Desde Drummond!

E o poema poderia ser apenas um eco do passado…

“Lira Itabirana”, Carlos Drummond de Andrade, 1984

I

O Rio? É doce.

A Vale? Amarga.

Ai, antes fosse

Mais leve a carga.

II

Entre estatais

E multinacionais,

Quantos ais!

III

A dívida interna.

A dívida externa

A dívida eterna.

IV

Quantas toneladas exportamos

De ferro?

Quantas lágrimas disfarçamos

Sem berro?

Laura

Estarei distante neste aniversário de mamãe. Este ano, sem festa, lembramos o encontro do ano que passou e quero registrar o momento feliz da D. Laura com os filhos e a mais nova bisneta. Feliz aniversário, mamãe!

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Com Waldênia
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Com Walcenis
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Com Walderez

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Com Maria Luisa

Que Deus abençoe e dê saúde, paz e alegrias para nossa mãe.

Até mais!

Para Carlos Moreno

Carlos Moreno está em Florilégio II, Nas Ondas do Rádio. Foto João Caldas.
Carlos Moreno está em Florilégio II, Nas Ondas do Rádio. Foto João Caldas.

Das boas coisas que acontecem na vida: Neste final de semana dividirei um palco, em Praia Grande, com Carlos Moreno, na Mostra Teatral que encerra o Arte na Comunidade 3. Uma honra! Carlos Moreno está em “Florilégio Musical II, Nas Ondas do Rádio” e eu sou autor e diretor de “Brincando Entre a Serra e o Mar”.

Como a maioria dos brasileiros conheci Carlos Moreno via televisão. Posteriormente tive a oportunidade de vê-lo em outros trabalhos, principalmente no teatro, sempre admirando o ator talentoso, o grande profissional. Foi em reuniões e eventos promovidos por Sonia Kavantan que nos conhecemos. Em comum, além da amiga, somos quietos, discretos e reservados; ou seja, nada além de papos econômicos, muita cordialidade e, de minha parte, uma dívida.

Estreias teatrais são momentos tensos e, frequentemente, imprevistos causam grandes problemas. Quando a dificuldade é no palco, em cena aberta, dizem que a solução vem com a ajuda dos “deuses do teatro”; todavia, é preciso entrar em cena e para que isso ocorra é necessário que tudo esteja pronto, que cada profissional cumpra com sua parte no complexo ato de montar um espetáculo.

Foi há muito tempo! Dirigi, para a Kavantan & Associados, a peça “Lampião Jr. e Maria Bonitinha”, de Januária Alves. Houve um problema com a profissional responsável pela confecção dos figurinos e os atrasos na entrega do vestuário foram inevitáveis. Mais que atraso, nas vésperas da estreia faltava concluir ajustes e acabamentos em algumas peças. Uma difícil corrida contra o tempo.

Com a estreia marcada para sábado, Sonia Kavantan lembra que foi na véspera que Carlos Moreno chegou ao teatro, oferecendo-se para nos ajudar. Na minha memória ficou o dia da estreia, quando andando de um lado para outro finalizando som, luz, adequando cenários, atendendo chamados de todos os lados, passei pelo subsolo do palco – uma imensa sala de ensaios e afins – vi Carlos Moreno sentadinho no chão, quietinho, agulha e linha nas mãos, terminando uma peça de roupa. Quase alheio ao burburinho daquele momento, Carlinhos – aqui posso denominá-lo assim – estava concentrado, atento ao trabalho e, em dado momento, serviço concluído afastou-se discretamente; como sempre.

Leciono para o curso de Propaganda e Marketing e sempre menciono a longa parceria entre Carlos Moreno e a Bombril. Falo do grupo Pod Minoga e, recentemente, lembro as edições do Florilégio. Quando pertinente conto essa história do ator e afirmo, com a experiência que a vida me propiciou, que os grandes são generosos.

No próximo sábado estaremos na mesma cidade, no mesmo palco. Tomara que tenhamos um dia tranquilo. Não sei se teremos momentos para conversar, trocar ideia, recordar histórias passadas; por enquanto fica aqui a lembrança de um gesto pelo qual expresso minha profunda gratidão.

Obrigado, Carlinhos!

Três anos de “Um Profissional Para 2020”

Autores presentes no lançamento: Fernando Brengel, Victor Olszenski, Claudia Regina Bouman Olszenski, Vania Maria Lourenço Sanches, Valdo Resende e Vania de Toledo Piza
Autores presentes no lançamento: Fernando Brengel, Victor Olszenski, Claudia Regina Bouman Olszenski, Vânia Maria Lourenço Sanches, Valdo Resende e Vânia de Toledo Piza

Há três anos, exatamente no dia 19 de setembro de 2012 lançávamos, na Livraria Martins Fontes o livro “Um Profissional para 2020” pela B4 Editores. Naquele dia, depois de um exaustivo trabalho que durou muitos meses, estávamos prontos para o teste vital: o encontro com o público.

De lá para cá tenho tido muitos bons momentos em função deste trabalho e creio que minha vida, assim como a de meus companheiros, tomou cores diferenciadas com esse lançamento. Pensei e tenho certeza do quão é necessário agradecer.

Organizei o livro “Um Profissional para 2020” e contei com preciosas colaborações. De Claudia Regina Bouman Olszenski a calma e firmeza na hora de decidir; de Victor Olszenski a capacidade de negociar com diplomacia impecável e de Fernando Brengel, através da Presença Propaganda, uma incrível divulgação que colocou o livro em grande destaque nas mídias sociais.

O elenco de autores completa-se com Carlos Eduardo Costa, Elen Gongora Moreira, Luís Américo Tancsik, Regina Cavalieri, Vania de Toledo Piza e Vania Maria Lourenço Sanches, mais nosso caríssimo prefacista, Mitsuru Higuchi Yanaze. Quero lembrar e registrar as colaborações de Kelly Cristiane Silva (auxiliando Regina Cavalieri) e Regina Ferreira Luppi (participando na pesquisa que deu origem ao capítulo sobre “O comportamento nas redes sociais”).

Outros colaboradores não devem ser esquecidos. Fátima Borges, nossa revisora; Adriana de Aguiar Silva, apoiando-nos com materiais gráficos; Cadu Blanco, nosso primeiro contato com os editores e Marta Blanco, que apoiou-nos incondicionalmente para a concretização do projeto.

Uma, entre as belas  peças criadas pela Presença Propaganda, sob direção de Fernando Brengel
Uma, entre as belas peças criadas pela Presença Propaganda, sob direção de Fernando Brengel

Meus mais sinceros e profundos agradecimentos aos parceiros, amigos, conhecidos, aos profissionais envolvidos – perdoem se a memória falhou e alguém não foi citado – por esse trabalho do qual me orgulho muito. Gratidão é a palavra que sintetiza esse momento e momentos posteriores, para todos aqueles que dedicaram parcela do próprio tempo para ler cada capítulo do nosso livro.

Nesta última semana dediquei algumas horas para retomar “Um Profissional Para 2020”. Constatei, sem qualquer receio de errar, que meus colegas acertaram o caminho com rara precisão. Nosso livro mantém-se atual nos temas abordados e certamente é ponto de partida para nortear todo jovem que pretende atuar nas áreas de marketing, publicidade e administração.

Por tudo isso, reitero agradecimentos e deixo aqui meu carinhoso abraço aos companheiros de jornada, torcendo sempre para que nosso trabalho possa resultar em caminho para os profissionais de amanhã.

Beijos carinhosos,

Valdo Resende

Arte na Comunidade 3 Abre Inscrições Para Mostra Teatral Itinerante

Espetáculos farão parte da Mostra Teatral do projeto em outubro e novembro deste ano.

Mostra Teatral contempla cidades visitadas pelo Arte na Comunidade 3
Mostra Teatral contempla cidades visitadas pelo Arte na Comunidade 3

A Mostra Teatral Itinerante é a quarta e última fase do projeto Arte na Comunidade 3, que contempla as cidades de Cubatão, Guarujá, Praia Grande, Santos e São Vicente. A primeira etapa foi de apresentação aberta e gratuita de peças escritas por Valdo Resende especialmente para cada uma das cidades, a segunda e terceira etapa foram de circulação de duas contações de história dentro das escolas municipais, seguida de atividades criativas de construção de histórias pelos alunos.

A quarta etapa, a Mostra Teatral Itinerante, será um evento gratuito e aberto ao público e terá a programação composta por espetáculo de um grupo de teatro profissional, apresentação da montagem cênica do texto de Valdo Resende sobre a região da Baixada Santista, apresentações de artistas locais e exposição das produções textuais criadas pelos alunos das unidades participantes do projeto.

Idealizado pela Kavantan & Associados, patrocinado pela Alupar e Taesa e apoiado pela ELTE – Empresa Litorânea de Transmissão de Energia, o projeto Arte na Comunidade 3 leva arte e lazer por meio do teatro a cinco cidades do litoral paulista e busca o resgate e a valorização da cultura e da memória local.

COMO SE INSCREVER PARA PARTICIPAR NA MOSTRA TEATRAL ITINERANTE

Para a Mostra Teatral serão selecionados cinco espetáculos, sendo um para cada uma das cidades envolvidas, Cubatão, Guarujá, Praia Grande, Santos e São Vicente. Serão priorizados espetáculos que abordem questões relacionadas à identidade cultural e ao meio ambiente, e também será dada prioridade para espetáculos inéditos na região. Os espetáculos deverão ter a duração aproximada de 1h e a classificação indicativa livre. Eles serão apresentados em palcos montados em locais públicos – praças, pavilhões de eventos, entre outros -, por isso as estruturas de som e de luz e os cenários deverão ser adaptáveis a estes espaços.

Importante: a temática da peça deve atrair todas as idades; o espetáculo deve ser pensado para toda a família.

Os interessados deverão enviar a proposta até o dia 25 de setembro aos seguintes e-mails: sonia@kavantan.com.br e lilian@kavantan.com.br. Ela deverá conter: sinopse, fotos e/ou vídeos e o valor do cachê (sem os gastos com transporte e com a alimentação).

Parceria

Cubatão: PMC, SEDUC – CAPFC e SECULT – Rede pela Diversidade Cultural

Guarujá: PMG, SEDUC e SECULT

Praia Grande: PMPG, SEDUC e SECTUR

Santos: PMS, SEDUC – Programa Escola Total e SECULT

São Vicente: PMSV, SEDUC – CECOF e SECULT

Patrocínio: Alupar e Taesa

Apoio cultural: ELTE

Ministério da Cultura/ Lei Rouanet

Nós, as saúvas.

Tenho tido dificuldade em escrever neste blog. E, por razões similares, tento falar pouco. O difícil exercício de calar, pensar, compreender, meditar, ponderar, refletir, raciocinar, entender e, mais difícil que tudo: aceitar, reconhecer, perdoar, conviver…

Há muito, quando entrevistei a atriz Marilena Ansaldi, ela afirmou que estava tudo muito ruim; e que iria piorar. Ansaldi foi bailarina e desenvolveu posteriormente uma brilhante carreira de atriz criando espetáculos contundentes, que demonstravam além da capacidade de criar, uma notável forma de ver e pensar o mundo. Desde tal entrevista, volta e meia recordo a reflexão da atriz; reflexão não, conclusão: vai piorar.

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Quando trabalhei com Antunes Filho, em uma das versões de Macunaíma, o diretor falava da morte da personagem, associando a isso um estranho hábito que nós brasileiros temos, tal qual saúvas, de levar veneno para dentro das nossas tocas. Haveria momento em que, conscientes ou inconsequentes, levaríamos o veneno mortal para dentro de casa, dando de ombros ao risco de matar todo mundo. Terrível!

Penso que é difícil, na atual conjuntura, discernir alimento e veneno. Informação e mentira. Temos imprensa partidária que alardeia isenção; frequentamos igrejas que trocaram indulgência por sofisticadas formas de dízimo, comercializando céu, saúde e paz; nossos dirigentes de todos os partidos convivem com corruptos, colocando-se no mesmo balaio e evidenciando verdades populares do tipo dize-me com quem andas…  Vivemos sob um sistema que cria necessidades em nome do capital e, acima de tudo, nos diferenciamos das saúvas por um infinito individualismo. Somos “a saúva”. Os outros…

Os outros são aqueles com os quais somos obrigados a viver, a suportar. Para tanto, temos deuses e santos que nos são convenientes, tremendamente incômodos se temos que seguir ensinamentos tipo “amar ao próximo”. Somos um país cristão dividido entre católicos e evangélicos competindo entre si para garantir adeptos, sempre afirmando que somos irmãos; garantimos novas chances de retorno via espiritismo e, por atavismo, ignoramos diferenças sociais quando precisamos do apoio de um pai de santo. Quando sofisticados, cultuamos exóticas crenças, daquelas para quem pode viajar e conhecer a Índia, a China, ou mais próximos, os caminhos de Compostela.

Cuidamos do que somos, do que é nosso, do que nos diz respeito. Não importa quão alto tenha que ser o muro, quão resistente tenha que ser a armadura e eficaz o sistema de segurança. Precisamos nos defender… Do outro.  Lutamos também pelo o que pensamos, frequentemente, em contraposição ao pensamento de outros. Em atitude exacerbada, parece que o ideal é destruir quem pensa diferente. Política, religião, opção sexual… Interessa aquelas ideias e posições que são as nossas.

Somos saúvas e carregamos, com dificuldades de discernimento, o alimento e o veneno. Tal qual a chamada praga, destruímos muito do que nos cerca. Piores que formigas, ameaçamo-nos uns aos outros, colocamo-nos em perigo e, ameaçados, miramos o outro, sem conseguir enxergar o veneno sobre nossas cabeças.

Está difícil concluir, pensar saídas, vislumbrar soluções. A única pergunta que não me sai da cabeça: o que pode ocorrer para que ocorra uma intensa e honesta virada?

Até mais.