Rituais de Janeiro

Agenda 2016
Um ano inteirinho pra todo mundo e a data “pra festejar”…

Gosto dessa ideia que paira no ar durante o mês de janeiro: começar de novo! Não comungo com aqueles que afirmam que o ano, no Brasil, começa realmente depois do carnaval. Primeiro porque carnaval é coisa séria e conheço de perto o trabalhão daqueles que fazem a festa de Momo; segundo, porque a grande maioria dos brasileiros volta ao trabalho no primeiro dia útil de janeiro e apenas uma parcela está de férias ou em período de recesso.

Desconfio que essa ideia do “começar depois do carnaval” é própria de quem não gosta de trabalhar durante o ano inteiro, ou de quem não está satisfeito com o que faz e protela sempre que possível. Vou deixar esses de lado, como também esquecerei aqueles que semeiam desânimo com posturas negativas sobre o que vem por aí. Tenho desligado a TV, cujos telejornais sugerem um mundo tão horroroso conotando que só nos resta o suicídio; prefiro Gonzaguinha, na voz eterna de Elis Regina “e ver, se dessa vez, faço um final feliz”.

 

O “ritual da agenda” é um dos que mais curto em cada janeiro. Há muito que, pacientemente, passo a limpo telefones, aniversários, ignorando os arquivos eletrônicos, já que ao escrever lembro cada pessoa, os que se foram neste mundo mesmo e, também e infelizmente, excluindo os que não estão mais por aqui; acho salutar passar folha por folha da agenda anterior e refletir sobre tudo e todos que estiveram em minha vida recente. Sobretudo ver quem chegou; perceber e apostar no que pode permanecer; o que terei na agenda nos próximos anos? Não sendo de ferro assinalo e destaco cada feriado prolongado, cada data em que a festa é garantida.

Encaro arrumar armário, em janeiro, como exercício de desapego. Abrir espaços, mandar um monte de coisas para o lixo, arejar armários e gavetas. É outra forma de revisar a vida, o ano que passou. Há remédios que recordam doença já esquecida e roupas que insistem em nos fazer lembrar o tamanho que um dia tivemos. Obviamente que, emagrecendo, vou querer roupa nova pra desfilar meu contentamento; e remédio, bom, o melhor é encaminhar aqueles com data por vencer para quem realmente precisa. Mantê-los é como se estivéssemos esperando a volta da doença e, desta, é bom manter toda a distância do mundo.

Janeiro é tempo de colocar em andamento o que já vem sendo pensado no ano todo; ou seja, toca a planejar tudo e mais um pouco. Alguns itens se sobressaem nos projetos durante este mês: um é o trabalho; por exemplo, além de manter tarefas na universidade penso sempre no que vem por aí e fico antecipadamente excitado e feliz com as possibilidades. Quem tem um trabalho contínuo sugiro experimentar a criação: um jardim, um livro, música, teatro. A tal “mesmice” é massacrante e cabe exercitar a cachola pra dar uma nova cor ao cotidiano.

Viagens, em janeiro, são frutos do tal planejamento aí de cima. Só ocorrerão e serão realmente legais, produtivas, se bem pensadas. Quem não vai sair de casa pode ter outra atitude: Em janeiro, com ou sem chuva, vale viajar pela cidade – São Paulo propicia viagens incríveis – e, de preferência, pensar nos passeios mais distantes para outras cidades, outros países. Do sonho de conhecer outros lugares parte-se para o planejamento de como fazer isso acontecer.

Dos rituais de janeiro priorizo aquilo que concretiza a ideia do novo, do recomeçar. É por isso que este blog está de cara nova, com outras páginas que indicam caminhos que insistirei em 2016. A agenda também tem que ser nova (insisto em recusar as eletrônicas); este ano caminharei com uma agenda linda, presente de Victor Olszenski (Obrigado!) e o apartamento, que aos olhos incautos sugere hecatombe, está apenas em transição nas tais arrumações.

O ano de 2016 está começando. E o que posso adiantar, além da cara nova do blog? Estarei dando aulas; vou trabalhar no carnaval; continuarei divulgando “Dois Meninos – Limbo”, além de muitos outros livros, como Tueris, do Octavio Cariello, que colocarei no Instagram ainda hoje. No mais, são apenas planos. Muitos! E a atitude fundamental de cada janeiro e de todo o ano: rezar para que tudo, comigo e com aqueles que amo, corra bem!

 

Até mais!

Cariello e Cariello. Iguais e diferentes

Há muitos irmãos dentro de uma mesma atividade ou profissão. Certamente o ambiente familiar, a convivência, favorece o despertar de interesses similares; se esquecermos as artes, vamos encontrar gente em todas as áreas dividindo a profissão com os próprios irmãos. Todavia, dentro do universo artístico, nos encantamos quando há uma incontestável e imensa quantidade de membros talentosos em uma mesma família.

Chico Buarque, desenhado por Octavio Cariello, divide o palco com as irmãs Miucha e Cristina

A música é pródiga em propiciar trabalho para irmãos. Os irmãos Sérgio Dias e Arnaldo Batista fizeram história com a banda Os Mutantes, assim como os baianos Caetano Veloso e Maria Bethânia têm uma carreira sólida marcada por inúmeros êxitos. Se dois é pouco, temos o “Trio Esperança”, formado por cantoras fantásticas; há outro trio, Caymmi, mais conhecido como Família Caymmi, formado por Dori, Danilo e Nana Caymmi. Sim, há que se atentar para o grande pai, Dorival. Ok; há todas as outras duplas, aquelas que se ligam via “&”; vou deixá-las para outro momento, pois há uma certa peculiaridade entre os artistas abordados neste post.

Provavelmente há muitos artistas plásticos dentro de uma mesma família. Desenhistas, designers, ilustradores… A cidade de São Paulo é o berço dos gêmeos Paulo e Chico Caruso, que já entraram para a história, destacando-se entre os cartunistas brasileiros.  Recife é o berço dos irmãos Octavio e Sergio Cariello. Como todos os artistas citados acima, os irmãos Cariello trafegam pelas mesmas formas expressivas em vias muito distintas. Esta, talvez, seja a característica mais impressionante de toda essa gente. Abençoados com os mesmos dons, traçam os próprios passos.

Não conheço Sergio Cariello e não tenho receio em afirmar que sou o melhor amigo de Octavio Cariello. O primeiro mudou-se para os EUA, lá desenvolveu uma carreira de sucesso e, de lá, seu trabalho ganhou outras praças, chegando ao Brasil. Nos próximos dias Sergio Cariello estará em São Paulo e no Rio de Janeiro em eventos que destacarão, provavelmente, a maior empreitada do artista. Sergio Cariello ilustrou nada mais, nada menos do que a Bíblia.

Projeto desenvolvido pela David C. Cook, a “Bíblia em Ação” foi totalmente ilustrada pelo artista brasileiro que, hoje, reside na Flórida. São 750 páginas com mais de 200 narrativas, na mesma ordem do original sagrado. Antes de chegar a esse projeto, Sergio Cariello ganhou o respeito dos americanos trabalhando para as gigantes editoras Marvel e DC Comics.

Octavio Cariello saiu de Recife para São Paulo. Chegando por aqui logo conquistou admiração e respeito, sendo eleito por seus pares como um dos maiores desenhistas brasileiros. Ficou conhecido nacionalmente desenhando novas charges para o “Amigo da Onça” e ganhou o mundo em publicações internacionais, chegando a desenhar parte da saga “Entrevista com o Vampiro”, original de Anne Rice.

Pude contar com o talento de Octavio Cariello quando dirigi a peça “A História de Lampião Jr. e Maria Bonitinha”, original de Januária Alves, produzido pela Kavantan & Associados. Foi ele o responsável por toda a programação visual da montagem – cartazes, convites, programa, anúncios – o que contribuiu para o sucesso do nosso trabalho. Os caminhos de Octavio conduziram-no para a literatura e, meses atrás, escrevi sobre o lançamento de Tueris, o romance escrito por ele. Antes, Octávio foi o responsável pela minha estréia em livro, quando organizou a coletânea Alterego, onde participei com um conto.

Os caminhos desses irmãos são brilhantes. Com capacidade expressiva similar, cada um percorreu um caminho peculiar, único. Pessoas iguais, com os mesmos talentos, oriundas de um mesmo lar, tiveram a possibilidade de buscar um caminho próprio, onde se realizam e são felizes. Isso é muito bom!

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Bom feriado!

Notas:

Octávio Cariello divide o que sabe com seus alunos na Quanta, academia de artes. Anote informações sobre a vinda de Sergio ao Brasil:

Maria Dalmácia e Tueris Fustado, flores paulistanas

Morar na Avenida Paulista, no começo da década de 1980, tinha certo charme. Mesmo que este tal charme (segundo uma definição de quando eu era adolescente, charme é aquilo que tem as mulheres de seios grandes!) seja indefinível ou algo que esteja, ainda que tardiamente, no inconsciente coletivo.  Para quem era novo na cidade e não distinguia bairros, subúrbio, cidades satélites, a possibilidade de residir na Avenida Paulista era o máximo!

O Baronesa de Arari, as árvores do Trianon, em frente ao MASP

Pelas tramas do destino iríamos morar no Edifício Baronesa de Arari. Tudo de bom! O prédio fica na Avenida Paulista, esquina com a Rua Peixoto Gomide, com todo um lado voltado para o Parque Trianon e, de quebra, do outro lado da avenida está o MASP, o Museu de Arte de São Paulo. E isso é só um pequeno aspecto da geografia da região.

No Baronesa de Arari morou a lendária atriz Cacilda Becker com o marido, o também ator Walmor Chagas. Consta que lá foi o lar de Sérgio Cardoso, outro ator que entrou para a história do teatro nacional. Não bastasse essa trindade de semideuses do teatro, estão no histórico do edifício o pianista Pedrinho Mattar e Elke Maravilha; esta dando um toque pop ao ambiente.

Lógico que não tínhamos idéia dessas coisas. Assim como não sabíamos que o Baronesa de Arari foi o primeiro edifício residencial da avenida, e que herdou o nome de distinta nobre, D. Maria Dalmácia, da estirpe de indivíduos raros, os  ditos “paulistanos quatrocentões”. Pepê, minha amiga, conseguira alugar um apartamento com três quartos; com ela e outros dois amigos, dividiríamos a moradia na “ala nobre” do edifício, já que a outra, com quitinetes, era o “lado popular” do local.

Lados e cores distintas. Na parte clara, os apartamentos menores.

Quatro amigos somando forças; algo tipo “a força do proletariado” unida para morar bem na capital paulista. Nossa origem modesta ficou bem definida na chegada. Embora com destino à “ala nobre” subimos a Rua Augusta com um monte de cacarecos sobre um caminhão, onde Giba e eu ríamos muito, misturados a caixas, sacos e móveis. Na cabine, ao lado do motorista, as distintas damas. A Rua Augusta ainda era, para este que vos escreve, aquela das lojas para ricos e dos boys daquele rock tupiniquim de Hervé Cordovil:

Subi a Rua Augusta a 120 por hora

Botei a turma toda do passeio pra fora

Fiz curva em duas rodas sem usar a buzina

Parei a quatro dedos da vitrine

Hi, hi, Johnny…

Subimos lentamente com o velho caminhão. Mais pau de arara impossível! Não posso afirmar pelos outros, mas eu estava feliz. Já conhecia a avenida (quem passa por aqui sabe que a Paulista foi meu primeiro endereço na cidade) e voltar era muito bom. E não para uma pensão, mas para um apartamento enorme, espaçoso e, dito Baronesa, definitivamente um local nobre.

A decadência da aristocracia é uma coisa tão antiga que só eu não havia percebido que o fim já havia chegado inclusive naquele endereço da Avenida Paulista. Foi só descarregar a mobília, e levar para o elevador de serviço, para ouvir de uma moradora: – “Se eu fosse vocês não subiria por aí não; esse elevador caiu na semana passada!”.

Pronto. O edifício visto segundos antes como um castelo, virou cortiço. O grande cortiço, um “joga-chave”, pardieiro, uma favela vertical… Com muitos problemas exteriores e, interiormente, embora confortável, havia um problema tenebroso no apartamento. Um vazamento do banheiro do andar superior obrigava-nos a usar guarda-chuva em toda e qualquer utilização do vaso sanitário. Sem direito a reclamações, já que um processo em andamento ameaçava a interdição do prédio, o que ocorreu posteriormente.

Ficamos lá por um bom tempo, com várias configurações de moradores, permanecendo sempre juntos Beth, Pepe e Eu. No final do contrato já tínhamos a companhia de Claudio e fomos morar na Vila Mariana onde um monte de outras coisas foi acrescentado às nossas vidas.

Poderia contar outras histórias do Baronesa de Arari. Deixa para outra oportunidade. Há um livro sobre o edifício (José Venâncio de Resende, Baronesa de Arary: nobres, pobres, artistas e oportunistas) e, neste momento, outros amigos moram por lá. Por enquanto, termino com uma dúvida: teria D. Maria Dalmácia, a Baronesa de Arari, conhecido Tueris Fustado, a menina que “desabrochou como uma flor selvagem, deslumbrante e caprichosa”?

Tueris Fustado é personagem que dá titulo ao romance de Octavio Cariello, Tueris, que será lançado no próximo dia 11, sábado, das 17h30 às 21h30 no Espaço Terracota. Avenida Lins de Vasconcelos, 1886. Reitero convite para o lançamento. Como o Martinelli, o Sampaio Moreira ou o Baronesa de Arari, o Tueris também é local de grandes histórias.

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Até mais!

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Em tempo, o Baronesa de Arari está firme e forte, longe de ser o local ruim que um dia foi. Os nomes de amigos, aqui citados com certa sutileza só serão revelados pelos próprios, caso queiram, nos comentários (o que me deixaria muito feliz).

Alguns fatos sobre o Martinelli

Quem viu as matérias na televisão sobre os desabamentos dos edifícios, no Rio de Janeiro, soube que rolou um “puxadinho”, uns acréscimos na construção. E ficamos todos horrorizados, embora a prática aconteça desde os primórdios do surgimento de edifícios no país. Não é exagero: o Prédio Martinelli, o edifício histórico de São Paulo, foi projetado para quatorze andares, inaugurado com doze e depois foi crescendo, crescendo, até chegar aos atuais trinta andares.

Sem receios. A construção é sólida. Quem puder conhecer o Prédio Martinelli deve torcer para que a visita ocorra em um dia ensolarado. De lá avista-se uma São Paulo maravilhosa. Os guias, muito amáveis, mostram e identificam diferentes pontos da cidade. E vão, enquanto isso, contando a história do Martinelli.

A idéia de luxo ainda está presente, em lustres magníficos pelos corredores, nas três entradas do edifício. Pela Rua São Bento é mais convencional, parece um edifício comum. Pela Avenida São João é tipo entrada de visitas – é por esta que os turistas são recebidos – e a mais elegante, com uma sobriedade delicada, é pela Rua Líbero Badaró.

Atual sede de secretarias, e outras instituições do município, o Prédio Martinelli não faz parte do roteiro turístico oficial da prefeitura. Isso implicaria em “incomodar” secretários e outras autoridades, contratar pessoal especializado. De qualquer forma, quem vence a burocracia e procura o local é bem recebido.

No topo há a mansão do Comendador Martinelli. Este mandou que fosse construída para que os paulistanos de então tivessem a certeza de que a construção não ruiria. E essa não foi a única confusão envolvendo o Martinelli.  Sem grana para concluir o prédio, o Comendador  Giuseppe Martinelli vendeu parte do conjunto ao governo italiano. Após a Segunda Grande Guerra o governo brasileiro tomou o prédio para si.

Os tempos de glória do Martinelli influenciaram o entorno. O charmoso edifício valorizou a redondeza e só veio a conhecer o declínio nas décadas de 1960 e 1970. Contou-me o guia que o Martinelli foi invadido por indigentes, tornando-se um imenso cortiço. O vão central, para respiro, virou depósito de lixo e, pior, serviu de cemitério clandestino para um tarado que seviciava crianças, assassinando-as e jogando os corpos no grande lixão em que o edifício foi transformado.

Retomado e reformado no final dos anos de 1970 o Prédio Martinelli guarda muitas histórias. De si, dos vizinhos famosos como o Banespa, a Bolsa de Valores. O guia mostrou-me estes e vários outros. Do prédio incendiado ao espaço deixado pelo outro, tornado favela vertical. Como tive a sorte de estar lá em uma manhã de sol, céu límpido, pude ver até a Serra da Cantareira e o quanto ela está sendo invadida, destruída pelas mãos humanas.

Poderia escrever um pouco mais sobre o Martinelli. Prefiro deixar o convite para que façam uma visita ao local, bastando agendar com antecedência (011 3104 2477). História inteira de um edifício e de seus moradores quem contou foi meu amigo Octavio Cariello. Está em livro, chama-se Tueris e será lançado no próximo dia 11. Então, deixo aqui dois convites: um para que visitem o Prédio Martinelli e outro para que conheçam o livro de Cariello. Esses locais são pequenos mundos, com vida própria, parte da grande galáxia que é a cidade de São Paulo.

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Bom final de semana!

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Nota:

O lançamento de Tueris será no dia 11 de Fevereiro. E o melhor é deixar visível o convite para todos vocês.

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Tueris, um romance em pedaços

Com essa expressão, “um romance em pedaços”, OCTAVIO CARIELLO começou a postar o romance “tueris” na íntegra, em seu blog. Abaixo,  os links para os primeiros capítulos, com algumas idéias que escolhi para que se tenha uma idéia do conteúdo. Os 10 primeiros já estão publicados. Fica aqui meu convite para que visitem o blog e leiam o romance.

I · balé de balas

A mancha de sangue em seu peito se espalhou com a ajuda do aguaceiro inclemente e um pequeno rio vermelho se juntou à enxurrada que não se decidia se incrustava na neve ou fluía morro abaixo.

II · le livre est sur la table

A história do edifício começa no Velho Mundo, em Paris, a cidade da torre Eiffel, do Arco do Triunfo, das tuilerias, da igreja de Notre Dame e seus Quasímodos bem vestidos, dos ricos museus e galerias de arte quilométricas, dos pães carregados sob os sovacos, dos bares e cafés ocupados por jovens e intelectuais enfastiados de Montmartre, e dos cinemas de arquitetura deslumbrante.

III · a distração do motorneiro

Não havia nada mais ridículo do que um país governado por um ditador entrar numa guerra para defender as causas democráticas. Mas Getúlio Vargas era um político de mão cheia, um demagogo populista com um clube de admiradores maior do que os do Corinthians e quase tão grande como o dos detratores do coitado do Lourival Pontes.

Octavio Cariello, o autor

O ideal seria indicar em um final de semana, mas não é leitura para pouco tempo. Então, escolha o melhor momento para conhecer o romance e iniciar a leitura do mesmo.

Leia todos os capítulos já publicados clicando aqui.

Boa semana para todos!