Tags

, , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

cleyde1

Acabo de reler um depoimento de Cleyde Yaconis ao jornalista Vilmar Ledesma. Está no livro Dama Discreta, publicado pela Imprensa Oficial do Estado na coleção Aplauso. Preferi aguardar um pouco para lembrar e homenagear a atriz. Cada admirador terá uma lembrança peculiar; aqui registro algumas lembranças e indico livros onde a memória de Cleyde está preservada.

Minhas lembranças de Cleyde Yaconis são fundamentalmente televisivas; recordo sua presença forte em A Muralha (1968), a novela de Ivani Ribeiro que foi um marco na extinta TV Excelsior. Ela contracenava com um time de mulheres talentosas como Fernanda Montenegro, Nathalia Timberg e Nicete Bruno. A saga dos bandeirantes conquistando espaço ficou na memória de muita gente.

Na TV Tupi Cleyde Yaconis interpretou mulheres sofisticadas, elegantes, fortes; gosto de lembrá-la misteriosa, pilotando uma motocicleta ou, em outro momento, insinuante e perigosa, tipo heroína de filme noir, ao lado de Raul Cortez. O tempo deixa dúvidas sobre nomes de autores, títulos das novelas. O sorriso largo da atriz, a voz doce que, de repente ficava cortante, um jeito único em imprimir sensações através da expressão facial; isso tudo ficou bem guardado.

Na TV Globo, uma estranha coincidência: Cleyde Yaconis está na reprise de Rainha da Sucata, diariamente pelo Canal Viva. Por alguma razão ocorrida na época (1990) a atriz foi afastada da novela e enquanto fora, a personagem de Glória Menezes diz que ela está em Buenos Aires. O fato coincidiu com a morte da atriz, aos 89 anos, no último dia 15. De qualquer forma, é através das reprises e dos registros da Rede Globo que poderemos rever alguns interessantes trabalhos da atriz. No último, na novela “Passione”, de Silvio de Abreu, Cleyde mostrou sua força, ganhando o público ao fazer par romântico com Elias Gleiser, seu amante na novela. O casal de velhinhos deixou claro para o grande público que o amor não tem idade, nem a safadeza!

Não tive, infelizmente, muitas oportunidades para ver a atriz no seu local de trabalho preferido, o teatro; todavia, guardo alguns bons momentos, principalmente quando ela interpretou Simone de Beauvoir em “A Cerimônia do Adeus”. Nesta ela foi dirigida por Ulysses Cruz e, graças ao mesmo, pude presenciar alguns ensaios. Cleyde esteve ao lado de Antônio Abujamra, Laura Cardoso e Marcos Frotta, na peça escrita por Mauro Rasi.

Não cabe aqui, escrever em demasia. Os livros de história estão aí, contando a vida de Cacilda Becker, a irmã de Cleyde Yáconis que é personagem marcante do nosso teatro. É impossível pensar o teatro deste país sem Cacilda, Cleyde, o Teatro Brasileiro de Comédia. Há pouco faleceu Walmor Chagas, que foi marido de Cacilda. Perdemos, em curto espaço, dois nomes importantes da nossa história. Dois artistas singulares pela elegância, pela discrição. Talvez, a melhor homenagem que posso prestar a esses artistas é registrar e indicar obras que imortalizam suas vidas e seus trabalhos; então, vamos nessa:

clee caci

Bom final de semana para todos!

.