Adriana boa de chifres!

A novela Avenida Brasil entra na reta final com a revelação do grande chifre que Carminha, a personagem interpretada por Adriana Esteves, impôs ao apalermado Tufão de Murilo Benício. Chifres dão audiência; muita audiência. Na minissérie Gabriela há galhos por todos os núcleos, mas nenhum se compara ao que Carminha impõe ao jogador de futebol: dentro da casa do fulano, com o marido da cunhada e trazendo para o seio familiar os dois filhos do “outro”.

Não faz tanto tempo que D. Hillary Clinton entrou para a história como a traída da Casa Branca. Deu a volta por cima e tornou-se Secretária de Estado dos EUA. O nhém-nhém-nhém do presidente americano com a estagiária ficou no tempo e D. Hillary segue, impávida, fazendo novas histórias em cargo que lhe confere lugar de destaque entre as mulheres do planeta.

Dalva de Oliveira e Adriana Esteves.

Adriana Esteves, na pele da “traíra” do momento, vem de um histórico recente, também na telinha, que merece lembrança. Ao viver Dalva de Oliveira, a atriz global fez um belo aprendizado de chifres. A cantora Dalva foi traída e traiu Herivelto Martins. Este foi um grande trabalho de Adriana e, penso, melhor para a atriz enquanto possibilidade de crescimento profissional.

Interpretar Dalva de Oliveira deu a Adriana Esteves a possibilidade de elaborar uma personagem com bases históricas. Quem assistiu a minissérie viu Adriana cantar os grandes sucessos de Dalva de Oliveira. Sem ser cantora, o trabalho da atriz foi primoroso porque além dos aspectos humanos da turbulenta vida de Dalva, soube ser estrela e reviveu com competência a aura de uma mulher especial.

Villa Lobos considerava Dalva de Oliveira a maior cantora do Brasil. Herivelto Martins traiu publicamente a cantora, criando um pano de fundo verídico para as interpretações arrebatadas de Dalva que cantou dramas desesperados.

A minha dor é enorme

Mas eu sei que não dorme

Quem vela por nós.

Há um Deus, sim

Há um Deus!

E este Deus lá do céu

Há de ouvir minha voz

Se eles estão me traindo…

(Há um Deus – Lupicínio Rodrigues)

DALVA DE OLIVEIRA, para usar uma expressão da época, pouca usada ultimamente, era a fossa em pessoa. Sem receio de expor paixões, DALVA cantava a própria vida. Escorada em grandes composições, imprimia verdade às mesmas. Adriana Esteves “se jogou” nos dramas, nas canções, em toda a vida da cantora, com uma rara capacidade de entrega. E fez o Brasil lembrar o quanto Dalva foi bonita; tão bonita quanto é Adriana Esteves. A minissérie lembrou os barracos entre a cantora e o compositor que, em nada, perdem para as desavenças da família do jogador Tufão.

Estamos vendo o ápice da carreira de uma atriz que começou menina, na já distante Top Model. O sistema televisivo brasileiro impõe ao público atores jovens, sem experiência e formação adequadas. Beleza, charme, graciosidade e muita simpatia levaram Adriana Esteves ao estrelato. Há por aí registros de críticas severas ao trabalho da atriz. Ela continuou fazendo drama, humor, mocinhas, personagens históricas para chegar, em Avenida Brasil, na primeira grande vilã de sua carreira.

Carminha e as velhas artimanhas femininas sobre bobos e trouxas.

Vilãs de novela das nove são do porte de Fernanda Montenegro (Chica Newman e Bia Falcão), Beatriz Segall (Odete Roitman), Glória Pires (Maria de Fátima) e Renata Sorrah (Nazaré Tedesco), só para lembrar algumas “feras”. Adriana Esteves entra para esse time em uma das novelas mais comentadas dos últimos tempos. Quando Avenida Brasil sair do ar levará consigo a mocinha vingativa e o chifrudo tonto, que serão colocados no limbo para serem lembrados em função de terem sido escada para um grande trabalho de Adriana Esteves, a Carminha.

Levando chifres em Dalva, colocando chifres em Avenida Brasil. Dois momentos intensos do trabalho de uma atriz que atingiu notável domínio de seu ofício. Palmas para a mulher Adriana Esteves e muitos bofetões para Carminha que agora, na fase final, apanhará bastante, na velha e boa catarse, lavando a alma do público noveleiro da Brasil.

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Bom final de semana!

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A turma do contra

Um pedido de suspensão do filme “TED” e uma nova investida contra a obra de Monteiro Lobato são situações que me ocupam neste momento.

Um deputado encontrou um meio de projeção fora do horário eleitoral ganhando o noticiário ao pedir a proibição do filme “TED”, de Seth MacFarlane, estrelado por Mark Wahlberg que interpreta um jovem que tem amizade com um urso de pelúcia da infância à idade adulta.

Mark Wahlberg é o astro de TED.

Segundo o deputado, que foi ao cinema junto com o filho, um garoto com 11 anos, o tal filme passa “a mensagem de que quem consome drogas, não trabalha e não estuda é feliz”… Um pai zeloso. Interessante é o deputado preocupar-se com a “mensagem”, o que em si já dá uma ótima discussão sobre as funções desse tipo de produto – ou o deputado desconhece que o objetivo da indústria cinematográfica é arrecadar grana?

O cinema de consumo não é propriamente indicado para educar os filhos. No máximo serve para que pais discutam com as crianças questões tais como as apresentadas em “TED”. É simples assim: ao invés de proibir, discutir com o filho a validade da situação.  Ou será que o deputado não consegue encontrar argumentos para convencer o filho da impropriedade das situações apresentadas no filme?

Evitar o cinema e ir para uma biblioteca poderia ser um ótimo conselho ao pai deputado (ou seria deputado pai?). Todavia lá, já sabemos, ele encontrará Monteiro Lobato. E conforme alguns cidadãos, mestres em educação, o célebre escritor é um perigo para a sociedade, com obras “racistas” e “sexistas”.

O “perigoso” Monteiro Lobato.

Os autores da denúncia contra “Negrinha” estão preocupados com a legalização da aquisição da obra pelo MEC – Ministério da Cultura, e com o texto de apresentação da obra. Este seria “ruim e demonstra a falta de cuidado que o MEC está tendo com o assunto.” Um extenso documento discute e aponta as razões dos autores que analisam e interpretam a obra de Lobato buscando confirmar as hipóteses que justificariam as denúncias.

Mais uma vez devo repetir o argumento: discutir a obra é melhor que proibi-la. Resta saber se os professores brasileiros têm condições de discutir a obra de Lobato, ou de qualquer outro escritor para, assim nortear as reflexões de seus alunos. A atitude dos tais mestres em educação é paternalista, pois pretendem entregar a “receita” pronta, quando o problema começa atrás, nas escolas que não preparam professores com competência para discutir literatura com a profundidade necessária.

Bom saber que há pais preocupados com a qualidade dos filmes, assim como há “mestres” preocupados com o conteúdo literário disponibilizado para as escolas pelo MEC. Também é bom lembrar que ninguém deu procuração para esses vigilantes da moral, bons costumes e do politicamente correto. Não vejo diferenças entre esses sujeitos e a horrenda personagem magnificamente interpretada por Laura Cardoso em Gabriela. Tenho a impressão que os vigilantes da vida real têm motivos sórdidos, como a megera criada por Jorge Amado e, como ela, também têm algo a esconder: no caso dos vigilantes da vida real, os verdadeiros motivos dessas ações.

Quero ver tudo. Quero ler tudo. É a melhor forma de desenvolver o discernimento necessário para optar e escolher meu próprio caminho. Incluo entre o tudo que quero ver e ler as tentativas dessas pessoas autoritárias, querendo que o mundo dance no ritmo delas. É assim que seguiremos, discutindo, debatendo, mantendo esse delicioso hábito democrático: o da manifestação e discussão de idéias. Será que esses indivíduos, pretendendo proibições, não concebem a idéia de que discutir um tema gera crescimento?

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Até mais!

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Mais uma travessia

Grandes acontecimentos, intensas emoções. A necessidade de deixar calar, guardar tudo no mais profundo do ser exige uma atitude simples: toca a voltar para casa…

 

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Retomando o caminho e percorrendo o aparente vazio. Digerindo as lembranças recentes, avaliando… A imensidão vale sempre para lembrar o real tamanho de cada coisa, cada acontecimento, todos os indíviduos. Somos pequenos seres, daqueles sonham com vida melhor, com céu e eternidade. Somos apenas humanos.

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Sair para retomar. Distanciar para ver melhor. Todo e qualquer acontecimento é apenas uma travessia de uma situação para outra, de um estado para outro. Simples como sobrevoar o Rio Grande para deixar o Estado de São Paulo e entrar em Minas Gerais.

Divisa São Paulo Minas Gerais

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Voltar para casa, para a própria existência  e olhar para dentro de si. Colocar as lembranças no escaninho que há no coração e, voltando para a realidade do dia comum, da tarefa diária sem graça e com pouco charme, ter a certeza de que foi dado um passo, mais um passo naquilo que pensamos e sonhamos viver. Apenas um passo, porque o caminho é longo e há muitos outros passos necessários para completar a caminhada que, por aqui, um dia, será interrompida.

É muito bom estar no local de onde saí. Sobrevoar carinhosamente o Triangulo Mineiro até aterrisar em minha terra natal. Vou ficar um pouquinho por aqui; vou descansar 0utro tanto. Sobretudo retomo a origem e, partindo dessa, lembrar o que falta daquilo que sonhei viver.

Foi nessas terras de Minas que aprendi a sonhar. Aprendi a viver. Voltar neste momento é, em essência, deitar um pouquinho no colo de minha mãe, rever acontecimentos passados, os mais distantes e imediatos para, energia refeita, voltar ao cotidiano, para a labuta diária.

Em um primeiro momento pensei em fotografar minha mãe enquanto ela, silenciosa, criteriosa e muito atenta, folheava página por página do nosso livro, “Um profissional para 2020”. Mas essa visão, perdoem-me, é só minha. Fui, durante todo o tempo em que ela observava o livro, a criança que volta para casa em busca da aprovação familiar. De repente ela fechou o livro, olhou-me com olhar terno, orgulhoso e fez um elogio carinhoso. Informou que começou lendo o texto de apresentação de todos os autores, meus companheiros, depois leria o resto. Tive a sensação de etapa concluida, de terminada uma parte fundamental da travessia. Só aí pude ir dormir, tranquilo e feliz.

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Bom final de semana para todos.

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Algumas, entre 2020 lembranças

Primeiros registros de uma noite que não esquecerei. O lançamento de Um Profissional para 2020!

Tive a oportunidade de lançar meu primeiro livro neste mesmo lugar. Nesta mesma mesa.

Meu especial carinho para meus colegas autores, os presentes e aqueles que, infelizmente, não puderam comparecer.

Fernando Brengel, Victor Olszenski, Claudia Regina Bouman Olszenski, Vania Maria Lourenço Sanches, “Eulindo Amarelinho”, Vania de Toledo Piza

Foi muito bom receber amigos de longe (do Pará, do Rio Grande do Sul), de perto e de todos os tempos de nossas vidas.

Uma geral, na Livraria Martins Fontes.

Gente que nos deu muito carinho, atenção e afetuosos abraços.

Através desta imagem, agradecemos TODOS OS ABRAÇOS recebidos. Obrigado.

Acredito que cada um contará sua história, de um jeito muito próprio. O dia foi cheio, com muitas alegrias e o clima ainda é de festa, de relações amistosas.

Muito bom poder agradecer, registrar por escrito nossa gratidão.

Eu espero estar legal em 2020 e ainda participar da vida de todos que nos honraram nesta noite, 19 de setembro de 2012, principalmente daqueles que estarão entrando no mercado profissional. É lá que teremos certeza das falhas e acertos de tudo o que apresentamos neste livro.

Meu sobrinho João Luiz e meu afilhado, Antônio Gabriel. Certamente profissionais em 2020.

Assim registro minhas primeiras lembranças. Outras virão. Meu profundo agradecimento aos meus colegas autores, aos profissionais da B4 Editores, aos colaboradores neste trabalho e aos amigos e conhecidos que estiveram presentes ou enviaram mensagens, telefonemas, e-mails… Muito obrigado a todos!

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Até mais!

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É hoje o dia!

Muitos trabalhos são marcados por etapas muito distintas e, provavelmente, a melhor é aquela em que colhemos um primeiro fruto do esforço realizado. Hoje, por exemplo, minha casa está limpinha e sou profundamente grato a profissional que realizou essa tarefa. A maioria das pessoas é beneficiada por profissionais assim, que colhem imediatamente o resultado do trabalho: o pão matinal que nos alimenta; a condução que nos leva ao trabalho; o orador que nos orienta durante o culto religioso; e há, nesse aspecto, outros incontáveis serviços e ações.

Alguns acontecimentos levam mais tempo entre a preparação e realização: a festa de casamento, a conclusão de um curso, a estréia de uma peça de teatro ou de um filme… Um livro! Envolvendo diferentes pessoas na tarefa, acontecimentos assim têm caráter público tornando-se, por isso mesmo, motivos de festa. É essa a nossa festa! É hoje o dia!

Chegado o momento, os versos do grande samba de Almir da Ilha (É Hoje!) não saem da minha cabeça!

…É hoje o dia

Da alegria

E a tristeza não pode pensar em chegar!

Diga espelho meu!

Diga espelho meu se há na avenida alguém mais feliz que eu…

Mais feliz que eu, não sei. Tanto quanto é bem provável. Para um grupo de companheiros de jornada, essa data entra para a história. Nosso livro está pronto e estamos felizes. Temos vivido intensamente para ver esse objeto; logo mais estaremos dividindo nossa alegria com todos aqueles que têm acompanhado essa tarefa, alguns sendo parte essencial do projeto.

A B4 Editores nos acolheu e viabilizou nosso livro. Hoje, mais tarde, a Livraria Martins Fontes abrigará nosso lançamento.  Milhares de pessoas estão sabendo desse lançamento graças ao trabalho da Presença Propaganda; e nossos vídeos foram realizados pela equipe da Fractals Produções na Livraria HQ MIX. Muita gente comemorando. E há nossos familiares, colaboradores, amigos, centenas de conhecidos, alunos que através das redes sociais multiplicaram esse acontecimento. Muita gente! Tanta, que daria para brincar e sambar na Avenida Paulista.

…É hoje o dia

Da alegria

E a tristeza não pode pensar em chegar!

Diga espelho meu!

Diga espelho meu se há na avenida alguém mais feliz que eu…

Desde já, um super OBRIGADO para todos, incluindo nesses aqueles que, de longe, não estarão fisicamente, mas estão torcendo pelo êxito da empreitada. Se alguém está indeciso, se alguém ainda não sabia, vale lembrar o puxador de samba e conclamar todos para a grande festa:

– Atenção comunidade! A hora é esta…

O local é a Livraria Martins Fontes, na Avenida Paulista, 509, a partir das 18h30.

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Até mais tarde!

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A agulha do palheiro

Em 2011 foram publicados 58.192 títulos no Brasil. Desse total, 20.405 foram feitos em primeira edição. Esse mercado tem crescido e, no próximo ano, estarei atento aos novos números, sabendo que nosso livro, “Um profissional para2020”, estará entre os milhares de livros disponibilizados para o brasileiro.

Não é nada fácil estar entre vinte mil, disputando espaço na preferência de milhões de brasileiros. A tiragem inicial de um livro, no Brasil, é sempre pequena; entre um, dois mil exemplares. Então tudo fica menor ainda, ínfimo, tal qual agulha no palheiro, ou como as sementes e as idéias. E nisso, na pequenez e grandeza de uma semente ou de uma idéia que está a razão do trabalho, da ação.

A semente do livro contemporâneo surgiu lá atrás, na Alemanha, quando Gutenberg criou a imprensa moderna. De lá pra cá, muitas novas idéias forjaram livros belíssimos; outros inventores e criadores, alguns ainda entre nós, possibilitaram o “livro luz”, com a técnica que permite que você, leitor, leia este post ou a Bíblia, ou mesmo, entre milhões de possibilidades, versos de Cecília Meireles.

…As verdades e as quimeras.

Outras leis, outras pessoas.

Novo mundo que começa.

Nova raça. Outro destino…

E as idéias.

Os livros digitais estão aí e talvez, em 2020, sejam publicados em maior número que os livros impressos. Transitando entre duas eras distintas estou, ansiosamente, aguardando o exemplar em papel e, deixando para depois o livro eletrônico, o e-book. Importa-me a forma, já que necessito dela; sobretudo, importam-me as idéias. De todos os autores que gentilmente aceitaram uma primeira idéia: delinear possibilidades para o futuro profissional, o estudante de agora.

No momento nosso país esta recebendo promessas de ações que modificarão o planeta, o país, a cidade. O tal horário eleitoral é um celeiro de idéias; algumas são mirabolantes; há candidatos a prefeito que não separam as esferas de poder e prometem coisas que estão em esferas acima, onde transitam governadores e presidentes. Plantam idéias e buscam, no grande palheiro eleitoral, um único voto para somar aos tantos necessários em uma eleição.

Nesta semana chega o resultado de um trabalho iniciado há muito tempo; diferentes idéias que foram ganhando espaço, tornadas esboço de uma forma que, em nosso livro, estão fixadas, mas não fechadas. É muito bom estar em um trabalho que não promete, mas que planta; que não determina, mas que aponta, sugere. Uma semente para germinar entre outras idéias, outras sementes, colaborando nas decisões imediatas ou futuras de nossos leitores.

Comecei com os números altíssimos do mercado editorial brasileiro porque é salutar, neste momento, ter a perspectiva correta do que estamos fazendo, do espaço que ocupamos. Somos a agulha do palheiro. Nada me impede de ficar imaginando nosso “Um profissional para 2020” entre os milhares de outros livros disponíveis. Por isso fico sonhando com terrenos férteis para nossas sementes, com mentes livres onde nossas idéias sejam discutidas, refletidas, e só depois acatadas. E assim, só assim, vamos em frente!

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Boa semana para todos!

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Notas:

– Os versos de Cecília Meireles são do Romance XXI ou das Idéias.

Duas irmãs, as primeiras

Imagine que em um dia, já perdido no tempo, recebo um telefonema de Goiânia: “- Oi, você vai ser tio!” Alguns anos transcorridos e estou em um carro rumo à UNICAMP acompanhando a mãe e o bebê, agora mocinha, levando esta para residir na cidade universitária. Este pode ser um fato que dimensiona bem minha amizade com Fátima Borges, a mãe. O tal telefonema chegou porque a amizade vinha de longe, muito longe.

Com Fafa, sempre!

Crescemos em Uberaba, no bairro Boa Vista, e nos aproximamos já na infância. Os tempos eram outros, de uma rigidez absurda determinando meninos de um lado, meninas de outro. Fátima Borges, daqui para a frente só Fafá, começou no teatro primeiro que eu, encenando as peças preparadas por uma moça chamada Isabel, a Belinha. Essa é, efetivamente, a lembrança que ficou não como a primeira, mas viva recordação de como tudo começou.

Comecei em teatro por outras vias, com minha irmã Waldênia levando-me ao TEU – Teatro Experimental de Uberaba. Eram momentos muito legais de festivais de música, de teatro, e minha irmã, começando a universidade, frequentava cineclubes, sessões de teatro. Eu acompanhava e ia tomando gosto pela coisa.

Com Waldenia, todo o tempo!

Um salto no tempo e estou com Fafá no grupo de jovens da Paróquia de Nossa Senhora das Graças. Vivíamos entre os Padres Somascos: Nicolau, Líbero, Américo, Pedro, Enzo… Italianos que nos ensinaram muitas coisas: Um deles, Líbero, gostava de propor desafios. Um desses foi que o grupo de jovens deveria realizar a quermesse, algo restrito aos mais velhos. Lembro-me ao lado de Fafá, visitando os jornais da cidade para divulgar nosso primeiro grande evento. Desse período, marcante e determinante para nossas vidas, Padre Líbero desafiou-nos a tocar violão acompanhando a missa. Vivíamos brincando de fazer barulho com o instrumento. E lá fomos nós, fazer aulas de violão e, poucos meses após, responder positivamente ao desafio do pároco.

Dei meus primeiros passos em teatro no grupo paroquial. Foi minha irmã Waldênia quem me colocou em contato com um livro de Constantin Stanislavski, o grande diretor  teatral  russo, criador do melhor método de estudo para atores. A música foi para plano secundário, um componente entre as montagens teatrais que realizei. Para Fafá, a música tornou-se fundamental e ela, já distante do nosso cotidiano, foi cantar na noite de Goiânia. Enquanto minha amiga cantava em bares e eventos, da capital goiana e região, passei a residir em São Paulo e comecei a trabalhar por aqui.

Será que ela sabe que eu guardo o panfleto?

Na minha bagagem para São Paulo, aprendidos com Waldênia, trouxe os versos de Fernando Pessoa, romances de Fernando Sabino e Autran Dourado e outros livros de Stanislavski. Foi uma boa base para enfrentar a vida. Outro tanto de tempo, convidado pela produtora Sonia Kavantan, montei uma peça infanto-juvenil, “A História de Lampião Jr e Maria Bonitinha”, texto de Januária Cristina Alves. Nessa peça voltava a trabalhar com Fafá, chegando de Goiânia para morar em Santo André, no ABC. O teatro da infância, a música na juventude; Fafá interpretou e cantou, lindamente, sob minha direção.

No presente Waldênia ensina-me outras coisas que ela aprendeu sendo mãe, agora avó. Gostaria de ser tranquilo como ela, de manter frieza em situações complicadas e de saber deixar de lado quem não vale nossas preocupações. Ainda aprenderei. Com Fafá a amizade continua, com uma cumplicidade que não tem tamanho e com um afeto cada vez mais sólido. Cada um no seu canto, sempre juntos. Concretamente juntos também no trabalho: Fátima Borges é a revisora do nosso livro “UM PROFISSIONAL PARA 2020”.

Família que minha irmã formou. Os filhos lindos puxaram “Eulindo”

Deus me deu três irmãs de sangue que amo muito. Únicas em personalidade, em modo de ser e viver. E também fui abençoado com grandes amizades. Tenho mais de uma dezena de melhores amigas. Melhores sim, todas elas; no mais puro sentido do que seja melhor. Não há escala de importância. Há um imensurável amor. No entanto, tudo tem um começo. Waldênia é a primeira lá de casa, a primogênita. Fafá é a primeira grande amiga na minha vida. As duas são aniversariantes neste 15 de setembro. Duas mulheres, irmãs que a vida me deu. Feliz aniversário, meninas!

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Até mais!

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