A APAE é necessária.

Para onde vamos?
Para onde vamos?

O título parece óbvio. Mas… Tanto quanto a APAE – Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais -, a AACD, a Fundação Pestalozzi, ADID e similares, todas as instituições especializadas em educação especial merecem respeito, apoio e, sobretudo, verbas decentes para que possam sobreviver com dignidade.

O novo Plano Nacional da Educação – PNE – pretende que “o atendimento escolar aos estudantes com deficiência, transtornos globais de desenvolvimento ou superdotação deve ser universalizado na rede regular de ensino.” Isso significa que entidades especializadas poderão ser impedidas de substituir a educação escolar. Isso ocorrendo, crianças com necessidades especiais terão atendimento, junto com todas as demais, na rede de ensino regular.

É evidente que nenhum político, por mais canalha que seja, determinará a exclusão ou o fim de qualquer instituição por conta do PNE. Todavia, a restrição do repasse de recursos – Grana! –deixaria a maioria dessas instituições em má situação. Assim, como é histórico em nosso país, só as crianças cujos pais tiverem posses receberiam tratamento específico.

Li que o senador José Pimentel – cuja origem profissional é na rede bancária, ou seja, deve entender muito de educação – justificou a redação do texto da PNE dizendo que “o atendimento especial substitutivo à educação escolar na rede regular, ofertado por entidades como a Apae, não encontra amparo legal”. Ou seja, no jogo de palavras da política irresponsável que se pratica em algumas instâncias governamentais, um indivíduo assinala com balelas o apoio (não repasse das verbas) a uma entidade. Uma situação inadmissível.

Sob a expressão “necessidade especial” encontram-se múltiplas necessidades e uma vastidão de especificidades que merecem além da atenção especializada de um educador, um ambiente adequadamente equipado tanto em mobiliário quanto em material de uso dos indivíduos. Escolas como APAE e PESTALOZZI prestam um serviço inestimável colaborando para que um grande número de crianças com necessidades especiais possam receber ensino adequado, ou  vir a frequentar outras escolas com o máximo de aproveitamento possível.

Qual seria a verba para adequar TODAS as escolas, TODAS as salas de aula, para atendimento correto a TODAS as necessidades de nossas crianças? Em quanto tempo os signatários do PNE pretendem colocar professores com o mesmo nível de especialização dos profissionais dessas entidades, em TODAS as nossas escolas? Qual o prazo para que tenhamos salas adequadas em TODAS as escolas para receber tais alunos?

É direito dos pais escolherem onde colocar os filhos; se em escola regular ou especial. Inclusão, mais que modismo, é necessidade. Todavia, há crianças que carecem de um período de preparação específico para que possam conviver com outras crianças. E há aquelas que precisam de um tratamento tão peculiar que só em uma instituição especializada isso é possível. Quem duvidar disso, que visite a APAE mais próxima.

O novo Plano Nacional da Educação – PNE – está em tramitação e deve vigorar para os próximos dez anos; tempo suficiente para grandes estragos. O senador, que já foi bancário, anunciou para 2016 o fim do repasse para as instituições do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb). Com isso, já há data para que muitas instituições deixem de oferecer serviços específicos para nossas crianças.

Excluir verbas de escolas que prestam serviços únicos, necessários, para nossas crianças é algo que merece protestos, passeatas, atos de repúdio. Muitos! Aqui ficam os meus.

Até mais.

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Coesão, ou “a vida como realmente é”

Marisa Monte em Londres. O vestido, de perto, é bem diferente...
Marisa Monte em Londres. O vestido, de perto, é bem diferente…

Proponho um pequeno exercício coletivo: primeiro todo mundo vai descontar 40% do próprio salário. Segunda ação, vamos todos usar o transporte público para ir trabalhar. Pode ser amanhã, entre 07h00 e 09h00; quem preferir pode optar pelo mesmo “passeio” entre 17h00 e 19h00. Que fique bem claro que é só uma proposta; todos podem dizer não.

Lá no Ceará, em Juazeiro do Norte, os professores da rede pública terão seus salários reduzidos em até 40%. A cidade quer se enquadrar na LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal). Aqui em São Paulo a alta do transporte público resultou que o preço da passagem foi de 3,00 para R$ 3,20.

Os professores cearenses anunciaram greve. Ocorreram manifestações em São Paulo contra a alta da passagem. E eu… Bem, no sábado pela manhã, fui visitar a exposição “Jogos Olímpicos: Esporte, Cultura e Arte” na Galeria de Arte do SESI – SP, no majestoso prédio da FIESP.  A exposição é inédita e traz o acervo do Museu Olímpico de Lausanne, na Suíça.

Lá estão os cartazes da maioria das edições do evento, as tochas olímpicas, as medalhas de ouro, prata e bronze de todas as edições e mais, muito mais. Há uniformes de atletas e materiais das diferentes modalidades esportivas. Vídeos, muitos vídeos. Uns falam sobre história, outros com reportagens como, por exemplo, a preparação dos atletas, física e emocionalmente.

Dos vídeos que parei para assistir gostei mais do que mostrou nossos artistas, ao final da última Olimpíada em Londres, quando a bandeira olímpica foi entregue ao então prefeito do Rio de Janeiro. O show brasileiro foi muito lindo. Batuque de bumbo, berimbau; batida de violão, cavaquinho e flautas, melodiosas flautas acompanhando Marisa Monte brincando de cantar Villa-Lobos. Percebi que a apresentação brasileira foi muito melhor sem qualquer comentarista de TV atrapalhando a audição do espetáculo.

Também na exposição constata-se o ditado que diz sobre gatos pardos… Ao lado do aparelho de TV que reproduz o filme da apresentação brasileira encontra-se o vestido que Marisa Monte usou no espetáculo. Sob as luzes do estádio londrino é lindo. Na real ali, dentro da vitrine, quase podendo ser tocado, a constatação é de que o efeito foi lindo, mas que o tal vestido é chinfrim, isso é…

Professores e passageiros de transporte público, recordem Micha, o simpático ursinho russo.
Professores e passageiros de transporte público, recordem Micha, o simpático ursinho russo.

Não vi o Tatu Bolinha, ou sei lá o nome que pretendem para o mascote brasileiro. Uma vez mais me encantei com Micha, que ainda faz lembrar com emoção o final das Olimpíadas de Moscou. O ursinho é destaque entre outros animais e seres estranhos, representantes simbólicos das culturas de locais onde ocorreram os jogos.

Quem chegou até aqui deve se perguntar sobre o que entendo por coesão; a tal característica textual que evidencia harmonia entre as partes de um texto; conexão entre assuntos e temas. Só que fiquei pensando: Quem realmente se preocupa com a educação deste país e com a situação dos professores? Quem, entre os que andam com seus carros estão realmente preocupados com aqueles que vão amassados dentro dos ônibus paulistanos?

Em atitude coesa com a maioria da população resolvi ignorar os problemas alheios e curtir a exposição do SESI.

O SESI é uma instituição preocupada com a educação. Tanto é que na presente exposição há um magnífico salão para encontros e oficinas. Não há um programa impresso com a história do evento, ou com os dados da exposição. Há um fôlder para crianças, com joguinhos que distraem os pimpolhos e deixam pais e mães felizes. Agora, preciso voltar aos temas iniciais…

Tenho ido para o trabalho usando ônibus, metrô e trem. A direção está no contrafluxo e isto me garante um razoável espaço para virar para os lados e, com sorte, ir sentado olhando a paisagem. Não percebo nenhuma melhoria nos últimos seis meses, nada que justifique o aumento da passagem. Percebo, por exemplo, que a CPTM e o METRÔ desligam escadas rolantes na hora do fluxo, pois isso garante maior lentidão e os passageiros demoram mais para chegar à plataforma de metrô e trem. Também colocam grades orientando o fluxo da boiada (Ops!), da grande multidão.

Quanto ao salário dos professores… Rola por aí o Plano Nacional da Educação- PNE que diz, entre outras coisas, que o professor deve ser valorizado através da equiparação de rendimento médio dos profissionais do magistério das redes públicas de educação básica aos dos demais profissionais com escolaridade equivalente. Simplificando rasteiramente, iguais salários para a categoria. Portanto, o professor do Estado do Ceará que tome cuidado, pois o corte pode atingi-lo, baseando-se para isso na tal equiparação que prevê o PNE… Algo semelhante já aconteceu aqui em São Paulo. Um político aumentou o salário dos professores de um lado. Outro congelou, até que Estado e Município se equiparassem…

Ah, mantendo a coesão deste precário texto: a exposição no FIESP vai até 30 de Junho. De segunda a domingo, com entrada franca! Todo aquele que quer ver seu filho dentro dos ideais olímpicos deve estimulá-lo visitando a exposição.

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Boa semana para todos.

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