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Festa de São João - Portinari

Festa de São João – Portinari

Das coisas todas de junho gosto muito da fogueira de São João. Junho vem com frio, um desconforto danado que nos obriga a ficar encolhidos, reclamando por temperatura mais alta. Da fogueira vem, sempre, um calor gostoso formando uma espécie de cúpula protetora, tornando momentaneamente agradáveis as noites de inverno.

Penso nos homens primitivos, em um abrigo qualquer, contando com a lua para iluminar noites perigosas, sempre à mercê de incontáveis perigos. Fora a lua, em meio a tempestades tenebrosas, os nossos irmãos primitivos aguardavam a fugacidade de um raio para visualizar o entorno e, com isso, buscar um mínimo de segurança. De repente o homem dominou o fogo e passou a contar com o maior conforto de então: uma fogueira!

Fogueira para espantar animais perigosos e até outros, irritantes, como mosquitos e similares. Fogo para tornar confortável uma gruta fria, aquecendo a comida, enchendo o ambiente de cheiros apetitosos. Lá pelas tantas, algum “espírito de porco” resolveu assar seres humanos no lugar de bichos… Se os sacrifícios com animais não são nada interessantes, pior é pensar em uma garota sendo queimada para aplacar deuses ou  desses obter benefícios.

Vamos, cada vez mais, nos distanciando de fogueiras. Principalmente morando em cidades como São Paulo, onde apartamentos e construções populares dificultam fogueiras e lareiras. Em um apartamento, como o meu, fica difícil até fogueira de palitos de fósforos… O máximo que me permito é um fogareiro para aquecer o banheiro ou o quarto na hora de dormir; sempre de olho no extintor de incêndios. Mesmo assim, nesses momentos, ainda sinto o ancestral fascínio pelo fogo, pelas labaredas que sobem desmanchando-se no ar; sobressalto-me com estalidos provocados pelo calor e sonho com espaços amplos e fogueiras maiores.

Entre todas as lendas que envolvem fogueiras gosto daquela que conta que Isabel, mulher de Zacarias, prometeu acender uma fogueira avisando à Maria quando do nascimento de São João Batista. A fogueira, para os católicos, lembra esse momento, ao mesmo tempo em que simboliza a nova luz, o novo tempo anunciado pelo precursor de Jesus Cristo. Bem melhor essa história que outras, envolvendo rituais violentos.

O noticiário, neste ano, fala mais em Copa do Mundo do que em fogueiras e festas juninas nordestinas. Sem problemas. São João, justo como acreditamos que um santo seja, não deverá meter-se em pinimbas futebolísticas. Melhor deixar o santo de fora de disputas transitórias e, caso vença a Seleção Brasileira, reservar a noite para comemorar também essa vitória; de preferência, sob o calor de uma gostosa fogueira. De São João!

Até mais!

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