

Não é fantástico ter uma câmara que se preocupa com o investimento de grandes empresários e beneficia esses livrando-os de impostos?

Realmente, fico admirado!

Até mais!

Entre Reis e o Carnaval

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Que tempo é esse, entre os Reis e o Carnaval? (Foto: Flávio Monteiro)

Passado o dia de Reis, 2017 é página virada. Bem verdade é que ainda falta o carnaval para que 2018 comece. Resta saber que tempo é esse, entre os Reis e o Carnaval onde, com muito receio constatamos o pouco que é mudar data, mês, dia ou ano. Tantos bons augúrios desejados para o país, para todos os habitantes… Junte-se muitas doses da bebida preferida às boas intenções e até inimigo foi agraciado com o desejo de um feliz ano novo. No entanto…

Deseja-se tanto em dezembro que a virada do ano e o subsequente quase nada diferente nos deixa com uma sensação de frustração, incerteza, vazio. Parece reprise as notícias de impostos, as chuvas, as tramoias políticas visando eleições; e omissões, várias, de todos os tipos como o que ocorre com a chamada grande imprensa que, por exemplo, deixou de citar a primeira dama, jogando a bela loira num ostracismo inquietante? Omissão leve esta, mas é começo de ano; vamos devagar.

A sensação de mesmice deste janeiro está maior que as anteriores? Não sei se pelas chuvas, se por não estar viajando em férias, ou se pela vinheta de carnaval da “globeleza”, feita de tal forma que parece que usaram sobras da anterior. Também por que há praias cheias, chuvas, aumento de tarifas… Mesmice! Outros dirão que está pior, dado à quantidade de gente duvidosa assumindo ministérios e outros cargos… Todavia, é histórico: quando não tivemos criminosos em cargos públicos?

Há tanto para dizer que mudou quanto para afirmar que permanece a mesma coisa. E essa constatação que se repete nesse tempo, entre Reis e Carnaval, não é para pessimismos drásticos muito menos otimismos obsoletos. É um lento balde de água pós carraspana de virada do ano, pelos excessos das festas, para que todos coloquem os pés no chão e continuem, como sempre, na luta por melhores dias, melhores tempos.

Tudo vai continuar. Tudo vai mudar. Tudo vai dar certo, é só esperar o carnaval passar… Ou não! É o que diria Caetano Veloso (Muito bom citar Caetano!).

Até mais!

 

Leminski

cruzeiro (2)

a noite – enorme

tudo dorme

menos teu nome

(Paulo Leminski)

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E o tempo escoa breve, como haicai

Crédito da foto: Flávio Monteiro

Até mais!