Entre livros

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Com amigos, autores de “Um Profissional para 2020”.

Festa de aniversário; a amiga aproveita para mostrar a casa nova aos parentes e convidados; tudo novinho, arrumado com capricho. Passando pelo quarto da anfitriã há um livro no criado mudo ao lado da cabeceira; é o meu romance, “dois meninos”.  Fiquei lisonjeado e feliz. Tudo o que um escritor quer é ser lido e livros devem ficar nos lugares mais confortáveis e aconchegantes.

Também tive na infância e adolescência o quarto e minha cama como locais ideais para leitura. Mais! Era no quarto que dividia com meu irmão mais velho que ficava a estante da casa; enorme, o espaço dividido entre os cinco irmãos. Além dos livros escolares havia romances, os livros de viagem, religiosos, e dicionários. Um volume de O Guarany, edição da José Olympio nunca me saiu da lembrança. Nem outra, do Grande Sertão, Veredas, do Guimarães Rosa. Havia toda a coleção de Jorge Amado e muitos outros, esparsos, de diferentes autores.

A biblioteca do SESI, lá na Praça Frei Eugênio, em Uberaba, foi onde me associei e onde emprestava todos os livros solicitados na escola. Líamos bastante. Desde então comecei a apreciar Fernando Sabino, Cecília Meireles, Tomás Antonio Gonzaga. Também li Hemingway, Dickens, Jane Austen e muitos outros; a leitura foi um dos melhores hábitos adquiridos naquele tempo.

Anos depois uma primeira grande festa, o lançamento de Alterego. E eu passei a ter um livro pra chamar de meu, de nosso já que estava entre outros autores. Passou um pouco e organizei Um Profissional Para 2020, mais um passo na caminhada literária. E veio o romance “dois meninos – limbo”.  Meu livro! Outros virão. Individualmente, ou com amigos. O que é impossível é não estar escrevendo, lendo… Continuamente entre livros.

Livros continuam fundamentais, embora seja impossível ignorar as novidades virtuais; assim, já acumulo arquivos eletrônicos com textos diversos. Todavia prefiro o papel impresso, o cheiro inconfundível de livros novos, ou de outros, que somam o tempo em páginas amareladas com odor “de armário”.  Sobretudo gosto de vê-los, tê-los como companheiros de horas de lazer, de trabalho. Preciso tê-los organizados para, em momentos precisos, contar com os mesmos como se conta com um velho e querido amigo.

Estou sempre entre livros. Ultimamente intensifiquei estudos sobre ensino de gêneros literários, para meu novo curso, Processos de Criação na Escrita. Nesta semana volto a trabalhar com meu romance, “dois meninos – limbo”, no 2º Bate-papo com Autores/Editoras de Literatura LGBT, evento que antecede a Parada do Orgulho LGBT. Estando com eles, entre eles, estou bem. Nestes dias frios, um livro, um bom copo de vinho, são companhias irrecusáveis.

Até mais!

Nota: Na foto acima, da esquerda pra direita, Fernando Brengel, Valdo Resende, Vania Maria Lourenço Sanches, Claudia Regina Bouman Olszenski, Victor Olszenski e Vania de Toledo Piza.

Passeios e livros… de quem?

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Maria Bethânia – foto divulgação.

Domingo passado fui, pela primeira vez, caminhar na Avenida Paulista. Estava cheio de gente, contrariando o político que fotografou o local em dia de chuva. Um passeio simples, barato e que humaniza a região.

Para quem não é de São Paulo: a prefeitura municipal, após criar espaços específicos para ciclistas na Avenida Paulista, resolveu suspender o tráfego de veículos no local durante os domingos. Celeumas à parte, o morador da região agradece. E, parece, também estão contentes muitos habitantes de toda a cidade e os turistas, interessados em visitar o Masp, o Instituto Cultural Itaú, entre outras atrações disponíveis na Paulista. Todo mundo pode passear por lá passeiam com filhos e animais de estimação.

Lanchonetes e restaurantes estão cheios, mesmo com os preços altíssimos. O entra e sai dos shoppings é intenso e eu me dei conta que ainda não entrei no mais recente templo do consumo da Paulista. Passando pelo local recordei o palacete dos Matarazzo, Maysa e toda uma São Paulo que só a história conta. Meu consumo é outro e, aproveitando o momento, fui atrás de livrarias…

Dois dos mais celebrados locais de comércio de livros, a Livraria Cultura e a FNAC estavam movimentados e em ambos uma frustração. Os atendentes com quem falei desconhecem que Maria Bethânia lançou um Caderno de Poesias. Você solicita e os atendentes, que parecem não distinguir Bethânia de Anitta voltam com um DVD em mãos. “– Querido, te pedi o livro, não o DVD!” Resumo da ópera: As duas livrarias mais concorridas da Avenida Paulista não têm o livro de Bethânia para vender.

Maria Bethânia tem alguns milhões de fãs, um público fiel que frequenta seus shows além de comprar CDs e DVDs. Os profissionais de compra das livrarias citadas não sabem disso? Se tais empresas deixam de oferecer um livro elaborado por uma cantora reconhecida internacionalmente pela divulgação da poesia em língua portuguesa, o que pode esperar um autor desconhecido como este, aqui, redigindo este texto?

CAPA OFICIAL baixa

Com muito trabalho consegui disponibilizar “Dois Meninos – Limbo” em algumas livrarias (Saraiva e Martins Fontes). Infelizmente já recebi reclamações de pessoas que foram procurar o romance nesses locais e vendedores disseram que não havia tal livro… Fiquei irritado, quis brigar, mas neste domingo, na verdade, achei graça e saí rindo pela avenida, imaginando Maria Bethânia entrar na Cultura e encontrar o rapaz com expressão de imbecil, questionando a cantora: – livro de quem, mesmo?

Até mais!

Observações:

 

1 – O livro “Caderno de Poesias” de Maria Bethânia é parte da comemoração dos 50 anos de carreira da cantora; contém textos da própria e outros, escolhidos e interpretados em shows por todo o Brasil e no exterior.

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Entre os autores selecionados por Bethânia estão Fernando Pessoa, Guimarães Rosa e Castro Alves. O lançamento é da editora UFMG.

2- Passeio virtual: O blog está de cara nova. Além dos posts habituais, outras páginas estão disponíveis. Faça um tour e deixe sua opinião. Muito obrigado. Valdo Resende.