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claudio barros convite

Feliz e orgulhoso em poder divulgar o trabalho de Claudio Barros, artista cuja trajetória acompanho desde quando ele chegou de Ouro Preto, onde havia iniciado carreira profissional. Artista plástico carioca radicado em São Paulo, Claudio trabalha com xilogravuras, têmpera acrílica e desenhos à óleo sobre papel.

Começa hoje, 19 de março, a exposição CLAUDIO BARROS, PINTURAS, DESENHOS E GRAVURAS no Espaço Cultural do TRT, localizado na Rua Barão de Jaguara, 901, 1º andar, Campinas – SP.

O texto abaixo, sobre o artista e a exposição, foi escrito especialmente para a apresentação/divulgação do evento. Vale a pena conhecer.

A AMBIGUIDADE ENTRE O ESPAÇO E A MATÉRIA NA PINTURA DE CLÁUDIO BARROS

claudio barros pintura 1

Olhando lá para trás na carreira longa do pintor Claudio Barros, entrevemos um namoro inicial com Matisse, com o cubismo – na sua veia mais colorida – e com o Robert Delaunay pré-abstrato. A explosão de cores, a estrutura compositiva que desafia as leis da perspectiva em obras como “O sonho” e “Viaduto ”, ambas de 1989, são provas desse interesse inicial do artista. 

Se, ao contrário, observamos os seus ciclos de pinturas mais recentes, como as séries “Jardim e portão” (2006-2008) e “Plantas (coloquei esse nome, pois falta um título para a ‘série’)” (2010), vemos que as primeiras “paixões” foram aparentemente abandonadas, mas sem deixar de fornecer as sementes que brotariam numa obra original e autônoma. Vemos que as cores intensas – herança do fauvismo através dos mestres citados – deram lugar a cores tênues e em harmonia entre elas, ao invés dos fortes contrastes iniciais; e, ainda, que a fragmentação espacial foi substituída por planos mais amplos. Permanece, porém, do antigo “namoro”, a interpenetração dos vários planos espaciais – realizada, entre outros recursos, através da densidade da matéria pictórica. Por exemplo: as linhas, nas telas de “Jardim e portão”, sugerem a profundidade espacial, que, entretanto, é desmentida pela própria, densa matéria das tintas na superfície do quadro; e, em “Plantas”, ramos, folhas e flores parecem incrustados no muro que lhes serve de fundo, num inesperado efeito “marchetaria”. 

As obras de Claudio Barros são construídas a partir dessa ambiguidade; e, dessa forma, os mais simples e humildes temas figurativos – um canto de quintal, um portão de ferro, uma planta ao longo de um muro – transcendem o seu caráter casual para abraçar uma reflexão sobre a natureza da própria linguagem visual. São elevados de simples descrição a afirmação do artista às voltas com a sua linguagem, com uma expressão independente de qualquer referência temática externa.

Entre os diálogos iniciais com os mestres da arte moderna e esses ciclos mais recentes, flertando ocasionalmente com a pintura abstrata e matérica e sempre tendo como fio condutor a ambiguidade entre espaço e matéria, Claudio Barros dá provas de uma criatividade e de uma curiosidade inesgotáveis.

Roberto Carvalho de Magalhães
Prof. de História da Arte e Ciência dos Museus
Università Internazionale dell’Arte (Florença, Itália)