Tags

E por ser humano faleceu; aos 56 anos de idade.

Todo aquele que usa um computador, que gosta dessa maquininha fabulosa, tem uma divida de gratidão para com Steve Jobs. Afinal, esse homem tornou acessível o bichinho para um número incalculável de pessoas. Jobs foi tema de um trabalho na universidade e foi assim que eu conheci quem era o criador, o poderoso, o milionário e, na medida do possível, o ser humano. E por ser humano faleceu; aos 56 anos; a idade que tenho hoje.

Poucas horas e já vi homenagens e piadas sobre a figura mundial. O cara que, segundo a revista Forbes deixou cerca de US$ 8,3 bilhões para, provavelmente, os três filhos. De tudo o que foi dito sobre esse acontecimento penso é no silêncio sobre a doença, sobre o verdadeiro mal que vitimou Steve Jobs.

Em tempos passados, presenciei indivíduos contaminados pelo vírus da AIDS. Fizeram de tudo para esconder esse fato das pessoas. Recentemente perdi um amigo de infância, vítima de câncer, que também escondeu o fato de, praticamente, todo mundo. Penso que todo o segredo sobre a doença de Jobs tem viés financeiro, embora possa estar enganado. Uma pessoa como ele, faz subir e descer ações nas bolsas de valores de todo o mundo. Só da poderosa Disney o empresário tinha 7% das ações, e os jornais noticiam que ele era o maior acionista físico dessa empresa.

A opinião pública pesa mesmo quando estamos diante da morte. E por isso as pessoas não dizem que estão doentes, não revelam a doença. Por outro lado, uma incrível característica humana, a esperança, mantém o interesse e os projetos dos doentes até nos últimos momentos. Ricos ou pobres, mesmo em estado terminal, os indivíduos se recusam a entregar os pontos. Já vi isso.

Como certas doenças não olham a personalidade, o caráter, a religião, o poder e a conta bancária das pessoas… Um poderoso morreu. E essa morte choca também por isso: ninguém compra saúde mesmo com US$ 8,3 bilhões. Morte é a prova concreta da impotência do ser humano perante a vida. Pensamos que somos, que temos, que podemos e ela chega. Pode começar no pâncreas ou no dedo mínimo, mas quando vem, nada pode ser feito.

É pela impotência, pela impossibilidade humana diante da morte que deveríamos aprender alguma coisa. Pela morte de um cara inteligente, rico e poderoso que deveríamos repensar nossas próprias vidas, nossas limitações. A morte de Steve Jobs nos propicia bastante reflexão sobre nossas precariedades. Talvez seja essa a última grande lição do mega empresário, do criador incansável e do dono de fabulosa fortuna: Somos frágeis e morreremos.

Reafirmo minha gratidão por Steve Jobs. Por todas as músicas, imagens e vídeos que guardo na maquininha aqui de casa. Por todas aquelas às quais tenho acesso graças aos caras todos do universo da computação. Sou grato ao Steve Jobs que, com suas atitudes, impulsionou a concorrência e favoreceu todo o planeta. Por isso podemos escrever mais, ler mais. Som, imagem, produção de texto e leitura em abundância para o mundo inteiro. Conhecimento e diversão! Esse sim é um legado admirável, uma herança incalculável.

Uma ideia: Lembre-se de Steve Jobs e de todos os criadores dessa revolucionária máquina no próximo “Ctrl C + Ctrl V”. É mais que uma simples homenagem; na real, é um pouco da verdadeira herança desses caras, seres humanos, entrando em nossas vidas.