Quarto de hotel

valdo resende

Agora, quando distante de tudo

Abro janelas para além do espaço,

Portas para outros tempos.

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Parece que há sons juvenis

Sombras esguias, fôlegos intensos

Cheiros que se esvaem no calor noturno.

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Ecos de determinação, vontade férrea

Batalhas contra o estabelecido

Certeza do ser predestinado.

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Penso nesse ser cada vez mais distante

Reconstruído em lembranças.

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Restaram abismos intransponíveis

Distâncias colossais…

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Longe era o tempo que faltava pra ser grande

Longe eram quilômetros entre cidades

Longe era o futuro que agora me afronta

Mostrando o fim do qual busco afastar-me.

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Apenas uma noite.

Uma longa noite de calor insuportável.

Distante da casa onde raramente abro janelas.

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Novembro/2013

O sonho

Parque em Mendoza

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O amor tem olhos brilhantes, recíproco olhar ;

Um sorriso tímido e suave nos momentos de assentimento,

A cabeça repousando confiante sobre meu ombro e

Uma voz ensaiando timbres ao brincar pequenos segredos.

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Amar é ser aquecido no calor do outro corpo

Repousar no descanso uma cabeça sobre o braço.

Sem abrir os olhos, saber que o dia amanheceu porque há beijos.

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Completa este sonho o caminhar exclusivamente em par

Levar a vida sem espera, distâncias, intervalos

Entoando um único e mútuo mantra: “- te amo!”

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Valdo Resende, agosto/2013

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Redivivo

De Uberaba veio notícia de perdas. Na manhã de hoje reencontro o velho senhor, simpático vizinho, que há tempos não aparecia na porta de nosso prédio. Notei que sentia falta do bom dia do senhor que está com 86 anos. Pergunto se está tudo bem; ele responde: “- Bem, bem mesmo, nunca mais! Mas temos que continuar, não é assim?”

Enquanto caminhava para o médico,  ironicamente senti o peso da expressão “bem, bem mesmo, nunca mais”. Recordei um velho poema que escrevi quando jovem, pensando em Maria Elza Sigrist, amiga querida. Não sabíamos que alguns problemas de então eram só um pequeno esboço do que a vida nos reservava; lá, como hoje,  a poesia melhora a vida.

redivivo

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Reviver a partir da perda,

Tendo em frente o nada

Retrocedendo um pouco.

Afastar ilusões, buscando novas

Porque  é parte.

Estar atento ao novo encontro.

Se possível, duradouro,

Pra ter chances de ser profundo

Porque assim vale.

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Vestir roupas novas, sorrisos;

Remoçar e ser, intensamente,

Prosseguir e amar calmamente

Porque não há pressa.

E não se desesperar com ventos fortes

Céu escuro, tempestades,

Ignorando possíveis acidentes

Pra ser inesperado e,

Ao vir, deixar-se morrer sem muita luta

(Amor pinta sem labuta).

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Mergulhar no negro desencontro

Buscar forças, energias

Para outra vez…

Reviver a partir da perda.

(Redivivo/Valdo Resende)

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Até mais!

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