No Brasil, enquanto isso…

Segundo especialistas em astrologia, tenho cinco planetas na casa da comunicação. Hoje, quatro desses planetas entraram em evidência na quinta casa, em conjunção com Plutão, obrigando-me a revelar certa verve jornalística. Tudo para verificar as últimas influências de Gêmeos sobre Câncer, o signo vigente. Vejam o resultado:

E não é que a Xuxa perdeu ação contra o Google? Corram ver as fotos e as cenas feitas no século passado pela veterana apresentadora. Enquanto isso…

Saúde: o programa governamental que garante a gratuidade para medicamentos contra a diabetes e a hipertensão, iniciado em fevereiro deste ano, já apresenta problemas. Durante todo o dia de ontem, os doentes que buscaram esse remédio em qualquer uma das 15 mil drogarias conveniadas à rede Farmácia Popular receberam a seguinte informação: “O sistema está com problemas e não libera os remédios. Não sabemos quando voltará a funcionar.” O jeito é enfrentar o mundo esportivo com muita calma.

Ingressos para decisão da Libertadores acabam em 8 minutos! Vai Corinthians! Enquanto isso…

Política: Todo e qualquer cidadão com finanças irregulares pode perder crédito na praça. Basta uma irregularidade para que o indivíduo passe muito tempo sem possibilidade de obter crédito, pois seu nome vai para a funesta lista. Exceto se o cidadão for político profissional. O Tribunal Superior Eleitoral acaba de liberar a candidatura de candidatos que não tiveram suas contas de campanha aprovadas em 2010. Isso pode beneficiar mais de 21 mil candidatos. Para quem não está mais preso em reality show, um caminho é tentar carreira em Brasília.

A musa Shayene Cesário recebe 61% dos votos e é eliminada em “A Fazenda”. Enquanto isso…

Educação: Professores parados. De acordo com a imprensa, das 59 universidades federais pelo menos 53 participam da greve. Os professores querem um plano de carreira justo. Um exemplo?  Um professor doutor em psicologia, coordenador do curso de pós-graduação de uma universidade pública, participa regularmente de bancas de mestrado e doutorado, pesquisa regularmente e o resultado de seu trabalho está publicado em órgãos especializados; atualiza-se através de estudo e de participação em congressos; é bom não esquecer, ainda leciona. Ganha o mesmo salário que o professor medíocre que apenas dá aulas. Este tem tempo de sobra para ver Avenida Brasil.

Carminha manda Lúcio envenenar o cão de Betânia. Enquanto isso…

Férias: O pedágio fica mais caro em São Paulo; o governo anunciou aumentos que variam de 2% a 14%. A tarifa mais cara é a do paulistano que quer ir para a praia. Terá que desembolsar R$ 21,20 para chegar ao litoral via Anchieta – Imigrantes.

E assim, posto tudo isso tentarei, neste final de semana, entender: o que a sábia Eliana “dedinhos” quis dizer com “Queria ver a Fátima mais solar no programa novo?”

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Bom final de semana. Descansem em paz!

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O Pequeno Príncipe virou Xuxa

Os comerciantes de plantão sempre encontram oportunidades para vendas; deve ser por isso que eles transformaram o Pequeno Príncipe, a personagem de Saint-Exupéry, em produto(s). Um pouco mais velho que Xuxa (Le Petit Prince foi escrito em 1943), mas com um apelo tão forte quanto o da apresentadora, o garoto que mora em um planeta minúsculo, onde mal cabe uma flor, agora é também garoto-propaganda de bugigangas.

No planeta do Príncipe caberiam os cacarecos vendidos por Xuxa?

Pobre Príncipe. Tornou-se relógio, aparador de livros, pulseira, trava porta, caneca, armário, sacolas, travesseiro e, pasmem! Sapatinhos roxos, verdes e amarelos.Ah, tem cadernos e blocos e sabe-se lá o quanto mais. Tudo fabricado por seis “parceiros”; esses apóiam um grande shopping na iniciativa, assim descrita e disfarçada em ação cultural:

Instalada em uma área de 400 metros quadrados, a exposição “O Pequeno Príncipe” será composta por nove cenários, que remetem os visitantes à história do clássico infantil escrito por Antoine de Saint-Exupéry. 

Os muito interessados nas crianças brasileiras informam com destaque:

“Nosso querido Principezinho ganhou sua primeira loja oficial no Brasil. Produtos exclusivos nacionais e importados. Brinquedos educativos, objetos de decoração, acessórios para bebê e ótimas opções de presentes para cativar a todos que você ama.”

Creio ser de um cinismo imenso a inserção desta frase na peça publicitária da loja:

“Se tu vens às 4 da tarde desde as 3 eu começarei a ser feliz!”

Vontade de soltar um senhor palavrão! Até aqui, alguém percebeu algum interesse em livros? Certamente, com uma ação desse porte, os autores da façanha têm autorização daqueles que detêm os direitos da obra de Saint-Exupéry. Nem um dos lados pensou em incentivar a leitura ou, no mínimo, divulgar a obra do autor francês? Só falta colocarem o Príncipe como namorado da Barbie; aí sim, completam a lambança.

No site, em comentários e mensagens, “felizes mamães” mostram-se eufóricas comentando o evento, pedindo que a ação vá para outras cidades, comemorando a oportunidade de comprar para suas crianças objetos da personagem que, do nosso planeta, só levou a lembrança de um amigo.

O que essas incautas mamães carecem é de perceber que nenhuma caneca ou lençol, toalhinha, ou qualquer cacareco, alimentará a imaginação dos filhos tanto quanto o livro de Antoine de Saint-Exupéry. Não me importa o comércio de tanta porcaria. Ficaria satisfeito se o livro fosse o centro de interesses. Que houvesse uma sincera e honesta ação integrada de vendas e incentivo para que tenhamos futuros bons leitores.

O livro! Estímulo para a imaginação e a reflexão.

Os “espertos” comerciantes terão um bom argumento para o comércio de objetos. Para isso informam que só no Brasil “O Pequeno Príncipe” já vendeu mais de 8 milhões de exemplares; assim, para que vender mais livros, ou expor outros, se boa parte dos compradores anteriores ficarão felizes em colocar cacarecos, com a imagem do Príncipe, em seus armários?

Ações empresariais refletem a ética da empresa. Suas intenções, sua responsabilidade perante a sociedade. O consumidor brasileiro está cada vez mais atento para as ações de nossas empresas, para o real significado de cada empreendimento.

Aproveitar-se do grande afeto da população pelo livro “O Pequeno Príncipe” para comercializar diferentes produtos é uma senhora tacada para o Shopping Iguatemi (Campinas e Alphaville) e seus parceiros, Melissa, Tok & Stock, Jandaia, Teca, Dryzun, I-Stic, GCK Design e Pacific. Ok! Senhores comerciantes, os senhores ganharão muita grana! Qual a contrapartida? O que proporcionarão de real valor para nossas crianças?

“-Onde estão os homens?” A resposta: -Foram às compras.

Há um momento em que o Príncipe lança a pergunta: “- Onde estão os homens?” E a resposta, a depender dos empresários das empresas acima, só pode ser uma: Foram às compras!

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Boa semana!

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