Presépios, para um Natal feliz

 

Presépio com Daniel.jpg

Ronaldo, Inimar, Marquito são os anjos. Anivaldo e Terezinha, os pais. Daniel, o menino Jesus.

Neste, como em muitos anos repete-se o ritual. O natal se torna visível nas diversas manifestações imateriais como folias, cantatas, missas ou através de elementos materiais: guirlandas,  árvores, ou um presépio… Eu gosto de presépio tanto quanto gosto de quem o criou, São Francisco de Assis; o Santo queria representar as condições do nascimento do menino Jesus.

O presépio mais encantador da minha infância foi, sem dúvida, um que foi construído pelo “Senhor Fumaça”, um artesão de mão cheia que, durante o dia, trabalhando em uma cerâmica, lá mesmo, aproveitando-se de sobras de materiais e do forno local, criou toda uma representação de Belém.  A sala na casa de D. Castorina era toda ocupada pelo presépio criado pelo marido (Essa casa, antes ocupada por meus pais, foi onde nasci!).

Presépio bem tradicional, aquele era composto por imensa gruta e, dentro desta, cabanas, palacetes, casas de diferentes tipos, todas em cerâmica. Estrelas, luzes coloridas. Animais domésticos, selvagens. Grupos de viajantes, caravanas e, entre essas, aquela que conduzia os magos para visitar o Salvador prometido. Das pequenas traquitanas criadas pelo “Senhor Fumaça” é nítida a lembrança de um monjolo que, abastecido por pingos de água exercia sua função de moagem de grãos. Crianças, entre uma brincadeira e outra, corríamos céleres em intervalos de tempo precisos para ver o objeto em movimento.

Jovem, atuante na mesma paróquia do Bairro Boa Vista, e já envolvido com teatro, chegou a minha vez de conduzir uma representação; um presépio vivo de lembrança muito especial. Na foto acima meu irmão caçula, Daniel, com cerca de nove meses de vida, foi o menino Jesus sobre a manjedoura. José e Maria (Anivaldo e Terezinha) cuidam da criança, protegidos por três jovens anjos (Ronaldo, Inimar e Marquito).  Nada de excepcional, exceto a lembrança de um momento nosso; feito com seriedade, reverência e, certamente, fé.

Presépio 2016.jpg

Não sei há quanto tempo monto o presépio em minha casa. Gosto de realizar pequenas mudanças, alterar a composição da montagem e assim, em cada ano, fica diferente e sempre igual. Meu presépio tem, fundamentalmente, a função de me conduzir aos primeiros natais com minha família, ou na casa da Tia Olinda, em Ribeirão Preto, ou ainda na casa de meus avós, em Campinas. Ato familiar, as comemorações de natal reforçam minha fé no novo, naquilo que devo percorrer mesmo com perdas dolorosas pelo caminho. Meu lastro são as lembranças, reforçadas e reconstruídas em cada dezembro.

Feliz Natal pra todos!

Um Cordel Sobre o Natal

Recebi do meu amigo Giovanni, faz tempo, o vídeo abaixo, com um bonito cordel sobre o natal. Manifestação brasileiríssima, o texto é de Euriano Sales. Vale a pena ver, refletir, e assim, singelamente aguardar e contribuir para um Natal cheio de paz.

Até mais!

Fazendo festa… simples.

Para todos os amigos e leitores deste blog:

são francisco natalPenso que o Natal seja assim, leve e límpido, como a interpretação de Nei Matogrosso para a canção de Vinícius de Moraes e Toquinho.

Domingo paulistano

???????????????????????????????

O metrô estaciona na estação Luz. Um assalto!

Do lado de fora vem uma mão que, sorrateira,

Leva o telefone de um indivíduo.

Movimento similar e outros telefones são roubados.

Um pequeno arrastão.  Tudo rápido, eficiente.

O pânico instalado e todo mundo olhando pra todo mundo.

Somos cúmplices dos ladrões?

Permaneceu algum assaltante no trem, já em movimento?

Ninguém fala. Ninguém grita.

Assustado, recordo outros assaltos; esses a mão armada.

Revivo sentimentos que sonhava distantes

Vontade de matar, trucidar, cortar as mãos do outro.

É natal… Tempo de luz…

Luzes na cidade, ladrões na Luz.

Ironicamente,

Anúncios no vagão garantem segurança

Outros, mentirosos, oferecem tranquilidade.

Antes de descer do trem, vigio meu próprio bolso;

Experimento a felicidade de não ter sido roubado.

E sigo aparentando tranquilidade;

É só mais um domingo paulistano.

.-.-.-.-.-.-.-.-

 

Obs.: A foto acima é de um mural da Paróquia de Nossa Senhora das Graças, em Uberaba, MG; pintura de Antônio Fernando dos Anjos.

 

Noites de encantamento

Avenida Paulista 2011
Natal da Paulista em 2011, já alimentando sonhos

Já são tempos distantes e há certa dificuldade em precisar detalhes, acertar datas, ordenar acontecimentos. São lembranças acumuladas na caixa dos “primeiros natais” que emergem quando chega dezembro. Não sinto nostalgia; guardo a impressão de não ter aproveitado o bastante por não ter tido, então, a possibilidade de perceber o quanto foi bom. Talvez, esse “bom” seja uma mera cilada do tempo…

Houve uma época em que a Paróquia de Nossa Senhora das Graças, no Boa Vista, lá em Uberaba, era só uma pequena capela sob os cuidados dos frades dominicanos. Não consigo recordar nome de nenhum padre de então… Após uma pequena pausa vem um nome, Frei Alberto Chambert, mas é só um nome do qual não me recordo o rosto. Tenho certeza é do estranhamento quanto à expressão “Missa do Galo” e de não ter a menor ideia do que seria um “presépio vivo”.

Era noite alta quando saímos para a capela e em um determinado momento da missa, onde não vi nenhum galo, apareceu um casal com roupa estranha, carregando uma criança. Um grupo de crianças aglomerou-se observando o casal. Minhas duas irmãs mais velhas estavam nesse grupo; com panos na cabeça, saias coloridas. Meu irmão e um vizinho estavam carregando pedaços de madeira e estavam com bonés. Pastoras, pastores, o menino Jesus, os Reis Magos…

Provavelmente foi Belinha a organizadora desse primeiro “presépio vivo” do qual me recordo vagamente. Ela foi desde sempre a responsável por momentos ternos, de suave lembrança, de tantos quantos tenham frequentado a capela, depois tornada paróquia sob o comando dos padres Somascos.

Não posso afirmar que tenha entendido toda a história narrada em meio a cantorias, sermões e preces na capela de Nossa Senhora das Graças. Sem ler a Bíblia, dominei detalhes da história do sagrado menino da mesma forma em que milhares de outros cristãos conheceram: através do artesanato popular.  “Seu Fumaça” era morador do bairro e trabalhava na cerâmica da cidade.Com imensa capacidade, o homem criava pequenas casas em argila, queimadas no forno da cerâmica. Essas casinhas viravam um vilarejo chamado Belém, montado dentro da sala de estar da família.

O presépio do “Seu Fumaça” e de D. Castorina eram grande atração natalina para todos os meus irmãos e primos. Era noite quando víamos a montagem que lembrava uma grande gruta, cheia de estrelas e luzes coloridas e, sob a gruta, a cidade com suas casinhas, sua gente, os animais e uma estrebaria onde ficava a sagrada família. Ficávamos horas observando um fio d’água que movimentava um monjolo. Quando cheio, este tombava a água e isto era algo como uma grande mágica.

Eram outros tempos e as Folias de Reis cantavam noite adentro, batendo nas portas das casas e, quando convidadas, entravam com suas músicas ternas, contando sob outra forma a mesma história ouvida na capela e vista no presépio. Batidas de tambor, a melodia acentuada no som da sanfona, cadenciada nas cordas de violas e cavaquinhos. Um solista, voz grave de barítono, contava uma história, repetida e acentuada pelo coro que alongava a última silaba, em agudo intenso, emocionado, cortado pelo som forte do tambor que marcava o retorno de outro momento da mesma melodia.

Depois, meus avós já não moravam em Uberaba, começamos a passar nossos natais em Ribeirão Preto, na casa da Tia Olinda, irmã mais velha de minha mãe.  Eu ainda acreditava em Papai Noel e achava fantástico acordar e ver alguns brinquedos ao lado da minha cama.

Nos natais de minha infância também havia brinquedos. Não sei quantas horas, meses ou anos divaguei brincando com minha carruagem puxada por quatro cavalos. Era um brinquedo de plástico que imitava as conduções dos colonizadores da América. Também viajei milhares de quilômetros imaginários com minha máquina “Maria Fumaça”, que apitava e tocava sino (Um prodígio!) assim como percorri outro tanto com meu carro amarelo ouro e lutei, ao lado de replicas de soldados da Segunda Guerra. Nesta, entravam carruagens, Marias Fumaças e todos os meus outros brinquedos.

É bom lembrar natais sem relação com consumo. Tive poucos brinquedos. É por isso que, com absoluta certeza, guardo a lembrança carinhosa de cada um. Guardei todos eles e só me desfiz dos mesmos já com 20 anos. Foi quando nasceu meu irmão caçula para quem, de bom grado, doei meus brinquedos de infância.

Natal de 2013! Se hoje eu fosse criança guardaria as lembranças das noites da Avenida Paulista, com seus prédios tornados locais mágicos. Também sonharia com as luzes que enfeitam ruas; com as projeções no Parque do Ibirapuera, a grande árvore, as águas dançantes. Ficaria na memória o motivo de tudo isso através de todos os presépios espalhados pela cidade. Esse é o maior encantamento; a história de dois jovens que sem conseguir hospedagem tiveram o filho em uma pequena manjedoura: Um deus menino que nasceu em uma noite, muito distante dessas em que vivemos.

Até mais!

.

Tempo de trégua

DSC06524ESTE

Por todos os cantos há a sensação de finitude

Acentuando-se conforme antevemos o novo ano

Um fim em que, por tempo restrito, prevalece a alegria.

.

Acordo tácito para imensa trégua

Nenhuma notícia ruim abala, interfere

Estamos felizes. É tempo de ser feliz.

.

Certa lei, implícita, determina que tudo valeu a pena

Ganhos, aprendizados, experiências, lucros.

Perdas e problemas vão para escaninho próprio e,

Se houver solução fica para o próximo ano.

.

Dezembro é quando o sonho parece vida.

O vizinho, que nunca nos fala, deseja-nos feliz natal

Despedimo-nos dos colegas com solidariedade impecável

E escolhemos meticulosamente cada mimo para os seres amados

.

Em dezembro a vida é sonho

Acreditamos na humanidade e somos unidos pelo deus menino

Tempo frágil de semeadura, de esperança.

De sonhos infinitamente maiores:

.

Que a honestidade vença

Que a fraternidade prevaleça.

Que vivamos em paz.

.

Valdo Resende, dezembro de 2013.

.

 

Um natal suave

Boas festas para todos! Como muitos, estou naquela maratona de concluir coisas, iniciar outras e, fundamentalmente, chegar até aos meus familiares para, juntos, comemorarmos o natal. Lá em casa não há exageros de comilança, bebedeira; vamos ficar juntos. É o que basta. E é o que desejo de coração para todas as pessoas: um natal suave, uma festa com a delicadeza do nascimento de uma criança. Não dá para fazer barulheira perto da Luíza  que o Rafael Mendes embala como pai carinhoso.

Rafael Mendes com Luiza: um natal pleno!
Rafael Mendes com Luíza: um natal pleno!

Estou feliz pelo meu querido amigo que, neste ano, terá um natal pleno de verdade: a celebração de um nascimento. Luíza nasceu, outras incontáveis crianças estão por aí e a gente celebra, neste momento, a chegada da criança que vem salvar a todos nós.

feliz-natal

Feliz natal. Uma suave e delicada festa para todos.

Um carinhoso beijo para todos os que me honram visitando este blog.

.

Até mais!

.