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Foi rápido; sem bicicleta, sem lenço e com documento, participei da pedalada nacional, ou “bicicletada” nacional, ou ainda como prefiro, um ato de protesto pela morte de ciclistas em nosso país. Primeiro, quero celebrar a liberdade de poder dizer publicamente, enfaticamente, que não aceito, não compactuo e não posso tolerar atropelamentos de ciclistas, pedestres ou de quem quer que seja.

Passei mais cedo pela Avenida Paulista; na altura de onde ocorreu o atropelamento da bióloga Juliana Dias pude ver uma bicicleta com placas, flores, velas. Os objetos, lembrança de morte, estavam postos como outros, encontrados em estradas de todo o país. Pensei na perda que a família chora, recordei o momento em que fui atropelado e tive o tornozelo esfacelado e agradeci pela minha vida. A moça, de 33 anos, não teve outra chance.

Saindo do trabalho, voltei pela Paulista, para reencontrar Octávio Cariello e, antes, encontrei a passeata. No sentido Paraíso, os ciclistas caminhavam, pedalando calmamente; no sentido oposto, em direção a Avenida Consolação, sentavam-se nos cruzamentos, parando o transito. Sem bicicleta, sem máquina fotográfica para registrar… Simbolicamente retomei a Avenida que tanto amo, acomodando-me para a lente do celular do meu amigo.

A cidade é nossa, é minha. A cidade é, sobretudo, do ser humano. Do motorista de ônibus, do motorista de taxi, dos motociclistas, ciclistas, de todos nós, pedestres. Porque somos pedestres; todos! Rodas são como extensões de nossas pernas; foi o que escreveu Mcluhan. Não são extensões de armas sob a condução de irresponsáveis. Pelo menos não deveriam ser. E devemos, com seriedade, buscar as causas. Ir além do motorista, para conhecer amplamente as circunstâncias que resultam em acidentes.

Na televisão estamos vendo uma campanha para que respeitem as faixas de pedestres. Dados da Secretaria de Engenharia de Tráfego informam que 439 ciclistas morreram no trânsito entre 2005 e 2010. E aqueles que saíram “apenas” machucados? Vi uma madame, daquelas tipo “você sabe com quem está falando”, vociferando, impedida de prosseguir. Lamento. Mas a maioria das pessoas só entende quando em condições desfavoráveis. E nossos líderes políticos só atendem pressionados pela opinião pública.

Na Paulista, bem perto de onde a bióloga foi atropelada, estão quatro esculturas (foto acima) fortemente protegidas por uma caixa de vidro. Há momentos em que penso nesta como única forma de sobrevivência nesta cidade. Uma caixa que nos proteja do ar poluído; que nos livre do barulho insuportável de gente que não respeita o ouvido alheio; uma caixa que garanta a proteção do nosso corpo perante máquinas que não deveriam ameaçar nossas vidas. Resistirei o quanto for possível. Pelo direito de ir e vir, com segurança, presto meu apoio e solidariedade ao movimento.

Em memória dos 439 ciclistas mortos!

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