O MAR de Janeiro e de sempre

A maquete com os dois prédios e detalhe do MAR
A maquete com os dois prédios e detalhe do MAR

O MAR, Museu de Arte do Rio é uma das gratas novidades do Rio de Janeiro. A cidade parece um grande canteiro de obras, sinal dos grandes eventos que acontecem e acontecerão na cidade. Inaugurado em março deste ano de 2013, é a junção do antigo (o antigo Palacete Dom João VI) e do moderno – aqui no sentido estrito das construções modernistas – com um edifício que serviu como terminal rodoviário.

O diferencial que merece destaque é a instituição ter como missão inscrever a arte no ensino público com foco principal na formação de educadores da rede pública de ensino.  A proposta se concretiza através da Escola do Olhar, abrigada no prédio antigo. Nas dependências do edifício modernista ocorrem exposições temporárias de curta e longa duração.

Parte do que se vê do terraço do Museu. A Escola do Olhar parte da realidade.
Algo do que se vê do terraço do Museu. A Escola do Olhar parte da realidade.

Na entrada o público é direcionado para o sexto andar onde, percorrendo o espaçoso terraço, tem a visão da região da Praça Mauá, regiões próximas como o complexo do Mosteiro de São Bento, e mais distantes, como a Ponte Rio – Niterói.  O  mar é parte da visão que se tem do MAR e a primeira exposição a que se tem acesso diz bem o momento pelo qual passa a cidade:

“Rio de Imagens: uma paisagem em construção” é a exposição que mostra a cidade representada por diferentes olhares ao longo de quatro séculos. Cartografia, vídeos, pinturas, gravuras, fotografia e design evidenciam as constantes transformações da capital fluminense, antiga capital federal, sempre a Cidade Maravilhosa.

Rio de Imagens. Cartazes de companhias aéreas divulgam a cidade.
Rio de Imagens. Cartazes de companhias aéreas divulgam a cidade.

Burle Marx, Di Cavalcanti, Iberê Camargo, Ismael Nery, Manabu Mabe, Pancetti, Tarsila e Segall estão entre os artistas que deixaram através de seus trabalhos as imagens do Rio de Janeiro de cada época. Esta mostra permanecerá até 28 de Julho próximo.

Parte do acervo onde fotos são permitidas.
Parte do acervo onde fotos são permitidas.

A maior exposição em cartaz é “O Colecionador – Arte Brasileira e Internacional na Coleção Boghici”.  São oito momentos artísticos (Arte Espontânea, Abstração Informal, Surrealismo, Modernismo, Século 19, Abstração Construtiva, Nova Figuração, Pintura Chinesa e Pintura Russa) expostos sem estrutura cronológica. As obras estão próximas conforme a tendência na qual estão inseridas. O resultado é um caleidoscópio fantástico de cores e formas que levam a sensações variadas.

Jean Boghici fundou a galeria Relevo em 1961. Tornou-se colecionador e de seu acervo constam obras dos mais importantes artistas brasileiros como Di Cavalcante ou Vicente do Rego Monteiro, de artistas contemporâneos como Franz Krajcberg  e de grandes nomes internacionais como Auguste Rodin, Max Bill, e entre muitos, Kandinsky. A mostra vai até o dia 01 de setembro e merece, se possível, mais que uma visita.

Exposição “O Abrigo e o Terreno: arte e sociedade no Brasil”.
Geral e detalhe. “O Abrigo e o Terreno: arte e sociedade no Brasil”.

Quero destacar, finalmente, a exposição “O Abrigo e o Terreno: arte e sociedade no Brasil”, onde artistas de diferentes estilos, provenientes de regiões diversas discutem a paisagem urbana através de reflexões sobre a realidade. Os conflitos de interesses gerados pela necessidade de espaço, por especulações imobiliárias além de outros aspectos não menos problemáticos estão presentes. Nesta mostra, que termina neste final de semana, está o “Projeto Morrinho/Imagens da construção do Morrinho e seus participantes”, obra de 2007.

“Projeto Morrinho/Imagens da construção do Morrinho e seus participantes”, obra de 2007.
“Projeto Morrinho/Imagens da construção do Morrinho e seus participantes”.

Bom ver resultados positivos nos projetos de revalorização da região portuária carioca. O MAR – Museu de Arte do Rio, fica na Praça Mauá, 5, Centro, no Rio de Janeiro. Para conhecer um pouco mais visite http://www.museudeartedorio.org.br/

.

Bom final de semana!

.

A trajetória de Giacometti em São Paulo

Uma ampla exposição na Pinacoteca do Estado aproxima a obra de Alberto Giacometti do público paulistano. Foi aberta em 24 de março último e irá até 17 de junho deste ano de 2012, o que amplia as possibilidades de que visitantes de outras cidades e estados possam vir até São Paulo para visitar a mostra.

Pinturas e esculturas, com a mesma maestria

Giacometti nasceu na Suíça, em 1901, mas viveu em Paris de 1922 a 1966, ano em que faleceu. A exposição que está na Pinacoteca é da coleção da “Fondation Alberto et Annette Giacometti”, apresentando obras do início da carreira do artista, passando por várias etapas que compreendem obras do Cubismo, Surrealismo, correntes abstratas e o retorno à figuração. Concretamente, são telas, esculturas, xilogravuras e peças de arte decorativa.

A exposição é impressionante. O domínio técnico do artista é a base para todas as viagens, todas as experiências formais. Giacometti trabalha com elementos mínimos e com grandes objetos; domina a representação da realidade assim como se expressa, alterando a realidade, criando novas perspectivas ou abstraindo formas, sugerindo outras, novas e inusitadas.

Nos retratos pintados ou nas esculturas, o fascínio do artista pela cabeça humana fica evidente. Cabeças achatadas, cabeças esculpidas em diferentes escalas, chegando a admiráveis figuras mínimas que parecem esculpidas em um palito de fósforo, todavia guardando graça e elegância. É notável também a criação de figuras esguias, silhuetas femininas que esbanjam leveza e suavidade. Nas paisagens, imagens de seres emergem de montanhas através dos traços do artista.

Esculturas esguias, elegantes e o autor, entre seus trabalhos.

Ao longo da exposição, distribuída por 12 espaços, mais o espaço central da Pinacoteca, o Octógono, alguns estranhamentos:

Na primeira sala, dedicada à primeira fase do artista, a curadora optou por colocar alguns desenhos de nus atrás de uma parede, como se os escondendo em uma censura velada. O que diria o próprio artista sobre essa decisão?

Em outra sala, é lembrado o encontro entre Giacometti e Jean-Paul Sartre, o intelectual que escreveu dois importantes ensaios sobre o artista. Algumas citações de Sartre, escolhidas pela curadora, foram impressas nas paredes da sala. Nessas, optou-se por frases de grande efeito, mas de conteúdo vazio. O problema não é Sartre.

Finalmente, na Pinacoteca sempre foi permitido fazer fotografias fora das salas de exposição. Os corredores têm sido áreas livres para a ação de fotógrafos amadores. A curadora proibiu as fotos. Uma atitude antipática quando somamos à proibição o preço do catálogo: R$ 120,00.

A exposição vale uma ou várias visitas. Os pequenos pormenores são pequenos. E serão esquecidos, enquanto que as obras do artista estarão aí, para o deleite de todos nós.

.

Boa Semana

.

Registre:

Exposição Alberto Giacometti

Pinacoteca do Estado de São Paulo, Praça da Luz, 2

Informações adicionais: 3324 1000

Até 17 de junho de 2012

De Chirico chegou!

Obra da fase inicial do artista: Gare Montparnasse, 1914

Na UNESP conheci De Chirico; a Marise e o Giorgio. Nessa ordem; a Marise foi minha colega e desde então minha grande amiga. Ela é De Chirico e sempre estudou o outro, o De Chirico greco-italiano. Minha amiga esteve na Itália, aprofundando-se no assunto sobre o qual dissertou em trabalho de mestrado. Conheci o trabalho do pintor na convivência com Marise. Depois, vi coisas dele em andanças por aí. Agora em São Paulo parte da obra desse artista singular.

De Chirico esteve em vários lugares antes de chegar a Paris, no início do século passado. Cidades da Grécia, Alemanha e da Itália, onde, em Florença, começa seu trabalho característico, que veio a ser denominado Escola Metafísica. “O enigma do Oráculo” e “Enigma de uma tarde de outono” estão entre as obras que dão o impulso inicial da Escola, que se caracteriza por combinar elementos anteriores ao artista com outros, retirados do cotidiano observado por ele. Em Paris expõe a série baseada na estação de Montparnasse (imagem acima), passando a ser reconhecido por seus pares.

Foi na capital francesa que o poeta Apolinário e o pintor Pablo Picasso disseram ser Giorgio de Chirico o pintor mais extraordinário de seu tempo. As praças misteriosas, as personagens estranhas, sugerem repetição e invenção. Um universo peculiar que instiga quem observa e faz do observador participante ativo quando este busca respostas aos “enigmas” propostos pelo artista.

As cidades e as personagens de De Chirico. (Reprodução / divulgação)

O insólito proposto por De Chirico está no Brasil, tendo primeiramente passado por Porto Alegre, na Fundação Iberê Camargo. Está no MASP, em São Paulo, até o dia 20 de maio e depois seguirá para Belo Horizonte, em Minas Gerais, onde será exibida na Casa Fiat, (29 de maio até 29 de julho). São 45 pinturas, 11 esculturas e 66 fotografias, da coleção da Fondazione Giorgio e Isa de Chirico, sediada em Roma.

Denominada “De Chirico: O Sentimento da Arquitetura”, a exposição tem curadoria da arquiteta e crítica italiana Maddalena d’Alfonso. Prioriza a produção dos anos 60 e 70 do artista, falecido em 1978. Paisagens urbanas, cidades que mesclam arquitetura antiga e clássica e as estranhas figuras humanas criadas pelo pintor, que antecedeu o Surrealismo e alimentou este. A Fiat é a patrocinadora do evento que foi beneficiado pela Lei de Incentivo a Cultura, e que pode ser visto por R$ 15,00. Estudantes, professores e aposentados, com comprovantes, pagam R$ 7,00.

Certamente Marise De Chirico escreveria melhor sobre o tema. Fica aqui o convite para que ela escreva e para que todos compareçam ao MASP. Fica também um pedido para que Marise coloque na web as releituras que fez da obra de Giorgio de Chirico, que se constituem em um dos trabalhos de mestrado mais incríveis que tive a oportunidade de conhecer.

Boa semana para todos.

.