Com carinho, para Sonia Kavantan!

Nesse conturbado mundo em que vivemos, onde os reais valores são cada vez mais escassos, frágeis, até mesmo inexistentes, sinto-me feliz por celebrar a amizade, o companheirismo, a cumplicidade e sobretudo o imenso carinho e respeito que tenho por Sonia Kavantan. Hoje é o dia do aniversário de Sonia, a produtora com a qual já realizei mais de trinta trabalhos em também trinta anos de parceria (31 faremos neste 2018!)

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(1987, em nossa primeira foto e hoje, neste 2018).

Como eu, centenas de profissionais têm muito a agradecer a essa profissional. Optei, para expressar minha gratidão, recuperar um perfil que escrevi sobre a produtora Sonia Kavantan, quando de nossa estreia no Pará, em 2008. Reitero tudo o descrito abaixo e reafirmo que o tempo só fez aprimorar o trabalho dessa incrível mulher. Parabéns, Sonia Kavantan! Para você, todo o carinho do mundo.

IDEALIZAR E PRODUZIR: SONIA KAVANTAN

Essa é uma madrugada comum para a maioria das pessoas. Para grupos restritos é o momento que antecede um grande dia. Entre esses, há um pequeno grupo de profissionais lá no Pará e outro, menor ainda, aqui em São Paulo, todos apreensivos. Logo mais será a nossa estreia. Um momento vital de uma caminhada que começou faz tempo e que, pretendemos, continue por outro tanto.

Tenho certeza que lá em Castanhal há uma pessoa acordada, trabalhando, ultimando detalhes, resolvendo situações não previstas. Pura adrenalina!

Uma vez, estávamos em frente ao Teatro Abril, aqui na Av. Brigadeiro Luiz Antônio, e vivíamos situação semelhante. E no meio de toda a turbulência de uma estreia, lembro de pequenos olhos negros, muito brilhantes, olhando tudo e todos, um sorriso nos lábios, enquanto me dizia: – Eu gosto disto!

Ninguém tem dúvida. É preciso gostar muito para ser uma produtora. A produtora de Vai Que É Bom, certamente trabalhando na madrugada de Castanhal, é Sonia Kavantan. É a responsável por tudo; ela é quem captou uma ideia, surgida sei lá eu quando, e viabilizou todo o necessário para que essa ideia viesse a ser uma peça de teatro, iniciando temporada em 6 de novembro [de 2008].

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Artistas são pessoas que sonham muito, viajam outro tanto, deliram mais um pouco e, quase sempre, guardam a praticidade da vida em algum departamento insondável de seus cérebros. Há a necessidade de alguém botar ordem na casa, tornando as ideias mirabolantes em fatos. Esse é o papel do produtor.

Quem já teve a oportunidade de acompanhar, de perto, o trabalho de um produtor, tem uma noção da extensão desse trabalho. E repito, uma noção. É preciso viver todo o tempo ao lado do produtor para conhecer os inúmeros detalhes que permeiam a criação, a montagem e a carreira de um trabalho teatral.

Sonia Kavantan tem o domínio de todos esses detalhes adquiridos em experiência vasta e diversificada. Já produziu filmes, concertos, exposições de artes plásticas, concursos, exposições de artes cênicas, shows, livros, cursos, prêmios… e peças, muitas peças de teatro.

Conversando com ela, em um dado momento, sob um aspecto, nem me passa pela cabeça dezenas de outros que ela está considerando. Conversamos muito, trocamos bastante, e até consigo apontar algumas soluções para problemas que ela me apresenta. Solto as rédeas, viajo longe e ela vem com objeções concretas: A coerência com a ideia central do projeto, o preço, o espaço físico, o outro profissional envolvido, o tempo, a verba disponível, as condições da gráfica, as condições de criação… e por aí vai. Tudo pensado e pesado; se solucionado, vem o sorriso que conheço “desde o século passado”!!!

Sinto-me, nesse momento, um instrumentista qualquer e vejo-a como o maestro. A maestrina! Aquela que arregimenta, ordena, organiza e, harmoniosamente, coloca tudo para funcionar. Quando termina o espetáculo, ela continua; avaliando, administrando, tornando possível a continuidade, o dia seguinte, prestando contas…

Sonia Kavantan é socióloga; adora ensinar e tem incontáveis alunos, por todo o Brasil, onde ministrou aulas, além de residentes ou dos que vieram até São Paulo para aprender no curso, criado por ela, sobre os mecanismos todos de uma produção de eventos culturais.

Em aula ela conta todos os detalhes, não guarda trunfos tipo “segredos profissionais”. É facilitadora. Usando a própria experiência para elucidar conceitos, apresenta e discute todas as dificuldades para a captação de patrocínios. E sobre esses, há pouquíssimos profissionais no país que têm conhecimento, tanto quanto ela, sobre as Leis de Incentivo Fiscal.

Estive pensando, hoje, na quantidade de pessoas beneficiadas pelo trabalho da “minha” produtora. Para quantos profissionais ela já propiciou trabalho? Quantos sonhos, de artistas e idealizadores, tornou realidade? Quantos milhares de brasileiros participaram dos eventos produzidos por ela?

Já estive auxiliando e cooperando em suas produções; neste Vai Que É Bom, estou como autor. Sei, por diferentes aspectos, da angústia que antecede a próxima noite. Do quanto temos sonhado, planejado, trabalhado, somando-se a isso preces e orações próprias, e pedidas a outros, para que tudo dê certo.

Caro leitor, estamos no Brasil. Não temos os recursos financeiros fabulosos de Hollywood. Estamos distantes das condições físicas das casas de espetáculos europeias. E nossos profissionais aprendem mais no trabalho que em nossas escolas (isso quando há escolas, cursos, para certos tipos de profissionais necessários para uma montagem teatral). Somos todos sonhadores.

E é essa a imagem mais forte que tenho de Sonia Kavantan. A profissional que sonha com um Brasil melhor. Que tem como projeto de vida, tornado profissão, facilitar e criar eventos para a cultura deste país. Para ela, o meu MUITO OBRIGADO!

Até!

Quatro Cantos

 

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Ilustração em vaso grego, inspirada em Medeia

A música tem permeado toda a minha vida. Através do canto, desde a infância, das brincadeiras com violão onde surgiram as primeiras composições. Com o tempo meu trabalho ficou restrito à letras e, com orgulho e gratidão, somo parcerias com Wilson de Oliveira, lá de Minas Gerais, Leonardo Venturieri, no Pará e aqui, em São Paulo, com Maurício Werá e Flávio Monteiro. De um velho projeto resgato o soneto abaixo, já musicado por Maurício Werá. Nossa inspiração veio da tragédia Medeia, de Eurípedes, lembrada na ilustração acima.

QUATRO CANTOS

Maurício Werá e Valdo Resende

Canto pelos quatro cantos do mundo

Minha voz ocupa espaços sonoros

Entre um canto e outro calo ou choro

Silêncio e morte onde o som infundo

Quer saber então por que é que eu canto

E nas pausas descanso a garganta?

Se existe razão para quem canta

Louvar a alegria e entoar o pranto?

A canção é toda matéria viva,

O calor da pele, a fria deriva.

Ressoam na voz cor e escuridão.

A razão não sabe do sentimento

Que embarga a voz e encarna o tempo

Música ultrapassa qualquer compreensão.

.-.-.-.-.-.-.

Até mais!

Cruzeiro, Lavrinhas e Queluz no AC4

Arte4

Neste final de semanas realizaremos testes com atores do Vale do Paraíba para atuação no Arte na Comunidade 4, o AC4. É um momento de crucial importância, já que serão esses profissionais que entrarão em contato direto com o público geral das cidades participantes, em especial os alunos das escolas dos municípios.

Cruzeiro, Lavrinhas e Queluz entram no mapa do Projeto Arte na Comunidade, que já visitou cidades do Pará, Maranhão, Minas Gerais, sendo que esta é a segunda incursão em São Paulo. A mais recente edição foi na Baixada Santista em 2015.

Sonia Kavantan, a idealizadora e produtora do AC4, o diretor musical Flávio Monteiro e eu, autor e diretor dos textos, estaremos em Cruzeiro para a realização dos testes. Até agora temos sido muito bem recebidos pelas secretarias de educação dos municípios que estão nos facilitando acesso às escolas para a concretização do Projeto.

O Arte na Comunidade busca incentivar as culturas regionais através de contação de histórias, espetáculos teatrais e atividades junto aos alunos das redes municipais. Os fatos marcantes, a história e as características de cada localidade são o foco para trabalhos criativos: elaboração de textos, poemas, peças, além de expressões plásticas.

As três cidades do Vale do Paraíba têm importância notável desde o tempo da busca do ouro pelos Bandeirante, também durante o ciclo do Café, nos primórdios do século passado; pela posição geográfica estratégica tiveram participação vital na Revolução Constitucionalista de 1932. Os municípios estão próximos às divisas com os estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro na região dos pontos mais altos da Serra da Mantiqueira. Banhadas pelo Rio Paraíba do Sul, as cidades visitadas pelo AC4 são marcantes na história do Vale e de todo o Estado de São Paulo.

Estamos felizes por mais esta oportunidade e assim, vamos em frente! Sempre que possível registrarei aqui algumas etapas desse projeto.

Até Mais!

 

 

Vamos para o Vale do Paraíba?

Sempre passei pela Via Dutra em viagens ao Rio de Janeiro, Aparecida ou como atalho para o litoral norte paulista. Carro ou ônibus, a visão que se tem do Vale do Paraíba é encantadora. Seja pela imensidão da Serra Mantiqueira mostrando-se com infinitas possibilidades conforme recebe os raios solares, ou então em longos trechos em que se tem a companhia do rio e da estrada de ferro. A paisagem atrai, estimula a curiosidade, reaviva lembranças.

Múltiplas cidades alternam impressões do viajante que passa pela Via Dutra. As indústrias de São José dos Campos, recordações de Monteiro Lobato em Taubaté, os mistérios da fé em Aparecida e, já no estado do Rio de Janeiro, a seriedade militar de Resende, a altivez do Itatiaia, a descida de outra serra para ganhar o litoral fluminense… Há mais; muito mais!

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Uma tenda com palco italiano e capacidade para 400 pessoas sentadas (as laterais ampliaram o número de espectadores) percorreu cidades do Pará e Maranhão.

A quarta edição do Projeto Arte na Comunidade será no Vale do Paraíba! A primeira ocorreu nos estados do Pará e Maranhão, percorrendo dezenas de cidades da Amazônia. Desde então, enfatizando os objetivos primordiais tais como o resgate e a valorização da cultura local, atentando para questões de preservação ambiental e de educação para a cidadania o Arte na Comunidade foi em frente. A segunda edição foi em Minas Gerais, no Pontal do Triângulo Mineiro.

Quatro cidades mineiras receberam os agentes do projeto em apresentações públicas e, em seguida, foram realizadas apresentações teatrais em escolas municipais estimulando o levantamento de aspectos locais através da criação de textos e contação de histórias. Uma mostra teatral encerrou a aplicação do projeto na região e, entre as atrações, uma exposição dos resultados dos trabalhos realizados pelos alunos de cada cidade.

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Mostra teatral e atividades nas escolas dos municípios ocorreram em Minas Gerais.

A terceira edição, em 2015, ocorreu na Baixada Santista acrescida de um maior contato com os educadores das cinco cidades participantes, resultando em expressiva adesão e participação dos mesmos nas diferentes etapas do Arte na Comunidade. Agora em 2016 prosseguimos em cidades paulistas: Cruzeiro, Lavrinhas e Queluz são os novos destinos do nosso projeto.

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Exposição do resultado das atividades em escolas da Baixada Santista foi um fato marcante do Arte na Comunidade 3.

E assim, lá vamos nós para o Vale do Paraíba! Sonia Kavantan, a idealizadora do Arte na Comunidade, Lilian Takara, Milka Master, Filipe Brambilla e Flávio Monteiro. Nossa equipe começa enxuta, aumentando posteriormente com profissionais da região visitada. Somaremos produtores, técnicos, atores entre outros companheiros que comporão a equipe final com os educadores e representantes de cada município para a concretização do trabalho.

Mais uma vez tenho a honra de escrever os textos – já comecei! – e também farei a direção dos espetáculos. Além do que publicarei aqui, neste blog, convido todos a seguirem as ações do Arte na Comunidade através das redes sociais e do blog que registra as atividades do projeto. Grandes descobertas, expressivas experiências, o Arte na Comunidade beneficia as comunidades visitadas e todos que dele participam.

Até mais!

Visite-nos:

Facebook – https://www.facebook.com/artenacomunidade/

Blog – https://blogartenacomunidade.wordpress.com/

 

 

Um Momento Especial

Fotos menores, Arte 1,  no Pará. Sonia Kavantan produzindo e eu, conhecendo o tacacá. Na foto maior, em Prata, em Minas Gerais, no Arte na Comunidade 2.
Fotos menores, Arte 1, no Pará. Sonia Kavantan produzindo e eu, conhecendo o tacacá. Na foto maior, em Prata, Minas Gerais, no Arte na Comunidade 2. O Arte na Comunidade 3 está quase pronto.

Estou fazendo teatro na Baixada Santista. A terceira edição do Arte na Comunidade. Um orgulho e um privilégio em contar com uma produção extremamente cuidadosa (Obrigado, Sonia Kavantan!) e em atuar com atores da maior qualidade, todos das cidades da região.  Com Bruno Fracchia, Ernani Sequinel, Fabíola Moraes, Gigi Fernandes e Rogério Barsan  faremos seis trabalhos, cada um com tema e título distintos, em cada uma das cidades contempladas. Todas as montagens estão reunidas sob o nome BRINCANDO ENTRE A SERRA E O MAR.

Escrevo menos aqui porque estou redigindo o blog do projeto, onde esboçamos um diário da montagem. Quem puder, agradeço a leitura (basta clicar aqui);  lá estamos contando o dia a dia do nosso trabalho, ao mesmo tempo em que informamos todos os eventos que ofereceremos nas próximas semanas.

De repente dei-me conta de que a vida me propiciou, com o Arte na Comunidade 3, uma belíssima oportunidade para festejar um momento especial, ocorrido lá em Uberaba, em 1975. Sim, neste ano de 2015, especificamente no mês de dezembro, comemoro quarenta anos de teatro. A festa, pelo visto, será no litoral.

Sempre fico indeciso quando penso em comemorações.  Há muita coisa para considerar e renasce, por experiências passadas, o receio de que algo impeça o evento. Assim resolvi deixar que as coisas acontecessem por si e… Tem dado certo. A grandiosidade de uma comemoração não está no tamanho da festa, mas na intensidade do que é feito para festejar cada momento da vida.

Com as seis montagens que realizaremos na Baixada Santista, especificamente nas cidades de Cubatão, Guarujá, Praia Grande, Santos e São Vicente,  lembrarei que comecei a fazer teatro há 40 anos. Foi no distante dezembro de 1975, em um dos salões da sede da pastoral de Uberaba, juntamos várias mesas em um palco improvisado e estreamos nosso “Auto da Esperança” (escrevi sobre esse momento aqui). Sem pensar em grande festa particular, tenho este próximo momento como dádiva divina por todo o caminho percorrido.

Estamos em fase final de montagem. Para os leitores que me dão a honra lendo este blog peço que fiquem atentos. Aqui e no https://blogartenacomunidade.wordpress.com/  teremos todos os detalhes das nossas atividades litorâneas.

Até mais!

Luz, a novela!

Se eu fosse político estaria rico. Não sou e pouco entendo dessa “profissão”, mas certos fatos merecem comentários. Era uma vez… Uma presidenta prometeu dar a luz para o seu povo. Não; a presidenta não estava grávida; já havia passado da idade. E não era uma luz assim, metafórica, tipo a luz do conhecimento através de melhoras consideráveis na educação; nem era a luz divina, porque a presidenta, ocupada em presidir, pouco aparece em igrejas. Tratava-se de, concretamente, um desconto nas contas de luz do povo brasileiro.

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Melhor que desconto casual, a presidenta anunciou uma redução nas contas de luz. No país de tantas e tão altas tarifas, todo e qualquer desconto, ou redução, são aclamados com festa. Naqueles dias, quando foi anunciada a boa nova, acusaram a presidenta de golpe político. Ela estaria interessada em garantir algumas prefeituras para seu partido. Golpe ou não, a palavra foi dada e entre outras vitórias, o partido da presidenta levou a prefeitura da capital paulista, o que é um sinal luminoso para ser alardeado por qualquer partido.

Se eu fosse político… Não sou, mas fico tão irritado com certas jogadas! Passado o tempo, eleições finalizadas, volta o segundo capítulo do que, agora, será uma novela e tanto: duas companhias energéticas poderosas – a Cemig, lá da minha terrinha e a Cesp, aqui de São Paulo – resolveram jogar sombras sobre a presidenta. Através de recusas de concessões e outras negociatas que eu, leigo, pouco entendo, as tais empresas conseguiram minar a promessa da presidenta. Dos 20,2% prometidos, caiu-se para 16,7% e, para o consumidor final – NÓS! – algo em torno de meros 10%.

Chamem a Carminha, diriam alguns, que esta novela está um saco! Um saco escuro e tenebroso que carece de luz, muita luz. Parece que quem constrói usinas são os governos, que por trâmites vários estabelecem parcerias, concessões para efetivar as construções. Esse aspecto daria uns bons capítulos; é só lembrar a história de Itaipu, Sobradinho e, agora, estamos presenciando os embates para a construção da hidrelétrica de Belo Monte, no Pará.

Outro aspecto da luz, que começa na usina, bancada por governos, com o dinheiro dos impostos que pagamos, diz respeito à distribuição da energia. Isso é um NOVELÃO! Há, então, outras empresas, criadas só para trazer a energia da usina até o município interessado… Ou seja, uma segunda empresa para cobrar dos governos para que chegue às cidades a energia gerada com dinheiro do governo, ou seja, nosso.

Uma terceira empresa chega aqui em minha casa. A conta de luz não é da CESP – Companhia Energética de São Paulo, mas da AES Eletropaulo (Eletropaulo Metropolitana Eletricidade de São Paulo S. A.). Ou seja, mais uma estrutura empresarial para lucrar com o dinheiro nosso do altíssimo imposto que pagamos. Ah, é bom contar os intermediários que recebem o pagamento de nossas contas mensais de luz e que, para fazer isso, levam outro tanto, tipo bancos, casas lotéricas, agências de correio, supermercados…

Vamos nortear o enredo da novela? Era uma vez uma presidenta que prometeu desconto na conta de luz. Seus opositores resolveram minar a idéia. Assim, o governo (nesse aspecto, o estadual) + a concessionária + mais a distribuidora regional + mais distribuidora local + mais os agentes recebedores estão retendo para benefício próprio o que foi prometido para benefício da população.  A parte que não será reduzida para o povo engordará as contas dessa gente toda.

O que é que sobra, nessa novela? Lembrando e parafraseando a Ópera do Malandro, de Chico Buarque de Holanda, sobra o pai berrando para o filho adolescente apagar a luz; a mãe implicando com a empregada para que esta não use os eletrodomésticos e, da rede que realmente fica com a grana, o máximo que pode rolar por parte do cidadão comum é brigar com a atendente da casa lotérica por conta da enorme fila.

Nossa Senhora da Luz, ilumine a todos nós com a luz da justiça, da verdade e da caridade.
Nossa Senhora da Luz, ilumine a todos nós com a luz da justiça, da verdade e da caridade.

Eu nunca tive 20% de aumento de salário. Se fosse político… Como a maioria do povo brasileiro não é, portanto também não recebe benefícios astronômicos. Quero os 20% prometidos para redução na minha conta de luz. Entendo que se há a possibilidade de reduzir essa conta, o mesmo poderá ocorrer com outras taxas e impostos. Essa novela ainda vai ser longa e nem sempre o bem vence, quando o tema é a realidade brasileira, mas não custa tentar; vale ficar atento e, se possível, pressionar! Quem vai nessa?

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Luz para todos!

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Publicado em: 5 de dezembro de 2012 às 23:26

Vamos dançar?

Quando danço, penso que sou o Gene Kelly. E dane-se o planeta!

Uma tarde de domingo fria e tensa em São Paulo. Alguns vizinhos resolveram decidir o campeonato de futebol no copo e no braço… Enquanto isso, um professor tentava concluir a correção de provas, exercícios, a confecção de atas de notas… A televisão prometia brigas para o final da noite – um lutador insinuando roubo entre os colegas- tudo muito fino! Uma vizinha, mais refinada, berrava da janela para que parassem com a briga até que chegou a viatura. Foi como se rolasse um passe de mágica, pois a rua voltou à tranqüilidade.

Evito televisão aos domingos. Fico depressivo. Além de ser sinal absolutamente concreto do “fim” do final de semana, assistir tv em pleno domingo é encarar a certeza de que nada especial aconteceu. Tem a mesmice de uma programação repetitiva, seja em programas de variedade ou em campeonatos esportivos. Sem passe de mágica que termine o trabalho, deixei a tv ligada, como companhia tagarela, e só parei quando ouvi a chamada para a cidade de Bragança, no Pará.

O Fausto Silva está com um quadro novo em que moradores de cidades distintas fazem uma coreografia. O premio para a vencedora é em dinheiro para uma instituição de caridade. Bragança, a cidade do meu estimado Pará competiu com Prudentópolis, do Paraná. Cheia de personalidade, Bragança apresentou número inspirado em ritmos locais (calypso, carimbó). A cidade do Paraná escolheu uma canção de Roberto Carlos e assim obteve a preferência do público.

Gostei muito do quadro! É muito bom saber que centenas de pessoas, de diferentes cidades, estão dispostas a aprender e realizar uma coreografia por uma boa causa. Além do mais, com a dança, vêm junto às características da nossa gente, os hábitos, as peculiaridades de cada cidade. É ótimo ir além e conhecer mais desse Brasil imenso. Ver nossa gente dançando, feliz!

Dançar, sem medo da melodia, como Gene Kelly!

O quadro não é novo. É uma variação do programa “Cidade X Cidade”, um grande sucesso de Silvio Santos em épocas passadas. Recordo da excitação em ver e torcer por minha cidade, Uberaba. Além de a cidade ajudar uma instituição (Em Uberaba, um beneficiado foi o Hospital do Pênfigo) no programa do Silvio Santos havia um momento em que ganhava pontos a cidade que arrecadasse mais livros. Esses eram doados para bibliotecas das escolas da cidade. Muito bom!

Na próxima semana teremos a dança de Santo Amaro da Purificação, terra de Caetano Veloso e Maria Bethânia. O samba de roda da Bahia vai comer solto e, espero, lembrem o delicioso ritmo de Dona Edith do Prato.  A outra concorrente é Porangatu, do estado de Goiás e, sobre esta, tenho tudo a aprender; sobre a cidade e sua dança.

No dia em que Corinthians e Palmeiras “dançaram” com “música” que veio de Campinas, fica esquisito chamar alguém pra dançar… Melhor que lamentar é seguir em frente. Dançar, sem medo da melodia. Eu bem que  gostaria de bailar por São Paulo, ou por Uberaba. Dançar é muito bom. Melhor que brigar na esquina por conta de um jogo. Melhor que ouvir e ver o Adriano dizer que todo jogador bebe. Melhor, enfim, que assistir na mesma tv, a Globo, um lutador acirrar uma briga insinuando que há ladrões entre os participantes de um programa.

Boa semana para todos!