Cinquenta anos do “felizes para sempre”

novelas
Glória Pires, Carlos Alberto e Yoná Magalhães, Fernanda Montenegro e Gianfrancesco Guarnieri, Tarcísio Meira e Glória Menezes, Francisco Cuoco e Regina Duarte, Ewa Vilma, Tony Ramos, Paulo Goulart e Nicette Bruno.

Dia 22 de julho de 1963, na extinta TV Excelsior, estreou a primeira telenovela brasileira: o seriado “2-5499 Ocupado” foi estrelado por Tarcísio Meira, que hoje está literalmente enraizado em “Saramandaia”, e Glória Menezes, a simpática avozinha do seriado “Louco por elas”.

Há cinquenta anos que um casal se conhece; após um nhém-nhém-nhém meloso algo ou alguém atrapalha o romance; após lágrimas, desavenças e muitas peripécias dão um belo beijo de “felizes para sempre’”. Assim fica mais do que evidente que interessa o processo, como o enredo é contado, interpretado, em que cenário de tempo e espaço está inserido. Isto é a telenovela brasileira.

Tenho lido críticas ao atual autor da novela das 9, Walcyr Carrasco, que estaria plagiando outros folhetins. Balela. O que interessa ao público é deleitar-se com o sofrimento do casal principal vitimado pela maldade do irmão da moça. O público diverte-se com as ações da médica inescrupulosa, da secretária vadia, enquanto dá boas gargalhadas com outra vagabundinha, atrás de um marido rico, estimulado pela mãe brega, bailarina decadente que brilhou nos programas do Chacrinha.

Novela é produto – dizem até aqueles que fazem – de uma indústria que faz exatamente o que é necessário para agradar seus consumidores. Mudam as embalagens, tiram alguns ingredientes, substituem outros por mais novos e assim, a novela segue em frente, assumindo ações de responsabilidade social, esbanjando sofisticação técnica, mas nunca indo além daquilo que agrada. Mercadoria é para ser vendida e o público escolhe aquilo que lhe convém.

Nossos profissionais de novelas merecem todo o respeito, também merecem homenagens. Há cinquenta anos embalam nossas tardes e noites com aventuras de “Europa, França e Bahia”; tudo com inegável domínio técnico. A novela brasileira tem excelência no fazer e por isso, quando atinge tal nível merece ser denominada arte. É uma das expressões de nosso tempo e, como tal, deve ser examinada sem preconceitos.

É hilário perceber que aqueles que criticam o senhor Walcyr Carrasco fingem ignorar que já sabem o final do folhetim. Ficam apontando aqui e ali alguns aspectos, esquecendo-se que quase todos os outros já estiveram em alguma novela ou filme. Os tempos são outros, a forma, o cenário, tudo é diferente, mas quando a personagem de Tatá Werneck procura um marido rico, nada mais faz do que viver situação similar por inúmeras outras personagens (Ocorre-me agora a sedutora Marilyn Monroe, por exemplo, em “Como agarrar um milionário”).

O público, ao que indica a longevidade das novelas, incomoda-se pouco com repetições; quer mesmo é um produto bem feito. Nosso público é educado para novelas e, nelas, reconhece a magnitude de uma Fernanda Montenegro, o texto ímpar de Dias Gomes, a produção requintada das produções de época da Rede Globo. Quando o público não gosta a novela, o autor e tudo o mais fica esquecido. E, é só prestar atenção para constatar que tem mais gente esquecida que medalhão reverenciado!

Em 1963, o enredo da primeira novela foi sobre uma presidiária que trabalha como telefonista. Ao ouvir a voz da moça o mocinho, sem saber que é uma detenta, apaixona-se. Nos dias de hoje, quando recebemos telefonemas de golpistas diretamente dos presídios, não seria de se estranhar se alguma garota, presa, resolvesse tentar um romance com algum, entre os tantos solitários dos nossos dias. Nada mal como enredo para a próxima novela; ou alguém duvida?

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Boa semana!

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Este texto não é de Clarice Lispector

Clarice Lispector
Clarice Lispector

Determinados nomes, tudo indica, garantem a qualidade de textos da mesma forma que boas marcas estabelecem credibilidade para produtos ou serviços. O sujeito escreve uma asneira e para obter a fé das pessoas tasca um Carlos Drummond de Andrade, uma Clarice Lispector como autores. Este texto não é de Clarice Lispector; nem de Mário Quintana, nem de Fernando Pessoa, Luis Fernando Veríssimo ou outro grande escritor. É meu; assumo os riscos e responsabilidades!

Clarice Lispector é vítima constante de pessoas que nunca leram um romance ou um conto escrito por ela. Há alguém que publica uma bobagem piegas e alguém que compartilha. Uma conhecida defendeu o direito de compartilhar por achar “bonito”. Ok, mas além da questão estética, há a ética! Aquela “coisa” que nos leva a fazer o que é correto.

Há quem não dê importância ao fato. Que mal há em dizer que tal texto seja de Mário, Fernando ou Carlos? Demonstram de cara a total incapacidade em perceber a distinção entre um e outro. Se não valorizam o trabalho artístico, compreendem o que seja arte? Sempre me pergunto se essas pessoas são capazes de criar alguma coisa – um texto, um poema, uma canção, um quadro. É muito fácil “palpitar” sobre o que outros fazem; mais fácil copiar e alterar aquilo que foi criado após intenso trabalho.

Quem atribui autoria de baboseiras à Clarice Lispector sabe, por exemplo, que ela trabalhava com uma máquina de escrever no colo enquanto cuidava do primeiro filho? Que isso passou a ser mania e que ela tinha o hábito de acordar as três, quatro horas da manhã?  Que anotava todas as idéias para depois organizá-las em seus textos? Que para sobreviver, além de escrever livros, escrevia também para jornais e fazia traduções? Será que conseguem perceber a importância desses fatos naquilo que foi criado – escrito – por ela?

Direito autoral é uma questão delicada que vai além da questão financeira. Somos “autores” quando preparamos uma simples refeição e sabemos que uma pitada de sal dada por outrem pode desandar tudo. Somos criadores da composição que resulta no que chamamos de nosso visual e não permitimos que mudem nosso “estilo”.  Não costumamos admitir que alguém altere a decoração de nossa sala, nosso quarto… No entanto, quando a criação é do outro nos permitimos toda a sorte de opiniões, sugestões e até alterações não solicitadas.

Quando o assunto é dinheiro, tudo se torna mais delicado. As pessoas param o trabalho, feito relógios, quando terminam o expediente. Também não admitem trabalhar uma hora que seja sem a devida remuneração. Há aquelas que cobram por conselhos e até mesmo pela companhia de alguns minutos. Adoram ostentar marcas e não titubeiam em pagar por elas, mesmo com a consciência de que pagam um “valor simbólico” – calças jeans são todas do mesmo tecido; paga-se a marca. Quando questionadas sobre o valor de poemas e canções discutem, ponderam; algumas acham exagero pagar por uma poesia mesmo admitindo total incapacidade de criar alguns versos até para o ser amado.

Há vários casos de processos de pessoas reivindicando direitos autorais. Há um, envolvendo o nome de Clarice Lispector (Conheça clicando aqui) de um poema que, na internet, foi divulgado como sendo dela. Atualmente há, na novela Malhação, uma personagem que fala todo tipo de coisa sempre começando por algo do tipo “- Já dizia Clarice Lispector”. A personagem repete o comportamento verificado nas redes sociais e associa alguns absurdos ao nome da escritora. Não sei se há algum acordo entre a Rede Globo e os herdeiros de Clarice Lispector. Não é de se esperar que uma TV aberta e comercial tenha algum compromisso com a formação do cidadão; resta lamentar.

Infelizmente tenho a certeza de que meu texto não mudará em nada o hábito das tais pessoas que usam o nome de um grande escritor indevidamente. Gostaria, porém, que elas pensassem sobre as dificuldades de quem escreve; de quem lida com a língua, com uma linguagem.  Todo indivíduo tem a noção da dureza do próprio trabalho; do quanto é difícil, complicado, árduo. E é por isso que, incoerentemente, concluo este texto citando Clarice:

“A linguagem é o meu esforço humano. Por destino tenho que ir buscar e por destino volto com as mãos vazias. Mas – volto com o indizível. O indizível só me poderá ser dado através do fracasso de minha linguagem. Só quando falha a construção, é que obtenho o que ela não conseguiu.”

Creiam-me todos; esse período nada fácil é de Clarice Lispector. Está em “A Paixão Segundo G.H.”, romance publicado pela Editora do Autor, no Rio de Janeiro, em 1964.

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Até mais!

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Para não esquecer Cleyde Yaconis

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Acabo de reler um depoimento de Cleyde Yaconis ao jornalista Vilmar Ledesma. Está no livro Dama Discreta, publicado pela Imprensa Oficial do Estado na coleção Aplauso. Preferi aguardar um pouco para lembrar e homenagear a atriz. Cada admirador terá uma lembrança peculiar; aqui registro algumas lembranças e indico livros onde a memória de Cleyde está preservada.

Minhas lembranças de Cleyde Yaconis são fundamentalmente televisivas; recordo sua presença forte em A Muralha (1968), a novela de Ivani Ribeiro que foi um marco na extinta TV Excelsior. Ela contracenava com um time de mulheres talentosas como Fernanda Montenegro, Nathalia Timberg e Nicete Bruno. A saga dos bandeirantes conquistando espaço ficou na memória de muita gente.

Na TV Tupi Cleyde Yaconis interpretou mulheres sofisticadas, elegantes, fortes; gosto de lembrá-la misteriosa, pilotando uma motocicleta ou, em outro momento, insinuante e perigosa, tipo heroína de filme noir, ao lado de Raul Cortez. O tempo deixa dúvidas sobre nomes de autores, títulos das novelas. O sorriso largo da atriz, a voz doce que, de repente ficava cortante, um jeito único em imprimir sensações através da expressão facial; isso tudo ficou bem guardado.

Na TV Globo, uma estranha coincidência: Cleyde Yaconis está na reprise de Rainha da Sucata, diariamente pelo Canal Viva. Por alguma razão ocorrida na época (1990) a atriz foi afastada da novela e enquanto fora, a personagem de Glória Menezes diz que ela está em Buenos Aires. O fato coincidiu com a morte da atriz, aos 89 anos, no último dia 15. De qualquer forma, é através das reprises e dos registros da Rede Globo que poderemos rever alguns interessantes trabalhos da atriz. No último, na novela “Passione”, de Silvio de Abreu, Cleyde mostrou sua força, ganhando o público ao fazer par romântico com Elias Gleiser, seu amante na novela. O casal de velhinhos deixou claro para o grande público que o amor não tem idade, nem a safadeza!

Não tive, infelizmente, muitas oportunidades para ver a atriz no seu local de trabalho preferido, o teatro; todavia, guardo alguns bons momentos, principalmente quando ela interpretou Simone de Beauvoir em “A Cerimônia do Adeus”. Nesta ela foi dirigida por Ulysses Cruz e, graças ao mesmo, pude presenciar alguns ensaios. Cleyde esteve ao lado de Antônio Abujamra, Laura Cardoso e Marcos Frotta, na peça escrita por Mauro Rasi.

Não cabe aqui, escrever em demasia. Os livros de história estão aí, contando a vida de Cacilda Becker, a irmã de Cleyde Yáconis que é personagem marcante do nosso teatro. É impossível pensar o teatro deste país sem Cacilda, Cleyde, o Teatro Brasileiro de Comédia. Há pouco faleceu Walmor Chagas, que foi marido de Cacilda. Perdemos, em curto espaço, dois nomes importantes da nossa história. Dois artistas singulares pela elegância, pela discrição. Talvez, a melhor homenagem que posso prestar a esses artistas é registrar e indicar obras que imortalizam suas vidas e seus trabalhos; então, vamos nessa:

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Bom final de semana para todos!

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O efeito Gadú

Vício de quem faz blog, e de quem trabalha com comunicação, a verificação da audiência é um hábito. Os altos e baixos de um blog, por exemplo, relacionam-se com outras variáveis além dos assuntos abordados em cada post. Grata surpresa, de repente os números sobem muito, e já aprendi a descobrir razões; terça-feira, em menos de quarenta minutos, minha audiência triplicou e após descobrir o motivo, resolvi denominá-lo “efeito Gadú”.

Maria Gadú canta no seriado. Foto: Louco por elas/TV Globo

Ontem, na Rede Globo, Maria Gadú fez uma participação especial no programa “Louco por elas”. Foi como convidada de Violeta (Gloria Menezes) em um sarau familiar. A cantora não fez feio ao brincar de atriz e ainda mostrou-se simpática ao dividir vocais com Dudu (Thiago Martins), Dora (Laila Garin) e Santiago (Zéu Britto).

O seu amor

Ame-o e deixe-o

Livre para amar

Conheci a música “O seu amor” com as vozes apaixonantes dos “Doces Bárbaros”. O quarteto formado por Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil e Maria Bethânia canta “O seu amor” em um momento mágico do show, registrado em disco em 1976. A harmonia dos quatro grandes artistas, amigos na vida e nos palcos, é de uma suavidade emocionante para a canção criada por Gilberto Gil.

O seu amor

Ame-o e deixe-o

Ir onde quiser

No programa, durante o sarau familiar, Maria Gadú se acompanha ao violão e forma um inusitado quarteto com os personagens de ficção, também cantores na vida real. Foi simples e bonito, como a canção.

O seu amor

Ame-o e deixe-o brincar

Ame-o e deixe-o correr

Ame-o e deixe-o cansar

Ame-o e deixe-o dormir em paz

Os mais “Doces Bárbaros”

Um pouco após o final do programa, já finalizando o meu dia, fui verificar o número de visitantes do blog e me surpreendi com uma quantidade enorme de visitantes. O melhor, é que eles não paravam de crescer. As pessoas começaram a pesquisar “Maria Gadu Ame-o e deixe-o” e chegaram neste blog. Escrevendo sobre o aniversário de Caetano Veloso citei a cantora e a música em questão.

O seu amor

Ame-o e deixe-o

Ser o que ele é.

O efeito Gadú continuou e, também na quarta-feira, tive uma audiência superior ao habitual. Resolvi escrever por duas razões: agradecer aos visitantes, fãs da cantora, e também por constatar algo que, penso, muitos concordarão comigo.

Há uma falta imensa de bons programas musicais na televisão. Temos programas que constantemente apresentam números musicais e outros, esporadicamente, como o seriado estrelado por Eduardo Moscovis e Deborah Secco. O brasileiro gosta de música. Gosta de boa música e posso dar dois exemplos que confirmam isto: as centenas de pessoas que buscam saber mais sobre uma canção interpretada por Maria Gadú em um seriado, apresentado após as 22h00 e, o segundo, o imenso sucesso do programa The Voice, com seus participantes com inegáveis qualidades musicais.

É frequente a imposição de muito lixo musical pelas grandes gravadoras, verdadeiras donas da programação de emissoras de rádio e similares. É ótimo saber que o público de uma jovem cantora como Gadú é levado por uma bela canção e, mais que a mera audição, sai buscando detalhes da mesma.

Se você chegou até aqui, clique, veja o grupo e ouça a canção com os mais “Doces Bárbaros”. Quem sabe, esta seja o impulso para conhecer outras canções e uma bela história, de um quarteto formado por quatro amigos…

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Até mais!

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O mundo dos espertos

“- Seja um voluntário na Copa do Mundo!” é o simpático convite de Dona Fifa, a sede de um monte de espertos. Serão necessários 18 mil voluntários; cerca de 1.500 para cada cidade sede. Vai ser uma grande honra para o cidadão brasileiro trabalhar de graça durante 20 dias seguidos. Li na imprensa: “Os escolhidos passarão por treinamento e terão uma rotina de trabalho rígida. Cada voluntário terá de cumprir turnos de até 10 horas de trabalho.” Sem salário, mas com alimentação, transporte e uniforme. Eles são bonzinhos!

Na televisão, uma jornalista entrou várias vezes, durante a tarde, dando a notícia; ela esclareceu a questão do transporte; “se você morar fora do município onde ocorrerá cada evento, a passagem até a cidade do mesmo é por sua conta”.

Adotando como base o pagamento de um salário mínimo de R$ 622,00 por pessoa, parece que Dona Fifa está economizando R$ 11.196.000,00. Muito dinheiro, dirão os que estão a serviço dos espertos. Dona Fifa, coitada, não ganha quase nada! Ela está realizando a Copa do Mundo na nossa terra! Imagina se vai ter que gastar toda essa grana! Espertinha!

Quanto Dona Fifa vai lucrar com esse evento? Pense apenas as cotas de patrocínio e os direitos de transmissão mundial da competição. É difícil imaginar? Veja então um único dado, sobre a arrecadação da Dona Fifa, publicado pela revista Isto É; a Sony “assinou contrato de US$ 305 milhões com a Fifa para se tornar parceira até 2014.” Atenção, leitor, são dólares! A revista publicou (veja aqui) vários números, estratosféricos, sobre os ganhos da seleção brasileira (em relação à Copa, parte vai para a Fifinha). Veja os “parcos” números e corra ao site de Dona Fifa, para colaborar gratuitamente com a pobrezinha.

Mesmo não sendo tão esperto, adoro notas de 100! Em qualquer moeda

Interessante notar que a campanha para voluntários de Dona Fifa começou simultaneamente com o horário eleitoral gratuito. Cartolas e políticos são, definitivamente, espertos. Políticos, indivíduos que criam leis em causa própria, aumentam sempre os próprios salários, raramente abdicam de uma regalia (aluguel, passagem, moradia) e em nome de supostos direitos democráticos impõem horários de enfadonhos programas televisivos e radiofônicos aos eleitores brasileiros.

Sejamos justos; nossos senadores, recentemente, abdicaram do 14º e 15º salários. Ficaram pobrezinhos, já que só recebem apenas13 salários durante o ano, no valor de R$ 26,7 mil cada. Aliás, senadores e deputados continuam recebendo de graça moradia, transporte e uma boa grana para pagar telefone, gráfica e correios.

Tão pobrezinhos esses espertos políticos; carecem realmente de horário gratuito para divulgação de ótimas intenções retiradas temporariamente do inferno, cheio dessas mesmas intenções. As emissoras de rádio e tv ficam muito chateadas com o horário político. Não faturam! Já com Dona Fifa estão satisfeitíssimas, dedicando várias chamadas para divulgação da solicitação de voluntários.  Isso se justifica, já que a maior parte das verbas publicitárias vai para a televisão.

Segundo o Media Book 2012, lançado pelo IBOPE, a tv aberta ficou com 53% da verba publicitária de 2011. Pensando em todos os investimentos que serão feitos pelas grandes patrocinadoras da Copa do Mundo, sem contar a Copa das Federações e o faturamento cotidiano de cada emissora, dá para entender a necessidade dessas pobres espertas empresas em pedir nossa ajuda para que elas façam caridade com nosso dinheiro. Disque 040 para doar quarenta reais!

Interessante esse mundo dos espertos. Nós trabalhamos duramente para que possamos trabalhar de graça para a Fifa, doar um pouco para a Rede Globo e assistir promessas dos nossos políticos que não serão cumpridas em tempo algum. Eles lucram! Um dia ainda aprendo a ser assim. Mas, caro leitor, fique tranquilo; por enquanto, não pedirei trabalho voluntário, nem doações, através desse blog. Em se tratando de política é bom alertar! Escreverei sempre o que penso.

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Até mais!

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Ana Paula Padrão errou?

Ana Paula Padrão apresenta as Olimpíadas na TV Record

Depende do ponto de vista. O meu é de que foi um inteligentíssimo ato para ampliar a divulgação das transmissões das Olimpíadas de Londres pela TV Record. A apresentadora colocou a emissora e o evento entre os mais comentados do final de semana; e não foram só os comentários de exaltados “defensores de acertos” das redes sociais. Ana Paula Padrão “estrelou” dezenas de artigos, além de citações e discussões em outros tantos blogs, como este, que acontece aqui e agora.

A Rede Globo, segundo consta com a maior audiência no país, não citou nem os preparativos que antecederam o evento londrino, como se isso não fosse acontecer como fato jornalístico.  Aqueles que seguem unicamente a emissora carioca ouviram, de repente, a informação inevitável da abertura das Olimpíadas e de alguns resultados iniciais da mesma. Nem todo brasileiro é desatento, tanto é que a TV Record ficou com o segundo lugar em audiência durante o espetáculo de abertura, em Londres, com participação da Rainha Elizabeth e súditos. Para os distraídos, o “erro” de Ana Paula Padrão serviu como eficiente lembrete.

Nossos hábitos colocam-nos na chamada zona de conforto. Sabemos exatamente o que esperar de determinadas situações – como o final de qualquer novela, por exemplo – e é mais tranquilo manter tais hábitos do que correr riscos fora deles. Assim que é seguro para muitos ficar na Rede Globo. Somos aptos a repetir todas as gracinhas do Faustão, sabemos que Nina vencerá Carminha, que o próximo jogo será de vida ou morte, exceto se for jogo nas Olimpíadas de Londres!

Terrível vício o de manter-se em um único canal de TV. Em comunicação sabemos que esse costume facilita a manipulação de nossas opiniões, já que só temos acesso ao que é dito por um único emissor. Donos de jornais e similares não são propriamente santos e atendem aos interesses de quem os patrocina, ou de quem facilita a permanência de seus veículos no mercado. A história da imprensa brasileira, por exemplo, é a história de determinados indivíduos atrelados ao poder vigente. Que ninguém perca muito tempo em refletir os motivos que levam a imprensa a “esquecer” acontecimentos como greves, por exemplo. Elas estão atendendo aos interesses de quem está no poder, de quem paga o espaço publicitário.

Ana Paula Padrão, que de burra não tem absolutamente nada, sabe isso e muito mais. Se ela cometeu um erro, isso é humano. Se de caso pensado, os bons resultados são comprováveis. Se todos os concorrentes da Record, por obrigações para com o público, falariam da abertura das Olimpíadas de Londres, a apresentadora fez lembrar em qual emissora o evento está sendo exibido. Golpe de mestre.

Fora da Globo desde 2005, com uma passagem pelo SBT, agora como apresentadora oficial das Olimpíadas, fica difícil acreditar na fixação da jornalista pela antiga emissora. Se houver, que ela faça um tratamento com profissionais adequados. O certo é que há um monte de pessoas prontas para malhar o próximo pelo mínimo erro. Que essas noticiam, ou propagam o erro de outros, com um evidente prazer, vendendo a impressão de que são maiores que aqueles que erraram. Há aqueles que lidam com isso, numa boa.

Cresci lendo sobre as gafes de Hebe Camargo. Algumas estão por aí, fixadas na história da apresentadora. Quando tive oportunidade assisti várias gravações do programa de Hebe Camargo, assim como outros que foram feitos ao vivo. Tive, desde então, a absoluta certeza da inteligência dessa mulher e do domínio incrível que ela tem daquilo que faz. Não é por acaso que Hebe está entre os principais nomes da TV brasileira. Tenho cá comigo que muitas das boas gargalhadas de Hebe decorrem da consciência da própria capacidade e do conhecimento da precariedade daqueles que passaram horas execrando-a quando, por exemplo, ela perguntou ao astronauta Neil Armstrong se na lua tinha luar… Neste momento, quem pode rir um bocadinho com os últimos fatos é Ana Paula Padrão; afinal, não é qualquer dia que uma gafe rende tanto!

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Boa semana para todos.

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O vestido de Gabriela…

Eita! Vejo Juliana Paes em Gabriela, a nova versão da obra de Jorge Amado e penso nessas senhoras que dizem como as pessoas devem usar isso e aquilo, que roupa, que cor, em que ocasião… Preocupadíssimas em determinar coisas para os outros, fico pensando: será que elas anotaram a grife do vestido da moça? Notaram o padrão, o corte, o caimento?

Será que alguém pensa em marca, tendência ou moda, olhando o corpo… ops! O vestido de Gabriela? Cobiça daqui, inveja dali, mas indiferença? Será que há indiferença?

Ela chegou sob sol escaldante, toda empoeirada e perturbadoramente bela. Garanto que também chegou cheirosa. Gabriela veio de onde as chuvas são uma raridade e o calor é intenso. O ar é tão seco que impede o desenvolvimento de bactérias comuns que, dizem, provocam cheiro ruim. Sem esse problema, as sertanejas têm um perfume próprio, gostoso. No romance, Jorge Amado entendeu por bem identificar esse aroma com cravo e canela.

Gabriela se esbalda quando vê água. Se mais do que qualquer brasileiro, aqueles que vivem no semiárido fazem  festa com as mínimas gotas que caem do céu, quanto mais com uma fonte? A chegada da moça à conservadora Ilhéus, nessa encantada Bahia, é para não esquecer. E além do mais, entender a paixão pela água é compreender a vida no sertão, a sina do retirante que só deixa o que é seu pela falta que o líquido faz.

Vi o primeiro, o segundo capítulo e, embora me incluir entre os nostálgicos por Sonia Braga já não perco as cenas de Juliana Paes. Deusas morenas, sem silicone e sem chapinha (Como cabelo natural é bonito!), pele bronzeada e corpo que não tem nada de promessa, sendo pura realidade. Sonia, Juliana e basta um pedaço de tecido para mostrar a exuberância da mulher brasileira.

O que é que combina com que? Um monte de mulheres, dita consultoras, estilistas e sei lá que mais, determinam formas, cores e padrões… Para mulheres como Gabriela basta um vestido leve que, ao menor sinal de água cola ao corpo e fica mais sedutor, exuberante. Juliana torna-se um outro tipo de mulher quando com penduricalhos, turbantes e demais artifícios. Também Sonia Braga torna-se outra com objetos similares. As duas, com um “vestidinho” simples, são deusas.

Penso que a personagem de Jorge Amado tem muito a ensinar à mulherada de hoje. Gabriela é liberdade, alegria de viver; capacidade de entrega, aceitação de si; é o ser em harmonia e cumplicidade com o que a vida lhe deu; é simplicidade e paixão.

Consta que a Rede Globo dispõe de um serviço para indicar onde adquirir roupas iguais às usadas pelas atrizes, tanto em novelas quanto em minisséries. Na recente Fina Estampa, as camisolas usadas por Christiane Torloni foram o maior sucesso e os fabricantes bateram recordes de vendas. Bom, o inverno está começando e  ninguém precisa ligar para saber como conseguir um vestido como o de Gabriela, mas que seria bom que isso acontecesse, seria!

Até mais!