Obras de arte, vibradores e skank

Convite, por ocasião da entrega do quadro de Portinari ao MNBA
Convite, por ocasião da entrega do quadro de Portinari ao MNBA

 

O país segue em frente, mesmo em tempos de Copa do Mundo. Dois exemplos contundentes: as eleições, aonde o “café com leite” vem com tudo e algumas ações da Receita Federal garantindo tributos devidos aos cofres públicos. “Café com leite”, para os mais jovens, é quando os estados de São Paulo e Minas aliam-se em propósitos políticos. Aécio, de Minas, e Aloysio, paulista de São José do Rio Preto tentarão o lugar de Dilma. Já tributos, quando não pagos, é assunto para a Receita Federal.

A vida de um agente da Receita Federal fica distante do árido discurso político e, me parece, ser bem excitante. É bem verdade que sobram muambas paraguaias no cotidiano desses profissionais; a frequência é tanta que deve ser rotina apreender bebidas, roupas, perfumes e cacarecos para consumo ordinário. Já obras de arte…

O Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, receberá em doação várias obras de arte apreendidas pela Receita Federal. Avaliadas em R$ 10 milhões, as obras são de autoria de artistas nacionais (Cildo Meireles, Jorge Guinle, Daniel Senise, Beatriz Milhazes) e internacionais (Niki de Saint-Phalle e Michelangelo Pistoletto)e em breve estarão expostas para todo o público. Não é esta a primeira doação deste tipo que o museu recebe. Já tive a oportunidade de visitá-lo e conheci, lá, uma obra de Portinari, “Caçador de Passarinho” que foi apreendida e doada ao Belas Artes em 2006.

Ao ler a boa notícia – penso que grandes obras de arte devem permanecer em espaços públicos – deparei-me com outra; a inusitada apreensão de cem vibradores e outros duzentos massageadores eróticos em Foz do Iguaçu, no Paraná. O material estava com um cidadão que embarcava para Fortaleza. Fico imaginando a situação: o agente abre a mala, depara-se com dezenas de vibradores e encara o cearense, cabra macho, e indaga: – É para uso pessoal, senhor?

Animado pelo flagra erótico voltei para mais notícias do setor. Estão lá outras apreensões inusitadas: 160kg de cabelos, sete jatos de luxo, mil réplicas da Taça Fifa (Santo Deus, vários países brigando por uma quando há milhares por aí…) e, entre todas as apreensões, aquela que levou-me a abrir o link: “Receita apreende skank no aeroporto do Galeão”.

Será que a Receita Federal confundiu o grupo mineiro com droga? Pensaram que o vocalista Samuel tenha sido o responsável pelo tráfico dos 160 kg de cabelos? A banda também seria responsável pelas mil réplicas da taça, buscando lançar um novo hit tipo “É uma partida de futebol”?

O bom de certas notícias é não ir direto, desvendando o mistério. Há certo prazer em saborear possibilidades, buscando as causas para tal situação. Se a polícia confundiu a banda mineira Skank com droga, como deixaram de fora a Jota Quest? E seria um absurdo prender o Samuel e deixar o Dinho falando merda no programa dominical da Globo. Será que a manchete estaria errada?

A Skank apreendida pela Receita Federal é uma “supermaconha, cultivada em laboratório, também conhecida como skunk”… Hein? Ufa! Entendi. Então percebi nunca ter buscado a origem da Skank, nem ligado isso ao fato da banda tentar, como está no site oficial, “transportar o clima do dancehall jamaicano para a tradição pop brasileira”. Jamaica? Entendi. Acho…

Enfim, o país caminha com eleições e ações diversas de todos os setores. Mais que impostos retidos na fonte, mordidas do leão, na importante Secretaria há skank, obras de arte, jatos, cabelos, vibradores e, para quem tem, anualmente encontramos a notícia de restituição do IR. Bons e divertidos motivos para ficar atento às ações da Receita Federal.

Até mais!

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A fogueira de São João

 

Festa de São João - Portinari
Festa de São João – Portinari

Das coisas todas de junho gosto muito da fogueira de São João. Junho vem com frio, um desconforto danado que nos obriga a ficar encolhidos, reclamando por temperatura mais alta. Da fogueira vem, sempre, um calor gostoso formando uma espécie de cúpula protetora, tornando momentaneamente agradáveis as noites de inverno.

Penso nos homens primitivos, em um abrigo qualquer, contando com a lua para iluminar noites perigosas, sempre à mercê de incontáveis perigos. Fora a lua, em meio a tempestades tenebrosas, os nossos irmãos primitivos aguardavam a fugacidade de um raio para visualizar o entorno e, com isso, buscar um mínimo de segurança. De repente o homem dominou o fogo e passou a contar com o maior conforto de então: uma fogueira!

Fogueira para espantar animais perigosos e até outros, irritantes, como mosquitos e similares. Fogo para tornar confortável uma gruta fria, aquecendo a comida, enchendo o ambiente de cheiros apetitosos. Lá pelas tantas, algum “espírito de porco” resolveu assar seres humanos no lugar de bichos… Se os sacrifícios com animais não são nada interessantes, pior é pensar em uma garota sendo queimada para aplacar deuses ou  desses obter benefícios.

Vamos, cada vez mais, nos distanciando de fogueiras. Principalmente morando em cidades como São Paulo, onde apartamentos e construções populares dificultam fogueiras e lareiras. Em um apartamento, como o meu, fica difícil até fogueira de palitos de fósforos… O máximo que me permito é um fogareiro para aquecer o banheiro ou o quarto na hora de dormir; sempre de olho no extintor de incêndios. Mesmo assim, nesses momentos, ainda sinto o ancestral fascínio pelo fogo, pelas labaredas que sobem desmanchando-se no ar; sobressalto-me com estalidos provocados pelo calor e sonho com espaços amplos e fogueiras maiores.

Entre todas as lendas que envolvem fogueiras gosto daquela que conta que Isabel, mulher de Zacarias, prometeu acender uma fogueira avisando à Maria quando do nascimento de São João Batista. A fogueira, para os católicos, lembra esse momento, ao mesmo tempo em que simboliza a nova luz, o novo tempo anunciado pelo precursor de Jesus Cristo. Bem melhor essa história que outras, envolvendo rituais violentos.

O noticiário, neste ano, fala mais em Copa do Mundo do que em fogueiras e festas juninas nordestinas. Sem problemas. São João, justo como acreditamos que um santo seja, não deverá meter-se em pinimbas futebolísticas. Melhor deixar o santo de fora de disputas transitórias e, caso vença a Seleção Brasileira, reservar a noite para comemorar também essa vitória; de preferência, sob o calor de uma gostosa fogueira. De São João!

Até mais!

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Trem grande, trem pequeno… O tamanho das coisas

Estamos próximos do dia 21 de abril, quando terminará a exposição “Guerra e Paz”. E antes que os dois grandes murais de Candido Portinari deixem São Paulo, cabe um último estímulo para quem ainda não esteve no Memorial da América Latina: uma reflexão sobre o real tamanho das coisas.

Por mais que sejam precisas as imagens são do tamanho do suporte que usamos para vê-las. Grande, médio ou pequeno, é só um suporte: o papelão, o vídeo, a tela do computador… É comum ouvirmos a expressão “imagem perfeita”, mas até mesmo as imagens em 3D perdem em dimensão para a realidade. O exemplo “da hora” pode ser a obra de Portinari, bastante divulgada com esta foto:

Qual é mesmo o tamanho das coisas?

Os murais “Guerra e Paz” (14 x 10m) foram pintados entre 1952 e 1956. Foi um presente encomendado pelo governo brasileiro para presentear a sede da ONU, em Nova York.  É legal perceber que as medidas – 14 x10m – são meras referências numéricas. Vista a reprodução acima, faria pouca diferença aumentar ou diminuir esses números. Na real, perante uma fotografia sempre carecemos de algo com o qual possamos estabelecer uma relação de escala com o objeto retratado. O padrão que mais nos facilita a compreensão do real tamanho das coisas é o próprio ser humano, já que temos uma idéia bem clara do que seja o tamanho de um adulto.

No painel central, imagem menor, o próprio pintor diante dos murais.

Pedi ao meu amigo Octavio Cariello que fizesse a foto acima com a intenção mesmo de fixar a verdadeira dimensão do trabalho de Portinari. Como está para o mundo. Como realmente é. E as pessoas todas no ambiente tornam-se pequenas em relação aos dois murais. É bom frisar que certamente, para aqueles que não forem até ao Memorial (O prazo está acabando!) as chances de conhecer de perto essa obra serão bem menores.

De São Paulo a exposição irá para Belo Horizonte (Qual é o real tamanho da Igreja da Pampulha, também esta com pinturas de Portinari?) e depois, para outros lugares. Quando voltar em definitivo para os EUA, se for mantido o esquema anterior, os murais ficarão em área reservada. Nem aquele turista visitante da sede da ONU terá chance de ver, ou rever “Guerra e Paz”. Restarão fotos, vídeos e outros materiais visuais com suas limitações.

Com todo o meu respeito aos grandes fotógrafos – que com um olhar bastante específico oferecem-nos imenso prazer estético – nada supera o contato direto; a experiência de estar em meio ao “trem”. (“Trem” é tudo – coisas, situações e pessoas – reduzidas pelo mineiro nessa simpática expressão. Para um mineiro há “trem bão”, “trem doido”, “trem chato”, “trem esquisito” e, o máximo, é quando escapa uma fala tipo “essa coisa é um trem esquisito, sô”.)

Mineiro que sou, recorro às expressões da minha terra, que me são comuns e, assim, possibilitar ao outro o entendimento do que vai pela minha alma. Só posso recorrer ao “mineirês” para que entendam o que é estar diante, por exemplo, do mar: “- Eita, trem grande, sô!” E foi exatamente o “Eita, trem grande, sô!” que exclamei, bem baixinho, diante da obra de Portinari.

“Eita, trem grande, sô!”

Sei lá o que cada visitante pensa diante da obra do grande pintor. Muito menos o que dirá aquele que ainda não foi. Só sei que é um momento raro, imperdível, para ver “esse baita trem que Portinari pintou”.

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Bom final de semana.

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O nome dos bois

A Familia Adams em foto de João Caldas, sem bois!

Quando os apresentadores do “Jornal Hoje” anunciaram que “Setor financeiro assume o primeiro lugar no número de queixas no IDEC” fiquei atento para saber de quem estavam falando. Nada! Nem um nomezinho. Só daquilo que, genericamente, não significa grande coisa. Citaram “Instituições financeiras”, “planos de saúde” e o final da primeira parte da notícia é um primor de tão vazia: “A qualidade dos serviços de telefonia ou internet, a demora na entrega e os produtos com defeito também recebeu muitas críticas do consumidor”.

E os nomes dos bois? Dona Globo não diz. Justamente hoje, que estive lendo sobre responsabilidade social e o livro (veja dados abaixo) fala sobre as iniciativas de ação social da TV Globo que, em documento citado, revela sua “responsabilidade na difusão de conhecimentos”. Desde que esses conhecimentos não comprometam a receita da emissora. Só por medo ou por aceitar pressão dos anunciantes que a Globo não citou o nome das empresas com problemas.

Os bois são grandes. Cada boi vale por cem, mil boiadas. Acontece que o PROCON-SP anunciou o ranking estadual, nominando e classificando os bois. O BRADESCO é o primeiro em reclamações. Depois vem o grupo B2W (Americanas.com/Submarino/Shoptime), seguido do ITAÚ UNIBANCO. No quarto lugar está a empresa LG Eletronics e aí chega o setor de telefonia: TIM, TELEFONICA e OI e assim por diante.

Fiz questão de dar nome aos bois e desejo, sinceramente, que todos entrem no site do PROCON e consultem a lista completa. Precisamos saber com quem estamos lidando. E precisamos reclamar formalmente mais, muito mais. Não adianta ficar choramingando pra vizinha ou para o melhor amigo. Soltar os cachorros nas redes sociais já é uma forma de pressão, mas isso não obriga nenhuma empresa a responder e, fundamentalmente, a cumprir com suas obrigações; por isso é importante oficializar. Vamos criando histórico para que, mediante um processo legal, a justiça tenha como precedentes tudo o que já foi denunciado pelo consumidor contra a empresa.

Maria Rita no Ibirapuera, uma das opções para o próximo dia 22 de abril

Finalmente, já que Dona Globo está a serviço dos grandes empresários, sugiro uma pequena vingança. Vamos desligar a tv ou, no mínimo, mudar de canal nesse final de semana. Eu, por exemplo, vou ver Maria Rita no show aberto que fará no Ibirapuera, dia 24. Também há Portinari no Memorial, Marilyn Monroe na Cinemateca e a Família Adams, com Marisa Orth e Daniel Boaventura no teatro. Há mais, muito mais. Bons jornais publicam os dados de espetáculos, peças, exposições. Dona Globo, só divulga quando o anunciante permite.

OPS! DESCULPEM. O show de Maria Rita será no dia 22 de abril, e não amanhã, dia 17. Fui alertado por Carolina, uma conhecida virtual. De qualquer forma, fica valendo. Mais que um, dois finais de semana para ficar distante da tv. Grato Carolina!

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Até!

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Nota: o livro: Ética e responsabilidade social nos negócios, coordenado por Patrícia Almeida Ashley, contém uma série de artigos sobre o tema. Editora Saraiva.

Jorge Amado ou Luiz Gonzaga?

Imaginem Jorge Amado e Luiz Gonzaga no sambódromo carioca. Junto com eles um imenso show de morenas vindas das praias de Salvador, ou dos belos recantos de Ilhéus, embaladas na avenida pela lembrança do baião pernambucano, misturando forró e samba. Eita! Pernambuco e Bahia, romance e forró! Grandes demais para virem juntos, Jorge Amado e Luiz Gonzaga serão homenageados pelos sambistas cariocas, em escolas distintas.

Luiz Gonzaga nasceu em Exu, Pernambuco, em 13 de dezembro de 1912. Jorge Amado nasceu em Itabuna, Bahia, em 10 de agosto de 1912. Este será um ano de grandes festas e homenagens no centenário desses dois homens, que são motivo de orgulho para todos nós. A escola de samba Unidos da Tijuca virá com “O dia em que toda a realeza desembarcou na avenida para coroar o rei Luiz do Sertão”. Já a Imperatriz Leopoldinense apresentará o enredo “Jorge, Amado Jorge”. Páreo duro para qualquer coração. Como escolher?

Quando criança, muito criança, mamãe cantava enquanto cuidava de mim:

Tava na peneira, eu tava peneirando

Eu tava no namoro, eu tava namorando… 

Lá nos rincões de Minas fui embalado com canções de Luiz Gonzaga. Depois, já adolescente, a literatura entrou definitivamente em minha vida com “Os Capitães da Areia”. Fiquei, desde então, apaixonado pela Bahia, com seus orixás poderosos e sua gente morena. Através da literatura de Jorge Amado sonhei ser escritor.

No próximo desfile das escolas de samba teremos a história desses dois ídolos contadas pelo carnaval do Rio de Janeiro.  Os compositores do samba da Unidos da Tijuca são: Vadinho, Josemar Manfredine, Jorge Callado e Silas Augusto. Certamente terão o samba de enredo comparado com as inesquecíveis criações de Luiz Gonzaga. Já os compositores da Imperatriz Leopoldinense, Jeferson Lima, Ribamar, Alexandre D’Mendes, Cristovão Luiz e Tuninho Professor serão julgados pela capacidade em sintetizar a magia de Jorge Amado nos versos do samba da escola. Um páreo duro, difícil.

O pavilhão da Unidos da Tijuca

O samba, a bateria, as alegorias, as baianas, as passistas; muitos e variados elementos para narrar a trajetória vitoriosa de Jorge Amado e Luiz Gonzaga. Provavelmente serão décimos que decidirão a escola vencedora. E se a dificuldade fosse escolher apenas entre Jorge Amado e Luiz Gonzaga… O carnaval carioca ainda terá Portinari, pela Mocidade Independente de Padre Miguel, e Romero Brito será lembrado pelo G.R.E.S. Renascer de Jacarepaguá, só para ficar nas personalidades que serão homenageadas pelas escolas. Tem mais, muito mais… Vamos torcer para que este seja um grande e inesquecível carnaval.

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Até!

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Três vezes Portinari

Vai começar hoje a exposição “Guerra e Paz, de Portinari” aqui em São Paulo, no Memorial da América Latina; para nós, o tal público comum, a abertura será amanhã, dia 7. Outro dia, 19, Candido Portinari será tema da Mocidade Independente, homenagem da escola de samba carioca ao pintor paulista, nascido em Brodowski. Também lembramos a morte do artista, ocorrida em 6 de fevereiro de 1962. Três motivos mais do que suficientes para reverenciar Portinari.

“Guerra” e “Paz” são dois grandes murais pintados por Portinari, encomendados pelo governo brasileiro para presentear a sede da ONU – Organização das Nações Unidas. Foram feitos entre 1952 e 1956 e têm, aproximadamente,  14m de altura por 10m de largura. A obra ficou exposta em local de acesso restrito e nem com visitas guiadas ela pode ser vista. O sonho de torná-la mais próxima dos brasileiros tornou-se possível quando anunciaram a reforma da sede, em Nova York.

O governo brasileiro resolveu bancar os trabalhos de restauração da obra de Portinari e, com isso, garantiu a permanência da mesma entre nós, enquanto durar os trabalhos na sede da ONU. Assim, a restauração ocorreu de fevereiro a maio de 2011, no Palácio Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro. Os trabalhos foram abertos ao público, com entrada franca e os painéis foram restaurados por uma equipe de 18 restauradores, sob coordenação do Professor Edson Motta Jr., da Universidade Federal do Rio de Janeiro e de Claudio Valério Teixeira.

Após exposição no Rio de Janeiro, no Theatro Municipal, os painéis de Portinari estarão expostos em São Paulo, de 6 de fevereiro até 21 de abril. Dia 6 para convidados, dia 7 para todo o público paulistano. A entrada é franca e, além dos dois painéis, os interessados poderão conhecer os estudos preparatórios feitos por Portinari para a realização da obra.

“Por ti, Portinari, rompendo a tela, a realidade” 

…VOCÊ QUE DO MORRO FEZ VIDA REAL

PINTOU NOSSOS LARES NUM LINDO MURAL

VOCÊ, RETRATANDO A ALMA, SE FEZ IDEAL

MEU SAMBA CANTA MENSAGENS DE “GUERRA E PAZ”

SEU NOME SERÁ IMORTAL EM NOSSO CARNAVAL

No Rio de Janeiro, ainda neste mês, a Mocidade Independente de Padre Miguel canta a vida de Portinari em verso e samba, muito samba. Os compositores de “Por Ti, Portinari, Rompendo a Tela, a Realidade” são Diego Nicolau, Gabriel Teixeira e Gustavo Soares; o intérprete é Luizinho Andanças.

O carnavalesco Alexandre Louzada pretende levar todas as cores e formas de Portinari para a avenida. É a escola que anuncia: “Através de suas mais importantes obras, mostraremos a trajetória deste artista que acima de tudo retratou em seus quadros e murais, a história, o povo e a vida dos brasileiros, através dos traços fortes e vigorosos carregados de dramaticidade e expressão.”

O Brasil inteiro poderá ver o desfile da Mocidade Independente, no dia 19 próximo. Será a quarta escola a entrar no Sambódromo. Milhares de paulistanos terão a oportunidade de visitar a exposição de Portinari no Memorial da América Latina. Duas vezes Portinari. Uma terceira, da maior importância, é a visita que todos podem fazer AGORA ao site que disponibiliza a vida e obra do artista.

Em http://www.portinari.org.br/ temos a oportunidade de ver milhares de obras do artista, assim como documentos relacionados às mesmas. Devidamente catalogadas e registradas, as obras de Portinari estão acessíveis por temas, técnica, cronologia e, algo muito bom para pais e professores, uma sessão inteira dedicada ao público infantil. Uma galeria especial com obras específicas que poderão interessar ao universo da criança, além de jogos e histórias com “Candinho”, o Portinari menino feito para brincar com os visitantes mirins.

O site, a exposição (terça a domingo, das 9h às 18h) e, no domingo de carnaval, o desfile. Só não tem memória quem não quer. A obra de Portinari está aí, acessível, enriquecendo nossa sensibilidade e ampliando o nosso conhecimento.

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Boa semana para todos.

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