Domingo paulistano

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O metrô estaciona na estação Luz. Um assalto!

Do lado de fora vem uma mão que, sorrateira,

Leva o telefone de um indivíduo.

Movimento similar e outros telefones são roubados.

Um pequeno arrastão.  Tudo rápido, eficiente.

O pânico instalado e todo mundo olhando pra todo mundo.

Somos cúmplices dos ladrões?

Permaneceu algum assaltante no trem, já em movimento?

Ninguém fala. Ninguém grita.

Assustado, recordo outros assaltos; esses a mão armada.

Revivo sentimentos que sonhava distantes

Vontade de matar, trucidar, cortar as mãos do outro.

É natal… Tempo de luz…

Luzes na cidade, ladrões na Luz.

Ironicamente,

Anúncios no vagão garantem segurança

Outros, mentirosos, oferecem tranquilidade.

Antes de descer do trem, vigio meu próprio bolso;

Experimento a felicidade de não ter sido roubado.

E sigo aparentando tranquilidade;

É só mais um domingo paulistano.

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Obs.: A foto acima é de um mural da Paróquia de Nossa Senhora das Graças, em Uberaba, MG; pintura de Antônio Fernando dos Anjos.

 

Tempo de trégua

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Por todos os cantos há a sensação de finitude

Acentuando-se conforme antevemos o novo ano

Um fim em que, por tempo restrito, prevalece a alegria.

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Acordo tácito para imensa trégua

Nenhuma notícia ruim abala, interfere

Estamos felizes. É tempo de ser feliz.

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Certa lei, implícita, determina que tudo valeu a pena

Ganhos, aprendizados, experiências, lucros.

Perdas e problemas vão para escaninho próprio e,

Se houver solução fica para o próximo ano.

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Dezembro é quando o sonho parece vida.

O vizinho, que nunca nos fala, deseja-nos feliz natal

Despedimo-nos dos colegas com solidariedade impecável

E escolhemos meticulosamente cada mimo para os seres amados

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Em dezembro a vida é sonho

Acreditamos na humanidade e somos unidos pelo deus menino

Tempo frágil de semeadura, de esperança.

De sonhos infinitamente maiores:

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Que a honestidade vença

Que a fraternidade prevaleça.

Que vivamos em paz.

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Valdo Resende, dezembro de 2013.

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Um natal suave

Boas festas para todos! Como muitos, estou naquela maratona de concluir coisas, iniciar outras e, fundamentalmente, chegar até aos meus familiares para, juntos, comemorarmos o natal. Lá em casa não há exageros de comilança, bebedeira; vamos ficar juntos. É o que basta. E é o que desejo de coração para todas as pessoas: um natal suave, uma festa com a delicadeza do nascimento de uma criança. Não dá para fazer barulheira perto da Luíza  que o Rafael Mendes embala como pai carinhoso.

Rafael Mendes com Luiza: um natal pleno!
Rafael Mendes com Luíza: um natal pleno!

Estou feliz pelo meu querido amigo que, neste ano, terá um natal pleno de verdade: a celebração de um nascimento. Luíza nasceu, outras incontáveis crianças estão por aí e a gente celebra, neste momento, a chegada da criança que vem salvar a todos nós.

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Feliz natal. Uma suave e delicada festa para todos.

Um carinhoso beijo para todos os que me honram visitando este blog.

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Até mais!

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Para suavizar o final de ano

Nosso presépio, em Uberaba, Minas Gerais.

Novembro entra com tudo para com quase todo mundo. Dobra o volume de trabalho para muitos profissionais . Uma tensão danada! O  trânsito enlouquece, já que todos vão às compras, aumentando o movimento da cidade. Com frequência tudo fica sob água pesada com chuvas que prenunciam um verão difícil. No meio de todo o reboliço da cidade ressaltam-se os enfeites das decorações natalinas. Nossa triste São Paulo finge ignorar a violência e veste-se de luzes coloridas que deixam as noites menos densas, um tanto poéticas.

O natal está logo ali! Aquele logo ali de mineiro, que ainda demora pra chegar. Algumas árvores iluminadas, alguns estabelecimentos comerciais decorados e, por que não, a casa da gente? Gosto de natal. O tempo não me fez perder a esperança de tempos melhores. E, sem medo de ser feliz, gostaria de comprar presentes, muitos! E também gosto de ficar imaginando o que vou ganhar…

Há muito que faço questão de ter um presépio em casa. Minha forma preferida de trazer o Natal para dentro do nosso lar. As condições do nascimento de Cristo, as personagens envolvidas, a lembrança de um cenário que, por amor, estilizamos.

Acima de tudo, presépios, guirlandas, arranjos, árvores enfeitadas, quebram a dureza cotidiana e enchem nossas casas de esperança, sinalizando uma etapa cumprida, apontando para novas possibilidades.

Em Uberaba montamos nosso pequeno e singelo presépio. No meio de tanta violência, morte, julgamentos pesados, colocamos alguns sinais visuais para amenizar a vida. Modificamos o ambiente para que a sensação de esperança cresça e, se possível, aumente a nossa fé em tempos melhores.

Nosso presépio está montado; simples como um semáforo que alterna suas cores chamando-nos a atenção. O ano está acabando; o natal vem aí. Vamos preparar bons momentos!

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Até mais!

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Um natal mineiro

Natal mineiro é o que estou vivenciando e o que desejo para todos. Um natal simples ao lado da familia, com profundo afeto e ternura. Desejando paz e harmonia em todos os lugares, agradeço a atenção e o carinho de todos para com este blog. Escolhi a música de Pena Branca e Xavantinho, com a lembrança das Folias de Reis, tão caras a todos nós, para homenagear amigos e companheiros de jornada.

Um carinhoso beijo!

Nesse Natal conquistamos uma avenida

O bom de tudo é que não foi programado. Nenhuma instituição pública ou privada determinou o fechamento da Avenida Paulista nestas dias que antecedem o Natal e o Ano Novo. Os paulistanos abandonaram suas casas, deixaram a televisão com seu frequente sensacionalismo barato e com irmãos, amigos, filhos, mães, foram para a Paulista. Nesse Natal conquistamos uma avenida!

Paulistas trocam catástrofes televisivas pelas luzes da Paulista

É bem verdade que as empresas colaboraram, assim como o poder público, decorando os edifícios e prédios para as festas. Rendendo-se às evidências, fecharam o trânsito na Paulista. A festa ocorre desde há muito e os congestionamentos na avenida sempre aumentam neste período do ano. Ainda ocorre de, sem descer do carro, diminuindo a velocidade, o cidadão admirar o trabalho de decoradores, vitrinistas e artistas plásticos. Isso durante a semana. Agora mudou!

No dia-a-dia os congestionamentos persistem; motoristas e passageiros observam.

Neste 2011 o paulistano rendeu-se ao trabalho dos decoradores da avenida e abandonaram suas máquinas. Sem perceber, estão criando não uma data, mas todo um período em que a Paulista é do ser humano e não de motores poluentes de carros, motos e ônibus. Ontem, conversando com um gerente de uma rede hoteleira, ele comentou o aumento dos negócios. A Paulista tem como maiores atrações o Réveillon e a Parada Gay. Agora, são semanas, principalmente nos finais de semana, que a Avenida é tomada pela população, criando as tais oportunidades de negócios, mas fundamentalmente tornando a cidade mais humana.

Decoração natalina: o desafio de renovar-se ano após ano

Todas as tribos, todas as idades, a cidade representada na Avenida. Uma grande festa sem música barulhenta, sem álcool, sem comilança. A população reaprendendo gentilezas, cordialidades; tudo para que um local possa ser visto, um efeito compartilhado, algo belo possa ser fotografado. Assim é, penso, uma festa de Natal e, na Avenida Paulista, o Espírito Natalino acontecendo.

Feliz Natal, São Paulo!

Nas ruas transversais, nas paralelas, muito congestionamento. Quase silencioso; um ou outro desavisado aciona a buzina, acelerando tensamente. A maioria permite que as pessoas possam atravessar, tranquilamente, na faixa de pedestres. Depois falam que a cidade é desumana! Neste Natal, em vários locais e principalmente na sua principal Avenida, o paulistano esbanja humanidade, gestos fraternos, assinalando que a cidade é do ser humano e que nela ele pode passear tranquilamente, como se em um velho footing da São Paulos dos lampiões de gás.

Feliz Natal, São Paulo!

– Oi, “Moça das Pedrinhas”!

Pedrinhas daqui para a moça do Piauí

Olhando-se no espelho, lá no distante Piauí, a “Moça das Pedrinhas” lembrou de algo que o amigo disse, sem saber precisamente quando. Transformou a lembrança em recado carinhoso. O cara recebeu a mensagem e tentou contabilizar o tempo em que estavam distantes; não conseguiu lembrar quando havia dito o que motivara a lembrança e a mensagem. E por não saber quanto tempo sentiu a melancolia aflorar, indo além do que dezembro permite.

Caminhando até a janela, a vidraça ainda quebrada, o rapaz constatou que o lado ruim de dezembro é quando a pessoa obriga-se a encarar o que não foi feito. Não consertou a janela; mais um ano e sentiu-se o mesmo. Observou a rua, um pedaço da avenida, e riu com a decoração da cidade, já comum e com jeito da mesmice que sentia em si próprio. Luzes, centenas de pequenas luzes de todas as cores, variados tamanhos. Arriscou uma filosofia barata: A cidade farta de luzes coloridas mascara tristezas.

A “Moça das Pedrinhas” transformou a recordação em mensagem carinhosa. Lembrando outros amigos, também distantes, o amigo evitou contabilizar acertos, desacertos, sem deixar de pensar que luzes coloridas ofuscam faltas. Teve receio de que essas mesmas faltas sejam camufladas com enfeites “Made in China”. Abandonou a janela e a madrugada estranhamente fria deste dezembro. Sem promessas de fim de ano, sem objetivos para o réveillon, sem planejar encontros antes do Natal.  Terminou a noite escrevendo para os amigos distantes. E concluiu que deveria sugerir aos leitores deste blog que façam o mesmo.

Escrever para amigos é muito bom. Escrevo para quem me honra com a visita e, nesta madrugada, para Janaina Santos, a “Moça das Pedrinhas”.

Até mais!