Papai Noel no Trem das Lives!

Como é o Papai Noel para você?

Foi duro, complicado, suado, mas conseguimos!  Uma conversa reveladora.

Além de ficar por dentro de detalhes íntimos da sua vida, você pode fazer um desejo ao Bom Velhinho.

Nosso presente de Natal a todos os que acreditam na força da solidariedade e do amor.

Embarque nesse Trem.

Domingo, 20.12.20 18h00

instagram.com/tremdaslives

Uma caneca de Natal

Chegando de Ribeirão Preto, Tia Olinda sempre levava presentes, constantes mimos de alguém que gostava de agradar. Chegava sorridente, falante, e assim me entregou a caneca – que está aí na foto. Uma caneca agora cinquentenária… ou mais, não sei. Eu nem estava na escola! Ou seja, meu mundo era a família e o quintal, posto que a rua, o bairro e a cidade vieram depois. Com a caneca vieram algumas bolas coloridas, de vidro.

– Para você fazer sua árvore de Natal!

Disse-me a tia ao entregar o precioso presente. Lembro de ficar olhando, encantado, para aquelas coisinhas coloridas, leves e… mortais. Quando quebradas eram um perigo considerável diante das infinitas partículas do vidro.

Primeira árvore de Natal de que tenho notícia, mamãe pegou um galho dos muitos que haviam de árvores, arbustos e similares nos terrenos baldios próximos. Enrolou todo o galho e suas ramificações com algodão, branquinho.

– É para lembrar neve!

Tia Olinda, com o presente, levou minha mãe a comprar outros enfeites. Bolas, guirlandas, estrelas, tudo para enfeitar nossa primeira árvore natalina. Criou-se um hábito, mas… Havia o presépio da casa de D. Castorina, reproduzindo uma Belém artesanal, cheia de casas de barro, montes feitos de papelão, sob uma gruta imensa, iluminada com pequenas lâmpadas coloridas, destacando-se entre as estrelas, de papel laminado, a mais importante, orientadora dos magos quanto ao local de nascimento do Menino. Demorei, mas um dia tive o meu presépio.

Durante essa infância, cada vez mais distante, eram raros os Natais em nossa casa. Tínhamos o privilégio de viajar nos finais de ano. Natal a gente passava na casa da Tia Olinda, lá em Ribeirão, em memoráveis férias na nascente Vila Abranches, cheia de chácaras por todos os lados, com sua pracinha onde, às tardes, colocavam músicas para alegrar todos os moradores.

Éramos nove crianças! Mamãe Laura e minha tia Olinda saiam para a cidade (naquela época a Vila Abranches ficava longe de Ribeirão Preto!) e, entre outras coisas, compravam brinquedos que “Papai Noel” nos deixaria para fazer nossas manhãs cheias de brincadeiras com os presentes trazidos pelo bom velhinho. Antes da noite, escrevíamos cartões para os avós, os tios todos, o pai, a mãe… E toca esperar o carteiro pra ver de quem receberíamos uma mensagem.

Não tenho lembranças de comidas. Essas coisas que dizem ser tradição, hábitos de muitas famílias. Penso que as pessoas, crescendo, trocam a satisfação dos brinquedos, das árvores e dos presépios pela comilança, pela bebedeira. É o lado que menos aprecio. Aquele almoço cheio de coisas, levando todos para o sono pesado da tarde do dia 25. Eram bem melhores os dias em que, rapidamente, tomávamos as refeições e voltávamos a explorar as possibilidades dos novos brinquedos.

Frutas natalinas eram o “must” da noite de ano novo, quando já longe de Ribeirão Preto, íamos todos para a casa de minha avó materna, em Campinas. Nozes, avelãs, amêndoas, castanhas e figos secos portugueses. Também uvas passas! As mesmas uvas passas que, nos últimos tempos, gente chata fica enchendo a paciência alheia. – É só não comer! (aqui está omitido um belo palavrão em função do espírito natalino).

Em Campinas, na mesma casa ficavam todos os irmãos de mamãe, meus irmãos e todos os primos. Éramos todos vivos, felizes, e por estarmos assim, lamento hoje, não percebíamos que meus avós já não tinham seus pais, seus tios… Esses mesmos pais e tios que todos temos e que, hoje, não tenho mais. Propiciando-nos noites de Natal e Ano Novo, esforçando-se para nos darem o máximo, deixavam de lado suas lembranças tristes, suas perdas irreparáveis. E, penso, é assim que deve ser!

Ontem comecei a brincar de Natal. Tirei do armário as velhas caixas e fui inventar nova maneira de dispor as coisas. Não espero crianças em casa, mas vai que apareça alguma. Ou mesmo algum adulto. Quem sabe meu presépio não desperte lembranças boas, ou mesmo crie outras. Mas, na real, meu presépio é para nós, que estamos aqui, neste ano tão complicado e diferente.

É linda a lembrança do primeiro Natal, aquele de 2020 anos atrás, quando nasceu uma criança, o Deus feito menino. São lindas as lembranças de todos nós; isso, se nos atermos às primeiras visões de um brinquedo, uma árvore cheia de cacarecos, um presépio pra lá de estilizado, as pessoas todas juntas abrindo presentes, trocando afetos.

Talvez escreva sobre os presentes de Natal que ganhei na infância. Era época em que o consumismo não determinava excessos e ganhei poucos, mas inesquecíveis brinquedos. Talvez!

Neste ano, é lamentável que a pandemia nos impossibilite grandes encontros. Cabe aqui uma postura, uma decisão: Podemos ter noites de reclamações, ou podemos dar graças por estarmos vivos. E se as reuniões forem precárias, limitadas, temos lembranças para preenchê-las. E objetos que nos suscitam lembranças, como a minha caneca, dada pela minha tia Olinda, que morava em Ribeirão Preto, onde passávamos os natais, esperávamos Papai Noel…

Um Cordel Sobre o Natal

Recebi do meu amigo Giovanni, faz tempo, o vídeo abaixo, com um bonito cordel sobre o natal. Manifestação brasileiríssima, o texto é de Euriano Sales. Vale a pena ver, refletir, e assim, singelamente aguardar e contribuir para um Natal cheio de paz.

Até mais!

Fazendo festa… simples.

Para todos os amigos e leitores deste blog:

são francisco natalPenso que o Natal seja assim, leve e límpido, como a interpretação de Nei Matogrosso para a canção de Vinícius de Moraes e Toquinho.

Domingo paulistano

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O metrô estaciona na estação Luz. Um assalto!

Do lado de fora vem uma mão que, sorrateira,

Leva o telefone de um indivíduo.

Movimento similar e outros telefones são roubados.

Um pequeno arrastão.  Tudo rápido, eficiente.

O pânico instalado e todo mundo olhando pra todo mundo.

Somos cúmplices dos ladrões?

Permaneceu algum assaltante no trem, já em movimento?

Ninguém fala. Ninguém grita.

Assustado, recordo outros assaltos; esses a mão armada.

Revivo sentimentos que sonhava distantes

Vontade de matar, trucidar, cortar as mãos do outro.

É natal… Tempo de luz…

Luzes na cidade, ladrões na Luz.

Ironicamente,

Anúncios no vagão garantem segurança

Outros, mentirosos, oferecem tranquilidade.

Antes de descer do trem, vigio meu próprio bolso;

Experimento a felicidade de não ter sido roubado.

E sigo aparentando tranquilidade;

É só mais um domingo paulistano.

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Obs.: A foto acima é de um mural da Paróquia de Nossa Senhora das Graças, em Uberaba, MG; pintura de Antônio Fernando dos Anjos.

 

Tempo de trégua

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Por todos os cantos há a sensação de finitude

Acentuando-se conforme antevemos o novo ano

Um fim em que, por tempo restrito, prevalece a alegria.

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Acordo tácito para imensa trégua

Nenhuma notícia ruim abala, interfere

Estamos felizes. É tempo de ser feliz.

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Certa lei, implícita, determina que tudo valeu a pena

Ganhos, aprendizados, experiências, lucros.

Perdas e problemas vão para escaninho próprio e,

Se houver solução fica para o próximo ano.

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Dezembro é quando o sonho parece vida.

O vizinho, que nunca nos fala, deseja-nos feliz natal

Despedimo-nos dos colegas com solidariedade impecável

E escolhemos meticulosamente cada mimo para os seres amados

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Em dezembro a vida é sonho

Acreditamos na humanidade e somos unidos pelo deus menino

Tempo frágil de semeadura, de esperança.

De sonhos infinitamente maiores:

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Que a honestidade vença

Que a fraternidade prevaleça.

Que vivamos em paz.

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Valdo Resende, dezembro de 2013.

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Um natal suave

Boas festas para todos! Como muitos, estou naquela maratona de concluir coisas, iniciar outras e, fundamentalmente, chegar até aos meus familiares para, juntos, comemorarmos o natal. Lá em casa não há exageros de comilança, bebedeira; vamos ficar juntos. É o que basta. E é o que desejo de coração para todas as pessoas: um natal suave, uma festa com a delicadeza do nascimento de uma criança. Não dá para fazer barulheira perto da Luíza  que o Rafael Mendes embala como pai carinhoso.

Rafael Mendes com Luiza: um natal pleno!
Rafael Mendes com Luíza: um natal pleno!

Estou feliz pelo meu querido amigo que, neste ano, terá um natal pleno de verdade: a celebração de um nascimento. Luíza nasceu, outras incontáveis crianças estão por aí e a gente celebra, neste momento, a chegada da criança que vem salvar a todos nós.

feliz-natal

Feliz natal. Uma suave e delicada festa para todos.

Um carinhoso beijo para todos os que me honram visitando este blog.

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Até mais!

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