Gabriela, beleza da terra

Juliana Paes, incendiando o sertão.

As chamadas para “Gabriela”, novo seriado da Rede Globo baseada em “Gabriela, Cravo e Canela”, de Jorge Amado, evidenciam desde as primeiras imagens a força da beleza da terra. Gisele Bündchen que me perdoe, mas é impossível pensar em pele branquinha com gosto de mato. Há outros bons cheiros para as loiras do sul, muito bons mesmo. Mas, se a pele é morena… Juliana Paes vem chegando com gosto de terra, de barro; nas sutilezas, nos entremeios da paixão, a atriz reacende o mito da mulher espetacular cujo cheiro acende paixões incontroláveis; irresistível tempero de cravo e canela.

Quem teve o privilégio de viajar pelo sertão, pelo calor da caatinga, já viu morenas Gabrielas, com seus vestidos leves torneando o corpo. São voluptuosas de nascença e despertam desejos profundos enquanto caminham com suas cestas, trouxas de roupa ou, melhor vestidinhas se operárias do comércio. Uma chuva na caatinga é sempre uma festa, uma convidada muito bem-vinda. As gentes do sul buscam refúgio; o povo de lá arrasta as cadeiras para o quintal, sentam-se para sentir a água caindo, alimentando primeiro o corpo, depois a terra. Só sendo muito insensível para não invejar a água da chuva invadindo o corpo das Gabrielas sertanejas; gotas que acariciam o corpo, revelam detalhes das formas já desenhadas e provocam imensa excitação.

Sonia Braga, Gabriela para sempre

Imagino uma Gabriela chegando a Ilhéus. Não é Juliana Paes, nem Sonia Braga. A beleza, todavia, é feita da mesma morenice, brejeira, encantadoramente gostosa. Para Jorge Amado ela tem a cor da canela, o cheiro do cravo. Para todos os homens cor e cheiro se misturam, são picantes, sempre exigindo que bocas sequiosas peçam um pouco mais, que dedos busquem carinhos para além do que o pudor permite mostrar; e como essas Gabrielas mostram…

A cozinheira do bar Vesúvio está na mente de todos nós. Sei de muita gente que, passando pelas estradas de Itabuna, rumando para Ilhéus, sonha com uma retirante pés descalços, trouxinha de roupa na cabeça, com sorriso largo e espírito livre, pronta para brincar. Com sorriso largo, olhos profundos… Quem sabe, um dia, não aparece uma carona assim, com morenice de cravo e canela? Uma morena assim Juliana, Sonia, Gabriela.

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Boa semana!

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O sertão pelo que ele tem

Cangaceiros, o sertão pelo que ele é!

Vai até o próximo dia 20 de maio, domingo, a exposição “O sertão: da caatinga, dos santos, dos beatos e dos cabras da peste”. Está no Museu Afro Brasil e merece uma visita, até mesmo um retorno para quem já viu.

Pinturas, gravuras e esculturas estão somadas a roupas, fotografias e uma série de objetos, totalizando 800 obras que retratam o sertão de Luiz Gonzaga, da Seara Vermelha de Jorge Amado e de tantos outros sertões, Guimarães, sem fins! No ano que celebramos Gonzaga e Jorge Amado, nada é pouco. A exposição, um sucesso que levou o museu a ampliar o prazo para visitações, revela os traços marcantes regionais, que favorecem e dificultam a vida humana. O sertanejo, “um forte”, é o ser que estabeleceu a relação de harmonia com a terra, tirando dela o sustento e amando-a com todo o ardor.

Antônio Conselheiro (1955), de Mário Cravo Jr. está na exposição que tem a curadoria de Emanoel Araújo.

O Museu Afro Brasil fica na Avenida Pedro Álvares Cabral, portão 10 do Parque do Ibirapuera e quem quiser detalhes adicionais deve ligar para 3320-8900. As visitas são de terça a domingo, entre 10h00 e 17h00.

Ok! É segunda-feira! Mas que tal preparar-se para o próximo final de semana?

Até mais!

 

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