Ato Solitário – versão do autor

Bruno Fracchia em foto de Lairton Carvalho

No próximo dia 12 (sexta-feira), no MISS, às 19 horas, Santos será palco do lançamento da obra audiovisual Ato Solitário – versão do autor, numa exibição seguida de bate-papo com o realizador Bruno Fracchia. 

Escrita e dirigida por Bruno Fracchia, a obra é um teleteatro que, jogando com conceitos de realidade e ficção, aborda a trajetória de um homem que sucumbe a compulsão sexual em pornografia virtual. Seu crescente isolamento social é atravessado por temas como pornografia da vingança, machismo e o poder da indústria pornográfica. Um universo denso, mas abordado por meio de uma estética agradável de se ver e que proporciona uma bela fruição artística:  a Pop Art. 

A compulsão sexual por pornografia e indústria do sexo são temas atuais e assuntos para debates sociais urgentes, haja vista as frequentes notícias sobre mulheres vítimas de pornografia da vingança (com muitas delas tirando suas próprias vidas) e os dados que demonstram que a cada segundo, aproximadamente, 28000 usuários de internet estão consumindo conteúdo pornográfico e 3000 dólares são gastos nesta indústria que fatura, anualmente, em torno de 97 bilhões de dólares. 

Ato Solitário – versão do autor é uma obra em prol da vida, da educação sexual e de debates urgentes, mas sem esquecer seu papel também como fonte de entretenimento. 

Com: Bruno Fracchia; participações especiais: Day Lopes, Juliana Sousa, Letícia Tavares Homem, Luiz Fernando Almeida, Maria Tornatore, Natanael Gomes e Thays Bras. Atriz convidada: Aline Alves

Serviço:

Lançamento do teleteatro Ato Solitário versão do ator

Local: Museu da Imagem e do Som de Santos (Avenida Pinheiro Machado, 48) 

Horário: 19h 

Duração: 50 minutos. 

Classificação indicativa: 16 anos 

Entrada franca 

Richard Hamilton: Uma visão sobre o mundo

Dizer que um artista está à frente do seu tempo é comum, quase óbvio. E quando esse artista cria uma obra que deveria ser apenas uma ilustração para um catálogo e esta se torna um ícone artístico? E se a exposição tem por título “This is Tomorrow” e o artista sinaliza, em 1956, um modo de vida que torna os dias de hoje, o tal amanhã que a exposição prenunciava? Vamos à obra e ao criador:

Just what is it that makes today’s homes so different, so appealing? (O que será que torna os lares de hoje tão diferentes, tão atraentes?). Colagem, 1956.

Fabrício Gomes do Nascimento, meu aluno, enviou-me a notícia da morte de Richard Hamilton, um dos ícones precursores da Pop Art. O artista faleceu em Londres, aos 89 anos. É chamado de pai da Pop Art e entrou também no universo musical via capa do “White Album”, dos Beatles.

Hamilton participou de um grupo inglês que discutia a evolução da cultura de massa e das tecnologias então nascentes que transformariam o planeta. Ao criar a exposição “This is Tomorrow”, o artista inglês e seus parceiros levaram a cultura popular para uma galeria de arte. Hamilton desfrutava do prestígio de professor no Royal College of Art e a Inglaterra ditava costumes e hábitos para o mundo.

Reproduzido acima, o primeiro grande ícone criado por Hamilton pode ser visto,  guardadas as proporções e visualizando ajustes, como um retrato atual. O culto ao corpo representado na imagem pela pin-up e pelo halterofilista Charles Atlas, por exemplo, são primórdios dos corpos modelados em academias, algumas tatuagens decorativas, ou como outros, esculpidos em “lipos” e silicones. O lar visualizado por Hamilton é complementado com uma espécie de apologia aos produtos de massa: a história em quadrinhos, a televisão, cinema e vários objetos industrializados.

A Pop Art nasceu assim. O que poderia ter sido um movimento crítico – e Hamilton foi um crítico de seu tempo – foi utilizado de forma ambivalente pelos artistas americanos das gerações posteriores. A Pop Art americana é puro consumo. Multiplicidade de significados, ou significado nenhum, apenas o comum exposto como arte (latas de sopa) ou o ídolo musical e cinematográfico (Elvis Presley, Marilyn Monroe) tornado colagens, telas, serigrafias, tudo reproduzido e vendido em larga escala, tornando Andy Warhol – um dos expoentes americanos da Pop Art – um milionário.

Hamilton também criou uma obra sobre Marilyn Monroe. Se Warhol colaborou com suas obras para a criação do mito Marilyn, Hamilton disseca os mecanismos que transformam a atriz na estrela de cinema. (reprodução abaixo).  Em plena maturidade, o artista inglês ainda mostrou, de forma contundente, sua verve crítica retratando como caubói ao ministro britânico Tony Blair, em 2003, pelo apoio que este deu aos americanos na invasão do Iraque.

My Marilyn, fotografias e óleo sobre tela.

O que admiro em Richard Hamilton é o olhar sobre a realidade, a tentativa de compreender o presente em composições visuais críticas. Um artista que nunca perdeu o humor, a ironia, propiciando-nos uma visão sobre o mundo. Quase um profeta.

Até a próxima!