Dema conta Inezita Barroso

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São Paulo era uma cidade estranha para a criança que não conhecia a capital, mas que ouvia atentamente a música “Lampião de Gás”, com Inezita Barroso. Lá em Minas a gente pulava corda, brincava de roda e nossos amigos não atendiam pelos nomes Benjamin, Jagunço e Chiquinho; tinham outros nomes e, felizmente, eram muitos.

A gravação de Lampião de Gás que ouvíamos em casa dos avôs era pomposa, Inezita acompanhada por uma grande orquestra. Linda! Acho mesmo que foi ouvindo aquela música triste, melancólica, que passei a gostar da cidade. A composição de Zica Bergami é marcante na carreira de Inezita, tanto quanto outra canção, também triste: Maringá, que era cabocla e virou uma cidade que ainda não conheço. A música fala de separações por conta de uma seca. O autor, Joubert de Carvalho, nasceu em Uberaba. Aprendi a canção com minha professora primária, Maria Ignez Prata. Depois, fiquei mais admirado ouvindo a voz triste de Inezita ao interpretar a música.

Joubert de Carvalho teve outra canção de sucesso gravada pela cantora. “De papo pro ar”, parceria dele com o poeta Olegário Mariano. Já naquela época eu achava ótimo pensar que “se compro na feira, feijão, rapadura, pra que trabalhar?” Mas, também matutava: sem trabalhar, onde o dinheiro para as compras? Talvez “pescando no rio, de jereré…” Sei não. O certo é que ficar “De papo pro ar” nunca foi ruim.

De todas as canções gravadas por Inezita, a preferida de meu pai era a “Moda da Pinga”. A “marvada”, criada Ochelsis Laureano e Raul Torres, recebeu interpretação definitiva de Inezita Barroso. Eu sempre imagino a cena da moça voltando para casa “de braço dado com dois soldados, ai muito obrigado!”. E não consigo pensar em outra intérprete para essa “moda”.

Tenho vivido ouvindo Inezita Barroso. Uma entrevista aqui, uma reportagem ali e fui somando informações sobre a cantora de voz poderosa e personalidade ímpar. Agora chegou a hora de saber um pouco mais sobre a vida dessa grande artista.

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Valdemar Jorge, o nosso Dema

Valdemar Jorge, a quem tenho o privilégio de denominar Dema, é daqueles sujeitos donos de uma simpatia imbatível; um profissional competente com quem convivi por mais de uma década e que já me propiciou, entre outras coisas, estar na platéia na festa do aniversário de 30 anos do “Viola, Minha Viola”, o programa comandado por Inezita Barroso.

Dema trabalhou durante muitos anos na TV Cultura, tornando-se colega e amigo da cantora. Fruto saboroso dessa convivência é o livro que será lançado na próxima segunda-feira, 17 de dezembro. Em “Inezita Barroso, com a espada e a viola na mão”, Dema conta a trajetória da cantora. O livro é parte da coleção Aplauso, editado pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo.

Sempre, na universidade onde trabalhamos, tive em Dema o parceiro de “causos” e muitos “papos” sobre as artes no Brasil. O cidadão Valdemar Jorge, querido Dema, vive cultura; é participante da arte que se faz em São Paulo e, por isso, escreve, ou melhor, conta com propriedade; Estou orgulhoso e feliz pela concretização de um projeto sobre o qual conversamos bastante.

Pela certeza da competência do Dema, e pela admiração ao trabalho primoroso de Inezita Barroso, afirmo que este é um dos lançamentos mais importantes do ano. Na carreira profissional de Inezita Barroso temos, entre outros fatos, a vida do caipira paulista, as expressões musicais singelas e puras do cancioneiro regional do Brasil. Ela é parte essencial da nossa história, agora devidamente registrada pelo Dema, o Valdemar Jorge.

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Até lá!

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Nota:

O lançamento será no MIS – Museu da Imagem e do Som. Avenida Europa 158, São Paulo – SP, 19h00. Com “Inezita Barroso – Com a espada e a viola na mão”, serão lançados mais 10 outros livros sobre personalidades da cultura brasileira.

6 comentários Adicione o seu

  1. Cristina Hitomi disse:

    Um querido professor, falando de outro! Sucesso aos 2!!
    bjs e sdds!

  2. Walcenis disse:

    Interessante! Sucessos Dema.

  3. Valdemar Jorge disse:

    Chorei Valdo !! Ótimo texto do poeta Valdo ! Não sou tudo isso não , mas me esforcei por causa dessa mulher, atriz, cantora , batalhadora pela cultura brasileira : Inezita Barroso .
    Uma diva brasileira que tem que ser lembrada para sempre . O livro é uma papo rápido , em tom de conversa pegando alguns dos muitos momentos importantes que ela viveu . Não é uma tese , nem esgotou o tema . Abri mais janelas para se conhecer melhor a Inesita e deixei muitos outros caminhos para serem trilhados.Espero que as pessoas gostem de ler , e que o público mais jovem também se interesse..
    Alguma coisa do livro você já conhecia dos nossos papos de intervalo de aulas, e suas sugestões foram sempre bem vindas.
    Obrigado pela força Valdo , mas senti sua falta lá .Foi até as onze da noite !
    grande abraço
    Dema

  4. valdoresende disse:

    Caríssimo, já estou com o livro. Não pude ir, mas vamos nos encontrar em breve para conversarmos um pouco mais. Grande abraço.

  5. Bela descrição, valdoresende, dos tempos da sua infância e o contato com a música caipira e com sua maior defensora, Inezita Barroso. O livro também deve ser muito interessante, a julgar já pelo titulo escolhido, e pelo contato que seu amigo teve com a Inezita. Em nosso blog publicamos a entrevista que ela deu no Jô Soares, e como não poderia faltar, ela cantando ao final do programa. E também temos outras “caipirices” por lá, sintam-se a vontade para visitarem.

    1. valdoresende disse:

      Com prazer. Farei a visita. Obrigado.

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