Roubaram o Senador!

O querido e respeitado senador
O querido e respeitado senador

É o fim da picada. Tentem imaginar a cena do “Assalto ao Senador”: um bando de jovens chega para um “guenta” no respeitável cidadão e leva carteira, relógio, corrente, aliança e… Só. Senadores não andam de tênis e as roupas, meio caretas para a moçada, são deixadas com o proprietário.

A cena poderia ser diferente: Dois ou três rapazes taciturnos, semblante carregado aproximam-se com voz forte e decidida, encostando canivete ou revólver no cidadão. “– Vai entregando a grana ai, tio! Rápido e calado.” O Senador ameaça apresentar-se; leva um safanão, sentindo o metal forçando as costelas. “- Não embroma, tio! Entrega o baguio”. Pronto. O senador virou tio. Indignado tio.

Os mais apressados com a notícia repetirão o velho ditado, com a notícia do roubo ao político: “- Quem rouba ladrão tem cem anos de perdão.” Incabível ditado quando o político é o senador Eduardo Suplicy. A honra, a dignidade e a honestidade são características de um cidadão cujo comportamento é digno do maior respeito. Mas não é que roubaram o senador? A notícia, que li aqui (clique para ler) veio confirmada através da televisão; Suplicy, de mãos dadas com Daniela Mercury, pedindo seus pertences de volta. Consta, segundo a televisão, que apenas a carteira foi devolvida.

É fato que assaltante, normalmente mamado, cheirado ou imbuído em outra droga qualquer, não iria reconhecer o semblante simpático e bonachão do Suplicy. E esses indivíduos, cujos valores são precários, respeitariam o bom homem que é o Senador? Ou aproveitariam para um sequestro relâmpago? A conta bancária do Senador deve conter uns bons trocados.

O complicado da situação é ler que a Virada Cultural, agora sob uma prefeitura petista, estaria sendo boicotada pela polícia, que é estadual. O estado, sabemos todos, é de outra facção política. Então, imaginem-se no lugar do cidadão assaltado, aproximando-se do policial que, de braços cruzados indica uma delegacia para o infeliz que, ao chegar, é informado de que deve fazer o boletim de ocorrência via internet.

Suplicy não é nada bobo. E  sugiro para quem duvidar da inteligência desse cidadão honesto, político impoluto, pensar em outra possibilidade: ao entrar no palco durante a abertura da Virada Cultural (Daniela Mercury abriu oficialmente o evento) para pedir de volta seus pertences, o Senador fez uma senhora denúncia de como estava a segurança do evento, já com assaltos na primeira hora.

Passamos pelas imediações de alguns palcos da Virada Cultural. Após o aniversário de uma amiga, que ofereceu-nos um simpático jantar, fomos até a Praça Roosevelt, depois até a Praça da República e Avenida São Luís. Muita gente! Uma multidão imensa de gente alegre, disposta a divertir-se. Natural que com tão grande multidão tenha ocorrido conflitos, problemas. A prova mais contundente de que o evento foi democrático foi que além da gente comum, que sofreu violência, sobrou até um assalto para o Senador. Portanto, diria a ministra, ex-esposa do Senador: “- Relaxa e goza. “. Afinal, sem ironias, um acontecimento envolvendo milhões não pode ser avaliado por poucas centenas de problemas.

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Boa semana para todas!

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Virada Cultural, o congestionamento de shows

Capa do disco que Wanderléa reproduzirá no Palco do Municipal
Capa do disco que Wanderléa reproduzirá no Palco do Municipal

Revitalizar o centro velho de São Paulo é tarefa para gigantes. Hoje, no começo da tarde, passando pela Avenida Senador Queiroz tive a impressão de que a região estava sendo tomada pela triste turba dos viciados em crack. Ocorre que recentemente presenciei outros grupos similares na Praça Clóvis, bem ao lado da Praça da Sé, e também nas imediações da Praça Júlio Prestes, onde ficará o palco principal da Virada Cultural.

Durante 24 horas ocorrerão mais de mil shows na Virada Cultural 2013. Mil! Nos demais 364 dias do ano tudo fica como sempre e a maioria das pessoas fogem da região. Obviamente que não seria viável ter shows todos os dias; mas se os shows ocorressem semanalmente, seriam mais de cinqüenta; mensalmente, seriam mais de 80 shows. Todavia, haveria real interesse em revitalizar a região? Poderiam, por exemplo, melhorar a limpeza das ruas durante todo o ano; para aqueles que, como eu, passam diariamente por lá, já seria uma ação admirável.

A Virada Cultural, nos atuais moldes, faz um grande alarde. A ideia veio de Paris e, lógico, como continuamos colonizados, não há o que discutir. Os franceses sabem tudo…  Assim, temos um evento que é quantitativamente impressionante. Mais de mil shows em dezenas de palcos espalhados por vários pontos do centro velho. Para dar uma ideia aos que não moram em Sampa optei por montar uma listinha do que eu gostaria de ver:

No Palco da Praça Júlio Prestes:

18h (sábado) – Daniela Mercury e Zimbo Trio
21h (sábado) – Gal Costa
6h (domingo) – Elza Soares e Gaby Amarantos

No Palco do Theatro Municipal, onde os shows reproduzirão discos completos:

21h (sábado) – Fagner: “Manera Fru-Fru Manera” (1973)
3h (domingo) – Ângela Rô Rô: “Ângela Rô Rô” (1979)
6h (domingo) – Walter Franco: “Revólver” (1975)
9h (domingo) – Wanderléa: “Wanderléa… Maravilhosa” (1972)
12h (domingo) – Jorge Mautner: “Jorge Mautner” (1974)
15h (domingo) – Eumir Deodato: “Deodato 2” (1973)

No Palco do Largo do Arouche:

17h (domingo) – Fafá de Belém

Observando a pequena relação só tenho de optar entre Gal Costa e Fagner. No mais seria necessário apenas ter saúde para uma maratona de vinte e quatro horas de shows. E antes que alguém me chame de velho devo afirmar que a Virada Cultural é ótima para quem consome quantidade. Acontece que gosto de música; prefiro ouvir e não gosto de cantar enquanto meus artistas queridos estão cantando. Adoro ouvi-los e a possibilidade de dormir, por exemplo, durante o show de Jorge Mautner é, no mínimo, constrangedora.

Há tantos outros que gostaria de ver! Ano passado passei por vários lugares. Sempre lamentando, como agora, o que não teria condições de ver e me perguntando, como hoje, porque não podemos ter 50 shows por semana. Com cinco dezenas de shows semanais haveria a possibilidade de um mesmo tanto de estilos, de formas expressivas. A Virada Cultural repete, infelizmente, o que nos faz sofrer durante todo o tempo: é só mais um dia de congestionamento em São Paulo. Um imenso congestionamento de shows.

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Boa diversão e bom final de semana para todos!

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Mawaca pra Virada Cultural

O Mawaca é um grupo musical que nos proporciona, literalmente, uma profunda e intensa viagem musical; composto por instrumentistas e cantoras, esbanja qualidade cantando a música do mundo: canções japonesas, árabes, portuguesas, indígenas… O novo trabalho e a presença do grupo na Virada Cultural são os temas deste texto.

“Inquilinos do mundo” é o trabalho que o Mawaca anuncia para 2013, baseado fundamentalmente no universo cigano e nos povos nômades. O CD/DVD do grupo, em fase de finalização, pode ter uma carreira melhor se devidamente patrocinado. Os admiradores do Mawaca poderão colaborar para que o grupo obtenha  patrocínio com ações simples: veja o vídeo abaixo, apresentando o projeto. Em seguida, divulgue-o compartilhando o mesmo nas redes sociais.

Além do primoroso trabalho dos instrumentistas do Mawaca, o vídeo, apresentado por Magda Pucci, destaca alguns momentos com solos de Angélica Leutwiller, desta com Valéria Zeidan, e outro, com Christina Guiçá. Vejam!

Em maio teremos a Virada Cultural, o evento que propicia shows por toda a cidade durante 24 horas. Neste momento um site, o Catraca Livre, está fazendo uma enquete, Quem você quer ver na Virada Cultural 2013? Para nortear o voto do internauta o site apresenta uma lista de possibilidades e, no final da lista, há um espaço para colocar uma sugestão, já que a lista não é completa. Minha sugestão de indicação para a Virada Cultural é o grupo Mawaca.

O site não garante a presença dos mais votados na enquete; conforme o próprio, “A Secretaria de Cultura da cidade se compromete a avaliar as indicações feitas pelos leitores“. Há, assim,  uma chance para evidenciar nossas preferências. Cada pessoa pode votar mais que uma vez. Veja as instruções, escolha conforme preferências e indique artistas, caso o nome dos mesmos não conste da lista.

Clique aqui, vote ou indique, no final da lista, a sua sugestão. Espero poder ouvir a música do Mawaca na Virada Cultural. Vamos nessa?

Até mais!

Música e shopping center

Black Eyed Peas, garantia de qualidade para grandes eventos.

Quando escrevi sobre o Rock in Rio, abordei alguns aspectos que valem basicamente para o próximo grande evento, o SWU. Este festival ocorre em Paulínia, no interior de São Paulo, nos dias 12, 13 e 14 próximos. Há dois textos sobre este evento, edição do ano passado, escritos pelo Flavio Monteiro. O primeiro – O que de bom reserva o SWU –  e o segundo – SWU ou Woodstock Fail – após a ida de Flávio ao evento. Seria importante relembrar as questões abordadas pelo blogueiro que, também, é músico. É clicar nos links para ir direto ao ponto.

Espero que os problemas abordados nos textos indicados acima tenham sido, no mínimo, parcialmente sanados. Comparações entre o que se promete agora e o que ocorreu no ano passado indicam que há muito por ser resolvido. Pretendo, neste post sugerido por Samuel Carvalho (Grato!), uma pequena contribuição para uma reflexão sobre esses grandes eventos, com múltiplas atrações, apelos distintos e simultâneos como os dois festivais citados e, um terceiro exemplo, a Virada Cultural que ocorre anualmente em São Paulo.

O pretexto para justificar socialmente o SWU é a tal da sustentabilidade. O Rock in Rio teve como projeto de responsabilidade social o tema “Por um mundo melhor”. Os dois eventos citam instituições filantrópicas beneficiadas. O objetivo primário da Virada Cultural seria revitalizar o centro da capital paulistana. E é assim, cheios de objetivos “saudáveis” que múltiplos eventos são oferecidos em poucos dias. É aqui que entra a “Música em shopping center”.

Sempre que vejo vários palcos e várias atrações simultâneas, sinto-me em um desnecessário shopping. Neste local de comércio costumamos ir por algum interesse específico. Chegando lá, as construções são labirínticas; as placas de sinalização indicam o caminho mais longo, para que possamos passar pelo maior número possível de corredores. Há as lanchonetes de sempre, as grandes lojas de todos os shoppings. Quando muito, o diferencial costuma ser o preço. É sempre tudo muito igual.

Nos grandes eventos musicais temos “marcas” famosas, também sempre presentes. Elas dão credibilidade, estabelecem um nível de consumo, determinam a “classe” do público. Há shows de abertura que lembram quiosques que vendem produtos acessíveis, ordinários, logo na entrada dos estabelecimentos. Há outro tipo de show, que lembra uma vitrine maravilhosa, com seus manequins ocos e fabricados em escala industrial. E se o shopping abre todas as suas lojas simultaneamente, o mesmo acontece em festivais com seus vários palcos e demais atrações. O interesse geral é seduzir.

Acostumados à cultura da grande e variada loja, o público gosta. Tanto é que esses eventos são freqüentados por milhares. Só que acabamos vendo o que não queremos, somos seduzidos por ofertas duvidosas e se há muita gente que compra por impulso, os festivais e similares levam-nos a acreditar que certos indivíduos são ídolos, ou artistas. Afinal, estão no importante evento e ocupam um palco destacado.

Sobre os festivais, iniciativa privada, resta refletir sobre a idoneidade de intenções e, quando pertinente, cobrar resultados compatíveis com as vendas de ingressos e demais fontes de renda. Já em um evento como a Virada Cultural, feito com dinheiro público, resta o dever de cobrar dos nossos dirigentes uma política de ação contínua. No caso, para a revitalização do centro antigo da cidade.

Neste ano, a organização informa que foram 952 atrações apresentadas em 93 locais e 121 espaços. Ou seja, centenas de shows durante as 24 horas da Virada só faz com que as pessoas caminhem pelas velhas ruas como se… Estivessem em um shopping. Com a diferença que neste shopping só voltarão no ano seguinte. E não é necessário ser economista pra deduzir que uma noite não levanta a economia de uma região. O sucesso da Virada agrada aos dirigentes políticos; tanto é que a levaram para toda a cidade (a revitalização do centro concorre com a revitalização dos bairros?) além de edições no interior e no litoral do estado.

Mais para frente, devidamente distanciados, veremos essa fase da história da música popular, e de suas variadas vertentes como a era dos grandes eventos. Começaram com idealismo nos anos de 1960, foram responsáveis por grandes campanhas altruísticas nas décadas seguintes e que, durante certo período – que é o que vivemos – foram transformados em poderosas máquinas de levantar dinheiro. O final desse período ainda está por acontecer.

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