Tropicália no Sambódromo é Águia de Ouro

Desde o ano passado gostei da idéia de que a Tropicália seria o tema da Escola de Samba Águia de Ouro. A escolha não poderia ser mais feliz e estou torcendo, desde então, para que a Águia de Ouro brilhe na avenida. Não foi por acaso que Caetano Veloso disse em versos, lá na década de sessenta, na letra da música “Tropicália”:

 Eu organizo o movimento

Eu oriento o carnaval

Eu inauguro o monumento no Planalto Central

Do país. 

Se o samba nasceu na Bahia, a Bossa Nova no Rio de Janeiro, São Paulo é a cidade da Tropicália, assim como foi a cidade da Semana de Arte Moderna em 1922. Nossa São Paulo tem uma especial vocação para a modernidade e aqui que a guitarra elétrica foi definitivamente somada ao instrumental da música brasileira.

Os principais criadores do movimento

O tema da escola do bairro da Pompéia, neste ano, é “Tropicália da paz e do amor! O movimento que não acabou” (clique para ouvir). Historicamente, considera-se o final do movimento com o exílio de Gilberto Gil e Caetano Veloso. Após prisão, foram para Londres. Por aqui, Gal Costa fez um trabalho de resistência e a música brasileira ganhou outro matiz com a posterior chegada do grupo Novos Baianos. 

A letra do samba de enredo da Águia de Ouro é farta em referências explícitas para contar a Tropicália: Cita a Bossa Nova, a Jovem Guarda, o Rock, as guitarras e segue, dando crédito aos criadores Caetano Veloso e Gilberto Gil. Lembra a primeira parte do verso mais famoso da música “Alegria, Alegria”, “caminhando contra o vento” que é momento empolgante do samba. Há ainda a menção aos festivais, ao filme “Terra em Transe”, de Glauber Rocha, e à peça de Oswald de Andrade, “O Rei da Vela”, na encenação histórica do Teatro Oficina. Chacrinha é lembrado e as citações terminam com os Novos Baianos.

Bruna Martini, que é minha aluna e integrante apaixonada da Águia de Ouro, foi a primeira a falar-me da Tropicália enquanto tema da escola. E escreveu-me: “Os autores do samba são Jairo, Fernando Sales, Tadeu e Rodrigues. O intérprete é Serginho Porto e o carnavalesco é o Cebola.” Sendo uma escola da Pompéia, pensei que haveria maiores menções ao pessoal da banda “Os Mutantes”. Os meninos moravam no bairro. Acompanharam Gilberto Gil em Domingo no Parque e, como banda, Os Mutantes participam de todo o disco do cantor e compositor, lançado em 1968. Acima de tudo, Os Mutantes mantiveram uma postura musical tropicalista até a década seguinte, realizando um trabalho que atravessou fronteiras, tornando-se a banda brasileira de rock com maior reconhecimento internacional.

Rita Lee estará na avenida. Caetano Veloso manifestou apoio em vídeo. E a Águia de Ouro já anunciou outros nomes para o desfile. Fiquei pensando com meus botões que se eu fosse o tal Cebola, minha comissão de frente reproduziria a capa de “Tropicália ou Panis et Circensis”. O disco é, em si, o projeto estético da Tropicália e, conforme Celso Favaretto, no livro “Tropicália: Alegoria, Alegria”, é estruturado, musicalmente, como uma polifonia, ou longa suíte. Assim, dá uma clara noção do que os idealizadores do movimento pretendem.

A reprodução desta foto seria minha opção para a comissão de frente.

Imaginem um grupo dançando e, bem no meio do Sambódromo, reproduzindo a famosa foto! E se as baianas viessem com cabelos à la Gal Costa? Um grupo inteiro de noivas, lembrando Rita Lee no Festival Internacional da Canção? Cor é o que não falta e espero, sinceramente, que a Águia de Ouro não só faça um belo carnaval, mas que consiga uma excelente colocação. Só pelo tema, a escola já merece estar entre as primeiras colocadas. Agora é torcer para que ela concretize a Tropicália no carnaval de São Paulo e consiga vencer o campeonato.

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Bom carnaval, Águia de Ouro!

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Nota:

Veja abaixo, a letra do samba de enredo da escola que estará desfilando na segunda noite dos desfiles paulistanos. A ordem do desfile do Grupo Especial no Anhembi será:

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Dia 17/02 – sexta-feira: ordemCamisa Branco e Verde; Império de Casa Verde; X-9 Paulistana; Vai-Vai; Rosas de Ouro; Acadêmicos do Tucuruvi e Mancha Verde.

Dia 18/02 – sábado: Dragões da Real; Pérola Negra; Mocidade Alegre; Águia de Ouro; Unidos de Vila Maria; Gaviões da Fiel e Tom Maior.

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Tropicália da paz e do amor! O movimento que não acabou

Autores: Jairo, Fernando Sales, Tadeu e Rodrigues

Águia de Ouro eterna paixão
O tesouro que guardo no meu coração
No swing da Pompéia eu vou
Na Tropicália da paz e do amor

Brasil, oh pátria amada
Terra abençoada de encantos mil
Sua natureza é divinal
Paraíso de beleza Tropical
A Beira Mar a Bossa Nova Nasceu
Guitarras a tocar, como inspiração
Pra jovem guarda e o rock em apogeu (apogeu)
Com Caetano e Gil, a Tropicália Surgiu
Em liberdade de expressão
“Caminhando contra o Vento”
Ao novo tempo sem repressão

No ar, ecoam notas musicais
Pra eternizar, grandes festivais
E os talentos, o povo consagrou
E a  musica embalou

Sucesso no cinema
Terra em transe na tela
A arte a moda em poema
No teatro, “o rei da vela”
Bate tambor no iê iê iê pro povo balançar
O caldeirão a ferver de cultura popular
A nave louca partiu a dor foi demais
Na luta os seus ideais (Ideais)
Mas, Chacrinha tropicalista imortal
Recebe os novos baianos no Planeta Carnaval

…Fá, Sol, Lá, Si Vai Dona Doida!

Rita em capa de disco gravado em 1970

Preparar esse pé de meia

Pra enfrentar a velhice

E se leva a vida inteira

Pra saber que é uma boboquice…

Não precisa olhar calendário. De manhã, bem antes do horário bancário, quando há uma fila de aposentados na porta da agência estamos no quinto dia útil. Logo, logo, em uma dessas filas, não é que a gente pode dar de cara com dona Rita Lee?

…Deolinda dos sem rainha

Deusa pagã do Butantã

Heavy metal de Santa Izildinha

Joana dark do lexotan

Bendita Rita da lua cheia

Rogai por mim nesse começo do fim…

Foi estranho ver e ouvir a própria Rita Lee anunciando aposentadoria dos palcos. Há pouco soube de outra cantora, Nana Caymmi, também falando de afastamento. Ok! Todo mundo tem o direito de parar e, como disse a própria Nana, querer “… ver o sol nascer de forma diferente; e essa casa em Minas corresponde a tudo que eu preciso.” A Minas, de Nana, é Minas Gerais mesmo, onde a cantora escolheu viver. São Paulo é a terra de Rita Lee e é por aqui que ela deverá ficar.

Esta foi outra capa, em 1980

Rita Lee pretende parar com os shows. Da música – ela mesma disse – não se afastará nunca. De qualquer forma é estranho, muito estranho. Fico imaginando Rita Lee na fila do SUS, sentadinha em banco especial do metrô, na fila preferencial dos supermercados, farmácias… E nos bancos, recebendo o “fantástico” e “imenso” salário pago aos aposentados brasileiros!

Como vai você?

Assim como eu

Uma pessoa comum

Um filho de Deus

Nessa canoa furada

Remando contra a maré

Não acredito em nada

Até duvido da fé…

Ultimamente Rita Lee tem usado o Twitter para colocar a boca no trombone. Sem shows, mais tempo terá para o Corinthians, os bichinhos de estimação, os netos e, certamente, para a música. Aos 64 anos, a menina que encantou com a banda Os Mutantes e transformou-se, segundo Caetano Veloso, “na mais completa tradução” de Sampa, das mulheres de Sampa, fez uma trajetória única, plena de êxitos e agora, sem condições físicas, afasta-se dos palcos. Não deixa de ser melancólico.

A Roling Stone celebra a longa carreira de Rita Lee

Em 1972, ainda jovenzinha e com Os Mutantes, Rita Lee gravou “Hoje é o primeiro dia do resto de sua vida”. Essa música bateu na lembrança, na medida em que tomei conhecimento do anúncio da aposentadoria. Sem dramas, sem desespero. Apenas isso:

Hoje é o primeiro dia

Do resto da sua vida

E da minha também

E então

Sente no meu colo.

E assim o tempo passou e o hoje tem sido vivido por Rita Lee. De tantas mudanças que podemos verificar na vida da cantora e compositora, esta é, no final das contas, apenas mais uma: Rita Lee se aposenta dos palcos. Tudo bem! Vamos nessa, sempre bailando…

... Como se baila na tribo

Baila comigo, lá no meu esconderijo.

Boa semana para todos.

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Notas musicais:

As músicas citadas neste post, respectivamente: Dona Doida – Rita Lee/Roberto de Carvalho (o título do post é verso  desta canção); Pé de Meia – Rita Lee; Santa Rita de Sampa – Rita Lee/Roberto de Carvalho; Nem Luxo Nem Lixo – Rita Lee/Roberto de Carvalho; Hoje é o primeiro dia do resto de sua vida – Arnaldo Baptista/Sergio Baptista;  Baila Comigo –  Rita Lee

Maria Bethânia Guerreira Guerrilha

Será neste mês o relançamento do livro de poesia de Reynaldo Jardim

A menina Maria Bethânia nasceu sob o signo da canção; inspirado na música “Maria Bethânia”, um grande sucesso  de Nelson Gonçalves,  o irmão Caetano Veloso, então menino, escolheu esse para nome da irmã caçula e fez dela a sempre “senhora do engenho”, mais tarde dita “Abelha Rainha”, e a única entre as cantoras brasileiras que Roberto Carlos, sempre Rei, denominou “Minha Rainha”.

A cantora Maria Bethânia surgiu para o Brasil em grande estilo, fazendo um mega sucesso e tornando-se musa de poetas, compositores e, entre variadas categorias de admiradores, intelectuais e ativistas políticos. Foi cantada em verso e prosa. É interessante ressaltar e relembrar esse passado, feito de muito talento, alguma sorte e pura garra, de uma intérprete que não dependeu de ações de marketing, do apoio de gravadora nenhuma. Maria Bethânia explodiu no cenário da música brasileira e nele brilha até hoje.

Neste nosso mundo de simulacros, de falsos ídolos – pois criados para consumo imediato por uma máquina que anseia sempre por novos produtos – é bom ter como comprovar o que se diz sobre uma artista do quilate de Maria Bethânia. Em 1965 ela surgiu no show “Opinião” substituindo Nara Leão, que se afastou por estar doente. Nara atuava ao lado de João do Vale e de Zé Keti, no show dirigido por Augusto Boal.

O show Opinião é um marco como oposição ao regime militar, imposto por um golpe em março de 1964. O espetáculo estreou em dezembro,  e no ano seguinte surgiu a figura juvenil de Maria Bethânia. Todos os grandes artistas do período reverenciam esse momento. Mas um documento é impar. O livro “Maria Bethânia Guerreira Guerrilha”, do poeta Reynaldo Jardim, que finalmente está sendo relançado.

O livro sumiu do mapa, tornado raro após ser proibido. Melhor maneira de contar a história do livro é deixar falar o próprio autor. Veja o vídeo em que Reynaldo Jardim faz um emocionado relato do surgimento da obra e que acabou tornando-se a derradeira declaração pública de amor do poeta pela cantora. Reynaldo Jardim faleceu em fevereiro deste 2011. Vejam o vídeo sobre o livro:

E para finalizar, uma imagem, com um exemplo do que está no livro. Pura poesia.

Na contramão com Gal

Parece que meio mundo foi para o Rio, para o Rock In Rio. Prometendo ficar em casa, fiquei, mas foi lá em Uberaba, com minha mãe e irmãs. Bom menino que fui e sou, só estive na missa domingo, pela manhã, na comemoração dos 500 anos da conversão de São Jerônimo Emiliani (Ainda escreverei com detalhes sobre esse santo). E só. Dentro de casa, quietinho.

Noite viajando, segundona braba, cheia de Metállica por todos os lados e continuarei na contramão. Com Gal Costa, que continua cantando como nunca e completando 65 aninhos hoje. Logo voltarei a escrever sobre essa moça, que tem a suavidade na voz. Ela está lançando um disco só de inéditas, todas de Caetano Veloso. Falarei sobre Gal, com prazer. O lance, hoje, é homenagear essa fera.

Pra não ficar totalmente na contramão, com tantas meninas levadas nesse Rock In Rio, vou lembrar um momento ousado da cantora baiana. Deu um falatório danado! E ela, tranqüila e serena, cantando como sempre. Ave Gal! Feliz aniversário.

Boa Semana para todos!

Sim, para a boa música.

Apesar do frio, que insiste em permanecer, a vida segue seu rumo. E o destino mais próximo é a primavera. Estive ouvindo a nova música de Marisa Monte, “Ainda bem” e a música me pareceu tão ou mais velha que  “Body and soul”, o velho sucesso regravado por Tony Bennett e Amy Winehouse. Três bons cantores, bem assessorados, certamente essas duas canções serão tocadas, muito divulgadas, vendidas.

Penso em ficar quieto um pouquinho

Lá no meio do som

Peço salamaleikum, carinho, bênção, axé, shalom

Passo devagarinho o caminho

Que vai de tom a tom

Posso ficar pensando no que é bom…

Havia pensado em não escrever sobre Amy, o aniversário de Amy, a morte recente da cantora. E até pensei evitar escrever sobre o encontro dela com o cantor americano para não repisar os acontecimentos, já exaustivamente passados e repassados pela imprensa. Todavia, “Body and soul” é tão bom, a gravação dos dois astros é tão soberba, tão apaixonantemente boa! E aqui estou, deixando Marisa Monte com seu iê-iê-iê tardio para, partindo da canção de Caetano Veloso, curtir a canção americana.

Tony Bennett está comemorando o 85º quinto aniversário e convidou um time de gigantes para um disco só com duetos. Amy Winehouse foi escolhida para dividir com o cantor uma canção dos anos de 1930, “Body and soul”.  O veterano cantor continua impecável e a jovem Amy esbanja elegância e domínio do que canta. Um encontro absolutamente feliz.

E foi ouvindo os dois cantores que “Nu com minha música”, a canção de Caetano Veloso, tomou conta do meu pensamento. Justamente porque Tony Bennett e Amy Winehouse permitiram-me realizar “o caminho que vai de tom a tom / Posso ficar pensando no que é bom”. E fui misturando todas as coisas deste dia e deixei fluir na tela do meu computador.

O frio está indo embora; a primavera logo vem. Seremos bombardeados pelo bom marketing de Marisa Monte; seremos embalados pelos duetos de Tony Bennett com seus convidados. Nesta e em interpretações similares é que Amy Winehouse perdurará sempre e sempre; portanto, vamos celebrar a vida.

Deixo fluir tranqüilo

Naquilo tudo que não tem fim

Eu que existindo tudo comigo, depende só de mim

Vaca, manacá, nuvem, saudade

Cana, café, capim

Coragem grande é poder dizer sim.

Sim; dizer sim para Caetano Veloso que com suas inspiradas letras dá-nos momentos de prazer, sim para os grandes intérpretes que cantam com a alma as canções que nós, pobres mortais, só conseguimos entoar perfeitamente em pensamentos. Sim para o vento frio dessa madrugada e para um possível sol, um desejado dia de sol.

Eu quero um dia de sol – mesmo que este exista só no meu desejo – porque é aniversário de minha irmã Waldênia e da minha amiga Fafá. Duas pessoas amadas por mim e por um montão de gente. E já que não estarei presente com presentes, paro por aqui, desejando…

Boa música para todos!

Maria Rita navega em águas seguras

O novo disco da cantora, “Elo”, mantém aposta no estabelecido

Capa do Novo Disco

O primeiro trabalho de Maria Rita veio com composições de Milton Nascimento, Rita Lee, Lenine e Zélia Duncan. Compositores mais jovens, da geração da cantora, estiveram presentes através de Marcelo Camelo.

No disco seguinte, “Segundo” uma novidade, Rodrigo Maranhão, o autor de “Caminho das águas” e mais gente consagrada: Marcelo Camelo, Edu Lobo e Chico Buarque, Marcelo Yuka.

Em “Samba Meu”, no terceiro disco da cantora, o samba foi de Arlindo Cruz, presente em seis canções. Ainda teve Gonzaguinha e outros bons sambistas cariocas.

Visto assim, a impressão é que ousadia não caracteriza a carreira da cantora. E ao que indica o quarto disco, “Elo”, Maria Rita continua aposta na segurança, no estabelecido. Chico Buarque, Caetano Veloso, Rita Lee,  Djavan e Marcelo Camelo. Entre os compositores mais jovens estão os filhos de grandes músicos, como Davi Moraes, Pedro Baby e Daniel Jobim.

Pedro é filho de Baby do Brasil e Pepeu Gomes; Daniel é neto do maestro Tom Jobim. Uma parceria de ambos, “Pra matar meu coração” é a primeira música do disco que está sendo divulgada. O lastro, na retaguarda, vem de canções como “Menino do Rio” (Caetano Veloso) e “A história de Lily Braun” de Chico Buarque e Edu Lobo (a relação completa esta abaixo).

E é assim, navegando em águas seguras, garantida em regravações de grandes sucessos, que Maria Rita distancia-se da sombra e da carreira da mãe, Elis Regina. A trajetória de Elis foi marcada por ousadia, gerando em todos a curiosidade em saber qual seria o compositor da vez a ser lançado pela maior cantora do Brasil. Ao contrário, Maria Rita já cantou a maioria das canções deste quarto disco, experimentando a “aceitação do produto”, como é hábito do marketing contemporâneo. Quem segue a carreira da moça conhece as canções, na voz da própria, em shows e programas de tv.

Ah, Maria Rita, é preciso prestar atenção no que sua mãe cantava. Uma canção de um colega dela, consagrado por si próprio e também na voz dela. Um cara que revolucionou a música brasileira, Gilberto Gil, que então escreveu em “Oriente”:

…Considere, rapaz 
A possibilidade de ir pro Japão 
Num cargueiro do Lloyd lavando o porão 
Pela curiosidade de ver 
Onde o sol se esconde 
Vê se compreende 
Pela simples razão de que tudo depende… 

Ah, como é bom quando nossos artistas surpreendem, tirando-nos da mesmice!

Boa sexta-feira para todos!

Nota:

As canções do disco “Elo”

1. Conceição dos Coqueiros (Lula Queiroga, Lulu Oliveira e Alexandre Bicudo)
2. Santana (Junio Barreto e João Carlos Araújo)
3. Perfeitamente (Fred Martins e Francisco Bosco)
4. Coração a Batucar (Davi Moraes)
5. Menino do Rio (Caetano Veloso)
6. Pra Matar meu Coração (Pedro Baby e Daniel Jobim)
7. A História de Lily Braun (Chico Buarque e Edu Lobo)
8. Nem Um Dia (Djavan)
9. A Outra (Marcelo Camelo)
10. Só de Você (Rita Lee e Roberto de Carvalho)
11. Coração em Desalinho (Mauro Diniz e Ratinho)