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Rita em capa de disco gravado em 1970

Preparar esse pé de meia

Pra enfrentar a velhice

E se leva a vida inteira

Pra saber que é uma boboquice…

Não precisa olhar calendário. De manhã, bem antes do horário bancário, quando há uma fila de aposentados na porta da agência estamos no quinto dia útil. Logo, logo, em uma dessas filas, não é que a gente pode dar de cara com dona Rita Lee?

…Deolinda dos sem rainha

Deusa pagã do Butantã

Heavy metal de Santa Izildinha

Joana dark do lexotan

Bendita Rita da lua cheia

Rogai por mim nesse começo do fim…

Foi estranho ver e ouvir a própria Rita Lee anunciando aposentadoria dos palcos. Há pouco soube de outra cantora, Nana Caymmi, também falando de afastamento. Ok! Todo mundo tem o direito de parar e, como disse a própria Nana, querer “… ver o sol nascer de forma diferente; e essa casa em Minas corresponde a tudo que eu preciso.” A Minas, de Nana, é Minas Gerais mesmo, onde a cantora escolheu viver. São Paulo é a terra de Rita Lee e é por aqui que ela deverá ficar.

Esta foi outra capa, em 1980

Rita Lee pretende parar com os shows. Da música – ela mesma disse – não se afastará nunca. De qualquer forma é estranho, muito estranho. Fico imaginando Rita Lee na fila do SUS, sentadinha em banco especial do metrô, na fila preferencial dos supermercados, farmácias… E nos bancos, recebendo o “fantástico” e “imenso” salário pago aos aposentados brasileiros!

Como vai você?

Assim como eu

Uma pessoa comum

Um filho de Deus

Nessa canoa furada

Remando contra a maré

Não acredito em nada

Até duvido da fé…

Ultimamente Rita Lee tem usado o Twitter para colocar a boca no trombone. Sem shows, mais tempo terá para o Corinthians, os bichinhos de estimação, os netos e, certamente, para a música. Aos 64 anos, a menina que encantou com a banda Os Mutantes e transformou-se, segundo Caetano Veloso, “na mais completa tradução” de Sampa, das mulheres de Sampa, fez uma trajetória única, plena de êxitos e agora, sem condições físicas, afasta-se dos palcos. Não deixa de ser melancólico.

A Roling Stone celebra a longa carreira de Rita Lee

Em 1972, ainda jovenzinha e com Os Mutantes, Rita Lee gravou “Hoje é o primeiro dia do resto de sua vida”. Essa música bateu na lembrança, na medida em que tomei conhecimento do anúncio da aposentadoria. Sem dramas, sem desespero. Apenas isso:

Hoje é o primeiro dia

Do resto da sua vida

E da minha também

E então

Sente no meu colo.

E assim o tempo passou e o hoje tem sido vivido por Rita Lee. De tantas mudanças que podemos verificar na vida da cantora e compositora, esta é, no final das contas, apenas mais uma: Rita Lee se aposenta dos palcos. Tudo bem! Vamos nessa, sempre bailando…

... Como se baila na tribo

Baila comigo, lá no meu esconderijo.

Boa semana para todos.

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Notas musicais:

As músicas citadas neste post, respectivamente: Dona Doida – Rita Lee/Roberto de Carvalho (o título do post é verso  desta canção); Pé de Meia – Rita Lee; Santa Rita de Sampa – Rita Lee/Roberto de Carvalho; Nem Luxo Nem Lixo – Rita Lee/Roberto de Carvalho; Hoje é o primeiro dia do resto de sua vida – Arnaldo Baptista/Sergio Baptista;  Baila Comigo –  Rita Lee