Francisco

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Quanto já foi escrito e dito desde a eleição do Papa Francisco? Certamente o suficiente para vislumbrar uma ideia da importância da Igreja Católica neste planeta. Há manifestações de diferentes tipos; uns louvam e saúdam o novo Pontífice e, o outro lado, tece críticas pesadas. Como a primeira ação de um Papa é a escolha do nome, devo afirmar que fiquei contente. Por Francisco de Assis, por Francisco Xavier (O Jesuíta), ou ainda na suave lembrança de Francisco Cândido Xavier. Sendo mineiro, tenho afeto pelo Velho Chico, o rio e, sem querer blasfemar, admiro profundamente o senhor Francisco Buarque de Holanda. Agora, as noticias confirmam a escolha ter sido em lembrança ao Santo de Assis.

Quando jovem sonhei ser Franciscano. Coleciono biografias de São Francisco e, uma vez na Itália, fui ao país com a condição de visitar a cidade de Francisco e Clara. Foi uma aventura, na companhia de minha irmã Walcenis, sob frio e chuva, com a mágica aparição do sol quando chegamos à Igreja de Santa Clara. Tenho em casa uma pintura da imagem de São Francisco, cópia de um original de Giotto, recriado pelo meu amigo Gilberto Falioni. Além de uma fotonovela, guardo vídeos e uma cópia do filme “Irmão Sol, Irmã  Lua”, de Franco Zefirelli.

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Francisco de Assis é a concretude do desapego, o absoluto da simplicidade, a confiança máxima na providência divina. A vida do moço rico que deixa tudo para servir ao próximo é no mínimo instigante. Para quem, como eu, que cresceu na esteira dos anos de 1960 sendo adepto do “Flower Power”, recusando a violência e fugindo do consumo desenfreado, a figura de Francisco de Assis foi síntese de um momento em que uma das máximas era a oração em forma de  poesia:

Senhor

Fazei-me um instrumento de vossa paz

Onde houver ódio que eu leve o amor

Onde houver ofensa que eu leve o perdão…

Desejo, para o atual Papa, coerência com o nome escolhido. Já que ele teve a coragem de assumir tal nome, que seu pontificado tenha como norteador máximo a vida dos santos, seja Francisco de Assis, seja Francisco Xavier, ou mesmo, repito, Francisco Cândido Xavier. Olhando de perto a vida desses homens fica muito fácil perceber a extraordinária capacidade de doação de cada um deles e a enorme dificuldade em assumir a vida com tamanha humildade, caridade; uma fé que, de tão imensa, transforma homens simples em sinais da presença divina sobre nosso planeta.

O mundo está muito distante de um ideal franciscano; estou longe demais do modo de vida assumido pelo Santo de Assis e vislumbro as dificuldades de Francisco, o Papa, em viver tal vida em meio ao Vaticano. Todavia, vou torcer pelo êxito da empreitada e, tomara que esse primeiro Francisco, Papa, consiga um pouco do que o Santo de Assis nos propiciou. Uma pequena porcentagem da vida de Francisco de Assis, dentro de qualquer igreja, já provocará uma profunda revolução.

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Bom final de semana para todos.

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O primeiro contato

Em algum momento, quase sempre imperceptível, duas pessoas estabelecem “o” contato. Algo além do desejo físico, da mera atração ou dos interesses materiais de qualquer ordem.

O contato referido não precisa ser no primeiro encontro; pode ocorrer bem depois desse e, para um grande número de pessoas pode ser o único. Quando esse contato acontece nos damos conta que o tipo físico é secundário. Que as características descritas pelos astrólogos não contam e, para aqueles que acreditam em ciganas e similares, ninguém recorda as previsões nas cartas, nos búzios, nas linhas das mãos.

Quando estabelecemos contato, sentimo-nos diante do total desconhecido e, com segurança ou com receio, nos entregamos, pois a única coisa que intuímos é que aquele momento, aquele encontro, é irreversível. Parece que foi pré-estabelecido, predestinado. É, para muitos, manifestação do destino; para outros, resgate de outras vidas onde, em lugar indeterminado, dois seres marcaram encontro para esta existência.

Sendo dia dos namorados, fica estabelecido que penso em grandes afetos, paixões ternas, amores profundos, sensações arrebatadoras. E depois de um dia cheio de tantas coisas, muitas delas de preparativos para comemorações e reafirmações de afetos entre pessoas apaixonadas, minha sugestão é essa: buscar e tentar reviver a magia do primeiro contato.

Não o instante do esbarrão, da apresentação desinteressada por alguém, do encontro inesperado ante a condução perdida, mas o instante do primeiro olhar, daquela faísca que conduziu uma sensação indefinida até ao coração e, chegando lá, explodiu em euforia e certeza, fazendo-nos admitir: estou apaixonado! Que todos possam reviver esse instante, abraçadinhos nessa noite fria de junho, ou no calor de algum outro lugar desse nosso Brasil.

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Até mais!

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Nota:

As imagens acima são do filme Romeu e Julieta, dirigido por Franco Zefirelli.