O casamento dos sonhos

walderez noiva
Nesse dia, Walderes lembrou-se de D. Emília?

Tanto estardalhaço pelo casamento inglês! Brigas familiares do lado da noiva, a famosa discrição da família real britânica e muito, muito fru-fru; com que roupa comparecer, como se comportar, quem vai, quem fica, pode usar joias, quem entra com a noiva e… até uma família quase esquecida, a Imperial aqui da terrinha, manifestou-se contra a união do  nobre com a plebeia.

Um mundo parado em plena manhã de sábado em terras tupiniquins e outras, além mar, para ver o enlace; aquele mundinho que adora reis e rainhas do maracatu, da primavera, do samba, da jovem guarda, da televisão, do cinema e…  of course, da Inglaterra. E eu dei de lembrar dos casamentos de D. Emília! A noiva dos melhores casamentos que frequentei na infância.

Dessas coisas estranhas dos loteamentos urbanos, a Avenida Elias Cruvinel, lá em Uberaba, onde meus pais adquiriram uma casa e para lá se mudaram quando eu tinha cerca de seis meses de vida, era bem peculiar. Corredor de boiadeiros, estrada antiga que ligava a cidade à capital, Belo Horizonte, tinha duas pistas, divididas por uma elevação central, coberta de capim, por onde passavam os postes levando luz para o bairro. Papai, volta e meia, podava o imenso capinzal que crescia em meio à avenida, para que tivéssemos visão do outro lado, um imenso terreno cercado por uma tênue cerca de arame farpado e, até onde se sabe, pertencente à D. Emília.

Ocupando praticamente todo o quarteirão, o terreno em frente à nossa casa continha plantações de ocasião; milho verde era o mais constante e no extremo oeste do terreno ficava uma pequena casa, onde morava D. Emília. Criança, não guardei muito do que os adultos diziam sobre ela. Talvez viúva ou, quem sabe, abandonada pelo marido. Era mãe de dois filhos e, desses, um morava aqui em São Paulo. Até onde me recordo, ela estava sempre sozinha.

Certamente D. Emília foi a primeira mulher vestida de noiva que vi. Guardo na memória uma mulher morena, cabelos castanhos e compridos, um sorriso largo, lindo, cheio de dentes artificiais. Todavia era um sorriso bonito, sincero, um tanto ou quanto aéreo, como se a dona do sorriso estivesse longe, muito longe, quando então resolvia se casar. Sempre me lembro da querida senhora vestida de noiva.

Meus irmãos maiores já conheciam os sinais. De vez em quando era perceptível que D. Emília estava prestes a se casar. Preparava doces, bolos, essas coisas de festa e vestia minhas irmãs como damas de honra, meu irmão como pajem. Começo da tarde, já com um alvíssimo vestido branco, uma farta grinalda de tule e, nas mãos, um pequeno buquê de flores naturais a noiva sentava-se em um tosco banco de madeira, que ocupava a frente da casinha onde morava e, sentada, viajava nos sonhos e delírios de quem sabe onde fica Pasárgada, Shangrilá e outros paraísos da imaginação humana.

As crianças ficavam ao redor da noiva. Em um momento brincando, depois impacientes, querendo provar do banquete nupcial. Após o que se supõe ter sido a cerimônia a noiva, sorridente, servia os convidados. Nós e as crianças da vizinhança. Será que Waldênia e Walcenis, minhas irmãs mais velhas, perguntaram algum dia pelo noivo? Meu irmão Valdonei, certamente adorava bolos, roscas e, tanto Walderes quanto eu, éramos os apreciadores de doces. Tenho certeza de que não importávamos quanto ao noivo, sua ausência ou o dote e as demais implicações que, agora, percebo no casamento do príncipe com a plebeia americana.

Quantas vezes vimos tal cerimônia? Não sei. Na minha memória foram várias. E depois, quando apareceram outros donos dos terrenos e limitaram a residência de D. Emília, ela não durou muito. Faleceu, provavelmente, no final dos anos de 1960.

Guardo de D. Emília o casamento como algo descomplicado e feliz. Uma brincadeira com bolos e doces em uma bela tarde de sol. Talvez estivéssemos descalços, mas recordo guirlandas enfeitando os cabelos de minhas irmãs que, certamente, têm outras lembranças além dessas.

Que o jovem casal do momento possa sobreviver ao assédio da mídia, às fofocas quanto ao vestuário, ao disse-me-disse dos convidados. Tenho cá minhas dúvidas, mas acredito sinceramente que D. Emília, em seus delírios nupciais, foi mais feliz que o herdeiro da coroa inglesa. Como estou imbuído de bons sentimentos, só me resta desejar ao casal de agora a pureza e a felicidade de D. Emília que, para muitos alienada, experimentou mais casamentos felizes que todos os reis do planeta.

Até mais.

Viva São João!

Entendo o fascínio de milhões de brasileiros pelo nordeste, com suas praias inesquecíveis e suas cidades paradisíacas. Todavia, penso que o melhor dessa imensa região seja a permanência de um Brasil meio perdido por aqui. É lá, no nordeste, que o carnaval é do povo, diz CAETANO VELOSO: “como o céu é do avião” e os Santos de junho, Santo Antonio, São Pedro e São João, dominam a paisagem, soberanos, em suas bandeiras multicoloridas.

santo antonio

Antônio querido

Preciso do teu carinho

Se ando perdido

Mostre-me novo caminho

Nas tuas pegadas claras

Trilho o meu destino

Estou nos seus braços

Como se fosse deus menino.

Ah, se eu tivesse um quintal! Certamente, no dia de hoje, teria já tudo preparado, esperando o dia 24 de Junho para hastear a bandeira em louvor ao Santo. É com o olhar de criança que recordo as bandeiras que, por eu ser menino, eram altíssimas. Cheias de fitas coloridas, soltas ao vento, e todo o entorno do tecido, com a imagem do Santo, recoberto com flores de cores vibrantes. Em algumas situações, deixavam-se gravetos, pequenos brotos nos imensos bambus, nesses fincando-se laranjas que, com seu amarelo-ouro, tornavam o mastro mais festivo.

Capelinha de melão

É de São João

É de cravo, é de rosa, é de manjericão.

São João está dormindo

Não acorda não!

Acordai, acordai, acordai João!

Na minha infância era assim. Dia 24 era o aniversário de tio João Batista. Isso significava uma grande festa que começava com o terço, seguia com o hasteamento da bandeira e acendendo-se então, a fogueira. Nesta, aconteciam os batismos, tão sagrados quanto aquele primeiro, feito quando ainda somos bebê. Eula, uma grande amiga de minha família, foi madrinha de meu irmão, Valdonei. Seguiu, pelo resto da vida, abençoando meu irmão e tratando mamãe por comadre.

Tio João era uma grande figura da nossa família. Com meu irmão frequentava os jogos de futebol do Uberaba Sport Clube, indo com freqüência ao estádio do Independente, do Nacional. Iam pelo prazer que o futebol propicia, ou pra ver meu primo, Poy, que foi goleiro do glorioso Uberaba Sport. Meu irmão era companheiro de Tio João. Este, senhor do chope em festas, sempre beneficiava meu irmão com alguns copos a mais. Nas mesas de truco, aprendi a vê-lo com malícia, tentando adivinhar quando ele blefava e, às vezes, assustando-me com os grandes murros e gritos inerentes ao jogo: – Truco! Seguido sempre de grandes gargalhadas, vantagens alardeadas. Uma figura assim, alegre e festiva, tinha o respeito e o carinho de todos. Sempre associei São João ao meu Tio João.

São João

Ah! São João, Xangô Menino

Da fogueira de São João

Quero ser sempre o menino, Xangô

Da fogueira de São João…

Nosso bairro, o Boa Vista, era todo festivo no mês de junho. No clube dos Ferroviários dançavam-se quadrilhas no mais puro espírito das festas juninas. “Seu” Escoura era o marcador, aquele que conduz o grupo, e tornou-se célebre, marcador sem igual. A quadrilha era precedida pelo casamento caipira. Longos desfiles com charretes enfeitadas percorriam as ruas do bairro, chamando todo mundo para os folguedos. Lembro-me de um caminhão, cheio de moças com seus vestidos de chita, coloridos, os cabelos cobertos com chapéus floridos. Em meio a tudo isso, alegre e feliz, minha prima, Maria, filha do Tio João, cantando e acenando pra toda gente.

Com a filha de João

Antonio ia se casar

Mas Pedro fugiu com a noiva

Na hora de ir pro altar

A fogueira está queimando…

Com o tempo, essas festas familiares foram acabando. Ficou, ainda por um tempo, a festa de Santo Antônio, lá em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, feita pela minha tia Olinda. Hoje não tem mais fogueira e, nas casas de meus parentes, de certo, é só o terço, rezado em lembrança ao Tio e em devoção ao Santo. Meu povo, ou mora em apartamentos, como eu, ou têm seus quintais impermeabilizados, com cimento que “deixa limpo”, mas que acaba com metade da poesia da vida.

Por lá, no meu bairro, e por aqui, onde moro, festa junina virou atividade de escola, festa de igreja ou de associação de bairro para arrecadação de fundos. No Nordeste, a festa é do povo. E é por isso que é grandiosa. Toda Campina Grande, na Paraíba, vive a festa, o mês; assim, e com a mesma grandiosidade, a festa ocorre em Caruaru, no Pernambuco. Isso sem contar as grandes festas do Boi que, do Maranhão, chegaram ao Amazonas, fazendo a grande festa de Parintins.

são pedro

A cor do meu batuque

Tem o toque, tem o som

Da minha voz

Vermelho, vermelhaço

Vermelhusco, vermelhante

Vermelhão…

De Açailândia, no Maranhão, guardo um presente com muito carinho. Um vídeo com as apresentações do BUMBA BOI DA MAIOBA, uma das maiores manifestações da festa do Boi, que reúne milhares de pessoas só em ensaios e chega à casa do milhão, nos arraiais da ilha de São Luís.

Passando por Imperatriz, também no Maranhão, vi admirado que quase todas as lojas do centro da cidade oferecem trajes das festas juninas: Vestidos, chapéus, camisas, calças… E nunca tinha visto tanta chita, milhares de metros de chita com seu colorido pra lá de tropical, aguardando compradores.

O Nordeste está em festa. O Norte também. É tempo de MARINÊS, de DOMINGUINHOSALCEU VALENÇA, ELBA RAMALHO e muitos outros, todos reverenciando o sanfoneiro maior, o grande LUA, LUIZ GONZAGA. Milhões de pessoas festejando, homenageando com muita fé e alegria esses simpáticos santos de junho.

Fagulhas, pontas de agulhas

Brilham estrelas de São João

Babados, xotes e xaxados,

Segura as pontas, meu coração…

Da janela deste apartamento, na minha amada São Paulo, e por onde passo, na paisagem da grande cidade, não há bandeira de São Pedro, nem Santo Antônio ou São João. Fogueira, só a de mendigos que em noites tenebrosas tentam vencer o frio. Por aqui, permanece a mania de soltar balões. Um grande perigo! Seria melhor que as pessoas levantassem bandeiras, dançassem quadrilhas, soltassem fogos de artifício. Que o forró dominasse praças e ruas; essa nossa São Paulo seria mais alegre e feliz.

Se Deus quiser vou-me embora pro sertão

Pois a saudade me aconselha o coração

Manda que eu vá convidar Dona Chiquinha

Para ser minha madrinha na fogueira de São João…

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Até!

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Notas Musicais:

Santo Antônio – J. Velloso

Capelinha de Melão – folclore infantil

São João, Xangô Menino – Caetano Veloso e Gilberto Gil

Pedro, Antônio e João – Benedito Lacerda e Oswaldo Santiago

Vermelho – Chico da Silva

Festa do Interior – Moraes Moreira e Abel Silva

Pedido a São João – Luiz Gonzaga

(Valdo Resende/Publicado originalmente no Papolog)

valdoresende.com

As crianças da minha casa

Gosto muito de ver as pessoas em foto quando crianças. Essa brincadeira no Facebook tem um aspecto ótimo. Não importa quem seja o indivíduo; ele é o resultado de uma criança com olhos vívidos, ar inocente, alegria pura, semblante que é só esperança.

Wander Daniel, meu irmão caçula.

Há crianças que evidenciam surpresa perante a vida e, sobre esta, lançam uma fé inabalável, a crença em um futuro bom. São imagens que provocam alegria, despertam ternura e encantamento.

Em 2008 escrevi, no Papolog, sobre o dia das crianças e destaquei minhas irmãs. Resolvi resgatar e completar a família.

Tudo começou com duas crianças…

Mamãe Laura, Papai Bino. As histórias contadas revelam seriedade só em fotos!

Laura, que é paulista de Pioneiros, cresceu em diferentes casas, sempre próximas da linha da antiga Companhia Mogiana de Estradas de Ferro. Em uma delas, em Araguari, a menina Laura encontrou o menino Bino (Para o registro, Felisbino), que havia nascido em Estrela do Sul, Minas Gerais.

Laura e Bino, já casados, tornaram-se os pais de seis crianças. E foi assim que escrevi sobre toda essa meninada:

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PRA NINAR TODA GENTE!

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Ando pensando nesse dia das crianças faz tempo! E, graças a Deus, crianças não faltam por aí. Lá em casa, por exemplo, tem três meninas. Cada uma com suas particularidades, com seu jeitinho, suas manias.

“Se lembra da fogueira

Se lembra dos balões

Se lembra dos luares dos sertões

A roupa no varal

Feriado nacional

E as estrelas salpicadas nas canções…”

As meninas lá de casa sempre foram bem sapecas. Como todas meninas, brincam com suas bonecas: bonecas de pano, de papelão, de louça, de plástico. Meu pai do céu, quantas bonecas! Ensaios infindos para uma possível maternidade. Se a gente dá um cascudo nas bonecas (todas têm nome próprio!) elas choram como se tivesse sido nelas. Mas elas gostam mesmo é de brincar.

Waldenia, mãe de duas meninas, um menino e uma neta menina.

“Eu levo a vida cantando

Hi, Lili, hi, Lili, hi lo

Por isso sempre contente estou

O que passou, passou…”

Meninas são meio esquisitas. Gostam de mandar a gente guardar as coisas, arrumar o quarto, botar os livros no lugar. Parecem mães! Quando menos se espera, lá vem elas usando batom, salto alto, a maquiagem da mãe. Pintam a boca! Colocam fitas no cabelo, colares, pulseiras, brincos e ficam em frente ao espelho… Bobas!

“Menininha do meu coração

Eu só quero você a três palmos do chão

Menininha não cresça mais não

Fique pequinininha na minha canção

Senhoria levada, batendo palminhas

Fingindo assustada do Bicho-papão…”

Não demorei em descobrir que um tal de brincar de casinha, vestir roupa de mãe, fazer comidinha, era um ensaio pra vida. Quase num piscar de olho, as meninas lá de casa deixaram as matinês pelas sessões de cinema do começo da noite. Todas enfeitadinhas, eufóricas, ansiosas, pra encontrar sabe-se lá quem, pois elas sempre… Cochichando!

“Olha as minhas meninas

As minhas meninas

Pra onde é que elas vão

Se já saem sozinhas

As notas da minha canção…”

E quando eu comecei a perceber o mundo direito, as meninas lá de casa já tinham suas meninas e meninos. E eu virei tio, meus dois irmãos viraram pais. Não me lembro de ter brincado de ser pai! Muito menos meus irmãos. O mais velho foi o primeiro a ter sua menina, lá pros lados onde escolheu morar. E, como se fosse um sonho rápido, foi a vez dele de tomar conta da sua menina.

Waldonei, pai de um menino e uma menina.

“Eu te vejo sair por aí

Te avisei que acidade era um vão

– Dá tua mão

– Olha pra mim

– Não faz assim

– Não vai lá não…”

Caraca; meus irmãos encheram a casa de meninos e meninas. E a gente querendo agradar todo mundo, beijar todo mundo, abraçar, guardar do mal do mundo. É uma tensão total se uma menininha cai, se um menino se machuca, se um briga com outro. Os meninos, pra variar, têm que maneirar… – Cuidado, ela é menininha!

Walcenis, um pouco mãe de todos nós.

Foi com minha mãe que começou essa história de “meninas”; ela se refere assim às minhas tias, tios. Em casa temos três meninas. Vieram depois outras meninas, filhas das meninas lá de casa que, por sua vez, tiveram meninos e meninas, ufa!. Ainda tenho o meu irmão caçula, que nos deu menino e meninas; e tenho o outro, que não está mais por aqui, mas que nos deixou uma menina e um menino.

“Mas o tempo é como um rio

Que caminha para o mar

Passa, como passa o passarinho

Passa o vento e o desespero

Passa como passa a agonia

Passa a noite, passa o dia

Mesmo o dia derradeiro…”

Fica repetitiva essa meninada, mas é puro carinho! Sei que estou aí, pelo mundo. Aprendi lá na adolescência a distinguir menina de namorada. Das meninas a gente fica amigo! De algumas, a gente vira um quase irmão. As três meninas, cujas fotos estão aqui no post, são minhas irmãs de pai e mãe. Tenho muitas outras, irmãs na vida.

Este dia das crianças quero dedicar aos meninos e meninas que encontrei por todo o tempo. Acho que a vida seria bem melhor se a gente tratasse as meninas e os meninos como irmãos. E, recordando bem seriamente como é ser irmão, é fácil tratar os outros com maior delicadeza, sendo duro só quando necessário; muito necessário!

Walderez, mãe de um casal, avó de uma menina e de um menino.

O mundo está hiper cheio de meninos e meninas. De todas as idades, credos, cores. Pode-se resolver essa data facilmente, dando um brinquedo bobo, fazendo um passeio qualquer. Afinal, essa data, ao que parece, surgiu foi para incrementar o comércio. Fazer o que… ela está aí! O jeito é encarar.

Esse blog, tudo indica, não é frequentado por crianças. Mas as pessoas que passam por aqui tem irmãos, irmãs… Meninos e meninas. Por isso, para as próximas noites quero dizer pra meninada da minha vida, que vou imaginar essa canção, com todo o meu carinho, para toda a “criançada”!

“É tão tarde, amanhã já vem

Todos dormem, a noite também

Só eu velo por você meu bem

Dorme anjo, o boi pega neném…

Boi, boi, boi

Boi da cara preta

Pega essa menina

Que tem medo de careta!”

(quase fim)

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Essa foi a história que ainda é. Vamos por aí, ao lado de tantas outras crianças que foram netos, bisnetos das duas primeiras, Laura e Bino. Abaixo, concluo este com a imagem do menino que escreve este blog .

Até!

Notas Musicais:

Maninha – Chico Buarque

Lili – Deutsch/ kaper – Versão: Haroldo Barbosa

Menininha –Vinicius de Moraes / Toquinho

As minhas meninas – Chico Buarque

As vitrines – Chico Buarque

O tempo e o rio– Capinam / Edu Lobo

Acalanto – Dorival Caymmi