E o dono do bosque nem viu!

(Valdo, Lisa, Marta e Suzana)

– “Bora sentar que tô cansado”, informou o ancião da turma, todos testemunhas do primeiro show de Daniela Mercury na Paulista e do início e ocaso do Orkut. O tronco de madeira, em um delicado bosque da Lapa, aqui em São Paulo, remeteu aos bancos do jardim do convento, onde estudamos. Sim, convento! Ah, não somos religiosos (na acepção da função de quem se filia à uma ordem ou congregação).

O IAP – Instituto de Artes do Planalto, da UNESP, usava antigas dependências de um convento lá no Ipiranga, perto de – onde dizem – D. Pedro gritou. A construção segue padrões antigos, com formato quadrado e um jardim interno que, se falasse, ainda hoje causaria insônia e desgosto às tradicionais famílias. Sentados nesses bancos, foi possível ver dois queridos professores – com mestrado e doutorado – em briga homérica, tapas contidos pela então diretora que, sem pestanejar ordenou:  – Quieta, veados! (hoje ela seria processada?!).

Também desses bancos foi vista outra cena, trágica e hilária. Trabalho de final de ano, um aluno fez uma performance, lembrando antigos happenings, caminhando e dançando seminu pelos corredores da escola, aludindo à antigas manifestações de coros gregos. A tarefa – era uma avaliação de final de ano – deveria ser filmada. O encarregado do registro se esqueceu de colocar fita na máquina e… nada gravado. O aluno correndo pelado tentando bater no encarregado da filmagem foi o melhor evento daquele ano.

Temos dentes!

Tempo, tempo, tempo… (pra cada “tempo” conte 10 anos!) e assim chegamos ao final de 2021. Um encontro tão complicado quanto acertar a economia mundial. A primeira tentativa foi de estarmos todos às 9h00 no tal bosque, lá na Lapa. – Quem acorda cedo? Dá licença.

– Mas, a exposição da Suzanita termina às 13h!

– A gente pode chegar 12h30?

– Poderíamos fazer um piquenique!

– Tenho que sair às 14h.

Após negociações e pequenas sutilezas por faltas anteriores (- Lisa sarou da gripe?) nos encontramos, felizes, serenados, com a confiança e certeza dos grandes afetos. Somos quatro amigos. Estamos juntos há mais de trinta anos. E, para carregar na poesia que é viver uma grande amizade, devo registrar que “vivemos em acordo íntimo, como a mão esquerda e a direita”.

Suzana, a anfitriã do dia: – Queria ter balançado com vocês. A Martinha é muito vaidosa. Amo😍. E o Valdo? Meu amor até a última vista. Lisa, nossa gueixa maravilhosa.  Ficaria ao seu lado o tempo todo.

No evento, uma exposição com os trabalhos recentes de Suzana (vejam aqui). Uma incrível combinação de delicadeza e força. Após usar o balanço, citado acima, fomos conversar, sentadinhos e tranquilos, como sempre. “– Quem ficar na beirada pode ser cortado depois!” Risada geral.

Há pessoas que precisam de iates, castelos. Outras carecem de prataria e cristais nas refeições. Um número considerável precisa de um copo de qualquer coisa alcoolizada, um cigarrinho do capeta para segurar a onda. E é por isso que preciso registrar nosso banquinho, lembrando bancos de outrora. Estando juntos já é o bastante. “– Cara, a gente agora conversa de dores… aqui, ali!”, mais gargalhadas. E somos amigos! E somos felizes. Esse tipo de amizade, de encontro, de convivência que desejo para todos, com meus votos de FELIZ NATAL! ÓTIMO 2022!

Fim da coisa: Lisa, delicada, nos deu confeitos com recheio de goiaba. Feitos por ela. Suzana nos presenteou pequenos vasos, com diferentes tipos de flores, sobre uma base rústica, preparada por Darli, único marido presente no recinto. Marta e eu agradecemos os presentes (- Que falta de gentileza! Rsrsrsrsr). Em uma grande demonstração de força de vontade cheguei na Bela Vista com todos os docinhos intactos.

E vou repetir: simples assim. Um banquinho, quatro amigos, obras de arte feitas por um deles e, certamente, um dos melhores encontros do ano. Desejo mais uma vez o mesmo para todos, durante todo o ano que se avizinha.

Boas festas!

Nota: sutis referências. No título, Chico Buarque, e na citação de Fernando Pessoa, sobre acordos íntimos…

O Santo e os astros

No Dia de Santo Antônio, o Trem das Lives viaja pelo mundo dos astros, revelando qual o seu par ideal e quais as simpatias que você pode fazer para fisgar o seu amor.

A convidada, Marta Marin, explica em detalhes as combinações entre signos com mais chances de sucesso no amor. Astróloga, artista plástica, terapeuta vibracional, reikiana, estudante de psicanálise e operadora de mesa radiônica, há 25 anos Marta dedica-se à astrologia, numerologia e realização de mapas astrais.

Eu e Marta somos amigos desde a faculdade, ambos estudantes no Instituto de Artes da Unesp. Esta foto, de antes da pandemia, marca o último encontro presencial do grupo do IA. No próximo domingo, o encontro será virtual.

Conheço Marta e acompanho seu trabalho há mais de 35 anos! A sensibilidade artística faz dela uma pessoa delicada e suave. As pesquisas e estudos astrológicos deixaram-na sábia. Sem impor aos outros suas crenças, sem proselitismo.

Quero dizer mais: Convidar Marta para o Trem das Lives, em um dia tão cheio de significado – Santo Antônio, o santo casamenteiro – é promover o encontro de duas faces da nossa cultura: crença em santos e astros, caracterizando-nos como povo cheio de fé”.

Venha conosco nesse domingo para, com leveza e alegria, celebrar a esperança que a fé nos dá e, certamente, encontrar uma dica para engatar um belo romance.

O afeto possível (Acima de 25!)

Com Lisa Yoko e Marta Marin
Com Lisa Yoko e Marta Marin, nesta sexta, na Vila Mariana.

Uma tarde tranquila na sexta-feira chuvosa com duas amigas muito queridas. Lá pelas tantas, a matemática levou-nos a computar quase trinta anos de amizade. A relação iniciada nos bancos da universidade só fez amadurecer sem perder a autenticidade, a espontaneidade, a capacidade de rir e chorar da própria vida. Uma grande e verdadeira amizade que dispensa encontros diários; todavia, cada momento de convivência é pleno em intensidade.

Obviamente dividimos tristezas, alegrias, frustrações, acertos, vitórias, perdas… Celebramos, sobretudo, a durabilidade e a profundidade do nosso afeto. Obviamente que sentado ao lado de duas gatas fiquei todo “pimpão”. Também dividi, com Lisa e Marta, a felicidade de ter muitos amigos de longa data. E pensei em comemorar essa longevidade neste post, onde reverenciarei prioritariamente aqueles com os quais ostento mais de duas, três, quatro décadas de amizade.

Vania Maria Lourenço Sanches e Márcia Lorenzoni
Vania Maria Lourenço Sanches e Márcia Lorenzoni

Lá do Rio de Janeiro, Vânia e Marcinha. Nada é descartável quando a distância é mera geografia.

Eulália Cristina Afonso, Alair Celso, Angélica Leutwiller, Nei Rozeira
Eulália Cristina Afonso, Alair Celso, Angélica Leutwiller e Nei Rozeira

Eulália, sendo minha amiga há mais de trinta anos, continua com 25 de idade… Alair transita pela poesia e Angélica pelo canto. Nei está no litoral, mas comigo todo dia pelo Facebook.

Com Sonia Kavantan e Marise de Chirico
Com Sonia Kavantan e Marise de Chirico

Não há nada melhor do que estar feliz com Sonia e Marise. Afeto pouco é bobagem, logo a gente esbanja carinho, aqui fixando momentos especiais.

Fátima Borges, Octavio Cariello, Agostinho Hermes dos Reis
Fátima Borges, Octavio Cariello e Agostinho Hermes dos Reis.

Quando eu era criancinha, lá em Minas, Fafá estava comigo. Em São Paulo, Octávio está comigo o tempo todo. Quando em Uberaba, divido o tempo com o Gugu. Ou seja…

Treze pessoas! Todos meus amigos há mais de 25 anos! Se essas fotos falassem! Se fosse possível computar tanta afeição!

Constato, com orgulho e felicidade, que tenho muitos outros amigos; alguns há mais tempo, outros que vieram depois; todos somando em minha vida. Nesse mundo do descartável cabe celebrar a longevidade, a fé no afeto possível.  O que resta dizer? – Viva nóis! Viva tudo! Viva o Chico barrigudo!

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Bom final de semana!

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