Neste final de semanas realizaremos testes com atores do Vale do Paraíba para atuação no Arte na Comunidade 4, o AC4. É um momento de crucial importância, já que serão esses profissionais que entrarão em contato direto com o público geral das cidades participantes, em especial os alunos das escolas dos municípios.
Cruzeiro, Lavrinhas e Queluz entram no mapa do Projeto Arte na Comunidade, que já visitou cidades do Pará, Maranhão, Minas Gerais, sendo que esta é a segunda incursão em São Paulo. A mais recente edição foi na Baixada Santista em 2015.
Sonia Kavantan, a idealizadora e produtora do AC4, o diretor musical Flávio Monteiro e eu, autor e diretor dos textos, estaremos em Cruzeiro para a realização dos testes. Até agora temos sido muito bem recebidos pelas secretarias de educação dos municípios que estão nos facilitando acesso às escolas para a concretização do Projeto.
O Arte na Comunidade busca incentivar as culturas regionais através de contação de histórias, espetáculos teatrais e atividades junto aos alunos das redes municipais. Os fatos marcantes, a história e as características de cada localidade são o foco para trabalhos criativos: elaboração de textos, poemas, peças, além de expressões plásticas.
As três cidades do Vale do Paraíba têm importância notável desde o tempo da busca do ouro pelos Bandeirante, também durante o ciclo do Café, nos primórdios do século passado; pela posição geográfica estratégica tiveram participação vital na Revolução Constitucionalista de 1932. Os municípios estão próximos às divisas com os estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro na região dos pontos mais altos da Serra da Mantiqueira. Banhadas pelo Rio Paraíba do Sul, as cidades visitadas pelo AC4 são marcantes na história do Vale e de todo o Estado de São Paulo.
Estamos felizes por mais esta oportunidade e assim, vamos em frente! Sempre que possível registrarei aqui algumas etapas desse projeto.
“Brincando Entre a Serra e o Mar” terá apresentações nas duas cidades. Foto: Bruna Quevedo (Just Design)
Santos e Cubatão receberão as últimas apresentações da Mostra Teatral Itinerante do Arte na Comunidade 3. Evento gratuito e aberto ao público, programação é composta por apresentação do espetáculo “BRINCANDO ENTRE A SERRA E O MAR”, escrito e dirigido por Valdo Resende, e por uma peça convidada. Domingo, dia 31 de outubro, em Santos, será apresentada a “Caravana da Palhaça Rubra”. Dia 01 de Novembro, em Cubatão, a peça “Os Três Porquinhos”, da Cia Le Plat du Jour.
CARAVANA DA PALHAÇA RUBRA
A CARAVANA DA PALHAÇA RUBRA, UM SHOW DE VARIEDADES será conduzido pela Palhaça Rubra, que assume o papel de mestre de cerimônias e faz a ponte entre os palhaços músicos, os acróbatas e o público, que também tem papel fundamental dentro do espetáculo. A linguagem central é a do palhaço cômico e dos jogos de improviso, que envolvem a audiência em todos os números e tornam cada apresentação única.
Palhaça Rubra e Os Três Porquinhos no encerramento da mostra. Foto: divulgação.
CIA LE PLAT DU JOUR
Os Três Porquinhos é contada através de dois “açougueiros”, Pipo e Pepe, que tem um açougue muito diferente. Nele há todo tipo de carne: carne de óculos, carne de bicicleta, carne de martelo, carne de banana, menos carne de verdade… Um dia lhes pedem carne de porco e então é armada toda a confusão: um dos açougueiros se veste de lobo para desta forma entrar na história Os Três Porquinhos e conseguir a carne tão almejada. Será que conseguirão? Onde conseguirão? Como conseguirão? O espetáculo da Cia Le Plat Du Jour é atração para todas as idades.
A Mostra Teatral Itinerante é a quarta e última fase do projeto Arte na Comunidade 3, que contempla as cidades de Cubatão, Guarujá, Santos, São Vicente e Praia Grande. Ao todo foram 262 apresentações nas escolas municipais das 5 cidades, contemplando 22.200 alunos.
Idealizado pela Kavantan & Associados, patrocinado pela Alupar e Taesa e apoiado pela ELTE – Empresa Litorânea de Transmissão de Energia, o projeto Arte na Comunidade 3 leva arte e lazer por meio do teatro e busca o resgate e a valorização da cultura e da memória local.
SERVIÇO:
SANTOS – Dia: 31/out (sábado). Horário: 16h Local: Fonte do Sapo (Praia da Aparecida – canal 5).
Programação: “Brincando Entre a Serra e o Mar” e “Caravana da palhaça Rubra – Um Show de Variedades”.
“Os 3 Porquinhos” – Cia Le Plat du Jour e “Brincando entre a Serra e o Mar”
Parceria
Cubatão: PMC, SEDUC – CAPFC e SECULT – Rede pela Diversidade Cultural
Guarujá: PMG, SEDUC e SECULT
Praia Grande: PMPG, SEDUC e SECTUR
Santos: PMS, SEDUC – Programa Escola Total e SECULT
São Vicente: PMSV, SEDUC – CECOF e SECULT
Patrocínio: Alupar e Taesa
Apoio cultural: ELTE
Ministério da Cultura/ Lei Rouanet
Sobre a Alupar
A Alupar é uma holding de controle nacional privado, com atuação no setor de energia, mais especificamente nos segmentos de transmissão e geração, tendo como objetivo desenvolver e investir em projetos de infraestrutura relacionados ao setor de energia no Brasil e nos demais países da América Latina.
No próximo dia 17 de outubro estaremos em Praia Grande com a peça BRINCANDO ENTRE A SERRA E O MAR. Junto com Juju, a personagem apaixonada pela cidade, estarão seus quatro companheiros de jornada pela Baixada Santista: Jack Lee, Nenê Cambuquira, Tuca Poderosa e Sher Holl. A entrada é franca. Veja detalhes na imagem abaixo e fiquem atentos. Aqui, no blog, daremos maiores detalhes sobre a mostra teatral que encerra nosso projeto na região.
Patrocinado pela Alupar e Taesa e apoiado pela ELTE – Empresa Litorânea de Transmissão de Energia, o projeto Arte na Comunidade 3 está nas cidades de Cubatão, Guarujá, Praia Grande, Santos e São Vicente. Realização: – Kavantan & Associados, Ministério da Cultura e Governo Federal. Brasil – Pátria Educadora.
Mira Haar, Carlos Moreno, Patrícia Gasppar e Jonatan Harold
Boa música, bons intérpretes e “Florilégio II, Teatro Musical, Nas Ondas do Rádio”, prossegue carreira vitoriosa. Carlos Moreno, Mira Haar e Patrícia Gasppar revivem canções dos tempos áureos da Rádio Nacional, entre outras, e emocionam todas as gerações. Acompanhados por Jonatan Harold (que assina os arranjos e a direção musical) , o trio de atores-cantores apresenta aos mais jovens algumas entre as maiores criações do cancioneiro popular brasileiro; para outros, o espetáculo reaviva memórias, momentos especiais.
Já escrevi sobre uma volta do espetáculo (leia o texto aqui). Melhor ainda por, novamente, poder registrar e divulgar o retorno de um trabalho feito com talento e competência. Florilégio II, Teatro Musical, Nas Ondas do Rádio, com direção de Elias Andreato, está no Teatro Alfa, iniciando neste sábado, 11 de Outubro, e permanecendo em cartaz até 30 de novembro. Aos sábados e domingos, sempre às 20h.
Teatro Alfa: Rua Bento Branco de Andrade Filho, 722 Santo Amaro, São Paulo. Fones/bilheteria: 5693 4000 e 0300 789 3377. Ingressos: Inteira R$ 40,00 e meia R$ 20,00.
Com o término do Arte na Comunidade 2 passo a publicar neste blog os cinco textos que fizeram parte do projeto. Será um por semana, às sextas-feiras. O objetivo é registrar e tornar as histórias acessíveis aos interessados, principalmente aos habitantes das cidades envolvidas.
A primeira cidade, aqui o critério é alfabético, é Canápolis. “O Enigma” foi o monólogo interpretado por JOSÉ LUIZ FILHO. As imagens são de THANERESSA LIMA e do meu arquivo pessoal.
Havendo interesse em reproduzir o texto ou interpretá-lo, peço a gentileza da citação da origem.
Organizado pela Kavantan & Associados, o projeto Arte na Comunidade 2 foi patrocinado pela Alupar e Cemig, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura e contou com o apoio das prefeituras de Ituiutaba, Canápolis, Monte Alegre de Minas e Prata.
O Enigma
(Original de VALDO RESENDE)
José Luiz Filho em foto de Thaneressa Lima (divulgação)
(MÚSICA. O CONTADOR ENTRA EMPURRANDO SUA MALA-BIBLIOTECA. ANÚNCIA SUA CHEGADA COM O SOM DE UM APITO. PREPARA O AMBIENTE PARA CONTAR SUAS HISTÓRIAS. ABRE A MALA PARA SI, PROCURANDO OCULTAR O INTERIOR DA MESMA. TOCA E PARA, ABRUPTAMENTE, TIRANDO UM COPO COM GARAPA)
– Um brinde! Um brinde com a mais deliciosa garapa da estrela do pontal! (CONTINUA, COM VERSOS DO HINO DE CANÁPOLIS) “Tu és nobre, tu és grande / Município bem amado / És destaque do triângulo /Por ter sempre brilhado”. E quem não gostar de garapa faça o brinde com um refrescante suco de abacaxi! Canápolis merece todos os brindes! “Estrela nova do pontal / És exemplo de grandeza /És cidade de solo forte /Que produz fartura e riqueza.”
Senhoras e senhores, meninas e meninos de Canápolis! (FAZ MESURAS, ENQUANTO PROSSEGUE A AUTOAPRESENTAÇÃO) Meu nome é Lúcio Sabino Palmério Prado! Muito Obrigado pela atenção! Estou honrado e emocionado com a presença de todos. Com alegria apresento a verdadeira fonte de grandes prazeres: Minha biblioteca!
(PEGA UM LIVRO DE MONTEIRO LOBATO)
José Luiz Filho em foto de Thaneressa Lima (Divulgação)
Não tenho o talento da Tia Anastácia, mas posso manipular todas as receitas que celebrizaram a grande quituteira. Doces, salgados, cozidos, assados, fritos… Carnes, massas, peixes! É para enlouquecer qualquer paladar! (Pega Outro Livro) Conheço a vida dos grandes caçadores, dos maiores exploradores. Vi todas as cruzadas e caminhei com cada bandeirante! Sei nominar navios, identificar aviões, automóveis! (PEGA DOIS OUTROS LIVROS) Aqui aprendi tudo sobre o Brasil e neste descobri os mistérios desta deliciosa e cheirosa fruta, o abacaxi.
(Folheia O Livro, Antes De Prosseguir)
Para doceiras e confeiteiros o abacaxi é matéria prima para sucos, sobremesas, batidas. Simples assim. Já para os cientistas é uma planta monocotiledônea, da classe liliopsida, da ordem poales, da família das bromeliáceas… Ufa! Para milhares de pessoas o abacaxi lembra esta simpática e formosa Canápolis.
(FAZ SOTAQUE NORDESTINO E IMITA UMA CRIANÇA)
“- Como é isto, meu caro? Uma cidade chamada Canápolis não devia ter um monumento à cana e não ao abacaxi?”. Hein? Quem foi? Como? Ah! Então, quem fez esta pergunta foi Dorival, um menino que veio da Bahia para morar em Canápolis. Nossa querida Canápolis é, quando comparada a Salvador, Capital da Bahia, um bebezinho. Mas já tem história e sua gente cultiva abacaxis, também cria gado de corte e muito o mais! A cidade vai se transformando, vai se ajustando às novas realidades que o progresso trás. Justamente por ser uma cidade nova e profundamente amistosa e acolhedora é que Canápolis recebeu, há pouco tempo, várias crianças de outras partes do Brasil, cujos pais vieram trabalhar no município. Como esse Dorival.
(FAZ UMA PEQUENA PAUSA. COMEÇA “O ENIGMA”)
Dorival e vários meninos não nascidos em Canápolis estavam participando das costumeiras atividades promovidas pela Casa de Cultura da cidade. Os agentes culturais queriam que os meninos ficassem bem, felizes e participando da vida e da história da cidade. Todo mundo sabe que mineiro é hospitaleiro e Canápolis não nega essa característica: recebe, acolhe e torna seu aquele que vem de fora.
Casa de Cultura, Canápolis, MG – Foto: Valdo Resende
Os agentes da casa de cultura resolveram brincar e propor um enigma para os jovens participantes. Um enigma é um mistério escondido em versos, imagens, mapas, objetos. Um enigma é um adivinha! Prestem atenção:
“Uma só casa
Nela, três senhores
Uma grande luz!
Sem refletores.
O pequeno começo
De grandes louvores!”
Foi um grande alvoroço. Meninos de Canápolis, meninos da Bahia, meninas do Ceará, de Pernambuco, Santa Catarina, Alagoas… Todos tentando adivinhar o enigma. Terezinha, neta de Dona Benedita, respeitada benzedeira, palpitou apressada: (IMITANDO UMA MENINA) “– Monitora, os três senhores são o Pai, o Filho e o Espírito Santo!”. A monitora, que prefere ser chamada de agente cultural, refletiu e respondeu. “- Pai, filho e o espírito santo são um só, que os católicos denominam santíssima trindade. Além disso, Terezinha, essa trindade não explica todo o enigma.”
Era uma sexta-feira e foi sugerido que todos viessem para a Casa de Cultura, pela manhã. Formariam grupos, caminhariam pela cidade junto com os agentes e tentariam decifrar o tal enigma. Prometeram presentes para o vencedor e após uma noite de rápidas pesquisas, todos compareceram para o passeio revelador. Tinham livros e lanches nas mochilas, que ninguém sobrevive sem comida! Decidiram começar por uma rápida pesquisa na biblioteca municipal Carlos Drummond de Andrade. Foi lá que se deu o seguinte fato:
Juscelino, um canapolense que adora competir, lascou para todos: “- Carlos Drummond de Andrade, maior poeta do Brasil”. Dorival, nosso querido baianinho retrucou: “- Maior poeta é Antônio Frederico de Castro Alves”. Octavio, que nasceu no Pernambuco, não ficou por baixo. “- Maior que Manuel Bandeira? Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho?” Genésio, um menino que nasceu paulista entrou de gaiato na história. “- Pois os melhores poetas são paulistas!” Dorival exigiu: “- Pois diga pelo menos um!” Genésio enrolou, enrolou e foi ficando vermelho feito um peru. Uma simpática agente acudiu o menino. “- Guilherme de Almeida, Mário de Andrade e outros; muitos outros! Mas vamos em frente, que o enigma, que é bom, até aqui ninguém respondeu.”
Prefeitura Municipal de Canápolis, MG. Foto: Valdo Resende
Os meninos desceram pela praça, passando pela construção do Teatro Municipal e ali pararam, pois Terezinha, a menina interessada em acertar o enigma sugeriu que a resposta fosse o teatro. Os meninos riram quando Juscelino lembrou que o teatro, em construção, não tem refletor, não tem luz nenhuma. Continuaram caminho, chegando ao prédio moderno que abriga a prefeitura e a câmara municipal da cidade. Genésio, o paulista que não lembrou os nomes dos poetas, resolveu limpar a barra e gritou: “- Professora, Dona Maria Ignez, os três senhores são o prefeito, o presidente da câmara e o povo.” Dorival, não perdoou, “- O povo só tem a praça e olhe lá!” Juscelino completou: “- São duas casas, a prefeitura e a câmara”. Octavio deu o golpe final: “- Genésio, em boca calada não entra mosquito! E vamos em frente que não é aqui que acharemos a resposta”. Dona Maria Ignez convidou todo mundo de volta para a casa de cultura, pois lá, certamente, encontrariam a resposta.
Matriz de São Sebastião e Nossa Senhora de Fátima, Canápolis, MG. Foto: Valdo Resende
Os meninos, antes de entrarem na Casa de Cultura, pararam na igreja Matriz de São Sebastião e Nossa Senhora de Fátima. Como é linda essa igreja! Orgulho da cidade! Suas linhas curvas, uma construção arrojada, moderna! No auditório da Casa de Cultura estava ensaiando a Banda Municipal José Alexandre da Silva, sob a regência do Maestro Leonardo Augusto Reis. Um primor de banda, grande patrimônio imaterial da cidade. A criançada ficou bisbilhotando os instrumentos, fazendo perguntas e o pessoal, simpático, serviu um refresco geladinho para os meninos. Terezinha, a menina que queria adivinhar, resolveu lembrar o enigma:
“Uma só casa
Nela, três senhores
Uma grande luz!
Sem refletores.
O pequeno começo
De grandes louvores!”
A classe já estava quase desanimando. Juscelino brincava: “- Minha gente, lá em casa tem três senhores meu avô, meu pai e minha mãe. Só minha mãe é quem manda!” Depois resolveram tomar lanche no coreto da Praça 14 de Julho. Os agentes culturais, enquanto os meninos comiam, fizeram uma revisão do passeio daquela manhã e do que poderia responder ao enigma. A resposta não está nos livros, mas na reflexão que se faz após as leituras. Eles continuavam as explicações quando um garotinho, também baiano, mas que ainda não tinha entrado nesta história resolveu interromper a conversa. (COM SOTAQUE BEM CARREGADO) “– Olhem aqui, prestem atenção! Estava aqui matutando, matutando…!”.
Ninguém segurou o riso. Baiano, é bom que se saiba, assunta. Assunta! Então quando o moreno porreta matutô… Pois bem, o menino, parou o riso de todo mundo com um “oxi”! E emendou: “- Rumbora seus tabaréu! Olha aqui, prestem atenção, meu nome é Gaspar! E painho e mãinha são vizinhos do Vovô Totóca!” Quando o menino lembrou o Sr. Antonio Ferreira dos Santos, os agentes já sabiam que o menino estava certo. E Gaspar desfechou a história:
“- Uma só casa e nela três senhores: A igreja dos três reis magos. Uma grande luz! A estrela do oriente. Sem refletores. Porque o menino nasceu na pobreza. O pequeno começo De grandes louvores! Porque marca o nascimento de Cristo e a salvação dos homens.”
Toda a turma emudeceu e Gaspar não titubeou: “Rumbora me aplaudi que mereço!”. Como não obedecer? Foi então que os agentes lembraram a Igreja dos Reis Magos construída pelo Vovô Totóca, o Sr. Antonio Ferreira dos Santos, e os outros prédios que contam a vida de Canápolis. E assim termina essa história, que lembra a união e a amizade entre todas as crianças de Canápolis.
José Luiz Filho em foto de Thaneressa Lima (Divulgação)
(O CONTADOR ENCERRA SUA APRESENTAÇÃO COM UM AGRADECIMENTO. FECHA A SUA MALA BIBLIOTECA E SAI DE CENA).
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Nota: O Hino do Município de Canápolis, citado no texto, tem letra de Elias Mateus e melodia de Luciana Bezerra Carrilo.
Dois dias intensos. Tanta atividade que 12 e 13 de abril passaram como se em dois segundos. Vi tucanos anunciando um sábado alegre na Praça XV de Novembro, em Prata, Minas Gerais. Seria uma manhã ensolarada e logo nossa equipe chegou com uma parafernália simples, mas vistosa. Tecidos coloridos, banners, panfletos, música…
O ambiente transformado, o som testado e Lilia Pitta contou como foi “O ataque dos Titanossauros” para adultos e crianças. A abertura do projeto “Arte na Comunidade 2” foi suave, mineiramente mansa.
A primeira manhã transcorreu como previsto. Gente contando histórias no palco, gente contando histórias na praça. Mães lendo para os menores e crianças, já alfabetizadas, explorando os livros propiciados por nossa produção. Ambiente desmontado, a praça voltou ao seu cotidiano.
Almoço farto, mineiro! “Saco vazio não para em pé!”. E tomamos estrada rumo a Canápolis. A bela praça, acolhedora, recebeu as cores do projeto.
Nuvens carregadas, para nosso alívio, foram para longe e a tarde permaneceu ensolarada. José Luiz Filho subiu ao palco para desvendar “O enigma”.
Com nossa pequena biblioteca ambulante, com nossos tapetes coloridos para um pic-nic literário, contamos histórias para que cada um conte a sua, ou as suas histórias. O dia terminou sem muito tempo para avaliações; apenas a sensação de que tudo estava indo bem, dentro do previsto. A estrada estava aberta e tínhamos que prosseguir.
Noite de pizza, cama de hotel, café da manhã e o domingo em Ituiutaba chegou após uma madrugada chuvosa. Palco, som, caixas com fitas, tecidos, banners…
Nossa produtora, Sonia Kavantan, abriu os trabalhos do dia. Foi nesse momento que pude observá-la melhor. Na primeira cidade, Prata, fiquei distante; assim como em Canápolis. A Praça Getúlio Vargas é um local bonito, permitindo-me ver também a entrada de Ronan Vaz.
“A Batalha do Conhecimento” foi nossa terceira estreia nesse final de semana. Quem está habituado com teatro pode ter a noção do que seja isso. Tudo semelhante e nada é igual. Adrenalina pura.
Todas as imagens deste post foram feitas por Thaneressa Lima. Bom contar com uma fotógrafa que, além do registro de cada momento, ainda nos brinda com composições peculiares, fixando e fazendo-nos rever belos momentos.
Tudo muito bem, tudo muito bom, mas… A chuva caiu sobre nossos veículos quando ainda estávamos na estrada, rumo a Monte Alegre de Minas. Nossa produção foi ágil e rapidamente tínhamos outras possibilidades para a cidade.
A chuva não passou e Marcelo Ribas levou “O Inventor de histórias” em local fechado. O público da cidade não se abalou com a chuva e nosso ator inseriu a mudança de local na encenação.
Pela quarta vez repetiu-se a cena: crianças lendo histórias, descobrindo autores e livros. Começava ali a concretização do objetivo primordial do projeto “Arte na Comunidade 2”: estimular a leitura e, principalmente, a contação de histórias.
Dias assim, intensos, nem sempre tem registros completos. Minúcias, centenas de detalhes, outros acontecimentos… Pipoca, algodão doce! As araras com seu colorido espetacular enfeitando um pouco mais a Praça Nicanor Parreira; o sol, tão esperado, brindou-nos com um final de tarde maravilhoso.
Da esquerda para a direita: Thaneressa Lima, Sonia Kavantan, Thays Quadros, Letícia Teixeira, Marina Kavantan, Valdo Resende, Fredy Abreu (agachado), Erre Salviano, Marcelo Ribas, Lilia Pitta e Eduardo Bordignon.
A foto acima marca o final do evento de abertura do “Arte na Comunidade 2”, patrocinado pela Alupar e Cemig por meio da Lei de Incentivo à Cultura – Ministério da Cultura. Já tínhamos as malas fechadas; os veículos prontos.
Dias intensos! Apenas o começo! Nossos atores estão por lá, continuando o projeto, agora com apresentações nas escolas municipais. Outras histórias para escrever, para contar.
(Valdo Resende. Foto Thaneressa Lima / Divulgação)
“Pintar, vestir Virar uma aguardente Para a próxima função Rezar, cuspir Surgir repentinamente Na frente do telão Mais um dia, mais uma cidade Pra se apaixonar…”
E lá vamos nós. De mala, cuia, vontade e a certeza de ter feito todo o possível para que quatro cidades tenham o melhor de todos nós, equipe do ARTE NA COMUNIDADE 2. Prata, Canápolis, Ituiutaba e Monte Alegre de Minas! Vamos contar e ouvir histórias.
Várias viagens antecederam este final de semana. Todavia, a melhor viagem começa agora nos palcos de cada cidade, nas salas de aula de cada escola. Vamos ao encontro de adultos e crianças, de mestres e artistas regionais. Histórias para ouvir e contar, momentos para compartilhar.
“…Hora de ir embora Quando o corpo quer ficar Toda alma de artista quer partir…”
Um carinho especial para minha produtora, Sonia Cristina Kavantan; também registro sincera gratidão para a equipe da KAVANTAN & ASSOCIADOS, e para os demais colaboradores contratados para esta empreitada. Finalmente, um agradecimento especial aos nossos patrocinadores, ALUPAR e CEMIG, que viabilizaram o ARTE NA COMUNIDADE 2
“…Voar, fugir Como o rei dos ciganos Quando junta os cobres seus Chorar, ganir Como o mais pobre dos pobres Dos pobres dos plebeus Ir deixando a pele em cada palco E não olhar pra trás E nem jamais Jamais dizer Adeus.”
Então, até mais!
Nota: os versos acima são da música ‘”Na carreira”, de Edu Lobo e Chico Buarque.