Tags

, , , , , , , , , , , , , , ,

Claude Monet – Le Bassin aux nymphéas; harmonie verte, 1899

A exposição “Impressionismo, Paris e a Modernidade” está chegando ao fim. O Centro Cultural do Banco do Brasil – CCBB – promete uma virada nesse final de semana, procurando atender ao público que, lotando o local, deixou evidente a paixão geral pelos artistas impressionistas. Tenho grandes amigos e Sonia Kavantan tirou-me das tarefas cotidianas para ver a exposição. Um grande momento no início da semana.

A exposição ocupa todo o prédio do CCBB. A coleção veio do Musée d’Orsay e compreende um amplo painel do movimento Impressionista, um raro momento em que é a pintura a influenciar as demais formas artísticas. Paris, no final do século XIX, abriga centenas de pintores ávidos por um lugar de destaque no mundo da arte. Os Impressionistas serão, no início, duramente criticados para, só depois, tornarem-se disputados pelos colecionadores.  Todas as fases do movimento estão na exposição do CCBB, tornando-a imprescindível para aqueles que apreciam pintura.

Os organizadores criaram um circuito, certamente já prevendo a afluência de grande público, e a mostra começa com um audiovisual no térreo. Depois, o visitante é encaminhado para o quarto andar para, seguindo o roteiro indicado por eficiente sinalização, percorrer todo o prédio, até o final da mostra, no subsolo.  As intenções são louváveis e atingem os objetivos básicos. Todos conseguem passar os olhos por tudo.

Gosto de passear por uma exposição e deixar que o quadro “me ganhe”. Com isso quero dizer que não me preocupo em identificar todas as obras, ler todos os detalhes de tudo. Com mais de 80 quadros em exposição e minha memória de 57 anos bem vividos, fica complicado guardar tudo; nem pretendo guardar tudo. O bom é deixar a sensibilidade livre para que uma obra, ou várias, ganhem espaço e tomem conta do coração.

É bem verdade que o páreo, no CCBB, é duro. Tem Vincent Van Gogh (o meu preferido), tem Paul Cézanne, Paul Gauguin, Edouard Manet, Auguste Renoir e, entre outras feras como Camille Pissaro e Edgard Degas, há Monet, Claude Monet. É difícil estabelecer uma escala tipo quem é maior, quem é melhor. Assim, deixando a percepção livre, fui aprisionado por Claude Monet.

Antes de continuar é bom lembrar que, em sala de aula, falo sobre o impressionismo desde quando iniciei meu trabalho como professor… Décadas! Uma exposição como a do CCBB é algo como rever velhos amigos, conhecer “pessoalmente” outros e, graças a Deus não sei tudo, descobrir outros. Então, sinto-me “em casa”, com uma vontade imensa de usufruir mais, ficar mais, e já meio ranzinza, querendo que todos desapareçam para que eu possa ficar sozinho, namorando cada tela.

Claude Monet – La gare Saint-Lazare, 1877

Em uma exposição sobre Impressionismo pode ser lugar comum chamar a atenção para a supremacia de Monet; no entanto, é isso. A coleção do museu francês só faz deixar claro que, em se tratando de Impressionismo, Monet é o maior entre os mestres do movimento. Todos os outros são bons demais, evidenciando que Monet é ótimo.

Dentre os vários trabalhos de Monet que estão expostos, escolhi os que estão reproduzidos neste post. Todos sintetizam o movimento em sua complexidade. Nem é preciso estudar arte para compreender a beleza da tela; não carece saber de história, de estética, de técnica de pintura. Basta olhar; demoradamente observar e analisar a maestria do artista captando formas, sugerindo outras, induzindo-os a completar outras com o tal fenômeno da persistência da visão.

Que me perdoem todos os outros, até meu amado Van Gogh. Cada artista tem sua especificidade, a beleza peculiar, a técnica incomparável que determina uma identidade; todavia, nesta exposição, Monet estabelece o padrão para os demais. Diante de suas telas não há como ter equívocos: estamos diante do Impressionismo, o movimento na pintura que buscou captar um instante; formar a figura a partir de pinceladas fragmentadas; que ensinou-nos a olhar para o cotidiano através da visão privilegiada de grandes artistas, como Monet.

Apareçam por lá. Ainda há tempo. Pode ser outras as telas que farão emergir paixões. Eu fico por aqui, curtindo a lembrança do trabalho de Claude Monet e eternamente grato à Sonia Kavantan pelo belíssimo presente.

.

Até mais!

.