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Hebe Camargo: Taubaté, 8/03/1929 – São Paulo, 29/12/2012

Em um mundo onde os mais velhos são depreciados, desprezados, Hebe Camargo foi a grande diferença. Sempre, em sala de aula, chamei a atenção para a capacidade extraordinária de sobrevivência profissional da “Estrela de São Paulo”. Centenas de rostinhos bonitos, jovens, ficam no limbo da história. Hebe Camargo brilhou entre os maiores nomes da nossa televisão.

Em um país onde muitos se submetem à poderosa Rede Globo, D. Hebe, inteligente como poucas, soube dizer não e manter-se íntegra, personalidade ímpar. Podemos listar nomes dos que foram transformados pelo padrão bobo de qualidade. Hebe nunca escondeu os motivos de não ir para a emissora carioca: – “Lá não me deixariam ser eu mesma!”. Sábia decisão.

Cantora de recursos notáveis, interpretação segura, Hebe notabilizou-se como apresentadora, aparentemente sendo ela mesma. Afirmo aparentemente porque tive a oportunidade de estar incontáveis vezes na platéia de seu programa. Lá, sentado em meio ao público fiel da apresentadora, percebi  que Hebe Camargo era uma personagem que surgia no momento em que o diretor de tv dizia: “- Gravando!”. A mulher se transformava em estrela, sem perder um único aspecto do que ocorria ao redor (Já escrevi sobre o momento em que ela, após uma entrevista, localizou na platéia o engraçadinho que assoviara para um convidado do programa).

Durante os intervalos Hebe era Hebe, a mulher que comia salgados levados ao auditório pelos fãs; era uma menina insegura perguntando se o vestido lhe caíra bem; era a profissional discutindo quem devia convidar para o programa, sempre aberta e honesta: “- Esse dá para trazer, temos verba.  “Fulano” não dá, está muito caro”. Esse e fulano eram os artistas da hora, e o público ficava feliz em decidir os rumos do programa junto a apresentadora.

Penso que a sobrevivência profissional de Hebe vai muito além do que, abstrata e genericamente, denominamos carisma. No meio enlouquecido do show business, onde máscaras e mentiras são comuns, Hebe era apenas uma mulher. Que ria de suas próprias falhas, que entregava-se ao que acreditava e falava asneiras, que anunciava necessidades e confessava seus afetos. Uma grande mulher!

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Adeus, Hebe! Obrigado.

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