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Semana de perdas lamentáveis. Para o rock, com a morte de Celso Blues Boy, para a MPB, a morte de Magro (Antonio José Waghabi Filho), líder do grupo vocal MPB4.

Chico Buarque com o MPB4, Roda Viva para a eternidade.

Todo apreciador de música brasileira não digere bem a música Roda Viva, de Chico Buarque, quando não interpretada por ele e pelos “meninos” do MPB4. Desde a primeira audição, no antigo Festival da TV Record, os quatro integrantes do MPB4 ficaram definitivamente associados ao compositor e a um repertório de altíssima qualidade. Com Magro estiveram Dalmo, Miltinho e Aquiles. A afinação impecável, os arranjos inteligentes e sofisticados.

Há uma infinidade de canções que serão eternamente associadas ao grupo. “Amigo é pra essas coisas”, certamente, é a mais tocada e cantada por boêmios, em mesas de bar e boates, de todo o país. Os rapazes do MPB4 colocam doçura e virilidade em uma canção que poderia ser alçada à categoria de hino da amizade.

Magro (Antonio José Waghabi Filho)

Adeus.
Toma mais um…
Já amolei bastante.
De jeito algum…
Muito obrigado amigo.
Não tem de que.
Por você ter me ouvido.
Amigo é pra essas coisas…
É.
Toma um Cabral.
Tua amizade basta.
Pode faltar.
O apreço não tem preço.
Eu vivo ao Deus-dará!

Além do repertório de carreira, que inclui músicas extraordinárias como “De frente pro crime” (João Bosco e Aldir Blanc), ou “Cálice” (Chico Buarque e Gilberto Gil), quero recordar outros momentos do grupo, como por exemplo, a participação na peça “Os Saltimbancos”, quando Ruy interpretou o cachorro e Magro, o Burro; os dois formaram, no musical infantil, um quarteto com a gata, interpretada por Nara Leão e a galinha, por Miúcha. Também é inesquecível os encontros do MPB4 com o Quarteto em Cy; os quatro rapazes e as quatro meninas deixaram uma gravação memorável e uma interpretação imbatível para o “Cio da Terra” (Milton Nascimento e Chico Buarque). Para concluir esse pequeno inventário de lembranças, a “Antologia”, uma série em que o grupo resgata e registra a história da nossa música.

Nossa música fica mais pobre, desfalcada, com a morte do guitarrista e do cantor. Pouco acompanhei a história de Celso Blues Boy, embora tenha conhecimento do que ele fez para a música brasileira. Do outro lado, sinto a morte de Magro como a de um velho amigo, com uma amizade que começou lá nos anos 60, quando bastava um microfone para cinco pessoas. Sim, um único microfone para o MPB4 e Chico Buarque. E o Brasil ganhou uma “Roda Viva” inesquecível. Pequenos detalhes que tornam um momento especial, que não deve ser esquecido. Primeiras lembranças quando ouvimos um nome, quando lamentamos uma perda.

Magro, Ruy, Aquiles e Miltinho. A formação original.

Para detalhes sobre a morte do cantor, veja aqui.

Até mais!

Notas:

Amigo é pra essas coisas (Sílvio da Silva Junior e Aldir Blanc)