Uma vassoura no palco de Sua Majestade!

Corre por aí a crença de que garis são “o mais baixo da escala de trabalho”. Boris Casoy que o diga! No entanto, nós não precisamos de rainhas nem de apresentadores de telejornais tanto quanto precisamos de garis e coletores de resíduos na limpeza de nossas cidades. Segundo uma especialista no assunto, amiga deste que vos escreve, cada pessoa produz diariamente, em média, 700 gramas de lixo. Se tudo for direto para as ruas, sem nada de coleta seletiva, as cidades levariam cerca de três dias para entrar em colapso. Assim, agradeçamos profundamente aos garis que garantem a higiene de nossas cidades.

Na abertura das Olimpíadas de Londres tivemos a presença de Sua Majestade, devidamente escoltada pelo seu agente mais famoso, o fictício 007. Referência de uma Inglaterra que dominou boa parte do mundo através de seus reis e de sua força bélica. No encerramento dos jogos o Brasil chegou maneiro, com a suave presença de Renato Sorriso; digno representante de nossa gente simples. Nossa origem é humilde e são raros aqueles que ainda ostentam título de nobreza na terra brazilis; mas somos de uma simpatia contagiante, de um gingado inigualável e temos de sobra o que falta na maioria dos monarcas: alegria e samba no pé!

Provavelmente, por andarmos com a cabeça cheia de pensamentos tipo “mais baixo da escala”, tenhamos deixado a humildade de lado. Tanto é que não valorizamos devidamente nossos atletas. Hoje, por exemplo, dois caminhões do Corpo de Bombeiros subiram a Avenida Brigadeiro Luis Antônio levando nossas campeãs de vôlei. Merecida homenagem para as meninas de ouro. No entanto, não ha a mesma festa para a prata, o bronze.  Dizer que todos os premiados, todos os classificados merecem nosso respeito, nossa admiração, é repetir o já dito. Todavia, enquanto a situação não melhorar, vamos insistir dizendo e escrevendo. Tenhamos a humildade em aceitar outra colocação que não seja a primeira na escala olímpica.

O Reino Unido, anfitrião da grande festa, chegou ao final com 65 medalhas. Um olhar sério sobre a realidade indica que o Brasil, nas Olimpíadas do Rio de Janeiro, pode não ir muito além das 17 medalhas conquistadas em Londres. Não se trata de estabelecer diferenças entre cetros e vassouras, mas de quantificar os investimentos de cada país; e os escândalos entre os dirigentes das duas nações. A rainha, parece, está fora da corrupção que possa haver na Inglaterra; não podemos afirmar o mesmo dos nossos dirigentes, por razões mais que óbvias: dezenas deles ainda estão nos bancos dos réus.

É utópico sonhar que a vassoura de Renato Sorriso limpe a corrupção do país. As vassouras de nossos garis não tem a força do cetro da rainha; mas, esses singelos instrumentos podem assinalar um desejo,  uma intenção, um compromisso: que em 2016, nas Olimpíadas do Rio de Janeiro, tenhamos mais resíduos sólidos que lixo moral.

Somos um povo simples; temos familiaridade com vassouras, ancinhos, pás e o que mais se faz necessário para a higiene de nossos lares, nossa terra; aos poucos, vamos tomando ampla consciência das leis e do que é fundamental para que nosso país seja totalmente limpo. Uma vassoura real e uma ideal. Disso carecemos. Tomara que as atitudes venham e que assim, melhor higienizados física e moralmente, possamos receber dignamente os próximos jogos olímpicos.

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Até mais!

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Diplomatas em cordel

No final do ano fui presenteado por Cadu Blanco com alguns folhetos de literatura de cordel. Quando um professor ganha um presente desse tipo – algo genuinamente representativo da cultura brasileira – pensa: “- nem tudo está perdido!”. Muito bom saber que um jovem universitário paulistano tem interesse por essas manifestações e, entre nós, fico feliz quando sou identificado como apreciador dessas formas artísticas.

Folheto de Cordel
Diplomatas brasileiros como tema para a poesia de cordel

Quem já visitou uma feira nordestina, dessas bem típicas, pode ter tido a sorte de ver, bem de perto a ação de um poeta de cordel. O sujeito apregoa loas sobre seu homenageado da hora, declama partes do texto, estimulando o público a comprar o folheto de cordel.

Um registro dessa ação, em outra forma artística, pode ser vista na peça teatral “O Pagador de Promessas”, também levada ao cinema e, portanto, disponível em vídeo. Na peça, Dedé Cospe-Rima é um personagem, criado por Dias Gomes, que transita pelos arredores da Igreja. Como bom poeta-comerciante, expressão do teatrólogo, Dedé vende o “ABC da Mulata Esmeralda” e outro folheto, notadamente bem humorado: “O que o cego Jeremias viu na Lua”.

Fui presenteado com cinco biografias. Uma do cordelista Chico de Assis, “Augusto Frederico Shmidt – um autêntico brasileiro”. As quatro restantes de Crispiniano Neto: “Rui Barbosa”, “Alexandre de Gusmão, Gênio e Herói Brasileiro”, “Barão do Rio Branco” e “Gilberto Amado”. Para quem conhece um pouquinho sobre essas personalidades históricas brasileiras, sabe que elas estão ligadas ao universo da diplomacia nacional. Daí não estranhar que esses folhetos tenham sido publicados pela Fundação Alexandre de Gusmão que é ligada ao Ministério das Relações Exteriores.

Dois exemplos da poesia de cordel

Impossível não pensar que seria óbvio que os folhetos fossem publicados pelo Ministério da Cultura ou da Educação? Bom, o Ministério das Relações Exteriores está envolvido com, por exemplo, dois grandes e próximos eventos: A Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos. Eu espero, sinceramente, que seja para os eventos esportivos, seja para outros, como a Feira Internacional do Livro de Frankfurt (em outubro deste ano), o Ministério das Relações Exteriores inclua entre os brindes, os mimos que fará aos nossos convidados, ou àqueles que nos receberão na Alemanha, um kit com os folhetos de cordel.

Na América do Norte não sei, mas tenho certeza que os europeus reencontrarão uma velha fórmula, já que o cordel tem origem lá, no Renascimento, tendo se popularizado a partir do surgimento da impressão por tipos móveis. As histórias contadas e cantadas em versos populares sempre encantaram o mundo e, quem sabe, esta não seja uma ótima oportunidade para a popularização do cordel brasileiro?

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Boa semana para todos!

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