Joubert, Maringá e Ramiro

Desconheço atualmente  o quanto Joubert de Carvalho é lembrado nas salas de aula uberabenses. Tive a sorte de ter Maria Ignez Prata como professora e foi ela que nos ensinou a cantar “Maringá”. Faço parte de uma geração que aprendeu também a respeitar e ter orgulho desse compositor que, nascido em Uberaba, imortalizou-se com uma obra plena de brasilidade.

Maringá lembra as secas terríveis que assolaram nosso país e que obrigaram milhões de brasileiros a abandonarem a própria terra, retirantes que deixaram família e amores em busca de melhores oportunidades. Com graça e leveza, Maringá sintetiza a história de muitos.

Extensa, a obra de Joubert de Carvalho aborda outros aspectos. Desde 1930 que não há carnaval sem “Pra Você Gostar de Mim”, a Taí de Joubert que tornou Carmen Miranda nacionalmente conhecida. O compositor teve parceria notável com o poeta Olegário Mariano em “Maringá!”. Também “Cai, cai, balão” e “Tutú Marambá” estão entre os poemas tornados música, estabelecendo a parceria que ainda fez outro marco na canção brasileira, o cateretê “De papo pro ar”, que aprendi a amar na voz de Inezita Barroso.

Não sei quando soube da existência da cidade, a Maringá do Paraná, que assim foi chamada por conta da música de Joubert de Carvalho. Está no dicionário Cravo Albin: “”Maringá”, era muito cantada  pelos caboclos que desbravavam a mata virgem para  construir uma nova cidade no  Paraná, e quando a Companhia de Melhoramentos do Norte reuniu-se para  definir o nome que seria dado à cidade, a Sra. Elisabeth Thomas, esposa do presidente Henry Thomas, sugeriu que a composição desse nome à cidade”.

Sempre pensei em conhecer Maringá. Entretanto, meu trabalho chegará primeiro. A peça “Um presente para Ramiro” fará temporada na cidade com doze apresentações (Ver abaixo os locais, datas e horários). Nossa produção está fazendo um trabalho primoroso e o trabalho já está sendo divulgado em jornais locais, emissoras de tv e, também, por personalidades da cidade via redes sociais.

UM PRESENTE PARA RAMIRO 2 - DNG
Conrado Sardinha (Ramiro) Roberto Arduim (Miguel) e Isadora Petrin (Valentina) em registro de João Caldas Filho.

Sendo uberabense, não tenho o talento de Joubert de Carvalho, mas garanto a qualidade de meus parceiros nas canções, nos figurinos, cenário e demais aspectos da montagem e produção da peça, assim como estou representado por uma trupe de atores formidáveis. É por isso que, acredito, algumas crianças maringaenses gostarão de Ramiro tanto quanto vários meninos mineiros se apaixonaram pela moça Maringá, tão bonita que virou cidade.

Até mais!

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Ao centro, Neusa de Souza e Rogério Barsan completam o elenco da peça. Foto: João Caldas Filho.

UM PRESENTE PARA RAMIRO

(Peça em um ato de Valdo Resende)

– PROGRAMAÇÃO EM MARINGÁ – PR

18/11 – Parque do Ingá – 10h30 e 15h

19/11 – Teatro Reviver – 10h e 15h

20/11 – Casa da Cultura Alcidio Regini – 10h e 15h

21/11 – CEU das Artes – 13h30 e 15h

22/11 – FLIM (FESTA LITERÁRIA DE MARINGÁ) – 9h30 e 14h

23/11 – FLIM – 9h30 E 14h

 

A entrada é franca. “Um presente para Ramiro” é uma realização da Kavantan & Associados – Projetos e Eventos Culturais, com patrocínio da Visa e da Lei Federal de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura e do Governo Federal e apoio da Secretaria Municipal de Cultura.

Quatro cidades do Pontal de Minas

quatro cidades
Da esquerda para a direita, Canápolis, Ituiutaba, Monte Alegre de Minas e Prata.

Penso mapas como grafias que materializam nosso belo e imenso planeta e, dentro deste, a concretização abstrata de algum lugar, alguma cidade.  Desde sempre olho para o mapa do Brasil e meu olhar é atraído primeiramente para Uberaba; lá fica a cidade onde nasci e onde estão meus familiares. O ponto que significa Uberaba é a própria cidade e também é o signo precioso que, magicamente, guarda as pessoas que amo.

Os mapas, disponíveis para todos,tornam-se objetos particulares. Estabelecer um roteiro sobre um mapa é, com certeza, a primeira etapa de uma viagem. Visualizamos possibilidades e sentimos crescer expectativas imaginando o caminho, o tempo que levaremos de um ponto a outro. Outro passatempo é refazer trajetos, tracejar sobre um mapa os caminhos já percorridos nesse mundão de Deus. Um mapa ainda é sempre um meio de registro de nossos avanços, novas conquistas, outros lugares que passam de simples ponto a significado ímpar em nossas vidas.

Há pouco tempo que quatro cidades entraram para o meu mapa pessoal. Não que essas não existissem. Apenas não as conhecia e nem havia estabelecido qualquer relação mais próxima. Ouço os nomes de Canápolis, Ituiutaba, Monte Alegre de Minas e Prata desde criança. Canápolis, por exemplo, é a segunda rua paralela à Avenida Elias Cruvinel, no meu querido bairro Boa Vista, em Uberaba. Passava sempre por lá. Ituiutaba, meu amigo Victor Olszenski sempre recorda, é a terra de Moacyr Franco, o querido cantor e humorista.  Monte Alegre sempre esteve em assuntos e lembranças de meu pai e Prata, mais que uma cidade, é a referência de uma grande família em Uberaba que teve, entre seus membros, minha inesquecível professora Maria Ignez Prata.

Com o projeto ARTE NA COMUNIDADE 2 essas cidades entraram intensamente no meu cotidiano. Fui com meu irmão Agostinho conhecer todas elas, iniciando uma profunda pesquisa que prosseguiu por livros, jornais e sites. Voltei em cada uma delas na companhia de Sonia Kavantan e agora estamos ultimando preparativos para o lançamento do projeto, marcado para abril próximo.

Canápolis é a mais jovem das quatro cidades. Sinto nela uma vocação para as artes, para manifestações culturais diversas. Ituiutaba tem perfil de metrópole e já demonstra isso em seu comércio intenso e diversificado; suas ruas são movimentadas e suas praças, arborizadas, são receptivas e acolhedoras. Monte Alegre tem histórias incríveis, criadas por imaginação fértil; mas são aspectos da história real que testemunham a importância estratégica da cidade, local por onde passou tropas do exército brasileiro que lutaram na Guerra do Paraguai. Prata é a mais antiga de todas. O Triangulo Mineiro começou com Araxá, Uberaba e depois veio o município do Prata. Desde tiveram origem várias outras cidades e, ainda assim, continua sendo, em extensão territorial, o maior município da região.

Contaremos muito sobre essas cidades nas “Histórias do Pontal de Minas”, evento que é parte do projeto ARTE NA COMUNIDADE 2. Quatro pequenas montagens celebram os contadores de histórias, ao mesmo tempo em que pretende incentivar aos mais novos esse gostoso hábito do mineiro contador de causos. A abertura do projeto será em praça pública, prosseguindo nas escolas do município que serão os locais onde efetivamente concretizaremos o objetivo primordial do projeto que é facilitar ARTE NA COMUNIDADE. Após as incursões nas escolas ocorrerão novas apresentações públicas, em cada uma das cidades, encerrando o projeto.  Oportunamente voltarei aqui para registrar os detalhes de datas e horários dos eventos em cada uma das cidades. Por enquanto estamos indo fundo na história, nas pessoas e nos mapas de cada um desses locais. Vamos descobrindo locais, conhecendo melhor outros, acrescentando informações necessárias ao bom êxito das nossas ações para que possamos apresentar um trabalho digno dessas simpáticas cidades.

Boa semana para todos.

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 Nota: O ARTE NA COMUNIDADE 2 tem o patrocínio da ALUPAR e foi aprovado pela Lei Rouanet.

Dema conta Inezita Barroso

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São Paulo era uma cidade estranha para a criança que não conhecia a capital, mas que ouvia atentamente a música “Lampião de Gás”, com Inezita Barroso. Lá em Minas a gente pulava corda, brincava de roda e nossos amigos não atendiam pelos nomes Benjamin, Jagunço e Chiquinho; tinham outros nomes e, felizmente, eram muitos.

A gravação de Lampião de Gás que ouvíamos em casa dos avôs era pomposa, Inezita acompanhada por uma grande orquestra. Linda! Acho mesmo que foi ouvindo aquela música triste, melancólica, que passei a gostar da cidade. A composição de Zica Bergami é marcante na carreira de Inezita, tanto quanto outra canção, também triste: Maringá, que era cabocla e virou uma cidade que ainda não conheço. A música fala de separações por conta de uma seca. O autor, Joubert de Carvalho, nasceu em Uberaba. Aprendi a canção com minha professora primária, Maria Ignez Prata. Depois, fiquei mais admirado ouvindo a voz triste de Inezita ao interpretar a música.

Joubert de Carvalho teve outra canção de sucesso gravada pela cantora. “De papo pro ar”, parceria dele com o poeta Olegário Mariano. Já naquela época eu achava ótimo pensar que “se compro na feira, feijão, rapadura, pra que trabalhar?” Mas, também matutava: sem trabalhar, onde o dinheiro para as compras? Talvez “pescando no rio, de jereré…” Sei não. O certo é que ficar “De papo pro ar” nunca foi ruim.

De todas as canções gravadas por Inezita, a preferida de meu pai era a “Moda da Pinga”. A “marvada”, criada Ochelsis Laureano e Raul Torres, recebeu interpretação definitiva de Inezita Barroso. Eu sempre imagino a cena da moça voltando para casa “de braço dado com dois soldados, ai muito obrigado!”. E não consigo pensar em outra intérprete para essa “moda”.

Tenho vivido ouvindo Inezita Barroso. Uma entrevista aqui, uma reportagem ali e fui somando informações sobre a cantora de voz poderosa e personalidade ímpar. Agora chegou a hora de saber um pouco mais sobre a vida dessa grande artista.

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Valdemar Jorge, o nosso Dema

Valdemar Jorge, a quem tenho o privilégio de denominar Dema, é daqueles sujeitos donos de uma simpatia imbatível; um profissional competente com quem convivi por mais de uma década e que já me propiciou, entre outras coisas, estar na platéia na festa do aniversário de 30 anos do “Viola, Minha Viola”, o programa comandado por Inezita Barroso.

Dema trabalhou durante muitos anos na TV Cultura, tornando-se colega e amigo da cantora. Fruto saboroso dessa convivência é o livro que será lançado na próxima segunda-feira, 17 de dezembro. Em “Inezita Barroso, com a espada e a viola na mão”, Dema conta a trajetória da cantora. O livro é parte da coleção Aplauso, editado pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo.

Sempre, na universidade onde trabalhamos, tive em Dema o parceiro de “causos” e muitos “papos” sobre as artes no Brasil. O cidadão Valdemar Jorge, querido Dema, vive cultura; é participante da arte que se faz em São Paulo e, por isso, escreve, ou melhor, conta com propriedade; Estou orgulhoso e feliz pela concretização de um projeto sobre o qual conversamos bastante.

Pela certeza da competência do Dema, e pela admiração ao trabalho primoroso de Inezita Barroso, afirmo que este é um dos lançamentos mais importantes do ano. Na carreira profissional de Inezita Barroso temos, entre outros fatos, a vida do caipira paulista, as expressões musicais singelas e puras do cancioneiro regional do Brasil. Ela é parte essencial da nossa história, agora devidamente registrada pelo Dema, o Valdemar Jorge.

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Até lá!

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Nota:

O lançamento será no MIS – Museu da Imagem e do Som. Avenida Europa 158, São Paulo – SP, 19h00. Com “Inezita Barroso – Com a espada e a viola na mão”, serão lançados mais 10 outros livros sobre personalidades da cultura brasileira.

Mestre, os nossos, para relembrar sempre

Meus mestres; melhor nossos, porque ensinaram para centenas, talvez milhares de outros.  Dia de homenagear e por isso devo escrever nossos mestres também pensando naqueles que por aqui passam e que tiveram professores. Mestres, os nossos, são pessoas que só palavras de poeta lembram corretamente…

Fernando Pessoa, mestre entre poetas

Mestre, meu mestre querido!

Coração do meu corpo intelectual e inteiro!

Vida da origem da minha inspiração!

Mestre, que é feito de ti nesta forma de vida? (1)

Como definir, escrever corretamente sobre as primeiras professoras? O certo é que elas estão aqui, em meus pensamentos, gravadas em minha alma. O “a” escrito na lousa pelas mãos de D. Zilda; um modo de ser sugerido por Maria Ignez Prata com voz suave. Duas das primeiras mestras, inesquecíveis, que povoaram minha infância com visões e certezas traduzidas em mais versos.

Meu mestre e meu guia!

A quem nenhuma coisa feriu, nem doeu, nem perturbou,

Seguro como um sol fazendo o seu dia involuntariamente,

Natural como um dia mostrando tudo… (2)

Era imenso o abençoado distanciamento que aqueles tempos permitiam (Jamais chamei de tia ou tio um professor!). Assim, com respeitosa distância, tinha meus mestres no lugar que lhes é devido: de um ponto elevado onde é a posição de um guia.

Quando penso em literatura recordo as primeiras leituras semanais exigidas por D. Terezinha (Rita Terezinha de Castro). Parecia que ela não fazia outra coisa exceto ler nossas fichas de leitura, redigir comentários e pensar nos próximos livros, nos próximos trabalhos. Não me recordo de ter prazer, nem de sentir que ela tinha grande prazer no que fazia. Recordo que ela fazia com que escolhêssemos trechos preferidos e, assim, guardei e trago na memória o que aprendi a admirar em literatura.

Verdes mares bravios de minha terra natal, onde canta a jandaia nas frondes da carnaúba;

Verdes mares, que brilhais como líquida esmeralda aos raios do sol nascente… (3)

Maria Ignez Prata e Décio Bragança: Mestres inesquecíveis.

Com Décio Bragança aprendi a gostar de literatura. As aulas do professor Décio levaram-me a colecionar poesia, a eleger preferidos entre escritores e seus feitos. A noção de que história é coisa viva obtive com as aulas de literatura ministradas por aquele jovem, ainda franciscano na maneira de ser. Agora, buscando notícias desses mestres na internet, encontrei esta entrevista publicada no Jornal da Manhã, de Uberaba. Foi como estar novamente na sala de aula, vendo a maneira franca e direta de Décio dizer as coisas.

Já escrevi (clique aqui) sobre Maria Ignez Prata e da importância que ela teve na minha infância. Neste post, além dos mestres já citados, quero dar um salto no tempo e no espaço para, já na UNESP lembrar Dirce Ceribelli, com aulas de puro encantamento, fundamentadas na mais refinada poesia de João Cabral de Melo Neto.

… No Sertão a pedra não sabe lecionar,
e se lecionasse não ensinaria nada;
lá não se aprende a pedra: lá a pedra,
uma pedra de nascença, entranha a alma.(4)

Estou atualmente entre mestres e, legalmente, obtive o título. Busco fazer por merecer, por vir a ser. Espelho-me nesses adoráveis senhores da minha formação tanto quanto naqueles com os quais convivo, no cotidiano da universidade. Para ambos, aos mestres da minha vida e aos meus companheiros de trabalho, a eterna gratidão pelo constante aprendizado.

Mestre, só seria como tu se tivesse sido tu…

Ergo as mãos para ti, que estás longe, tão longe de mim!(5)

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Feliz dia do professor!

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Notas

–  Os versos assinalados com (1),(2) e (5),  são de Fernando Pessoa sob o heterônimo Álvaro de Campos (Mestre, meu mestre querido)

– (3) citação do capítulo inicial de Iracema, de José de Alencar.

– (4) são os versos finais de “A educação pela pedra”, de João Cabral de Melo Neto.

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Uma professora, Maria Ignez

Esperei por ela durante longos três anos. Quando comecei a estudar, na Escola Estadual Dr. Fidélis Reis, em Uberaba, MG, minha primeira professora foi D. Zilda; tinha um jeitão de mãe, muito meiga e carinhosa. Não me recordo de ter tido problemas; a escola, com D. Zilda, foi um prolongamento da minha casa.

Encantei-me com uma garota, Eliana, e todo mundo dizia que namorávamos. Mas, eu sabia, minha paixão era outra. Havia uma professora morena, muito bonita e, sobretudo, charmosa (embora eu não soubesse, naquela época, o signifado dessa palavra). Vestia-se muito bem; no páteo, estava sempre com óculos escuros, o que lhe dava um ar misterioso e sedutor. Ela era linda e eu queria ser seu aluno.

Non ho l’età, non ho l’etá per amarti
Non ho l’età per uscire sola con te

No segundo ano primário, primeiro dia de aula, todos os alunos em formação, no páteo. Era o momento crucial; ali saberíamos quem seria nossa professora por um ano. Havia uma com fama de brava, outra muita feia, uma outra com ar de abandonada. Eu não comentava com ninguém; só ansiava por ela.

E non avrei, non avrei nulla da dirti
Perchè tu sai molte più cose di me

Não foi no segundo ano, nem no terceiro. Duas decepções que me dificultaram gostar das professoras de então. Não citarei nomes, ; não quero magoar ninguém pela paixão pueril que a moça morena, bonita, de voz cálida, sempre muito educada, despertara em mim. Até que chegou o quarto ano, o último naquela escola. Haviam duas turmas, logo, duas professoras. E, aleluia, foi ela a ficar de frente para nossa turma.

MARIA IGNEZ PRATA foi meu primeiro ideal de mulher e de professora. Exatamente nessa ordem. Não me esqueço de um perfume cálido e de uma voz suave, dizendo-nos que seríamos a melhor turma; os mais educados, os mais estudiosos, os mais tudo. Eu faria qualquer coisa para corresponder aos desejos dela.

Lascia ch’io viva um amoré romântico
Nell’attesa Che venga quel giorno, ma ora non

Creio ter sido só no quarto ano, já dentro de sala, que vi seus olhos, castanho escuros. Logo na primeira semana, veio o golpe fatal no meu pequeno coração. Ela entrou em sala de aula com um violão. Colocou a letra de Non ho l’etá na lousa e ensinou-nos a pronúncia. Disse que era uma música muito bonita e cantou, para que conhecessemos a melodia. Ensinou-nos a cantar. Me apaixonei de vez.

Gigliola, a jovem intérprete italiana

Pouco tempo depois assisti DIO COME TI AMO, o filme que a cantora italiana GIGLIOLA CINQUETTI fez, na esteira do imenso sucesso que começou quando venceu o Festival de San Remo, cantando Non ho l’etá;

É essa a primeira música que ela canta, no filme, após um mergulho na piscina. GIGLIOLA era quase uma adolescente. Minha professora, era muito melhor!

Non ho l’età, non ho l’etá
Non ho l’età per uscire sola con te

O ano transcorreu rápido, tranquilo. Fui o primeiro da sala; e não fui orador da turma pois, na outra sala, foi um garoto, e as professoras acharam melhor que, da minha turma, fosse uma menina.

Se tu vorrai, se tu vorrai aspettarmi
Quel giorno avrai tutto Il mio amore per te

Pouco me lembro do conteúdo que estudei, mas lembro-me de que minha mãe comentava que eu “estudava dormindo”. No meio do sono, contava ela, estava eu lá, dizendo: – “São Paulo, capital São Paulo; Pernambuco, capital Recife, Espirito Santo, capital…” O que nunca contei, era da minha preocupação em agradar D. MARIA IGNEZ.

Anos depois, minhas três irmãs tornaram-se professoras. Uma delas, WALCENIS, veio a trabalhar com MARIA IGNEZ, e, principalmente, com sua irmã, MARIA ABADIA PRATA. Nesses anos todos, nunca mais falei com minha professora. Dei notícias, por exemplo, fazendo questão de enviar a ela o meu primeiro disco.

Apesar das diferentes oportunidades, não me arrependo por não ter estreitado laços; instintivamente, acho que poderia quebrar-se algo. Prefiro guardá-la em meu coração, com a imagem que ela me propiciou: Minha professora ideal. Ela faleceu há poucos anos, mas nem por isso deixo de lembrar-me dela e creio sempre ser oportuno reverenciar sua memória.

Através dessa carinhosa mensagem, presto minhas sinceras homenagens a MARIA IGNEZ PRATA, aos meus mestres e aos mestres que hoje, na universidade, dividem comigo a responsabilidade da formação de centenas de alunos: REGINA, BRENGEL, CLAUDIA, ANDRÉ, VÂNIA, DEMA, LILIAN, ROGÉRIO, MÔNICA, ABUD, KARINA… e, antes que eu me esqueça de alguém, interrompo a lista.

Beijos a todos!

Em tempo: para quem não conhece italiano, a letra de Non ho l’etá, fala de um amor puro, que acontece cedo demais. “Não tenho idade para amar-te…”.

Até!

Nota Musical:

Non ho l’etá foi vencedora do festival de San Remo de 1964

(publicado originalmente no Papolog)