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Bomdia

Chico Buarque chamou-nos a atenção, em 1990; o Brasil havia se transformado n’O País da Delicadeza Perdida. Vinte anos passados e o fenômeno denominado redes sociais aumentou o contato entre as pessoas, mas e a delicadeza?

Na rede social virtual presenciamos “bons dias”, “beijos” e uma série considerável de gentilezas escritas. Também estão presentes os ataques gratuitos, a intolerância, o rancor, a troca de insultos… Indelicadezas também estão em comentários aos posts e matérias jornalísticas em blogs e portais.

porrrrrrrfavorrrrrr

Há críticas aos indivíduos que, entrando no Facebook, dirigem um “bom dia” aos receptores, supostamente amigos. A maioria entra sem pedir licença compartilhando coisas, contando piadas, fazendo críticas… Estou entre esses e percebo que adotei a ideia de que, estando na rede – onde sempre há alguém! – não há a necessidade de “bom dia”, ”por favor,”, “com licença”…

Além do que se publica na rede, em sites de relacionamento, há um comportamento similar na correspondência privada. Corre a ideia de que e-mail não se assina, já que o dito cujo pertence ao emissor, identificado no próprio. Principalmente quando esse e-mail circula entre pessoas de uma mesma empresa. Então, propaga-se a secura, a impessoalidade. Alguns hão de recordar os papéis timbrados, portanto identificados, onde não se desprezava a saudação inicial e a despedida.  As pessoas diferenciavam polidez de delicadeza.

grato

Estou evitando o discurso saudosista, pois o desejo é enfatizar o incômodo, a perturbação pela secura individualista; está além do aceitável a atitude do cidadão que não aguarda que alguém saia do metrô, do ônibus, do trem, do elevador, animalescamente dando cotoveladas nos outros. Está difícil tolerar os ataques gratuitos aos demais que não torcem pelo mesmo time, assim como é barbárie agredir pura e simplesmente aquele que venceu.  E há a falta daquelas expressões suaves, que determinam o grau de civilidade: por favor, com licença, bom dia, até logo…

Agora começarão as mensagens de natal, ano novo. E muita gente fará promessas, planos, expressará desejos para o próximo ano. O meu desejo é ampliar minhas saudações cotidianas; aos meus vizinhos, aos meus amigos, aos conhecidos, colegas de trabalho… Nem precisa chegar 2013. Fico aqui, pensando na pequena revolução que provocaria um “obrigado”, um “por favor” entre as pessoas… Quem entrará nessa?

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Até mais!

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